23 junho 2006

TIRINHAS DAPRAIA!

Na ponta do lápis — digital!

Anderson Lauro, por Denilson Albano (CE)

Pra quando vier chegando o Natal, por Guabiras (CE)

Mungu - o palhacinho fela, por Jefferson Portela (CE)

VEJA MAIS

http://www.guabiras.theblog.com.br/

http://fotolog.terra.com.br/denilsonalbano

http://www.minhamarca.com.br/jeff/index.htm

20 junho 2006

O PARANÁ NÃO PÁRA

Pressões: transgênica e outras agrárias (ou seriam "agruras"?)

O Paraná conseguiu posição de destaque no mercado nacional e internacional ao proibir a comercialização da soja transgênica. No entanto, uma liminar do TRF-Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre/RS, liberou a exportação da versão geneticamente modificada do grão através do porto paranaense. O lance é que o Porto de Paranaguá (PR) atende, ao lado do Porto de Santos (SP), às maiores demandas de exportação da soja brasileira.

O governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), afirmou que o Paraná apelaria ao STF-Supremo Tribunal Federal para garantir o direito de exportar apenas soja tradicional. Segundo Requião, o Paranaguá possui um enorme diferencial de qualidade na restrição que estabeleceu à soja transgênica. Além disso, o governador acredita que o TRF cometeu um crime ao permitir que os dois tipos de soja se misturem.

Ocorre que a Lei de Biossegurança do Brasil determina que grãos geneticamente modificados devem ser identificados e separados dos tradicionais. Segundo o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto, pode haver contaminação entre as duas versões do produto, se o embarque de soja transgênica for realmente permitido.


SAIBA MAIS
Agência Notícias do Planalto
www.noticiasdoplanalto.net

Para ouvir a matéria, clique no alto-falante em
http://www.noticiasdoplanalto.net/index.php?option=com_content&task=view&id=1091&Itemid=43


LADO B
Poderia até ficar só nisso... Mas se, em termos de soja, o governador Requião deu uma certinha e bem dentro, em termos de mamona a coisa foi diferente. Perguntado sobre o que achava do projeto do biodiesel, Requião comeu sementes da euforbiácea (!), ensejando uma demonstração de diplomacia do Presidente Lula, que lhe havia dado as sementes.

Lula foi surpreendido pela reação de Requião, que as "passou pra dentro" na hora e começou a mascá-las. O governador do Paraná cuspiu tudo rapidinho, quando Lula avisou que as sementes conteriam uma toxina.

O que você achou da marmota? Deu até no Jornal Nacional há meses, mas é legal lembrar!!! De novo, sempre há tempo de aprender alguma coisa nova!!!

VEJA TUDO
http://www.youtube.com/watch?v=8WgrUhuzghc

CANAL RURAL

Caminhos do Coração

Viajando pelo éter, a Rádio Rural lança novo programa: Caminhos do Coração. Aqui, a música romântica ganha total espaço. A programação da Rádio Rural abre espaço para Wladimir Tubino apresentar os hits que circulam pelos mais autênticos Caminhos do Coração.

É um momento especial para a seleção musical do ouvinte, que traz informações preciosas como a detalhada agenda de bailes e ainda melosas declarações de amor entre enamorados.

Você ouve todo sábado, das 20h às 24h.


CURTA MAIS
www.canalrural.com.br

A Rádio Rural AM 1120 pode ser sintonizada pela parabólica na freqüência 4171, áudio 6.2 ou acessando
http://www.agrol.com.br/

DAPRAIAVIP

Tudo é verde-amarelo


É tempo de Copa (vaaai, Brasiiil!!!) na Alemanha. Dias antes, no majestoso La Maison Dunas de Fortaleza, as elegantes Viviane Goyanna e Nicole Alcantâra prestigiaram o lançamento do Anuário do Ceará, edição 2006. A publicação traz tudo e mais um pouco sobre o Estado que abriga a (recém-promovida) 4.ª capital brasileira (no ranking doméstico)








E enquanto a bola começava a rolar, na agradável linha "venha", recebemos simpático convite para participar de um badalado evento no Shopping Iguatemi — onde sempre tudo de bom acontece

Mas como tínhamos agendado um compromisso antes, desejamos sucesso a todos e mantivemos nossa participação apenas no que nos foi possível... só lembrando, uma coisa que devemos tornar sempre possível é aprender mais! É sempre possível! Abraços!

E então, Otílio Ferreira foi lá e fotografou a Boate Santorini. Jóia! Noutra coluna ele explica como chegar lá — preferencialmente à noite, pra curtir a balada!!! Já pode ir combinando com a galera!!!

VEJA MAIS
O colunista Fernando Pompeu Vasconcelos mostra como vai o VIP World também em
www.opovo.com.br/colunas/baladavip www.baladain.com.br

12 junho 2006

X-MEN, URANO ASTROLÓGICO

Diferir faz a diferença

Na semana que passou fui ao cinema assistir X-Men: O confronto final. Como astrólogo, não pude deixar de ver o filme sob a perspectiva simbólica das estrelas.

Resumindo: todos nós temos uma "porção X-Men", um lado diferente, incompreendido, que foge aos padrões pré-estabelecidos da sociedade ou dos grupos com os quais convivemos.

Esta realidade excêntrica se faz representar astrologicamente através da simbologia que encontramos em Urano — o "cara" responsável por nossas "doidices".

É através de sua posição (e sua relação com os demais corpos celestes) na carta astral de um indivíduo que vamos encontrar os aspectos particulares de sua vida, bem como tendências a se comportar de uma forma diferenciada.

