21 novembro 2011

MEU BRASIL BRASILEIRO!

Sem desculpas


Estou migrando meus livros para o sistema eletrônico (ebooks). Busquei informações e disseram que eu mesmo poderia fazer, mas diante do primeiro “tutorial” desisti. É preciso ter uma lesão mental para conviver com tutoriais. 


Procurei então várias alternativas de fornecedores para realizar o trabalho e fui soterrado por toneladas de “veja bem”, “pode ser”, “talvez”... De cada lado uma informação diferente, sem contar os irritantes “ah, mas é tão fácil!”. Pedi orçamentos, recebi loucuras. Sem contar as ameaças do tipo “olha, se não fizer assim e assado você será pirateado, sucateado, incompatibilizado”.

Seis meses depois eu estava no mesmo ponto zero.

Parti para o plano B: fornecedores de fora do Brasil. Num blog dos Estados Unidos encontrei dicas, mandei um email para o primeiro indicado e recebi em algumas horas uma resposta: “não posso fazer por ser em português, mas conheço quem faz”.

Em minutos eu estava em contato com o fornecedor, que respondeu com uma praticidade chocante: dá pra fazer, é assim que funciona, leva dez dias e custa entre 150 e 400 dólares. E fazemos para o Kindle e para o ePub, dois dos sistemas de leitores eletrônicos mais populares.

Mandei os arquivos e por email recebi um orçamento inteligente. A cada aba uma instrução, um download, uma explicação. Preço: 340 dólares. Bem, encurtando o assunto: duas semanas depois o livro está praticamente pronto, sem estresse, sem chororô, sem desculpas.

Refleti sobre a diferença entre fazer negócio com os fornecedores brasileiros e com o norte americano e descobri que o que mais me chamou a atenção foi algo prosaico:

- Ele acredita em mim!

Sim. Credibilidade. O fornecedor dos EUA acreditou em tudo que eu disse e cumpriu tudo o que prometeu, fazendo com que eu acreditasse nele. Não teve “caiu o sistema”, “o Correio entrou em greve”, “fiquei sem Speedy”, “faltou um funcionário”, “subiu o dólar” ou “o trânsito estava lento”. Não teve “não aceito PDF”, “não pode usar cores”, “foi feriado”, “me manda por motoboy” ou “não aceito cartão de crédito”... Sem desculpas. Dá pra fazer, é assim que se faz, custa tanto e pronto.

Meu interlocutor sabia o que estava falando, me orientou com precisão, ofereceu todos os meios de acesso, respondeu a todas as perguntas imediatamente e quando achou que não dava disse: “Não dá”. Sem “talvez”, “vou ver”, “liga mais tarde”.

No Brasil, acostumados a não acreditar nos outros, sempre deixamos um colchão enorme nas negociações. Já esperamos pelo atraso, pelos problemas de qualidade, pelo entregue diferente do prometido, pelas exceções que são regras, pelo chute do especialista e pelas desculpas, as desculpas, as desculpas...

Livre da teia de desculpas que caracteriza os negócios no Brasil, fiquei, como a gente dizia lá em Bauru, encafifado. Senti uma sensação estranha, agradável, que me deixou curioso:

- O que será?

Era profissionalismo.


                                                      *O jornalista multimídia Luciano Pires trabalha dia e noite pela despocotização do Brasil 
(imagem em dirtybottle.com)

04 novembro 2011

FEITICEIRA DO BEM

Minha vida de casal


Bela manhã de domingo, como sói serem as manhãs de domingo em Fortaleza. Sentados na varanda, lado a lado, como se unidos por um fio invisível, minha mulher Sônia e eu lemos juntos o jornal recém-chegado, ainda fresquinho como um pão saído do forno da padaria. 

 Ela acordou tão cedo quanto eu, nossos relógios biológicos parecendo cronometrados para nos despertar na mesma hora matinal. Sua presença me faz um bem incomensurável à alma. 


