25 julho 2013

CIÊNCIA & TECNOLOGIA



Região amazônica
terá plano, diz Raupp





O governo federal prepara um Plano de Ciência e Tecnologia para a região amazônica. Prevista para ser lançada em setembro, a medida foi anunciada pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, durante a 65.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

“A proposta é um plano de desenvolvimento sustentável da região amazônica com a utilização de seus recursos naturais. [O plano é construído] com a participação de instituições de ciência e tecnologia da região, governos estaduais e federal”, descreveu Raupp.

Segundo o presidente do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), órgão ligado ao MCTI e responsável pela coordenação do plano, Mariano Laplane, a proposta foi elaborada de forma colaborativa, com estrito enfoque nas necessidades locais. “O plano é arrojado, e parte de uma pergunta básica: como é que ciência, tecnologia e a inovação devem se estruturar, orientar seus esforços para promover o desenvolvimento da região amazônica?”.

A iniciativa é baseada em três eixos: perfis de pesquisadores mais adequados para o trabalho na região, infraestrutura de laboratórios e ambientes de inovação. “Procuramos respostas em três questões fundamentais, como a necessidade de recursos humanos, qual a quantidade e o perfil que a ciência brasileira deve mobilizar na região. Quais as áreas de conhecimento devemos concentrar nossos esforços para alavancar o desenvolvimento sustentável e quais são os recursos laboratoriais, a infraesturura, que junto com o esforço humano vai conseguir fazer com que o conhecimento avance”, aponta Laplane.

O presidente do CGEE explica que o ministério ainda está definindo os recursos que serão aplicados e quantos pesquisadores serão contratados para implementação da iniciativa. Outro plano voltado para a Região Nordeste já começou a ser construído, com a mesma filosofia adotada para a região amazônica, mas ainda não tem previsão para ser lançado.
  
“A região [amazônica] tem uma vocação muito forte com sua biodiversidade. O que falta é um instrumento de desenvolvimento pensando na sustentabilidade. Temos que fugir do pensamento que é preciso destruir a natureza para conseguir riqueza e o contrário também não é verdadeiro. Não é suficiente gerar conhecimento, ele deve chegar à sociedade, à população, às empresas para se transformar em riqueza, gerar bem-estar”, concluiu Lapane.

Em outro anúncio, o ministro Marco Antonio Raupp divulgou a aquisição do navio de pesquisas hidroceanográficas para ampliar a presença da ciência nacional no Atlântico Sul e Tropical. 

A embarcação faz parte do projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas e Hidroviárias (INPOH), que prevê uma série de ações em áreas como a conservação da biodiversidade marinha, a melhoria de processos associados à pesca, proteção e adaptação de zonas costeiras para as mudanças climáticas, realização de estudos sobre vias fluviais, hidráulica fluvial e portuária, além de formação de recursos humanos para o setor.

De acordo com o ministério, a compra, no valor de R$ 162 milhões, é resultado de um acordo de cooperação entre a pasta, a Marinha, Petrobras e a empresa Vale. O navio terá capacidade para 146 tripulantes, dos quais 60 pesquisadores, e contribuirá para o avanço de pesquisas nas áreas de química, geologia, biologia e de física marinha.



(Heloisa Cristaldo, em http://agenciabrasil.ebc.com.br)
(edição: Carolina Pimentel)



23 julho 2013

TAPETE VERDE


Sistema "Nourishmat"
é alternativa fácil
para ter (e manter)
uma horta em casa



As esteiras usam uma técnica de metro quadrado de jardinagem que
maximiza o espaço quando comparada às tradicionais linhas de plantio

Ter uma horta em casa pode parecer uma tarefa difícil para quem tem pouco conhecimento de jardinagem, além de falta de tempo e espaço. Foi pensando nessas dificuldades que a empresa norte-americana Earth Starter criou o Nourishmat, um sistema que ensina o passo a passo de como plantar e cuidar de uma horta.






O guia de plantio consiste em uma espécie de tapete feito de polipropileno reciclável que age como barreira de plantas daninhas. Ele vem enrolado e com instruções impressas em tinta não tóxica. Para usar basta desenrolá-lo, instalá-lo onde desejar e colocar as sementes, já envoltas numa massa de adubo, nos furos indicados. Pronto! Até a rega não é necessária, uma vez que ele vem com um sistema automático de irrigação.






O Nourishmat acompanha 19 variedades de plantas, como cebolinha, hortelã, salsa, cenoura, entre outras, sob a forma de 82 bolas de sementes, a fim de se ter uma abundância de vegetais.






As esteiras usam uma técnica de metro quadrado de jardinagem, que maximiza o espaço quando comparada às tradicionais linhas de plantio. Elas estão disponíveis em dois tamanhos, 4x6 e 2x6 metros, ambos adequados para espaços pequenos e tem duração de 3 a 5 anos.






O produto ainda está em fase de produção, e aguardando investimentos através do Kickstarter, um site de financiamento coletivo que irá ajudar a centralizar as operações em um só lugar.