O cotidiano dos X-Men é preenchido de poderes sobrenaturais, que vão além das capacidades dos seres humanos comuns. São talentos, dons especiais. São os mutantes, tachados de "anormais" pelos ditos "normais".

Os aquarianos, "regidos" por Urano, conhecem bem essa "natureza X-Men". Possuem qualidades diferenciadas, dons criativos. Tidos como gênios, nem sempre são reconhecidos em suas épocas. Aí cabe bem: "Ninguém é profeta em sua terra". Eles soam como os clamores do futuro. Estão à frente de sua época, são os verdadeiros vanguardistas.

Urano, com qualidades similares às do signo de Aquário, faz o mesmo percurso. Sua trajetória nos mostra as áreas onde encontramos qualidades progressivas, inovadoras: onde somos futuristas.

Onde Urano se encontra, somos singulares. Não existem iguais, mas similares. Em mil cabeças de bois, uma (você!) irá mostar-se contrária aos que fazem o percurso. Um "ET" caído de pára-quedas.

Entretanto, a diferença — por vezes — exclui e discrimina. É uma luta de ardor para fimar seu valor. Em sociedades onde somos tratados como integrantes de massas, o preconceito mostra-se corriqueiro.

Muitos dos mutantes possuem características físicas que chocam o espectador. Sendo assim, vivem às escondidas, refugiados e colocados à margem. Outros disfarçam suas excentricidades, caminhando relativamente bem entre os ditos "normais". É aí que mora o perigo!

No sentir-se diferente, discriminados e marginalizados, tendemos a seguir o percurso dos "bois". Isso é muito bem mostrado no filme, quando os mutantes são chamados para se tornarem humanos, através da "cura".

"Curar-se" é sinônimo de "ser igual". A pluralidade é sufocada. O singular, perde-se. Homogeneização pura. Castração constante. Sem mais comentários.


FALE COM
O colunista Fábio Silva faz o seu mapa astral e perscruta os astros para ver melhor a vida.
binhofilho@yahoo.com.br

06 junho 2006

VAMOS NAMORAR?

O presente adequado todos os dias!!!

Quem está de corpo presente em Fortaleza pode fazer o didático programa de aperfeiçoamento interpessoal Curso de Artes Sensuais, coordenado por Karla Karenina*. Dirigido às mulheres, leva a:

  • despertar sua sexualidade
  • conhecer melhor o próprio corpo
  • fortalecer os músculos vaginais (técnica do "pompoarismo")
  • descobrir novas formas de seduzir ("movimentos da gueixa")
  • utilizar sua voz de sereia
  • aprender técnicas de massagem sensual...

(O quadro ao lado é The Swing, pintado a óleo por Jean-Honoré Fragonard em 1766. Pertence a The Wallace Collection, de Londres. Cheio de detalhes inspiradores...)

Quando se fala em sexo, as perguntas vêm sempre recheadas de tabus e receios, embora o assunto seja um dos motivos de maior interesse da humanidade. Nós, mulheres, bombardeadas por toda sorte de exigências do mundo capitalista, vivemos sob a ditadura dos interesses mercadológicos. Temos que nos parecer com as atrizes e modelos famosas, para sermos consideradas sensuais e belas, enquanto somos subestimadas na nossa capacidade de desenvolvermos nossas potencialidades, com nossas características únicas e individuais.

Todas somos especiais e belas, todas nascemos com dons especiais e poder de sedução, mas nos esquecemos disso para sermos “aceitas” no mundo do trabalho, na família de nossos parceiros e na nossa própria, como “mulheres de respeito”. Esquecemos de ter movimentos leves para não parecermos “frágeis”, esquecemos de cruzar as pernas e de usar saia para não “parecermos vulgares”, esquecemos de que somos muito mais ouvidas quando falamos baixinho e mansamente, esquecemo-nos de que também somos fêmeas...

É hora de resgatarmos nossa essência e somarmos às nossas conquistas modernas e libertadoras a nossa natureza sedutora feminina. Vamos fazer nossas perguntas e buscarmos as respostas em nós mesmas, sem receios. É hora de tratarmos o sexo com a alegria e a leveza que lhe são realmente inerentes — sem medos, tabus ou idéias preconceituosas e sem vulgaridade.Vamos viver nossa vida sexual de forma livre e saudável!

A finalidade principal do Curso de Artes Sensuais é resgatar o poder feminino que há em cada mulher, contribuir para o autoconhecimento corporal, fortalecer a auto-estima e autoconfiança com relação à vida sexual e promover uma melhoria da saúde feminina. Sim, sensualidade é uma arte! Como? Despertando a essência feminina perdida em meio às exigências do mundo atual, ainda predominantemente masculino, através de técnicas simples e vivências lúdicas de práticas milenares, quase esquecidas e pouco difundidas como o pompoarismo (técnica oriental para o controle dos músculos vaginais) e descobertas desenvolvidas recentemente como “Os movimentos da gueixa” e “voz de sereia”.

Desfrutando de momentos muito gostosos e informações preciosas — que grande parte das mulheres, mesmo as mais vividas, infelizmente ainda não têm — o Curso de Artes Sensuais acontece em espaços especiais e comprometidos com a visão holística do ser e com a melhoria da qualidade de vida do planeta, para todas as mulheres que desejam exercer plena e saudavelmente sua vida sexual.Quem o ministra é uma amante das artes, conhecida por exercer as artes dramáticas e que há algum tempo vem estudando e pesquisando este tema, a fim de aprimorar seus conhecimentos para fins pessoais e profissionais.