 Enquanto dividimos irmanamente os cadernos do matutino, vamos conversando sobre os mais variados assuntos, inclusive a respeito de nós mesmos, de nossos problemas mútuos, de nossas preocupações em comum, da vida um tanto quanto aperreada que levamos, dos nossos esforços, da nossa luta cotidiana para manter o barco da família à tona das eventuais procelas. 


Faz muito que caminhamos de mãos dadas seguindo a mesma estrada, percorrendo, entre quedas e levantes, o mesmo caminho desde que nos conhecemos ainda adolescentes.


 Em tom de blague, costumo dizer que Dona Sônia é minha cruz que o destino me ofereceu. Todavia, uma cruz diferente, pois ao invés de ser carregada por mim, na verdade é ela quem me carrega nos ombros que parecem frágeis, mas que são muito mais fortes que os meus. 


Reconheço que sou um fraco, que me deixo abater facilmente por qualquer percalço mais grave, enquanto ela resiste bravamente às intempéries que nos acometem como legítimos representantes do que eu chamo de "classe média aperreada". 

Ela é a verdadeira comandante do navio. Eu não passo de um simples marujo, apesar de tentar manter minha pose de falso capitão de longo curso. 

Minha mulher parece-se demasiado com minha mãe, pois demonstra nos momentos de aperreio a mesma fortaleza inquebrantável de minha genitora, que não desabava em lágrimas por qualquer besteira e enfrentava as dificuldades do existir com uma coragem de leoa.

Quando me encontro sozinho comigo mesmo na solidão das noites insones, uma indefectível pergunta logo me cutuca com vara curta o bestunto, cortando o fluxo dos pensamentos vadios que me povoam a mente inquieta: o que de mim seria se eu ficasse sem minha mulher? 

Uma certeza me bate, avassaladora: certamente me transformaria num quase-nada, num inútil, insignificante zero à esquerda, um cachorro caído do caminhão de mudança. Da morte não tenho medo, porém me apavora o simples pensar que minha mulher possa morrer antes de mim. 

Vergonha não tenho de confessar isso. E por que haveria de ter se estou falando a mais pura, a mais lídima das verdades? Pois além de amá-la com um amor intenso e permanente, eu dependo dela para tudo. 

Sem ela, minha existência perderia a maior e a melhor porção do seu sentido, do seu significado. Ser-me-ia quase impossível continuar a viver sem ela.

Enquanto escrevo, quando em vez, sem que ela perceba, pouso nela meu olhar repleto de carinho e recebo de volta uma corrente intensa de força, de segurança. 

Perto dela sinto-me envolto em uma aura de bendita proteção, a sensação feliz de que tenho alguém que estará sempre do meu lado, pronta para me ajudar, me socorrer nos momentos de urgente precisão. 

Minhas fraquezas todas ela as conhece uma por uma -- e sabe de mim muito mais do que eu jamais saberei. Acredito até que é capaz de ler meus pensamentos, feito uma legítima "feiticeira do Bem". 

Bendigo o dia em que nossos destinos se cruzaram e fomos naturalmente atraídos uma para o outro por obra e graça de algum deus do qual desconheço o nome. 

Se é mesmo verdadeira a lenda de que há pessoas que já nascem destinadas a viverem juntas, nós dois somos a prova viva de que essa lenda, conosco, deixou de ser somente uma lenda para tornar-se um fenômeno real e incontestável. Ainda bem.



*Antônio Airton Machado Monte é médico-psiquiatra, escritor,
cronista e colunista do Jornal da Praia desde os anos 1980.
Caricatura do autor by Carlus Campos

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14 outubro 2011

CENTRO NO SER HUMANO

Marketing 3.0 vê a complexidade*


Clientes vistos como meros consumidores é passado. Hoje, eles são tratados como seres complexos e multifacetados, que escolhem produtos e serviços que satisfaçam suas necessidades de participação, criatividade, comunidade e idealismo. Este novo modelo de marketing é chamado Marketing 3.0: lucro e responsabilidade social andam juntos



O comportamento do consumidor acompanha as mudanças que ocorrem no ambiente macroeconômico, o que provoca mudança no marketing. Hoje, vemos o marketing se transformando e expandindo o foco dos seus produtos para os consumidores e as questões humanas. 

