05 outubro 2011

ADEUS

A quarta maçã




Nasci em 1956 em Bauru, no interior de São Paulo, numa família católica apostólica romana. Cresci sob a moral cristã num contexto em que uma maçã teve peso absoluto. Foi experimentando uma que Adão e Eva desobedeceram a uma ordem divina e foram expulsos do Paraíso. 


Mesmo que você argumente que Adão e Eva são apenas uma alegoria e que nada daquilo existiu de fato, aquela maçã determinou um momento de virada que influenciou a história da humanidade e a formação moral de milhões de pessoas. 


Sou o que sou como reflexo daquela primeira maçã.


Em 1965, com 9 anos de idade, ganhei um compacto duplo com quatro músicas: Help!, I'm down, Not a second time e Till there was you, de uma banda chamada The Beatles. Mas eu era muito jovem para entender aquilo. Foi só a partir de 1969, aos 13 anos, depois de ganhar um elepê chamado The Beatles, que percebi que algo diferente acontecia no mundo. 


E comecei a trilhar um caminho no qual meu modo de vestir, de dançar, de pentear o cabelo comprido, de falar e de interagir com os amigos e com a família entrava em choque com a geração de meus pais. O mundo estava em revolução. 


Vietnam, rock'n'roll, as drogas, os hippies, a contracultura, os quadrinhos, o cinema, tudo mudou. Mas foi aquele disquinho de 1969 que abriu meus olhos para o que estava acontecendo. Ah, sim, aquele elepê foi editado por um selo novíssimo, chamado... Apple.


Sou o que sou como reflexo daquela segunda maçã.


Cresci, fiz minhas escolhas e nos anos 1980 fui trabalhar como executivo numa multinacional de autopeças. Em 1986, produzindo um anúncio em homenagem à Volkswagem, fui a uma agência de criação onde conheci uma novidade: um computador Macintosh. 


Assisti maravilhado o artista fazendo diabruras com o logotipo da empresa, botando abaixo tudo aquilo que eu conhecia de fotomontagem, paste-up, letraset e fotolitos. Uma máquina com um design diferente, tela em preto e branco, um mouse e a capacidade de fazer coisas que a gente via na tela antes de ter o produto pronto! 


Eu sabia que naquele momento minha vida começava a mudar. O computador passou a ser minha ferramenta indispensável para pesquisar, brincar, criar e me comunicar. Mudei a forma de trabalhar, a forma de pensar, a forma de me relacionar com o mundo. 


Depois veio o IPod com o ITunes, a base da tecnologia que me possibilitou criar o podcast Café Brasil. E por fim, o IPhone e o IPad. Nunca me cansei de admirar aquela turma capaz de criar coisas com as quais a gente nem mesmo sonhava... Ah, o nome da empresa é: Apple.


Sou o que sou como reflexo dessa terceira maçã.


Pois agora morreu Steve Jobs, o gênio criador da Apple, um espetacular editor de idéias que sabia antes da gente o que é que a gente queria. 


Não tenho dúvidas que junto com ele morreu muito do espírito inquieto que fez da Apple a empresa revolucionária que mudou a vida até de quem não sabe o que é um computador. 


Mas hoje acordei com uma dúvida...


Qual será a quarta maçã?




*O jornalista multimídia Luciano Pires almeja despocotizar o Brasil com as armas da Comunicação


SAIBA MAIS 

27 setembro 2011

OS 3 MEDOS DO HOMEM

Prazer e Poder*



Como não sou de ferro nem fui generosamente aquinhoado com uma paciência de Jó, juro que estou ficando, a cada dia que passa, cada vez mais cansado, aborrecido e sumamente entediado com o quase cotidiano, repetitivo e insistente peditório de certos camaradas, que vivem a me aperrear o juízo na busca desesperada de comprimidos para turbinarem os seus desempenhos ao celebrarem no altar de Vênus. 

Do jeito que vem crescendo o número de pedidos dos milagrosos remedinhos, nem que eu me multiplicasse por setenta vezes sete acho que não daria conta de atender as crescentes necessidades dessa verdadeira multidão de suplicantes. 