O Curso de Artes Sensuais tem carga horária total de 9h, divididas em dois dias. Esmiuçando: Primeiro dia (2h/aula) - “O nosso mais importante e poderoso órgão sexual: o cérebro.” - "Espelho, espelho meu! (I)" - Introdução ao tema “Pompoarismo – malhação vaginal (I)" - “Exercício de casa”. Segundo dia (7h/aula) - "Banquete dos sentidos" - "Técnicas de Sedução" - "Massagem sensual" - Intervalo - "Voz de Sereia" - "Movimentos da Gueixa" - "Espelho, espelho meu! (II)" - Almoço - Conversando sobre o “Exercício de casa”- "Pompoarismo - malhação vaginal (II)" - Um papo sobre o orgasmo - Intervalo - "A prática do sexo oral sem mistérios e sem medos" - Sugestões de leitura - E uma deliciosa surpresa!

São 20 vagas por turma: no Instituto Isa Magalhães (Tel.: (85) 3234-1571), no Instituto Gaia (Tel.: (85) 3224-9770), e no Espaço Vital (Tel.: (85) 3248-0660). O investimento é de R$ 150,00.

"Oh, deixe-me deliciá-la com minha beleza / de modo que o olho possa dançar de alegria
Deixe-me seduzi-la com perfumes /para que você inspire prazer
Deixe-me excitar seu paladar / até sua língua tremer
Deixe-me acariciá-la com um som que faça seus ouvidos zunirem
Deixe-me tocar o seu corpo com a música da cachoeira / e adornar sua beleza com braceletes dourados e mel e perfume E quando estiver tudo feito / quando todos os seus sentidos tiverem sido despertados
Quando seu espírito celeste se unir de modo jubiloso ao seu corpo terrestre
Então você conhecerá a sensualidade."
(Oração d’Oxum – a Afrodite afro-brasileira)

Desejando muita luz a todas, Karla agradece o interesse, a presença, a doação...


DA HORA
Para mais informações: 55 (85) 8894-0390.
karla_karenina@yahoo.com.br

*Karla Karenina é atriz há 18 anos, arte-educadora e militante das causas sociais. Transita por diversas áreas com muita competência e a mais recente, as Artes Sensuais, fizeram-na cursar aulas na cidade do Rio de Janeiro, além de suas vivências e aprendizados de iôga, ballet, artes marciais, dança, teatro e música, mais o embasamento teórico e técnico para desenvolver este curso. Karla é também Embaixadora do IPREDE-Instituto de Prevenção à Desnutrição e à Excepcionalidade em Fortaleza — e solicita que continuemos contribuindo na nutrição de amor e alimento das nossas crianças cearenses: o IPREDE precisa permanentemente de doações de LEITE!

SE INFORME
55 (85) 3271-1300
iprede@iprede.org.br

05 junho 2006

É BURRICE?

A "estratégia Bin Laden"


Osama Bin Laden talvez seja quem melhor usou a arma mais eficiente deste milênio, a mídia. Numa avaliação rasteira, eu diria que os aviões atingindo as torres-gêmeas foram apenas 40% do evento. Os outros 60% ficaram por conta da mídia. Você contou quantas vezes viu a cena dos aviões chocando-se com as torres? Foram meses e meses de repetição, elevando o impacto do atentado a níveis impensáveis. As torres não caíram em Nova York. Caíram na sala da minha casa...

Pois acabamos de ter uma amostra de até onde a mídia pode ser usada pelo terror. No caso, foi o PCC com aquela série de ataques na cidade de São Paulo. Os ataques foram 40% do evento. Os outros 60% ficaram com a mídia, que ampliou o alcance do problema para nível planetário. As emissoras de televisão e de rádio mais importantes passaram o dia e a noite cobrindo os atentados, atualizando a cada segundo o número de mortos e de ônibus queimados e jogando na sala de minha casa a viúva, o órfão e os corpos dos policiais mortos.

São Paulo viveu um apagão. Mas desta vez não foi um apagão de energia. Foi um apagão de racionalidade, uma demonstração de que não temos planos de contingência para coisa alguma neste país de administradores amadores. Já pensou no dia em que um furacão passar por aqui? No dia em que um terremoto acontecer? No dia em que uma praga nos atingir? Vai ser um Deus nos acuda...

Afinal, estamos ocupados demais trabalhando, fazendo “política” ou brincando de administrar, para gastar tempo elaborando planos para lidar com catástrofes ou situações de pânico. Mal e mal conduzimos nosso dia-a-dia rotineiro e nossos planinhos de curto prazo... Vivemos em sociedade como amadores. E naquela semana, tivemos a prova disso. Para os profissionais, nada do que ocorreu foi imprevisível. Nada do que ocorreu foi inevitável. Nada foi surpresa. Só os amadores ficaram perplexos.

E o PCC mostrou que é profissional. Aprendeu a usar a “estratégia Bin Laden”. E a mídia não se importa em ser usada, desde que tenha as melhores imagens e os melhores dramas. Desde que consiga a audiência. E nesse processo comercial, valores morais são detalhes... Nada de novo, afinal cabe à mídia informar, não é?

Mas sabe o que me incomoda? É a repetição insana daquele zoom no olho da viúva, esperando uma lágrima. É a música de fundo durante as imagens do enterro. É a montagem de imagens sobrepondo o ônibus queimado ao corpo no chão, a vidraça estilhaçada com o transeunte desesperado, a poça de sangue com os presos no telhado... Tudo editado num ritmo de filme de ação. O vídeo-clipe do terror. A notícia transformada em espetáculo. Expostos às técnicas de cinema da mídia, em especial a televisiva, reagimos com mais emoção do que razão. Do jeitinho que Bin Laden quer.