Segundo os criadores o tapete será vendido por aproximadamente US$ 65 (cerca de R$ 140,00) sem irrigação e US$ 80 (R$ 170,00) com irrigação - um preço que poderia colocar o produto na gama de projetos de jardinagem escola. Mas quem já quer ter um Nourishmat pode contribuir com US$ 55 ou mais para a campanha Kickstarter e receber o produto em casa.

(conteúdo publicado em www.ecodesenvolvimento.org)

16 julho 2013

O BOM EXEMPLO


Geração Peter Pan 
precisa é crescer




A geração a que me refiro, infelizmente, não é essa, atual, que rouba e mata sem noção. É a minha, aquela que, quando jovem, acreditou em muitas tolices bem-intencionadas. O Partido dos Trabalhadores, por exemplo.

Lembro-me bem do entusiasmo com que nós, artistas e intelectuais da Vila Madalena, pintávamos a nascente estrelinha vermelha em tampas metálicas de garrafa, para vendermos. Deu no que deu: a classe proletária foi ao paraíso e, uma vez lá, fez o que achava certo. A vingança do povão: roubar, se divertir, virar mais burguês que os piores burgueses. A coisa pública para eles, ex-pobres, agora ricaços, é privada. Literalmente. Cagam e andam para leis, democracia, ética, o escambau.

Outra bobagem de que nós, jovens idealistas da década de 1970 e 1980, nos arrependemos muito é o Partido Verde. Abraçamos a Lagoa Rodrigo de Freitas, no RJ, e erguemos nosso sonho libertário em torno da sunga de crochê do Fernando Gabeira. 

O resultado está aí: o Partido Verde amarelou, se tornou uma espécie de legenda de aluguel, nem o Código Florestal discutem mais. Os fundadores íntegros pularam fora a tempo, mas o PV continua na moita enquanto o desmatamento avança. O MDB só foi oposição na campanha das Diretas, depois ganhou um P e as chaves do cofre da Viúva. Os crentes andavam pacificamente com suas Bíblias, até descobrirem a força do deus-Mercado. 

Acompanhamos e lutamos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Esse mesmo, que se tornou um aval para a bandidagem mirim. Nem precisava terminar com ele, como a sociedade parece querer: basta mudar um item e lembrar que, independente da idade, sociopata perde o manto da proteção e tem de ficar fora de ação. Simples assim.

Introduzimos as noções revolucionárias de Reich, o psiquiatra maldito, no Brasil. O pessoal finalmente aceitou, mas entendeu tudo errado: orgasmo e vitalidade corporal eram para dar prazer, não para exibir em academias de malhação.

Presos políticos, alguns de nós, candidamente, passamos noções de organização para colegas presos comuns. Enquanto levávamos uma surra brava da ditadura, os coleguinhas malacas montaram as bem-sucedidas holdings do crime: PCC, A.D.A., e muitos filhotes a dominar, e lucrar, nos presídios e nas comunidades. 

As mulheres da minha geração foram feministas, sim. Lutaram e garantiram seus prazeres e o uso de seus corpos. Mas muitas exageraram e liberaram demais as filhinhas, que andam por aí exibindo gravidez precoce e amor incondicional aos funkeiros.

Está mais do que na hora da minha geração crescer, fazer seu mea culpa, ou culpa inteira, e dar a volta por cima, saindo debaixo dessa cumplicidade indecente. Os velhinhos idealistas de ontem precisam dar o bom exemplo que já tentaram dar antes.



*Ulisses Tavares, 63 anos, poeta, participou ativamente de movimentos 
de cidadania no Brasil nas últimas décadas. Ajudou a fundar partidos, 
mas nunca se filiou a nenhum deles e anda se sentindo bem sozinho 
na batalha. É autor de alguns livros, entre eles Hic!stórias – Os maiores 
porres da história da humanidade e A maravilhosa sabedoria das coisas.
O poeta Ulisses Tavares declama nu no palco do Sesc Pompéia, em São 
Paulo, nos anos 1980. Imagem em www.revistadacultura.com.br 




15 julho 2013

ACABOU A BRINCADEIRA


Evo viu a uva
e virou o jogo!!!


Quem deve a quem? Evo explica a verdadeira dívida externa


Com linguagem simples, que era transmitida em tradução simultânea a mais de uma centena de Chefes de Estado e dignitários da Comunidade Européia, o Presidente Evo Morales conseguiu inquietar sua audiência quando disse:

"Aqui eu, Evo Morales, vim encontrar aqueles que participam da reunião.

Aqui eu, descendente dos que povoaram a América há quarenta mil anos, vim encontrar os que a encontraram há somente quinhentos anos.

Aqui pois, nos encontramos todos. Sabemos o que somos, e é o bastante. Nunca pretendemos outra coisa.

O irmão aduaneiro europeu me pede papel escrito com visto para poder descobrir aos que me descobriram. 

O irmão usurário europeu me pede o pagamento de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei a vender-me.

O irmão rábula europeu me explica que toda dívida se paga com bens ainda que seja vendendo seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu os vou descobrindo. 

Também posso reclamar pagamentos e também posso reclamar juros.

Consta no Archivo de Indias, papel sobre papel, recibo sobre recibo e assinatura sobre assinatura, que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a San Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Saque? Não acredito! Porque seria pensar que os irmãos cristãos pecaram em seu Sétimo Mandamento.