Faço o possível e o impossível junto aos sempre solícitos representantes dos laboratórios fabricantes de tais remédios, na vã tentativa de conseguir mais amostras grátis do que eles podem me ofertar, por maior que seja a boa vontade que demonstrem e tenham. 

E a razão para isso é muito simples: é que a oferta é muito menor do que a demanda e nada me resta fazer quanto a isso.

Bem sei, após tantos anos de experiência, a observar atentamente as diversas nuances do comportamento humano, tanto entre as quatro paredes do consultório como na convivência pessoal com os meus imprevisíveis semelhantes, que nós, os chamados bípedes pensantes, por vezes muito mais bípedes que pensantes, trazemos uma infinidade de medos trancafiados nos cafundós da nossa alma e que a vida é um desafio constante e uma luta interminável para encará-los de frente e vencê-los. 

Acaso desistamos dessa briga, estamos literalmente fritos, condenados eternamente ao divã dos psicoterapeutas e ao cuidado dos psiquiatras. O que não é lá um bom negócio — nem num caso nem no outro. Ouso afirmar isso, mesmo correndo o risco de desfalcar a minha já parca clientela, prejudicando um dos meus indispensáveis meios de ganhar a vida, botar o de comer na mesa, garantir o aluguel, o saldo das contas.

Por ser pertencente ao gênero masculino, é que sei que o homem vive atormentado, em geral, por três grandes medos desde que as galinhas ciscavam pra frente por entre as patas dos dinossauros. O primeiro, exatamente o maior e mais antigo, é o medo da morte, desde que nosso intelecto tomou o fatal conhecimento de nossa finitude e de que, feliz ou infelizmente, não nascemos pra semente. 

Um certo dia, chega a nossa vez e tudo acaba quando menos esperamos, e até agora não sabemos qual o nosso destino final após esticarmos as frágeis e mortais canelas. Há aqueles que acreditam piamente existir outra forma de vida após passarmos desta para pior. 

Outros há cuja crença se resume ao fato de que, depois da nossa terrenal existência, apenas nos tornamos comida dos vermes e pronto, o que era doce acabou-se. E assim, nosso fim último é nos desfazermos em pó, espalhando os átomos que nos formam aos quatro ventos.

O segundo medo que acompanha o macho por toda a sua vida é o de ter a cabeça enfeitada por um par de chifres, pespegado cruelmente pela mulher que supomos nossa, seja lá qual for a relação que com ela mantivermos. Sempre provocou um imenso pavor nos homens a terrível e desmoralizante possibilidade de ser corno, mais por causa dos comentários alheios que por orgulho próprio e pela tal de honra pessoal, que alguns de caráter mais primitivo creem que só pode e deve ser lavada e enxaguada com sangue. 

E o terceiro medo que nos assombra a existência é o de falhar sexualmente, na hora agá da onça beber água. Não há como negar ser a impotência um constante e inextinguível terror masculino. Nessa nossa sociedade do espetáculo o desempenho, a performance, principalmente na cama, funcionam como provas cabais, incontestáveis de uma vencedora superioridade sobre os outros homens. 

Há muito, o falo deixou de ser um instrumento de prazer para tornar-se um viril símbolo de poder. Que pena tenho de todos nós!..




*Antônio Airton Machado Monte — médico-psiquiatra, escritor-cronista
e colunista do Jornal da Praia desde os longínquos anos 1980 —
deleita-nos com as contradições da época em que vivemos

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21 setembro 2011

BE CAREFUL, BABY --

The Bee is Coming!


Hora da relíquia: há 44 anos rolou polêmica sobre se esta canção seria 
ou não da dupla Lennon-McCartney. Britânicos são ou não criativos?!?




Uma curiosidade lançada em 1967,
L.S. Bumble Bee é puro
entretenimento 
-- e uma oportuna
chance para 
treinar o seu Inglês. 


Pois pra começar, siga a letrinha:

Lyrics to the L.S. Bumble Bee




There is a little insect
Not many people see
He's known to all the insects
As the L.S. Bumble Bee


So when you hear him coming
Just throw away your tea
That psychodelic humming
Will mean you'll soon be free!


The Bee is coming!