Marketing 3.0 é a fase na qual as empresas mudam da abordagem centrada no consumidor para a abordagem centrada no ser humano e na qual a lucratividade anda junto com a responsabilidade corporativa.

No livro Marketing 3.0 – as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano, Philip Kotler, considerado por muitos como o mais influente pensador da área de marketing de todos os tempos, explica que o futuro do marketing está em criar produtos, serviços e empresas que inspirem, incluam e reflitam os valores de seus consumidores-alvo.

Com consumidores cada vez mais informados e engajados, as preocupações sociais e ambientais das empresas estarão cada vez mais relacionadas ao desejo de adquirir seus bens e serviços. Com uma massificação do acesso à internet e as mídias sociais, empresas com fachadas politicamente corretas vão ser facilmente desmascaradas.

O crescimento das redes sociais torna mais viável e mais fácil para as pessoas conversarem sobre empresas, produtos e marcas em seu desempenho funcional e também social. Criar uma estratégia de responsabilidade ambiental e social verdadeira e seguida por toda a cadeia de funcionários e fornecedores é apontado como a melhor saída.


ENTENDA A NOTÍCIA:
A nova fase do marketing passa a considerar os clientes como seres complexos e participativos e a incluir valores agregados aos produtos.
*(texto: Ingrid Baquit, publicado no O Povo em 12/10/11)
(ilustração: Guabiras)






SAIBA MAIS

Marketing 1.0
Centrado no desenvolvimento de produtos funcionais e na sua massificação.

Marketing 2.0
Ênfase em conhecer e satisfazer o consumidor por meio da segmentação de mercados.

Marketing 3.0
Reconhecimento de que “o consumidor é mais do que um simples comprador”, escreve Kotler. 
“Ele tem preocupações coletivas e ambientais e aspira por uma sociedade melhor”.

SERVIÇO
Marketing 3.0por Philip Kotler
Editora Campus, 2010, 240 págs. 
Preço médio: R$ 55 





06 outubro 2011

LER OU NÃO LER

Eis a questão



Você gosta de Dostoiévski? Se a resposta for "não", o problema está em você, nunca nele. Uma coisa que qualquer pessoa culta deve saber é que Dostoiévski (e outros grandes como ele) nunca está errado, você sim.


Se você o leu e não gostou, minta. Procure ajuda profissional. Nunca diga algo como "Dostoiévski não está com nada" porque queima seu filme.


Costumo dizer isso para meus alunos de graduação. Eles riem. Aliás, um dos grandes momentos do meu dia é quando entro numa sala com uns 30 deles. Inquietos, barulhentos, desatentos, mas sempre prontos a ouvir alguém que tem prazer em estar com eles. Parte do pouco de otimismo que experimento na vida (coisa rara para um niilista... risos) vem deles.


Devido a essa experiência, costumo rir de muito blá-blá-blá que existe por aí sobre "as novas gerações".


Um exemplo desse blá-blá-blá são os pais e professores dizerem coisas como: "Essa moçada não lê nada".


Na maioria dos casos, pais e professores também não leem nada e posam de cultos indignados. A indignação, depois da Revolução Francesa, é uma arma a mais na mão da hipocrisia de salão.


Mas há também aqueles que dizem que a moçada de hoje é "superavançada". Não vejo nenhuma grande mudança nessa moçada nos últimos 15 anos. Mesmas mazelas, mesmas inquietações do dia a dia.


Nada mais errado do que supor que eles exijam "tecnologia de ponta" na sala de aula (a menos que a aula seja de tecnologia, é claro). Atenção: com isso não quero dizer que não seja legal a tal "tecnologia de ponta". Quero dizer que "tecnologia de ponta" eles têm "na balada". O que eles não têm é Dostoiévski. 