Expoliação? Guarde-me Tanatzin de que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão!

Genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomé de las Casas, que qualificam o encontro como de destruição das Indias, ou a radicais como Arturo Uslar Pietri, que afirma que o avanço do capitalismo e da atual civilização europeia se deve à inundação de metais preciosos!

Não! Esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata devem ser considerados como o primeiro de muitos outros empréstimos amigáveis da América, destinado ao desenvolvimento da Europa. 

O contrário seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito não só de exigir a devolução imediata destes valores, mas também uma indenização pelas destruições e prejuízos. Não.

Eu, Evo Morales, prefiro pensar na menos ofensiva destas hipóteses: tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano 'Marshall-Tezuma’ para garantir a reconstrução da bárbara Europa, arruinada por suas deploráveis guerras contra os cultos muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, do banho cotidiano e de outras conquistas da civilização.

Por isso, ao celebrar o Quinto Centenário do Empréstimo, poderemos perguntar-nos: os irmãos europeus fizeram uso racional, responsável ou pelo menos produtivo dos fundos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indoamericano Internacional?

Lastimamos dizer que não. Estrategicamente, o dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em armadas invencíveis, em terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo, sem outro destino que terminar ocupados pelas tropas gringas da OTAN, como no Panamá, mas sem canal.

Financeiramente, têm sido incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de cancelar o capital e seus fundos, quanto de tornarem-se independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este deplorável quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para o seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar.

Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus as vis e sanguinárias taxas de 20 e até 30 por cento de juros, que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos adiantados, mais o módico de juros fixo de 10 por cento, acumulado somente durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça.

Sobre esta base, e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que nos devem, como primeiro pagamento de sua dívida, uma massa de 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambos estes valores elevados à potência de 300. Isto é, um número para cuja expressão total seriam necessários mais de 300 algarismos, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra.

Muito pesados são esses blocos de ouro e prata. Quanto pesariam, calculados em sangue?

Alegar que a Europa, em meio milênio, não pôde gerar riquezas suficientes para cancelar esse módico juro, seria tanto como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demencial irracionalidade das bases do capitalismo.

Tais questões metafísicas, desde logo, não inquietam os indoamericanos. Mas exigimos, sim, a assinatura de uma Carta de Intenção que discipline os povos devedores do Velho Continente, e que os obrigue a cumprir os seus compromissos mediante uma privatização ou reconversão da Europa, que permita que se nos entreguem-na inteira, como primeiro pagamento desta dívida histórica..."

*Exposição do Presidente da Bolívia Evo Morales ante reunião de Chefes de Estado da Comunidade Europeia

(conteúdo publicado em http://cms.onic.org.co)


14 junho 2013

EMPAPUÇADOS DE TECNOLOGIA


Até mesmo profissionais 

estão deixando em casa 
seus gadgets eletrônicos*




Robin Sloan, 32, de San Francisco, de repente pode ser imaginado como um tecnófobo, incapaz de dominar tecnologias novas. Sloan possui um telefone Nokia -- um modelo bem antigo -- com apenas uma função principal: realizar chamadas telefônicas. Para fazer suas anotações, ele está usando papel e caneta, e normalmente lê livros impressos em papel.

Porém, Sloan está longe de ser um "ermitão". Ele já trabalhou para o Twitter como gerente de mídias, ensinando veículos noticiosos a usar as mais modernas ferramentas das mídias sociais. Antes disso, foi estrategista on-line da Current TV.

Mesmo assim, no ano passado, quando começou a escrever seu primeiro livro, Mr. Penumbra's 24-Hour Bookstore, Sloan percebeu que seu iPhone e outras tecnologias que utilizava estavam interferindo em sua produtividade -- e rapidamente livrou-se deles. 

"Descobri que, para mim, era mais importante e mais produtivo passar o dia pensando e anotando ideias", explicou. "Eu precisava de meus minutos de ócio -- e não de ficar checando meu e-mail e tuítes -- para contribuir com o texto que estava escrevendo." Sloan não é o único entre muitos a se sentir assim, mesmo no Vale do Silício.

Ocorre que, à medida em que nossas vidas vão se tornando hiperconectadas em todos seus aspectos, algumas pessoas na vanguarda da tecnologia vêm se esforçando para fugir um pouco disso. Assim, elas guardam seus telefones nos bolsos, desligam o Wi-Fi de suas casas à noite ou nos fins de semana e leem livros feitos de papel, não de pixels.

Eu também venho sentindo essa tendência. Dois anos atrás, quando a popularidade do iPhone e do iPad estava no auge, lembro-me de ter jantado com outros blogueiros e repórteres de tecnologia. Costumávamos passar nossos telefones a todos os presentes ao redor da mesa, comentando um aplicativo ou algum clipe divertido no YouTube. 

Hoje, ainda que nossos aparelhos tenham capacidade para conter mais aplicativos e exibir vídeos mais rapidamente, costumamos fazer um jogo diferente: os presentes colocam seus smartphones numa pilha no centro da mesa, e a primeira pessoa a tocar em seu telefone tem que pagar a conta de todos.