I can hear the humming
Of the bubbly 
L.S. Bum Bum Bumble Bee


Now it's time to fly
Out of your mind
And into the sky
With me


I fly to the land
Where my hands can see 
And my eyes can walk
And the mountains talk }x2


I hear with my knees
Run with my nose
Smell with my feet
My mouth is a rose


Aahhh (x4)


I can hear the hum
Of the bubbly 
L.S. Bum Bum Bumble Bee


Take a little sip
From the tasty lips
Of the L.S. Bumble Bee


Aaaaahhhh (x9)


I hear with my knees
Run with my nose
Smell with my feet
My heart is a rose


Aaahhh (x2)


Bum (x7) Bumble




 {x2 The L.S. Bum Bum Bumble Bee

01 setembro 2011

PENSAMENTO ESTRATÉGICO


A descoberta do mundo*



O Brasil carece de uma rede vibrante de think tanks, os centros de pensamento que subsidiam e ajudam a direcionar a política externa — nos EUA, na Europa ou na China.

O
s mais reconhecidos por aqui, IPEA-Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, FGV-Fundação Getúlio Vargas e CEBRI-Centro Brasileiro de Relações Internacionais, intervêm com timidez no debate público e na mídia — em geral, por meio de opiniões individuais de seus integrantes, não por diagnósticos institucionais.

 As ferramentas de comunicação dos laboratórios de ideias nacionais são rudimentares. Além disso, eles têm pouca ressonância no governo, ao contrário do que se observa, por exemplo, na China.


O ex-chanceler Celso Amorim diz que não há "influência diretamente perceptível dos nossos embrionários think tanks" na política externa. Relata ter "recorrido incidentalmente ao IPEA", em negociações comerciais, e "mantido conversas com a FGV, que tem potencial para funcionar como um laboratório de idéias". Nota que tem dificuldade até para encontrar uma tradução adequada para a expressão think tank".

Matias Spektor, ex-pesquisador do Council on Foreign Relations (CFR), o mais influente dos EUA, e hoje coordenador do Centro de Relações Internacionais da FGV, no Rio, faz coro. "A caracterização think tank ainda é muito incipiente no Brasil." Ele elogia o IPEA, que "é do governo, mas faz pesquisa de interesse público e promove o debate", mas cobra mais. "Há poucos think tanks. Isso precisa mudar. Aquilo que acontece no mundo afeta o Brasil cada vez mais, e vice-versa."

TRADIÇÃO ENDOGENISTA
Marcio Pochmann, presidente do IPEA, frisa que o instituto criou há três anos uma divisão de relações internacionais e ampliou seus quadros. Segundo ele, o País "tem tradição muito endogenista e só agora começa a mudar".

Não só o Brasil, aliás. Nas últimas décadas, "FMI e Banco Mundial orientavam [a política externa], mas agora há uma disputa de conhecimento", diz Pochmann, citando os encontros de think tanks dos Brics realizados nos últimos dois anos, em Pequim e Brasília, nos quais o IPEA representou o Brasil.

O ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, que criou e ainda é a voz mais influente do CEBRI, diz que "só com o tempo" os think tanks brasileiros terão o peso dos congêneres dos EUA e outros países. Ele lembra que o CFR, por exemplo, foi criado pela "elite da Costa Leste, preocupada com o papel dos EUA depois da Primeira Guerra", quando o país despontou como grande potência.

O ex-ministro do Desenvolvimento Sergio Amaral, criador e diretor do Centro de Estudos Americanos na FAAP-Fundação Armando Alvares Penteado, em São Paulo/SP, acrescenta que a "demanda por uma informação mais ampla e de melhor qualidade sobre a questão internacional começa a surgir agora".

Amaral lembra o chiste com que abria palestras como embaixador no exterior: "Vocês certamente sabem que o Brasil foi descoberto em 1500, mas talvez não saibam que o País só descobriu que o mundo existe faz uns 10 anos!".

COMUNICAÇÃO
Há, no entanto, quem adote tom menos otimista. David Fleischer, professor de relações internacionais na Universidade de Brasília (UnB), ressalta que "os nossos think tanks não cresceram o necessário, acompanhando o tamanho do Brasil". Para ele, "o Itamaraty age praticamente no vazio" e mostra até "resistência"; de seu lado, as vozes do país no campo das relações internacionais são "individuais, não institucionais".