O "amor pela tecnologia" é sempre brega, assim como constatamos o ridículo de filmes com "altíssima tecnologia de ponta", comuns nos anos 1980 e 1990 (tipo Matrix). Hoje, tudo aquilo parece batedeira de bolo dos anos 1950. O que hoje você acha "sublime" na histeria dos tablets, amanhã será brega como os computadores dos anos 1980.


Dostoiévski é eterno como a morte. Mas eis que lendo uma excelente entrevista com um psicólogo, professor de Yale, na página de Ciência da Folha de S.Paulo, no dia 19/07/11) encontro um dos equívocos mais comuns com relação a Dostoiévski.


O professor afirma que "agir moralmente bem não depende de crenças religiosas". Corretíssimo. Qualquer um que estudar Filosofia Moral e História saberá que acreditar em Deus ou não nada implica em termos de "melhor" comportamento moral. Crentes e ateus matam, mentem e roubam da mesma forma.


E mais: se Nietzsche estivesse vivo, veria que hoje em dia — época em que ateus são comuns como bananas nas feiras — existe também aquele que vira ateu por ressentimento.


Nietzsche acusa os cristãos de crerem em Deus por ressentimento (o cristianismo é platonismo para pobres). Temos medo da indiferença cósmica, daí "inventamos" um dono do Universo que nos ama e, ao final, tudo vai dar certo.


Quase todos os ateus que conheço o são por trauma de abandono cósmico. Se o religioso é um covarde assumido, esse tipo de ateu (muito comum) é um teenager revoltado contra o "pai".


Mas voltando ao erro na leitura de Dostoiévski. Do fato que religião não deixa ninguém melhor, o professor conclui que Dostoiévski estava errado quando afirmou que "se Deus não existe, tudo é permitido". Erro clássico.


Essa afirmação de Dostoiévski não discute sua crença, nem o consequente comportamento moral decorrente dela (como parece à primeira vista). Ela discute o fato de que, pouco importando sua crença, se Deus não existe, não há cobrança final sobre seus atos. O "tudo é permitido" significa que não haveria "um dono do Universo" para castigá-lo (ou não), dependendo do que você fizesse.


Claro que isso pode incidir sobre seu comportamento moral, mas apenas secundariamente. A questão dostoievskiana é moral e universal, não pessoal. Pouco importa sua crença, a existência ou não de Deus independe dela, e as consequências de sua existência (ou não) cairão sobre você de qualquer jeito. 

O problema é filosófico, e não psicológico.

O cineasta Woody Allen entendeu Dostoiévski bem melhor do que o professor.




*O filósofo e ensaísta pernambucano Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé, professor de Ciências da Religião da PUCSP e de Filosofia na FAAP, é autor de livros
como 
O homem insuficiente (2001), Crítica e profecia: filosofia da religião em
Dostoiévski
 (2003), Do pensamento no deserto (2009) e Contra um mundo melhor (2010)


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http://pensador.uol.com.br/autor/luiz_felipe_ponde


05 outubro 2011

ADEUS

A quarta maçã




Nasci em 1956 em Bauru, no interior de São Paulo, numa família católica apostólica romana. Cresci sob a moral cristã num contexto em que uma maçã teve peso absoluto. Foi experimentando uma que Adão e Eva desobedeceram a uma ordem divina e foram expulsos do Paraíso. 


Mesmo que você argumente que Adão e Eva são apenas uma alegoria e que nada daquilo existiu de fato, aquela maçã determinou um momento de virada que influenciou a história da humanidade e a formação moral de milhões de pessoas. 


Sou o que sou como reflexo daquela primeira maçã.


Em 1965, com 9 anos de idade, ganhei um compacto duplo com quatro músicas: Help!, I'm down, Not a second time e Till there was you, de uma banda chamada The Beatles. Mas eu era muito jovem para entender aquilo. Foi só a partir de 1969, aos 13 anos, depois de ganhar um elepê chamado The Beatles, que percebi que algo diferente acontecia no mundo. 