Alguns casais que trabalham com tecnologia estão entre os que mais querem se afastar dela. "Pelo menos uma vez por mês, minha mulher e eu entramos no carro e dirigimos até algum lugar onde não haja sinal (sim, isso é possível), para passar um fim de semana ocupados com coisas analógicas", conta Evan Sharp, um dos fundadores do Pinterest. "Lemos, fazemos caminhadas nas montanhas, cozinhamos e visitamos pessoas que não trabalham com tecnologia."

Outros casais já me falaram da regra que proíbe eletrônicos no quarto (às vezes o Kindle é uma exceção). Há quem deixe seus telefones em casa quando sai para o brunch dominical. Ao invés de fazerem uma foto dos ovos e bacon que vão comer e postá-la no Instagram, podem curtir a companhia um do outro e praticar aquela atividade hoje quase estranha, conhecida como "conversar".

É até possível que exista um modelo de negócios com produtos que nos incentivem a nos afastar de nossas engenhocas. O livro The Pocket Scavenger, publicado recentemente, incentiva o leitor a sair numa caça ao tesouro incomum, recolhendo objetos aleatórios, desenhando e anotando coisas nas páginas do livro e então documentando o que foi feito com um smartphone.

"Não vamos nos livrar da tecnologia", comentou a autora do livro, Keri Smith. "Sinto que estamos deixando de notar cheiros e sensações táteis. Eu quis apenas oferecer algum tipo de antídoto ao que se vê por aí." Sloan, que já publicou seu livro, conta que seu afastamento da tecnologia foi um sucesso. Claro, ele ainda lê seus e-mails, mas não quando está tomando um café, caminhando ou conversando com alguém.

"Parece bobagem, porque costumávamos fazer isso o tempo todo. Mas hoje, depois de me livrar do meu smartphone, me sinto muito mais à vontade quando saio de casa sem ele. Sinto que reaprendi muita coisa -- e pode crer que eu faria o mesmo se tivesse agora à mão um smartphone zerado, cheio de novidades", garante.


*Nick Bilton é colunista do NYTimes, professor da NYU e 
blogueiro do Bits Blog, cobrindo tecnologia, negócios e cultura. 
(Conteúdo publicado em www1.folha.uol.com.br/fsp)
(imagem em
www.salon.com)


06 junho 2013

RESOLVENDO PROBLEMAS


Empreendedorismo
social decola no Japão




Após duas décadas de crise, cada vez mais japoneses querem fazer
negócios para o bem da sociedade e não apenas por dinheiro

Após duas décadas de paralisia econômica e desastres naturais em série, cada vez mais japoneses acreditam que o empreendimento social é a melhor maneira de reconstruir sua sociedade. Masami Komatsu, de 37 anos, é um deles. Fundou sua companhia de investimentos Music Securities em 2001, poucos anos depois da crise bancária japonesa de 1998. “Não havia mais investimentos em setores vulneráveis como música, artesanato ou produção de saquê”, a bebida tradicional japonesa, disse à IPS.

Então, “fizemos o possível para que as pessoas começassem a investir no que pessoalmente eu considerava importante e que deveria ser mantido vivo”, descreveu Komatsu. No entanto, a Music Securities não funciona com doações. É um fundo de investimento com retornos que atualmente ficam entre os de melhor desempenho do país, manejando cerca de 33 bilhões de ienes (US$ 352,5 milhões) de aproximadamente 50 mil acionistas, entre eles algumas das empresas mais ricas do Japão.

Em 2009, Komatsu criou o primeiro fundo de microfinanças do Japão, que permitiu às pessoas investirem em projetos de microcréditos no Camboja. Atualmente, a Music Securities é a maior financiadora privada das empresas de reconstrução que sofreram perdas devido ao terremoto e ao tsunami de 11 de março de 2011.

“Um mês depois da catástrofe, visitamos a área e sugerimos nosso plano aos líderes das empresas locais”, contou Komatsu. “Tivemos a sensação de que tínhamos de fazer algo. Não nos oferecemos como voluntários, mas sim usar nossa empresa já existente para resolver os problemas das áreas danificadas”, explicou. Até agora, mais de 25 mil pessoas investiram no total mais de US$ 1 bilhão no fundo do tsunami.

A Music Securites se adiantou ao seu tempo. Somente em 2005 a Universidade Keio, de Tóquio, uma das mais antigas do Japão, começou a usar o conceito de empreendimento social, um negócio gerador de ganhos cujo objetivo não é o lucro pessoal, mas o cumprimento de um objetivo social. E nos últimos anos o fenômeno parece ter ganho impulso rapidamente.

Em 2011, Fukuoka, na ilha japonesa de Kyushu, foi a segunda cidade do mundo a ser nomeada “cidade de empresas sociais” por difundir o conceito do empreendimento social em todo o continente asiático. Em Bangladesh, Mohammad Yunus, prêmio Nobel que desenvolveu a ideia do empreendedorismo social, inaugurou o primeiro centro mundial de empresas sociais na sede da Universidade de Kyushu.