Fleischer cobra, em especial, estratégias de comunicação que permitam participação cotidiana no debate de política externa. Lembra que, em Washington, think tanks como o Inter-American Dialogue produzem "análises diárias" que abastecem a imprensa.

Os centros de pensamento reconhecem o problema. Lampreia diz que o CEBRI está "estudando ativamente" modelos americanos. "Na política de comunicação deles, blog e sites são fortes. Nós aqui quase não temos conteúdo próprio. Temos eventos."

Spektor também relata um "debate muito intenso" na FGV, opondo uma corrente defensora da manutenção do foco em "pesquisa, não blog" a outra que pleiteia mais atenção à comunicação. Ele cita o modelo do CFR, que "tem um jornalista com grande traquejo de política internacional cujo trabalho é provocar os especialistas — acadêmicos que não escrevem necessariamente num estilo jornalístico — a produzir análises curtas que ele edita".

Pochmann anuncia que o IPEA, que já lançou uma publicação, Tempos do Mundo, está em fase de remodelação, com um "novo plano de comunicação". Mas a menina dos olhos atual é o "investimento em tecnologia".

FINANCIAMENTO
Outro nó é o financiamento das atividades dos laboratórios brasileiros de ideias, hoje realizado em bases heterogêneas. Amorim indica que "o grande problema dos think tanks —salvo aqueles que se querem claramente partidários ou de apoio a governos — é o de assegurar um mínimo de independência".

Dono da maior estrutura, o IPEA é estatal e está ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o que ajuda a entender a expansão recente.
Embora vinculado à PUC-RJ, também o recém-criado Centro de Estudos e Pesquisas dos Brics tem sustentação estatal (da Prefeitura do Rio).

Já o CEBRI recebia recursos federais quando foi criado, em 1998, e, "de repente, o governo do PT cortou", diz Lampreia. Hoje, "é mais ou menos autossuficiente", com apoio de empresas privadas.

A FGV e os centros de universidades têm o suporte de seus braços educacionais, além de acesso a linhas de financiamento nacionais, a saber, CNPq, Capes e FINEP, e internacionais, como Carnegie e British Academy.

CURSOS
É na academia que se origina boa parte do entusiasmo com as perspectivas para os think tanks no Brasil. O interesse ficou claro no terceiro encontro da Associação Brasileira de Relações Internacionais, há duas semanas, na USP. "A associação viu um crescimento muito expressivo no número de filiados", diz Spektor. "A gente fica muito esperançoso com a área. Houve um aumento exponencial no número de cursos de graduação e de pós-graduação."

A procura pelos cursos de relações internacionais é hoje "muito maior", atesta Lampreia. "Na década de 1970, havia um. Hoje, são 115. Já encontrei estudante de relações internacionais em Roraima, no Acre e nos lugares em que você menos suspeitaria."

Amaral, que foi professor na UnB nos anos 1980 e 1990, relata que, "naquela época, a grande preocupação era se os alunos iriam encontrar mercado de trabalho". Já hoje os encontros estudantis reúnem "2.500, 3.000 pessoas". Em contraste, anota, "estamos engatinhando nos think tanks".

Celso Amorim contemporiza, chamando atenção para "certa movimentação em torno de temas como Brics e China" nos laboratórios de ideias — o que, ele sugere, configura "um começo".



                               *O jornalista paulista Nelson de Sá é articulista da Folha de S.Paulo. 

(conteúdo originalmente publicado em www1.folha.uol.com.br/ilustrissima) 
(imagem em www.xyzlove.com) 



31 agosto 2011

AS TIRIRICAS

Esse nome não me é estranho*


Há cerca de 20 anos tive o privilégio de conviver com Orlando Villas Boas enquanto trabalhei num livro sobre ele e seu irmão Cláudio. Passei muitas horas em sua casa, abrindo caixas e envelopes, revendo fotos e documentos e ouvindo histórias e mais histórias de um dos brasileiros mais importantes de todos os tempos.