E comecei a trilhar um caminho no qual meu modo de vestir, de dançar, de pentear o cabelo comprido, de falar e de interagir com os amigos e com a família entrava em choque com a geração de meus pais. O mundo estava em revolução. 


Vietnam, rock'n'roll, as drogas, os hippies, a contracultura, os quadrinhos, o cinema, tudo mudou. Mas foi aquele disquinho de 1969 que abriu meus olhos para o que estava acontecendo. Ah, sim, aquele elepê foi editado por um selo novíssimo, chamado... Apple.


Sou o que sou como reflexo daquela segunda maçã.


Cresci, fiz minhas escolhas e nos anos 1980 fui trabalhar como executivo numa multinacional de autopeças. Em 1986, produzindo um anúncio em homenagem à Volkswagem, fui a uma agência de criação onde conheci uma novidade: um computador Macintosh. 


Assisti maravilhado o artista fazendo diabruras com o logotipo da empresa, botando abaixo tudo aquilo que eu conhecia de fotomontagem, paste-up, letraset e fotolitos. Uma máquina com um design diferente, tela em preto e branco, um mouse e a capacidade de fazer coisas que a gente via na tela antes de ter o produto pronto! 


Eu sabia que naquele momento minha vida começava a mudar. O computador passou a ser minha ferramenta indispensável para pesquisar, brincar, criar e me comunicar. Mudei a forma de trabalhar, a forma de pensar, a forma de me relacionar com o mundo. 


Depois veio o IPod com o ITunes, a base da tecnologia que me possibilitou criar o podcast Café Brasil. E por fim, o IPhone e o IPad. Nunca me cansei de admirar aquela turma capaz de criar coisas com as quais a gente nem mesmo sonhava... Ah, o nome da empresa é: Apple.


Sou o que sou como reflexo dessa terceira maçã.


Pois agora morreu Steve Jobs, o gênio criador da Apple, um espetacular editor de idéias que sabia antes da gente o que é que a gente queria. 


Não tenho dúvidas que junto com ele morreu muito do espírito inquieto que fez da Apple a empresa revolucionária que mudou a vida até de quem não sabe o que é um computador. 


Mas hoje acordei com uma dúvida...


Qual será a quarta maçã?




*O jornalista multimídia Luciano Pires almeja despocotizar o Brasil com as armas da Comunicação


SAIBA MAIS 

27 setembro 2011

OS 3 MEDOS DO HOMEM

Prazer e Poder*



Como não sou de ferro nem fui generosamente aquinhoado com uma paciência de Jó, juro que estou ficando, a cada dia que passa, cada vez mais cansado, aborrecido e sumamente entediado com o quase cotidiano, repetitivo e insistente peditório de certos camaradas, que vivem a me aperrear o juízo na busca desesperada de comprimidos para turbinarem os seus desempenhos ao celebrarem no altar de Vênus. 

Do jeito que vem crescendo o número de pedidos dos milagrosos remedinhos, nem que eu me multiplicasse por setenta vezes sete acho que não daria conta de atender as crescentes necessidades dessa verdadeira multidão de suplicantes. 

Faço o possível e o impossível junto aos sempre solícitos representantes dos laboratórios fabricantes de tais remédios, na vã tentativa de conseguir mais amostras grátis do que eles podem me ofertar, por maior que seja a boa vontade que demonstrem e tenham. 

E a razão para isso é muito simples: é que a oferta é muito menor do que a demanda e nada me resta fazer quanto a isso.

Bem sei, após tantos anos de experiência, a observar atentamente as diversas nuances do comportamento humano, tanto entre as quatro paredes do consultório como na convivência pessoal com os meus imprevisíveis semelhantes, que nós, os chamados bípedes pensantes, por vezes muito mais bípedes que pensantes, trazemos uma infinidade de medos trancafiados nos cafundós da nossa alma e que a vida é um desafio constante e uma luta interminável para encará-los de frente e vencê-los. 