Segundo o Ministério da Economia do Japão, a quantidade de empresas sociais passou praticamente de zero em 2000 para mais de oito mil em 2008, que no conjunto empregam cerca de 320 mil pessoas. Não há dados sobre o número atual, mas tudo indica que o fenômeno aumentou ainda mais desde então. Por exemplo, na Escola NEC-ETIC de Empreendimento Social de Tóquio, o número de candidatos cresceu cinco vezes desde 2010.

Desde o começo, Nana Watanabe foi uma das forças motoras do empreendedorismo social no país. Por intermédio de seu trabalho como jornalista e fotógrafa independente, entre 2000 e 2005 apresentou ao público japonês mais de cem empreendedores sociais mediante várias publicações. “O Japão ficou sem modelos para seguir após o estouro da bolha econômica. Isso levou a um estado geral de depressão. O país não sabia o que fazer”, contou.

Em 1999, “descobri a nova onda do empreendedorismo social, que surgia entre os estudantes de elite nos Estados Unidos. Imediatamente pensei: é disto que precisamos”, explicou Watanabe à IPS. Em 2011, ela fundou o capítulo japonês da Ashoka, uma organização não governamental internacional que apoia o trabalho de aproximadamente dois mil empreendedores sociais em 60 países.

“O empreendedorismo social é, definitivamente, um fenômeno emergente, e o motivo é simples: as pessoas estão cada vez mais decepcionadas com as grandes empresas do Japão. Os jovens de agora viram seus pais sacrificarem suas vidas em troca da promessa de um emprego por toda a vida, só que foram demitidos nos últimos anos”, afirmou Watanabe. Cada vez mais jovens preferem iniciar um negócio por conta própria, acrescentou.

“O mito da eficiência do governo japonês ruiu”, declarou Toshi Nakamura, líder do Kopernik, um site que oferece soluções tecnológicas para problemas em comunidades rurais de nações em desenvolvimento. “Até meados da década de 1990, as pessoas tinham fé nos tecnocratas do governo para conduzir a economia e proporcionar serviços sociais”, pontuou à IPS. “Mas isto já não acontece, e a população se deu conta de que vários assuntos sociais têm que – e podem – ser abordados pelos cidadãos comuns”, acrescentou Nakamura.

Não é apenas a desilusão com as empresas tradicionais ou o governo que inspira os japoneses a participarem das empresas sociais. “Depois da crise financeira, vimos uma volta aos valores tradicionais”, opinou o analista empresarial Kumi Fujisawa. “As pessoas não buscam lucro no curto prazo, preferem se concentrar em perspectivas de longo prazo. Há um regresso ao idealismo, as pessoas querem contribuir novamente com a sociedade”, ressaltou.

Pesquisas encomendadas pelo governo indicam que o valor do trabalho começou a ser reconsiderado no Japão desde o começo da crise financeira. A quantidade de pessoas que responderam que desejam trabalhar “para contribuir com a sociedade” aumentou drasticamente depois do estouro da bolha acionária, passando de 46% para 64% em 1991. Esse índice atualmente supera os 65%. “Este é o resultado de uma nova atitude de olhar para dentro”, afirmou Hirofumi Yokoi, presidente da Fundação Akira, uma das organizações mais influentes do país, que desde 2009 incentiva o empreendedorismo social.

“A crescente incerteza e ansiedade em relação ao futuro levou a uma mudança de comportamento. Para muitos jovens japoneses, o empreendimento social não é apenas uma maneira de solucionar problemas econômicos, sociais e ambientais. Também é uma maneira de enfrentar desafios pessoais”, afirmou Yokoi. “Terão de trabalhar como parte de uma comunidade e desenvolver a confiança em si mesmos, a amizade, a concentração, a autorrealização e a inclusão social”, acrescentou.

Watanabe disse à IPS que “é verdade que as pessoas começam a reconsiderar o valor do trabalho, mas a maioria ainda carece da coragem para agir a respeito. O empreendedorismo social, definitivamente, está decolando, mas temos que ser cautelosos e não superestimar seu êxito”. E acrescentou que, “primeiro é preciso que as pessoas sejam muito criativas. Depois, neste momento está muito na moda dizer que alguém iniciou uma empresa social. Mas, no fim, a maioria ainda busca segurança e dinheiro”, concluiu a fotógrafa. 



*Daan Bauwens é repórter do IPS-Inter Press Service / Envolverde 
(conteúdo publicado em http://envolverde.com.br)

22 maio 2013

OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA NÃO!


"É imprescindível mudar 
a consciência social e o 
modelo econômico que 
no dia a dia nos arruína"

A sociedade tem uma "batata fervente" nas mãos
não usufrui do verdeiro sentido dos conceitos de
  "liberdade", "sustentabilidade" e "democracia"




"Temos que consumir somente aquilo de que precisamos e pagá-lo com o dinheiro de que dispomos" é o atual mais bem-acabado brado de ecointeligência, convivência cidadã e libelo pela salvaguarda plena dos direitos humanos.