Orlando era uma figura fascinante. Seu delicioso senso de humor e memória prodigiosa hipnotizavam a todos com as histórias dos anos em que permaneceu nas selvas brasileiras como indigenista. 


Os irmãos Villas Boas tornaram-se respeitados no mundo todo e deixaram um legado precioso para o Brasil. Quando Orlando faleceu os índios perderam um pai. E ganharam dezenas de padrastos.


Escrevi estas linhas no calor das discussões sobre a demarcação das terras indígenas na fronteira entre o Brasil e a Venezuela. E em meio ao bate-boca, me lembrei especialmente de uma das conversas com Orlando, quando lhe perguntei do interesse que estrangeiros teriam sobre as regiões demarcadas para os índios.
 


O velho sertanista contou que havia muitos anos o fluxo de estrangeiros na região era intenso. Que dezenas de “pastores”, com a desculpa de realizar trabalhos humanitários, estavam mapeando nossas riquezas. Em determinado momento ele disse mais ou menos assim:
 


— Luciano, sabe o que vai acontecer? Esses ‘pastores’ vão levar jovens índios para o exterior. Vão educá-los e formá-los para que sejam os novos líderes em suas tribos. E quando retornarem ao Brasil esses líderes começarão a requisitar novas terras e a se organizar. Conseguirão demarcar reservas gigantescas e logo formarão uma ‘nação’ que pedirá sua independência. E a ONU reconhecerá essa independência. E então eles terão toda facilidade para negociar as riquezas com os ‘pastores’ que os educaram.


 Ouvi isso mais de vinte anos atrás, mas fiquei tranqüilo. Afinal, quem me contava era Orlando Villas Boas. Alguém haveria de ouvi-lo. Ele tinha trânsito no governo, respeitabilidade e credibilidade. Jamais passou por minha cabeça que Orlando, como tantos outros, era considerado por quem detinha o poder como “apenas um técnico”. 


Não tinha mais força política para se fazer ouvir e provocar mudanças reais. Não estava incluído nos círculos “estratégicos”do poder. Quem o ouvia, quem o respeitava, quem o admirava não tinha poder. Orlando era apenas um conselheiro...


 Mais de duas décadas depois, suas previsões chegam perigosamente próximas da realidade. Um grupo de pessoas contaminado por uma perigosíssima mistura de ideologia com comércio — não se sabe bem qual a serviço de qual — está mudando o Brasil. 


Nas mãos desse grupo, temas como ecologia, pesquisas com células-tronco, controle populacional, erradicação da miséria, educação, energia alternativa, liberdade religiosa, integração racial e tantos outros assuntos importantes são ferramentas para conquista ou manutenção do poder.


 Esse grupo tem voz ativa. Pauta a mídia. Manipula a opinião pública. E, quando isso acontece, dá no que dá: os técnicos, como Orlando Villas Boas, só são ouvidos se servirem aos objetivos do tal grupo. Então são exibidos como ícones, como os sábios que tranquilizam e mostram o acerto das políticas e estratégias adotadas.
 


Mas se não servirem, são tratados com falsa reverência, homenageados, aparentemente respeitados e isolados. A sabedoria de suas palavras vai-se com Pôlo, o deus indígena do vento. E ficam as Tiriricas, as deusas indígenas da raiva, do ódio e da vingança.

E aí é a isso que você está assistindo.



*O jornalista multimídia Luciano Pires combate com todas as armas da Comunicação por um Brasil despocotizado.

SAIBA MAIS


..."O menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos."          Erico Veríssimo, em sua época

26 agosto 2011

COMO É SER VOCÊ

No arco-íris da manhã





MUTANTES -- MENSAGEIRO


Toda essa confusão que quebra a sua cabeça
A vida pela frente e tanta indecisão
Pra onde você vai?
Como é que é ser você?
Andando nua pelo fio da navalha
E eu te vejo do outro lado do espelho
Enquanto se despe
Da sua solidão
Pra onde é que você vai?
Aonde é que se esconde?
Qual a resposta pra pergunta nesse seu olhar?
Qualquer que seja, ali vai me encontrar
Eu sou o mensageiro
Eu trago o Sol nas mãos
Eu sou como o vento
Que te acorda do teu sonho sem cor
No arco-íris da manhã
Sei seus segredos
Dos teus desejos, dos teus medos sorrio
Eu sou o corvo negro
Sonho o teu sonho
No arco-íris de amanhã.