A mídia tem que informar. Nós precisamos saber. Mas uma perguntinha me incomoda... Ter a mídia a serviço dos bandidos é inteligente?
Ou será burrice?


LEIA MAIS
O colunista Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista. Acesse
http://www.lucianopires.com.br/

TANTRA

Um pouco do conceito, sem pré-conceitos

O Tantra é escrito na linguagem do amor, não na linguagem da lógica. Quando você está em profundo amor, sua mente deixa de existir. Não existe passado; somente o momento presente torna-se tudo. O presente é o único tempo, o agora é tudo — nenhum passado, e nenhum futuro.

Todos os ensinamentos religiosos estão preocupados com o “como se ir além da inconsciência”, “como se ficar consciente”. Para o Tantra, isso é uma dualidade — inconsciente e consciente. Se você se move do inconsciente para o consciente, você está se movendo de uma parte da dualidade para a outra. Mova-se para além de ambas! Então, simplesmente seja!

"Deus é amor" é uma afirmação tântrica. Significa que, em nossa experiência, o amor é a única realidade que chega mais perto de Deus, do divino, porque no amor a unidade é sentida. Por isso existe tanto anseio por sexo. O anseio real é por unidade, mas essa unidade não é sexual. No sexo, dois corpos têm somente a sensação ilusória de se tornarem um, mas eles não são um, eles estão apenas juntos.

Por um simples momento, dois corpos se esquecem de si mesmos — um está no outro e uma certa unidade física é sentida. Esse anseio não é ruim, mas ficar parado nele é perigoso, já que mostra um profundo impulso para sentir-se “a” unidade. No amor, em um plano superior, o "eu interior" se move, funde-se com o outro — e existe aí a unidade. A dualidade se dissolve. Então, mova-se além do sexo.

“O Tantra diz para aceitar o que quer que você seja. Você é um grande mistério de energia multidimensional; aceite isso e mova-se com toda a energia, com profunda sensibilidade, atenção, amor e compreensão. Mova-se assim e então cada desejo torna-se uma ajuda. Então, esse próprio mundo é o Nirvana, este próprio corpo é o Templo — um Templo Sagrado.” (Osho)

Tantra é uma maneira de se usar o corpo e a mente como instrumentos físicos da realização divina. O corpo e a mente constituem o “eu inferior”, e juntos eles têm uma tendência para dirigir as suas ações, a fim de perpetuar a sua existência, como se apresentam. Mas o Tantra tem o propósito de liberar e transformar o corpo e a mente em sua jornada espiritual.

Tantra é uma ferramenta para lidar com o mundo físico, e é experienciado pelo corpo físico. A raíz "tan" sugere "extensão" e a atenuação que nos dá a palavra “tênue” em Português. “Tan-tra” é então o estado sublime que se cria quando a mente, o ego e o intelecto tornam-se inativos através de uma experiência de fusão sensorial — como, por exemplo, a massagem.

A massagem tântrica é sempre aplicada entre parceiros amorosos ou casais, pois deve existir a troca de polaridades. É essencialmente preventiva e age para restabelecer o equilíbrio físico-espiritual do indivíduo. Harmoniza os corpos energéticos, previne doenças estimulando as defesas naturais do organismo e atua principalmente sobre os sistemas glandular e endócrino(chakras), além de tratar fraquezas gerais do coração, fadiga, desequilíbrios nervosos, perturbações mentais e emocionais e harmonizar a sexualidade.

Além de ser algo muito prazeroso, a massagem tenta elevar a energia kundalini até o chakra do coração, para provocar a expansão da consciência. Faz-se bastante alongamento na coluna, que é por onde kundalini se manifesta, e no mínimo a pessoa consegue ter insights dessa energia. Kundalini é uma energia de vida com capacidade de provocar a elevação do ser. Kundalini alimenta todos os nossos chakras, que são outro nível muito trabalhado pela massagem tântrica.


SAIBA MAIS
O colunista Marcelo Dhyana é terapeuta corporal e sannyasin* e está residindo novamente em São Paulo.

marcelodhyana@globo.com

*Um “sannyasin” é um monge que fez seus votos finais de renúncia, de acordo com certos ritos hindus.

23 maio 2006

BIODIVERSIDADE

Carnaubais protegem o solo

A carnaúba (Copernicia prunifera) é uma palmeira nativa da região semi-árida do Nordeste brasileiro, onde os carnaubais integram as matas ciliares das planícies hidrográficas. A espécie é de fundamental importância para os rios, ao servir ambientalmente para a conservação e proteção do solo, evitando processos erosivos, favorecendo o controle das cheias e abrigando uma diversificada fauna. As características pedológicas (solos de aluvião areno-argilosos dos vales fluviais), a disponibilidade de água associada ao fluxo fluvial (rios e drenagens secundárias) e a sazonalidade climática definem as condições ecodinâmicas e o habitat adequado para desenvolver os grandes bosques de carnaúba, que ocorrem ao longo do curso inferior dos principais sistemas fluviais do Ceará.

Afastam-se da margem dos rios quando se inicia um ambiente fluviomarinho e o fluxo do rio é regido pelas oscilações diárias das marés, dando lugar aos manguezais. As maiores concentrações, abrangendo áreas de grande importância para a biodiversidade do semi-árido, encontram-se nos vales dos rios Jaguaribe, Acaraú e Coreaú. Bosques com menores dimensões, mas de elevada importância ecológica e sócio-ambiental estão associados aos vales dos rios Aracati-Mirim, Curu, Ceará, Pacoti, Choró e Pirangi. São bioindicadores de ambientes de várzea, com uma vasta mata ciliar a eles associada.