LEIA MAIS
http://forum.outerspace.terra.com.br/index.php?threads%2Fespanhol-%C3%A9-amea%C3%A7ado-de-morte-por-criar-l%C3%A2mpada-que-n%C3%A3o-queima.332943%2F



20 maio 2013

68% DOS BRASILEIROS USAM



Genéricos*






As primeiras experiências médicas escritas encontram-se nos seis papiros egípcios. Os remédios (do latim, remedium-ii) foram inicialmente mencionados no papiro de Ebers, redigido em 1550 a.C., descoberto (em 1862) em Tebas (antigo Egito), por Georg Ebers, e atualmente guardado em Leipzig. É o mais extenso, mais completo e mais bem preservado. 

Mas pulemos para 1999, quando os remédios genéricos foram oficializados no Brasil. 


Seriam remédios tomados genericamente inespecíficos? Abrangeriam várias doenças? Seria um tipo (gênero) especial de produção de medicamentos? 

Carlos Drummond de Andrade dizia ser vã a luta com as palavras. Discordo e creio até ser fascinante com elas lutar. No caso destes símplices (drogas que compõem medicamentos), sobressai a impropriedade do termo, pois exato seria chamá-los "específicos". 

Ou próprios ou antiácidos ou antialérgicos etc. Genéricos aqui são cópias de remédios cujas patentes expiraram 20 anos após sua concessão. Custam em média 35% menos porque não implicariam mais pesquisas onerosas previas à sua liberação oficial para uso in anima nobilis (humanos). 

São comprados por 68% da população brasileira. Há três tipos: autogenéricos, similares, ou “assimiláveis”. Os primeiros devem ser cópias verdadeiras do princípio ativo (medicamento de referência), com a mesma forma galênica, mesma dosagem, e mesmos excipientes. Estes lhes conferem consistência, gosto e cor.

Os similares são idênticos mas com excipientes diferentes. Nos “assimiláveis”, o princípio ativo tem outra forma química daquela marca, embora com a mesma dosagem. Nestes também são outras as substâncias inertes incorporadas. 

Devem ter, comprovadas, idênticas equivalência farmacêutica, e biodisponibilidade, i.e., semelhantes tempos de absorção e eliminação. Serão igualmente intercambiáveis pelos remédios de marca.

Os ingredientes de base na composição do princípio ativo – elementos fundamentais da prescrição – proveem, em 80% dos casos, da Índia, da China ou do Brasil. Os demais originam-se da França e outros países europeus.

No Brasil, a Lei dos Genéricos foi efetivada durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, pelo então ministro (leigo) da saúde, também antinordestino José Serra, mercê da Lei 9.787, de 10 de fevereiro de 1999. 

Simultaneamente, a mesma foi regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo esta, 10 anos após aquela providência legislativa, 83 laboratórios produziam genéricos de 104 classes terapêuticas, empregando 337 substâncias ativas.

Para alguns médicos franceses, em hebdomadário (semanal) recente (abril, 2013), sua eficácia nem sempre equivale àquela do original. Será? Seria? E por que uma paciente nossa, com retocolite ulcerativa, nos disse melhorar muito mais com os genéricos?

Como toda medicação, esta só deve ser prescrita por médicos, e só os doutores podem eventualmente substituí-los, ou farmacêuticos, mas nunca os balconistas. Curiosamente, os gregos usavam a palavra pharmacon para designar "remédio" -- a qual também significa veneno!

Talvez os leitores apreciem estas considerações genéricas, sobre drogas, algo diferente.


*Pedro Henrique Saraiva Leão é médico e 
secretário-geral da Academia Cearense de Letras.
Conteúdo publicado em www.opovo.com.br


17 maio 2013

MENOS ÁRVORES, MENOS ÁGUA


Desmatamento ameaça 

energia de Belo Monte

Se a perda de vegetação nativa atingir 40% da Amazônia, em 2050
a capacidade de produção de energia em Belo Monte cairá para 25%

Em plena mudança do clima global, o valor das florestas para o equilíbrio do planeta ainda é contestado. Mas um estudo publicado nesta semana por pesquisadores brasileiros na revista americana PNAS demonstra que, sem as matas tropicais, nem mesmo a produção de energia elétrica pode se sustentar.

A pesquisa comprova que, quanto mais floresta, maior será o potencial de usinas hidrelétricas localizadas na região amazônica. Isso porque a relação entre as florestas e a chuva é dinâmica: as árvores liberam vapor d’água, aumentando a precipitação. Menos árvores, menos água para gerar energia.
Focado na usina de Belo Monte, o trabalho considerou a influência que a floresta tem na produção de chuva e como o desmatamento pode reduzir esse potencial. Nos níveis atuais de perda florestal, o volume de chuva é entre 6 e 7% menor do que com a cobertura florestal completa.
Num cenário ainda pior, onde a perda de vegetação nativa atinja 40% do bioma, em 2050, o volume de chuva seria reduzido de 11 a 15%, fazendo com que a capacidade de produção de energia em Belo Monte caia a 25% da capacidade máxima da planta ou a 40% das próprias projeções da usina.
Por outro lado, se houvesse uma recuperação de tudo o que já foi desmatado na Amazônia, a produção de Belo Monte chegaria à sua capacidade máxima instalada, de 11,2 mil megawatts. Belo Monte foi projetada para ser a terceira maior usina do mundo e suprir 40% do crescimento do Brasil em produção de eletricidade até 2019.
“Acabar com o desmatamento deveria ser visto como uma questão de segurança energética nacional”, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo um dos autores do trabalho, Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).