Acaso desistamos dessa briga, estamos literalmente fritos, condenados eternamente ao divã dos psicoterapeutas e ao cuidado dos psiquiatras. O que não é lá um bom negócio — nem num caso nem no outro. Ouso afirmar isso, mesmo correndo o risco de desfalcar a minha já parca clientela, prejudicando um dos meus indispensáveis meios de ganhar a vida, botar o de comer na mesa, garantir o aluguel, o saldo das contas.

Por ser pertencente ao gênero masculino, é que sei que o homem vive atormentado, em geral, por três grandes medos desde que as galinhas ciscavam pra frente por entre as patas dos dinossauros. O primeiro, exatamente o maior e mais antigo, é o medo da morte, desde que nosso intelecto tomou o fatal conhecimento de nossa finitude e de que, feliz ou infelizmente, não nascemos pra semente. 

Um certo dia, chega a nossa vez e tudo acaba quando menos esperamos, e até agora não sabemos qual o nosso destino final após esticarmos as frágeis e mortais canelas. Há aqueles que acreditam piamente existir outra forma de vida após passarmos desta para pior. 

Outros há cuja crença se resume ao fato de que, depois da nossa terrenal existência, apenas nos tornamos comida dos vermes e pronto, o que era doce acabou-se. E assim, nosso fim último é nos desfazermos em pó, espalhando os átomos que nos formam aos quatro ventos.

O segundo medo que acompanha o macho por toda a sua vida é o de ter a cabeça enfeitada por um par de chifres, pespegado cruelmente pela mulher que supomos nossa, seja lá qual for a relação que com ela mantivermos. Sempre provocou um imenso pavor nos homens a terrível e desmoralizante possibilidade de ser corno, mais por causa dos comentários alheios que por orgulho próprio e pela tal de honra pessoal, que alguns de caráter mais primitivo creem que só pode e deve ser lavada e enxaguada com sangue. 

E o terceiro medo que nos assombra a existência é o de falhar sexualmente, na hora agá da onça beber água. Não há como negar ser a impotência um constante e inextinguível terror masculino. Nessa nossa sociedade do espetáculo o desempenho, a performance, principalmente na cama, funcionam como provas cabais, incontestáveis de uma vencedora superioridade sobre os outros homens. 

Há muito, o falo deixou de ser um instrumento de prazer para tornar-se um viril símbolo de poder. Que pena tenho de todos nós!..




*Antônio Airton Machado Monte — médico-psiquiatra, escritor-cronista
e colunista do Jornal da Praia desde os longínquos anos 1980 —
deleita-nos com as contradições da época em que vivemos

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21 setembro 2011

BE CAREFUL, BABY --

The Bee is Coming!


Hora da relíquia: há 44 anos rolou polêmica sobre se esta canção seria 
ou não da dupla Lennon-McCartney. Britânicos são ou não criativos?!?




Uma curiosidade lançada em 1967,
L.S. Bumble Bee é puro
entretenimento 
-- e uma oportuna
chance para 
treinar o seu Inglês. 


Pois pra começar, siga a letrinha:

Lyrics to the L.S. Bumble Bee




There is a little insect
Not many people see
He's known to all the insects
As the L.S. Bumble Bee


So when you hear him coming
Just throw away your tea
That psychodelic humming
Will mean you'll soon be free!


The Bee is coming!


I can hear the humming
Of the bubbly 
L.S. Bum Bum Bumble Bee


Now it's time to fly
Out of your mind
And into the sky
With me


I fly to the land
Where my hands can see 
And my eyes can walk
And the mountains talk }x2


I hear with my knees
Run with my nose
Smell with my feet
My mouth is a rose


Aahhh (x4)


I can hear the hum
Of the bubbly 
L.S. Bum Bum Bumble Bee


Take a little sip
From the tasty lips
Of the L.S. Bumble Bee


Aaaaahhhh (x9)


I hear with my knees
Run with my nose
Smell with my feet
My heart is a rose


Aaahhh (x2)


Bum (x7) Bumble




 {x2 The L.S. Bum Bum Bumble Bee