19 agosto 2011

CANÇÃO DA TERRA

Doi ver o mundo assim





Este vídeo recebeu o prêmio Le Film Fantastique (Melhor Clipe) em 1996, tendo sido indicado no ano seguinte ao Grammy Awards. 

 Trata-se de Earth Song, composta e interpretada por Michael Jackson. 
Clique > para assistir, em versão legendada.



16 agosto 2011

EUA: COMPLEXO MILITAR-ACADÊMICO

 Forças Armadas na América Latina*



A militarização imperialista na América Latina tem se expressado historicamente de maneiras diversas, mas sua essência permanece. 

Tanto nas novas como nas velhas formas, o objetivo foi e continua sendo o mesmo: obter a dominação e a exploração dos povos. Isto é particularmente válido em um período de crise sistêmica como o que estamos atravessando, quando, mais que nunca, o poder imperial precisa descarregar sobre os povos as consequências da crise, fazendo com que as políticas de dominação assumam contornos brutais.

É de todo importante conhecer as formas renovadas que o projeto imperial assume para poder denunciar seus planos e enfrentá-los. Com essa finalidade, convém concentrar a atenção em dois documentos elaborados nos últimos anos que orientam as ações das forças armadas dos EUA: são eles a Visão Conjunta 2020, VC2020, (Joint Vision 2020), emitido pelo Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, no ano de 2000, e a Estratégia do Comando Sul dos EUA 2018 (United States Southern Command Strategy 2018), preparado pelo Pentágono em 2008.


O núcleo do primeiro documento é a doutrina da dominação de espectro completo — Full Spectrum Dominance —, orientada para proteger o que se denominam “os interesses globais e as responsabilidades dos EUA” na nossa região e no resto do mundo. Segundo a definição, a "dominação de espectro completo" é “a capacidade das forças dos EUA, operando unilateral ou conjuntamente com aliados multinacionais ou forças inter-agências, de derrotar qualquer adversário e controlar qualquer situação em qualquer lugar do mundo”.

Isto inclui conflitos com emprego de forças estratégicas e armas de destruição em massa, guerras em teatro de operações convencional, conflitos regionais e contingências de menor escala, como situações ambíguas que caem entre paz e guerra, tais como as operações para manter e reforçar a paz, a ajuda humanitária e o apoio às autoridades locais. 



Sem subterfúgios, estão a nos advertir sobre o que poderemos esperar das guerras imperialistas do século XXI: uma ação global desdobrada em todos os domínios, no especificamente militar, com seu poder letal, mas também no plano político, econômico, ideológico e cultural, sem limitação ou condicionamentos jurídicos e morais de nenhuma espécie. Não se trata de uma simples ameaça, pois é exatamente o que estão fazendo com a Líbia.

Se alguém ainda duvida de suas intenções, a VC2020 explicita: “Para que nossas forças armadas sejam mais rápidas, mais letais e mais precisas em 2020 do que são agora, devemos continuar investindo e desenvolvendo novas capacidades militares”. Para isso o orçamento de guerra dos Estados Unidos cresce cada ano e na atualidade equivale à soma do orçamento militar dos demais países do mundo.


No atual contexto estratégico mundial, os EUA se percebem como um sheriff global. Por isso, afirmam que suas forças conjuntas devem estar preparadas para se projetar e atuar em qualquer lugar do mundo, aptas a conduzir operações rápidas e sustentáveis, dispondo de liberdade para operar em todo o planeta, seja no espaço, mar, ar, terra ou na área de inteligência.

Isso é exatamente o que propôs a recente cúpula da OTAN, realizada em Portugal, em novembro de 2010, onde proclamou-se o papel global dessa aliança agressiva encabeçada pelos EUA.