(conteúdo publicado por Nathália Clark em www.greenpeace.org)
(foto: Daniel Beltrá / Greenpeace)

Entre para a Liga das Florestas


13 maio 2013

RASCUNHO DA ONU


10 Objetivos para 
Desenvolvimento
Sustentável


 Proposta ficará aberta para
consulta pública até 22 de maio




Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentaram um documento que define os dez Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O texto ainda é um rascunho de metas que devem ser alcançadas a partir de 2015.

A proposta foi desenhada por um grupo internacional de especialistas de diversas áreas e ficará aberta para consulta pública até o dia 22 no site www.unsdsn.org/resources/draft-report-public-consultation.

As sugestões poderão ser incorporadas em um texto que será analisado pela Assembleia Geral da ONU, em setembro deste ano.

A definição dessas metas era esperada como resultado da conferência promovida no Rio de Janeiro no ano passado. O documento parte das diretrizes do texto da Rio+20 e, assim como ele, traz objetivos bem genéricos.

Os objetivos devem entrar em vigor a partir de 2015, quando termina o prazo para serem atingidos os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio estabelecidos pela ONU.

Eis os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável sugeridos pelos especialistas:

1 – Fim da pobreza extrema e da fome Erradicar a pobreza e dar poder aos cidadãos para que sejam produtivos; reduzir a desigualdade, aumentar a renda e a nutrição de pessoas mais pobres; reduzir a pressão ambiental que, em parte, é impulsionada pela pobreza;

2 – Alcançar o desenvolvimento global Auxiliar todos os países no desenvolvimento econômico; oferecer oportunidades de crescimento e investimento às nações pobres e fortalecer a inclusão social; promover a sustentabilidade ambiental, aliada ao “direito de se desenvolver” dos países;

3 – Garantir um aprendizado eficaz às crianças e jovens – Criar oportunidades de trabalho e subsistência a pessoas de todas as idades; elevar o ensino sobre o desenvolvimento sustentável, para criar uma geração de líderes inovadores e que pensem nas causas ambientais;

4 – Alcançar a igualdade de gêneros, inclusão social e direitos humanos  Mobilizar e dar poder a todos os membros da sociedade para que ocorra o desenvolvimento econômico; incluir as populações que vivem em florestas e que, devido à exclusão delas na sociedade, acabam causando danos ambientais;

5 – Alcançar o bem-estar e garantir a saúde em todas as idades São pré-requisitos para alcançar a erradicação da pobreza e o desenvolvimento econômico; são temas centrais para promover a igualdade social e de gêneros; são garantidos por meio de ações políticas que combatem a poluição do ar, da água e agentes resultantes do desenvolvimento sustentável;

6 – Melhorar os sistemas agrícolas e aumentar a prosperidade rural  Elevar o uso de técnicas agrícolas para reduzir a pobreza e o combate à fome, além de promover o crescimento econômico; melhorar a vida dos pequenos agricultores; reduzir a pressão de sistemas agrícolas em ecossistemas, reduzir as emissões de gases-estufa e as altas taxas dos ciclos de nitrogênio e fósforo provenientes da agricultura;

7 – Capacitar as cidades, tornando-as inclusivas, produtivas e resistentes Acelerar o uso de tecnologias nas cidades, produzindo empregos e reduzindo a pobreza; aumentar a inclusão social nas áreas urbanas com a redução de moradores de favelas e criação de empregos decentes; equipar as cidades para manter o ar e a água limpos, usar de forma eficiente o solo, e aumentar a prevenção contra desastres naturais;

8 – Controlar a mudança climática e garantir energia limpa a todos – Aumentar investimentos a curto prazo e procurar oportunidades de “crescimento econômico verde” – incluindo a implantação de matrizes energéticas renováveis; evitar danos às populações que ainda vivem na pobreza;

9 – Serviços ambientais, biodiversidade e gerenciamento dos recursos naturais – Valorar serviços ambientais, aliando a proteção do meio ambiente e a manutenção do crescimento econômico; evitar o colapso ambiental, que pode afetar a vida dos mais pobres;

10 – Transformar a governança para o desenvolvimento sustentável – Adequar o poder público e a iniciativa privada ao desenvolvimento sustentável; adequar o desenvolvimento financeiro para erradicar a pobreza extrema; transformar políticas públicas para beneficiar o clima e a questão ambiental.

(conteúdo publicado em www.conass.org.br)

SAIBA MAIS
www.unsdsn.org/resources/draft-report-public-consultation



25 abril 2013

BLÁ-BLÁ-BLÁ BRASIL


No calor da emoção*




No Brasil, após cada crime horrível sempre aparece uma autoridade rodeada de microfones para dizer: “Não podemos tomar decisões no calor da emoção.” É batata. Basta que a opinião pública emocionada comece a bradar por um endurecimento nas leis e lá vêm eles com a argumentação de sempre, o blá-blá-blá que atrasa as discussões e empurra com a barriga as mudanças. Até o próximo crime horroroso, quando a grita começa novamente.