Como principal produto de exportação entre os anos 1940-1960, a cera de carnaúba e as atividades de manejo para a sua exploração estiveram vinculadas ao desmatamento de grande porção dessa mata ciliar. Segundo estudos realizados pelo mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente Oscar Arruda D’Alva, do Instituto Sertão, mostram que, com a valorização da cera de carnaúba a partir do século XIX, os carnaubais passaram a merecer cuidados e receber roçados mais freqüentes — o que há tempos vem impedindo a regeneração de outras espécies arbóreas nativas, eliminadas também pela retirada de madeira para as mais diversas finalidades.

A partir de 1970, com a instalação de projetos agropecuários — notadamente nos vales dos rios Jaguaribe e Acaraú — grande parte dos bosques de carnaubal foi desmatada e comunidades que sobreviviam do extrativismo da cera e da palha da carnaúba viram-se fortemente impactadas em seu modus vivendi. Mais recentemente, com a chegada da indústria do camarão (carcinicultura), a degradação foi ampliada. No baixo curso do Jaguaribe uma área de aproximadamente 700 hectares sofreu o impacto direto dessas atividades.

A mineração de areia e argila ao longo dos terraços fluviais também promoveu o desmatamento dos carnaubais e alterações profundas nas estruturas da paisagem (solo, morfologia, mata ciliar e fauna). Quando os impactos associam-se aos demais danos responsáveis pela degradação das bacias hidrográficas — desmatamento do manguezal, poluição e contaminação da água por efluentes industriais e domiciliares, desmatamento de nascentes, erosão das margens dos rios e assoreamento dos canais fluviais que causam inundações, entre outros — verifica-se que as diversas formas de utilização dos recursos naturais não levam em conta a importância ambiental para as futuras gerações.

Estamos diante de um movimento crítico para a sobrevivência dos bosques de carnaúba* do Ceará e de toda a composição paisagística, cultural e social a eles vinculada. A criação de unidades de proteção integral e de uso sustentável, interconectadas com as demais bacias hidrográficas e matas de transição representariam os primeiros passos para assegurar minimamente a permanência desse importante ecossistema. Deverão estar associadas à manutenção das atividades tradicionais de extrativismo sustentável, ao respeito cultural e saberes especializados das comunidades tradicionais.

SAIBA MAIS
O colunista Jeovah Meireles é geólogo, doutor em Geografia pela Universidade de Barcelona e professor do Depto. de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC)
meireles@ufc.br


* A carnaubeira integra a família palmae, a mesma de palmeiras como o coco e o babaçu. Chamada “árvore da providência” em função dos seus atributos, os índios a consideram sagrada e até hoje a reverenciam em cerimônias, cânticos e contos. Conforme o cacique Dourado Tapeba, a Festa da Carnaúba comemora todo novembro às margens da Lagoa do Tapeba (Município de Caucaia, Grande Fortaleza), um momento de encontro, celebração e fortalecimento da tradição da retirada da palha da palmeira, usada na confecção de redes, cordas, cocares e na cobertura de suas ocas. Os índios ainda produzem e comercializam a cera da carnaúba, utilizada na fabricação de vinil.


Na língua Tupi, “carnaúba” quer dizer “árvore que arranha” – referência aos pequenos espinhos no pecíolo e à aspereza do tronco, parcialmente coberto por sulcos em forma de hélice. Fornece palmito e frutos a homens e animais. O coquinho, chamado “ameixa”, é fonte de óleo, substituindo o café depois de torrado, e ainda serve de ração. As raízes têm propriedades antiinflamatórias e cicatrizantes. A madeira é usada na construção de casas, cercas, postes, pontes etc. Das folhas secas fazem-se chapéus, cestas, bolsas, esteiras e outros produtos, podendo também se obter celulose. A bagana é excelente adubo.

A maior lista de produtos e subprodutos pertence, porém, à cera. De cosméticos a polidores, revestimentos e lubrificantes, além de produtos de limpeza, cápsulas para comprimidos, papel-carbono, adesivos e filmes fotográficos, vem também sendo empregada em larga escala como isolante térmico de chips de computadores. A carnaúba é, pois, mais generosa que o boi — bicho do qual se aproveita tudo, menos o berro, conforme se diz nos currais. Mais em
http://www.uema.br/jornal_agronomia/terceira%20ed/index_arquivos/Page340.htm)

19 maio 2006

MARKETING PESSOAL

Relacionamento cliente-corporação

Façamos uma reflexão sobre as relações interpessoais — em especial as cliente-corporação, para demonstrar como é imprescindível a preocupação com a humanização dos processos e a importância das pessoas. Num momento de disseminação dos conceitos de liderança servidora e de busca por mecanismos mais audazes de fidelização, nada mais simples (porém complexo) do que trabalhar formas "caseiras" de se fazer presente na vida de alguém...

Lembrando: “Convence-se pela razão, mas persuade-se pela emoção.”

Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal: estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores histórias sobre atendimento que conheço. Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar. Avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia. Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente: "— Bem-vindo ao Venetia!" Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: tudo muito rápido e prático.

No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais! Aquele homem que queria um quarto apenas para passar a noite, começou a pensar que estava com sorte. Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o pedido no momento do registro). A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha experimentado, naquele local, até então. Assinou a conta e retornou para o quarto. Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira. Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia um lindo fogo crepitando na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e havia uma bala de menta sobre cada um. Que noite agradável aquela!

Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar. Simplesmente uma cafeteira ligada por um timer automático, estava preparando o seu café e, junto, encontrou um cartão que dizia: "Sua marca predileta de café. Bom apetite!" Era mesmo! Como elespodiam saber desse detalhe? De repente, lembrou-se: no jantar perguntaram-lhe qual a sua marca preferida de café.

Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia um jornal. "Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?" Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a recepcionista havia perguntado qual jornal ele preferia. O cliente deixou o hotel encantado. Feliz pela sorte de ter ficado num lugar tão acolhedor. Mas, o que esse hotel fizera mesmo de especial? Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal...

Nunca se falou tanto na relação empresa-cliente como nos dias de hoje. Milhões são gastos em planos mirabolantes de marketing e, no entanto, o cliente está cada vez mais insatisfeito, mais desconfiado. Mudamos o layout das lojas, pintamos as prateleiras, trocamos as embalagens, mas esquecemos-nos das pessoas.

É que o valor das pequenas coisas conta, e muito, assim como a valorização do relacionamento com o cliente. Fazer com que ele perceba que é um parceiro importante! Isto vale também para nossas relações pessoais (namoro, amizade, família, casamento) e, enfim, pensar no outro como ser humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe. Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está nos gestos mais simples denosso dia-a-dia — que na maioria das vezes passam despercebidos.Pensemos sobre e coloquemos em prática tais ações.


LEIA MAIS
O colunista Antonio Carlos Rodrigues nos traz de volta a um lado claro da realidade em
http://www.marketingpessoal.com.br/artigos/211001_mkt_sorriso.htm

POLÍTICA

"Não é isso que está aí..."

Lá estava eu, nos meus 20 e poucos anos, diante daquele senhor. Ele era um político experiente, que teve projeção nacional. Estava com mais de 70 anos e a saúde bastante abalada. Sentamos na sala de seu apartamento. Imaginei a quantidade de gente que não teria se sentado ali para as audiências com o político influente. Nomes como Juscelino, Lacerda, Adhemar de Barros e Laudo Natel, entre outros, foram citados várias vezes, com muita familiaridade. Lá pelas tantas, ele pôs a mão no meu ombro, assumiu um ar paternal e me deu um conselho:

- Luciano, se eu puder te dar um conselho, é o seguinte. Se um dia te oferecerem algum negócio meio obscuro, por baixo dos panos, aceite! Não faça como eu, que jamais aceitei entrar em negociatas e hoje estou aqui, acabado, enquanto eles estão lá, numa melhor...

Aquilo foi uma porrada! Em que mundo vivia aquele velho político, para aconselhar um garoto a vender a alma ao diabo em troca de benefícios materiais? Um senhor. Com quase 80 anos! Podia ser meu avô!

Fiquei chocado. Mas mais tarde refleti sobre o que ouvi. Alguma coisa não batia... Ele não devia estar falando sério. Não senti em suas palavras a malandragem tão comum aos vigaristas de todo dia. Não vi a face do mal. Não vi a intenção de enganar, roubar ou tripudiar sobre os que o elegeram. Vi amargura. De alguém que, após uma vida dedicada à política, fazia um balanço e descobria que o saldo era negativo. Do ponto de vista moral.

Meu velho amigo concluíra que aqueles que adotaram a moral torta, levaram a melhor. E, por apreço, não queria que acontecesse o mesmo comigo.

Pois bem... Trinta anos depois, o Brasil mudou. E aquele conselho que me indignou e que recebi privadamente, hoje é esfregado na cara de meus filhos diariamente. Pela televisão. Pelos jornais. Pelo rádio.

E como pai, brasileiro e preocupado, me vejo obrigado a repetir, todo dia, todo o tempo:

- Meus filhos, política não é isso que está aí!

Essa coisa feia. Ruim. Feita por gente desonesta. Política não é bandidagem.

Isso que está aí tem outro nome. Não é um meio, é um fim. É um jogo de vale-tudo. Vale o roubo. A morte. A corrupção. A chantagem. Isso tem outro nome, que eu nem sei qual é. Mas não é "política". Política é inevitável, faz parte da nossa vida e não tem que ser uma coisa má. Política é o meio pelo qual são tomadas as decisões de nossa comunidade. É a forma como são estabelecidas as regras para o comportamento de grupos. Política é o jeito de regular a competição por posições de liderança. É a forma de minimizar os efeitos nocivos das disputas.

Política não é isso que está aí.

Política é a arte de posicionar suas idéias de forma visível e saber o que dizer, como dizer e para quem dizer. Isso é política. E conhecer política, é bom! Praticar política é bom. É a política que nos mantém vivendo em sociedade. É a política que rege nossas interações. É a política que torna possível conviver em harmonia com seu irmão. Com seus pais. Com seus vizinhos. É a política que costura os interesses e faz crescer a nação. Isso sim é política! Uma ação positiva e construtiva. Para o bem.

Por isso, em nome do meu velho amigo que já morreu, digo e repito:

- Meus filhos, política não é isso que está aí.

Isso aí tem outro nome.

Que eu não sei bem qual é...


ACESSE
O colunista Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista, atuando contra a mediocridade:

www.lucianopires.com.br

18 maio 2006

PRISÃO PREVENTIVA

Um mal necessário?

Partindo do Direito Processual Penal, vamos tratar do instituto da Prisão Preventiva — que recebe, aliás, inúmeras críticas dos juristas brasileiros com relação à forma como vem sendo utilizado em nosso País, bem como no que tange à sua constitucionalidade. Historicamente, a evolução da sociedade viu surgirem atuações ilícitas que prejudicavam as pessoas, e para protegê-las houve a necessidade de um controle, exercido através de regras seguidas por sanções. Ao Estado foi dada a incumbência de aplicar estas regras, objetivando assim a segurança da sociedade e a tranqüilidade social.