No segundo documento mencionado, a Estratégia do Comando Sul dos EUA 2018, são concretizados os conceitos de VC2020 como objetivos estratégicos do governo dos EUA para a América Latina e o Caribe. Vale a pena analisá-lo para se precaver e estar preparado para atuar. É um desafio que propomos aos leitores e que excede os limites deste artigo.


(Texto extraído do documento apresentado por Rina Bertaccini* à Mesa Redonda n.º 7 / O Complexo Acadêmico-Militar dos EUA e suas Relações com a América Latina, promovida no V Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos de Defesa, realizado em Fortaleza, no Seara Hotel, de 8 a 10 de agosto de 2011)
(versão em Português: Olga Benário Pinheiro para conteúdo publicado no jornal O POVO em 20.08.2011)

*Rina Bertaccini é engenheira, geógrafa, presidente do MOPASSOL-Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos (sediado
na Argentina), vice-presidente do Conselho Mundial pela Paz e colaboradora do Observatório das Nacionalidades 
www.nacionalidades.ufc.br

(Imagem de Barack Obama em 
http://southasiarev.wordpress.com/2010/11/page/2)   









14 agosto 2011

NADA SERÁ COMO ANTES

Os zoiudos*

Comprei um Kindle, o leitor de livros eletrônicos da Amazon, e comecei a baixar os livros que eu queria. Uma experiência fascinante! Descubro o livro e em três minutos tenho-o em mãos! Mas logo percebi que algo estava faltando...

Veja só, até hoje a experiência de consumo de bens culturais utilizava visão, audição, tato, olfato e – às vezes – paladar. Mas a tecnologia tem feito com que a visão e a audição sejam mais e mais utilizadas, as mensagens vem de todo lado, até meu carro fala! Mas o tato está acabando. O olfato também. O paladar, bem talvez não se aplique.

Passei a sentir falta daquela sensação de chegar em casa após um dia de trabalho e abrir a porta, ansioso pra ver um pacotinho da Amazon em cima da mesa. A cada dia uma ansiedade, até que o pacote chegava e eu pegava nas mãos o livro comprado três semanas antes, sentia o peso, a textura do papel, o cheiro de tinta, o brilho das ilustrações... Que delícia!

E a experiência de sentar no chão da livraria, ali naquela prateleira esquecida e ficar por horas pesquisando os livros mais escondidos? O cheiro de poeira, o frio no estômago ao achar aquele livro daquele autor que você procurava há tempos?

E a sensação de abrir a caixinha do CD ou DVD, pegar o disquinho na mão e enfiar o dedo no furinho antes de colocar no tocador? E aquela saboreada no encarte? E o “vou na locadora”, onde eu não sabia que novos filmes encontraria e às vezes tinha surpresas maravilhosas?

Tudo isso está acabando, superado pela modernidade. Em vez do livro, do CD ou do DVD, temos “bytes”, que são mais rápidos, mais baratos, não ocupam espaço, uma maravilha! Mas “bytes” não têm peso, não têm cheiro, não têm gosto, não têm brilho. Só chegam aos nossos sentidos quando transformados em imagens e sons. Em breve, talvez comecem a se transformar em cheiros e gostos, mas e o tato?

Já passamos por um processo parecido quando o e-mail acabou com as cartas que o carteiro entregava e que nos davam aquela alegria imensa de saber que alguém, em algum lugar, havia transformado um pedaço de papel e um pouco de tinta numa obra de artesanato, especialmente pra nós... O e-mail não dá essa sensação.

E antes que você saia me rotulando de saudosista, saiba que nada disto tem a ver com saudades e sim com a perplexidade de testemunhar uma daquelas profundas mudanças que alteram o eixo da humanidade.

Então concluo, baseado no que aprendemos com a Teoria da Evolução, que o uso excessivo da visão e da audição fará crescer os nossos olhos e orelhas. E diminuirá nossos narizes, bocas e músculos. Teremos dedos mais finos e frágeis. O ser humano será zoiudo e orelhudo.

Isso é ruim? Não sei, não estarei lá pra ver.

Mas que é estranho, ah isso é.


*O jornalista e palestrante Luciano Pires milita no combate à "mentalidade pocotó" que assola o País — e o mundo 


SAIBA MAIS
www2.lucianopires.com.br