Conforme o Mapa da Violência, desde 1997 a quantidade de homicídios no Brasil supera os 40 mil por ano, chegando ao pico de 51.434 em 2009. Mas números tão grandes não significam muita coisa, não é? Não dá pra dimensionar 50 mil homicídios por ano. Então vou ajudar a melhorar a perspectiva, olha só: são 4.166 mortos por mês, 960 por semana, 137 por dia, 6 por hora. Ou uma pessoa assassinada a cada 10 minutos. Deu pra entender?

Enquanto você está lendo este texto, alguém está sendo assassinado no Brasil.

Um país que carrega nas costas 50 mil assassinatos por ano, ou quase 30 a cada 100 mil habitantes, não tem muita moral para pregar regras. Deveria pedir falência social e humildemente aprender com os países onde se mata uma fração disso. Todos sabemos o que precisa ser feito, não há segredos. E se não sabemos, copiemos!

Maioridade penal por exemplo. No Brasil, Colômbia e Peru é de 18 anos. E nos outros países? Portugal, 16; Alemanha, 14; Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, 15; Espanha, 14; França, 13; Itália, 14; Polônia, 12; Inglaterra, 10; Escócia, 8; Bélgica, 16; Rússia, 14; Ucrânia, 10; Hungria 12-14; Suíça, 10. Canadá, 12; Estados Unidos, 6-12 (conforme o estado); México, 6-12 (idem); Argentina, 16-18. África do Sul, 10; Argélia, 13; Egito, 15; Etiópia, 15; Marrocos, 12; Quênia, 8; Sudão, 7; Tanzânia, 7; Uganda, 12. Irã, 9-15; Turquia, 11. Japão, 12; China, 14; Singapura, 7; Coréia do Sul. 12; Filipinas, 9; Índia, 7; Nepal, 10; Paquistão, 7; Tailândia, 7; Uzbequistão, 13; Vietnam, 14; Nova Zelândia, 10; Austrália, 10.

Mas no Brasil do blá-blá-blá, enquanto discutimos a filosofia da maioridade penal à procura de uma solução brasileira, mais um é morto. E outro. E mais um. E outro...

Chega de mudanças incrementais, cosméticas e marqueteiras na gestão da segurança pública brasileira. Chegou a hora de um choque de gestão, de competência. Um choque de coragem.

É claro que a solução não está numa ação tática isolada, como é o caso de baixar a maioridade penal. Isso por si só não resolverá o problema, mas é um começo de ação que, no mínimo, mostra que algo está sendo feito na busca por resultados diferentes.  É o somatório de pequenas ações táticas de curto, médio e longo prazos, alinhadas a uma estratégia, que mudará o cenário. Mas aqui no Brasil transformamos o que deveria ser uma discussão técnica num embate político-ideológico. Em blá-blá-blá.

Enquanto isso, morre mais um. E outro. E no final do ano serão 50 mil. Já nos conformamos com isso e nos contentamos em viver na esperança de que um dia isso vai mudar. Mas esperança nunca foi estratégia.

Algo precisa ser feito. Se não no calor da emoção, quando?


*publicado por Luciano Pires em www.portalcafebrasil.com.br

28 março 2013

SALVE O VERDE!


Árvores podem ajudar a reduzir

o crime nas grandes cidades*




Um estudo da Universidade de Temple, nos EUA, indica que, além de melhorar a qualidade do ar e deixar a paisagem urbana mais agradável, as árvores também podem combater a criminalidade nas grandes cidades -- reduzindo, principalmente, o número de casos de agressão, furto e roubo.

Segundo os cientistas da Universidade, localizada na Pensilvânia, árvores, arbustos, praças e parques com a vegetação bem cuidada incentivam a interação social e a ocupação da comunidade nos espaços públicos, coibindo práticas violentas. Além disso, as áreas verdes costumam transmitir calma à maior parte das pessoas, eliminando comportamentos que poderiam levá-las à violência ou a práticas criminosas.

Porém, nem todo mundo acredita que a pesquisa seja viável. Muitas pessoas não consideram as áreas verdes das metrópoles como locais seguros, uma vez que existe a ideia de que a vegetação possa encobrir e aumentar o consumo e o tráfico de drogas, além de propiciar atividades criminosas como estupros e homicídios.

Para as pessoas que não acreditam na pesquisa serem contrariadas, as autoridades responsáveis devem investir não apenas na segurança destas áreas de convivência, mas também nas condições da vegetação, que precisa de estudos e planejamentos que levem em conta os aspectos geográficos e sociais de cada região.

“Isso só vem reiterar a necessidade das autoridades públicas levarem mais a sério o paisagismo urbano. O aumento de áreas de vegetação nas cidades não só melhora os indicadores ambientais e a qualidade de vida, como também pode ajudar a reduzir os níveis de criminalidade”, afirma Jeremy Mennis, professor associado de estudos de Geografia Urbana da Universidade de Temple. 

(*conteúdo publicado em http://ciclovivo.com.br)