A partir do momento em que a lei é violada pela atuação negativa de uma ou de algumas pessoas, o Estado tem a função de punir os responsáveis por essa violação, restituindo a paz à sociedade. Com o passar do tempo e o aumento da gravidade dos atos ilícitos, observaram-se graves conseqüências sociais. O Estado viu-se obrigado a retirar do convívio social as pessoas que causavam mal-estar à sociedade — através das prisões. Encontramos já em um passado muito remoto indícios da existência de prisões, muitas vezes com outros nomes (tais como “cárceres”). Objetivamente, até hoje a paz social é buscada pelo Estado, porém, este nunca conseguiu realmente efetivá-la, mesmo aplicando as medidas restritivas da liberdade humana.

No presente, há duas espécies de prisões: a prisão penal e a prisão sem pena. Nesta última, uma de suas subespécies — denominada prisão provisória ou cautelar — é aplicada antes da condenação irrecorrível do acusado. As prisões podem ser classificadas em: prisão em flagrante delito, prisão preventiva, prisão temporária, prisão decorrente de decisão de pronúncia e prisão decorrente de sentença penal condenatória passível de recurso. Portanto, a prisão preventiva é uma subespécie de prisão cautelar.

Eduardo Espínola Filho (Código de Processo Penal Brasileiro Anotado, vol. 3, Bookseller, 2000, p.363) define precisamente a prisão cautelar: “É a prisão determinada antes do julgamento como medida garantidora da permanência do indiciado à disposição da justiça, contribuindo, consideravelmente, para que ao processo possa assegurar-se marcha normal, perfeita e rápida”, tendo como finalidade, portanto, a proteção da ordem pública e a garantia da aplicação da lei penal. Porém, mesmo com a observação destas finalidades, a prisão cautelar só se justificará antes do julgamento ou da sentença irrecorrível quando o indivíduo for encontrado na flagrância de crime ou contravenção, ou se a prisão for determinada, por escrito, por autoridade competente — isto é, o juiz ou tribunal a que for afeto o processo contra o indiciado (quer já esteja em curso a ação penal, quer para isso seja remetido o inquérito, prevenindo a competência).

A prisão preventiva vem inserida entre os artigos 311 a 316 do Código de Processo Penal e é uma medida fundamentada por despacho judicial, que pode ser intentada em qualquer fase do inquérito policial ou da ação penal, antes de transitar em julgado a sentença penal condenatória, podendo ser decretada de ofício pelo Juiz ou a pedido do Ministério Público, do querelante ou por representação da autoridade policial. A sua finalidade é impedir que ocorram novos crimes por parte do indiciado ou acusado, garantindo assim a ordem pública, evitando-se violação ou grave ameaça à economia. Ou seja, garantindo a ordem econômica e mantendo estável e regular a produção de provas, com a conveniência da instrução criminal e, finalmente, efetivando a aplicação da lei penal. A prisão preventiva não é definitiva, devendo o encarceramento durar somente o curso do processo e até a decisão final, pois, havendo a condenação, e sendo esta definitiva, não fala mais em prisão, e sim, em reclusão ou detenção como pena privativa de liberdade. A prisão preventiva também pode ser, a qualquer tempo, revogada pelo juiz (desde que haja justificativa para isso).

Seguimos neste post o mestre Júlio Fabrini Mirabette (Processo Penal, Atlas, 2001, p. 384), quando o mesmo denota que “a prisão preventiva é um ato de coação processual, e, portanto, medida extremada de exceção, que só se justifica em situações específicas, em casos especiais onde a segregação preventiva, embora um mal, seja indispensável”. Os pressupostos para a admissibilidade da prisão preventiva vêm contidos no artigo 312 do CPP, onde se lê “quando houver prova da existência do crime e indícios suficientes da autoria”, e portanto, percebe-se que o primeiro pressuposto se refere à materialidade do crime, devendo haver prova da existência do fato criminoso — que pode ser, por exemplo, laudos de exame de corpo de delito, documentos, provas testemunhais e outros. Mas é necessária a “prova” da existência do crime, não bastando meros indícios para a decretação da prisão preventiva do acusado.

O segundo pressuposto para a decretação da prisão preventiva é contrário ao primeiro, pois agora a lei atém-se a meros indícios da autoria, não necessitando assim de uma certeza plena, contentando-se com elementos probatórios menos robustos do que os necessários para o primeiro pressuposto. Neste segundo requisito, o legislador confiou no prudente arbítrio do magistrado, não definindo regras gerais ou padrões para a decretação desta forma de prisão. Também pode o juiz decretar novamente, ou redecretar, a prisão preventiva quando achar necessário, observando todos os pressupostos, fundamentos e condições de admissibilidade desta, a qualquer momento do processo ou do inquérito policial.

Sobre a constitucionalidade da prisão preventiva, cremos ser a liberdade um dos direitos fundamentais do homem, consagrada em nossa Constituição Federal e pela Declaração Universal de Direitos Humanos. Tentando preservá-la, o legislador constitucional limitou a atuação dos órgãos detentores do poder público. Por isso lemos no artigo 5.º, inciso LVII da CF: “Ninguém será considerado culpado até trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Este inciso diz respeito ao Princípio da Presunção de Inocência, ou seja, enquanto não transitar em julgado a sentença penal condenatória, tornando-se a mesma irrecorrível, o acusado deve ser tido como inocente da prática do crime a ele imputado.

Alguns autores, como Fernando Capez (Curso de Processo Penal, Saraiva, 1999, p. 226), Mirabette (supracitado) e Luiz Flávio Gomes (Reformas Penais (IX): Liberdade provisória – acesse em http://www.mundojuridico.adv.br/html/artigos/documentos/texto209.htm), entendem que a prisão preventiva, assim como as demais prisões provisórias, devem ser aceitas como necessárias. Todavia, nem por isso deixam de ser injustas. O próprio Superior Tribunal de Justiça estabeleceu (em sua Súmula 09) que “a exigência da prisão provisória, para apelar, não ofende a garantia constitucional da presunção de inocência”: “A Constituição reservou ao legislador ordinário a tarefa de definir o cabimento, forma e exigência da liberdade provisória ...”(RT, 687/279).

Mesmo antes da promulgação da Carta de 88, qualquer estudante de Direito mais aplicado sempre teve obrigação de saber que a prisão preventiva, por sua própria natureza e destinação, é providência excepcionalíssima, a ser empregada somente em casos em que o interesse público supere de muito a impostergável exigência de manutenção da liberdade, indicando a necessidade de encarceramento antes de decisão condenatória com trânsito em julgado. Não por acaso, a prisão preventiva é conhecida no jargão jurídico como “medida vexatória” (como aponta Félix Valois Coelho, em Prisão Preventiva Obrigatória: crueldade ou tolice?, publicado no Boletim IBCCrim de jan/2001 – acesse em http://www.internext.com.br/valois/artfvcj2.htm).

Luiz Flávio Gomes (Penas e Medidas Alternativas à Prisão, Editora Revista dos Tribunais, 2000, p.72) também acrescenta: “Ninguém contesta que o acusado (ou mesmo indiciado) pode ser preso no curso do processo (ou da investigação) e que essa prisão não viola a presunção de inocência, porém, desde que presentes motivos concretos justificadores do encarceramento ante tempus, cabendo ao juiz demonstrá-los em sua decisão”. Portanto, a prisão preventiva, como as demais prisões cautelares, de forma alguma colide com os princípios da presunção da inocência ou da liberdade da pessoa humana, desde que seja decretada com base na garantia da ordem pública, da ordem econômica, na conveniência da instrução criminal e no asseguramento da aplicação da lei penal, e que possua natureza cautelar, processual, instrumental e provisória, tudo somado à prova da existência do crime e indícios suficientes da autoria.

Os adversários desta forma de prisão cautelar respaldam-se no abuso de poder com que é decretada, deixando de lado as críticas ao uso da mesma, isto porque ainda existem magistrados que, esquecidos de sua função, decretam a prisão preventiva por meras suspeitas, quando não por simples capricho. Portanto, acreditamos que o erro — o inconveniente — está no ser humano, nas atitudes deste e não no instituto da prisão preventiva.

A seguir, alguns inconvenientes causados pela decretação da prisão preventiva que justificam o seu uso minimizado, somente em casos excepcionais, como salienta a majoritária corrente doutrinária:
  • Cerceamento de Liberdade: consiste não na violação de um direito, mas no estreitamento deste, pois priva licitamente o cidadão de sua liberdade;
  • Mácula: o réu preso preventivamente que obtém uma sentença absolutória pode até mesmo adquirir maus hábitos em virtude do que viveu e presenciou dentro do cárcere;
  • Desonra: quando há a decretação da prisão preventiva de um cidadão, mesmo que seja julgado inocente, quando posto em liberdade a sociedade o discrimina, não há como deixar a prisão sem uma mancha de desonra;
  • Inconveniente Financeiro: sob o aspecto econômico, a decretação da prisão provisória impede que o réu produza o que iria produzir se estivesse solto, sendo este um dos males mais caros ao Estado;
  • Problema Carcerário: como é notório em nosso País, o problema carcerário assola tanto cadeias públicas quanto penitenciárias. Há muito mais presos do que instituições para recolhê-los, e por isso as pessoas presas provisoriamente — que deveriam ficar separadas dos presos condenados de forma definitiva (art. 300 do CPP) — são presas conjuntamente, o que acarreta inúmeros males ao réu que seja, futuramente, considerado inocente.

    Hélio Tornaghi (Curso de Processo Penal, Saraiva, 1995, p. 9) acrescenta, sobre estes inconvenientes, que “a verdade, a verdade verdadeira e insofismável, é que o povo liga a prisão a um caráter ultrajante. E o preso sai dela difamado. Pode não perder a estima, a consideração dos homens esclarecidos quanto à natureza do encarceramento provisório, sabedores do resultado do processo e da honradez do liberado. Mas no espírito de muitos, menos informados a respeito de tanta cousa, não deixa de permanecer a dúvida, muito razoável”.

    Por fim, não há como negar que a prisão preventiva é, em alguns casos, um mal; porém, um mal necessário, cuja finalidade é evitar outro muito maior. Isto posto, cremos, talvez até utopicamente, que o ideal seria apenas privar da liberdade um indivíduo após a sentença penal condenatória transitada em julgado. Mas, infelizmente, para que haja o bom andamento processual, e também para que salvaguarde-se a sociedade, muitas vezes é necessária a decretação da prisão preventiva como providência para proteger o bem comum.

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A colunista e advogada Karina Melissa Cabral é membro da Comissão da Mulher Advogada da OAB (Osvaldo Cruz/SP) e autora do livro Direito da Mulher: de acordo com o Novo Código Civil
kmelcab@hotmail.com