04 fevereiro 2008

INVENTÁRIO GLOBAL

Mapeando a natureza



Viagens de Descobrimento – três séculos de explorações e História Natural congrega 300 anos da história da busca pelo conhecimento da natureza. O volume finalmente chega ao público brasileiro, revelando o riquíssimo período da humanidade em que cientistas, ilustradores e viajantes desenvolveram o primeiro grande inventário global.

O livro reúne 340 deslumbrantes ilustrações inéditas (pertencentes ao acervo do Museu de História Natural de Londres), realizadas por artistas que acompanharam, em suas expedições pioneiras, desbravadores como Charles Darwin e James Cook, destacando personagens menos conhecidos, porém igualmente importantes na elaboração do evolucionismo, como Alfred Russel Wallace e Henry Walter Bates.

O trabalho explora material de viagens exploratórias que ajudaram a construir os critérios de cientificidade contemporâneos no grande mapeamento ocorrido entre os séculos XVII e XIX. Traz, ainda, informações produzidas pelos três grandes naturalistas que fizeram pesquisa de campo no Brasil, às vésperas da comemoração dos 150 anos da Teoria da Evolução.

Viagens de descobrimento, enfim, mostra o processo de reconhecimento do mundo natural pela ciência européia, do qual somos todos herdeiros, enquanto revela as proezas de homens e mulheres que, por meio da observação e da habilidade artística, ampliaram os limites do conhecimento de sua época. A coragem desses desbravadores estabeleceu as bases da ciência moderna em geral (e da genética em particular).

A existência desta obra e a fonte inesgotável de documentos na qual ela se baseia devem-se à visão do governo britânico no final do século XVIII e ao acervo do viajante Hans Sloane. Uma de suas coleções mais significativas foi reunida durante sua primeira viagem à Jamaica (que trouxe à humanidade não só o chocolate ao leite como um relato detalhado da história natural da ilha, ilustrado por um artista nativo, o Reverendo Garret Moore). Antes de falecer, Hans Sloane doou suas coleções ao Governo Britânico, dando origem ao Natural History Museum de Londres e iniciando sua fabulosa coleção de mais de 68 milhões de espécimes.

Uma das histórias mais fascinantes é a da ilustradora Maria Sybilla Merian, que em 1699 foi ao Suriname a fim de realizar uma série de desenhos sobre a metamorfose das borboletas, incluindo as plantas hospedeiras de larvas. Tal era a qualidade de suas ilustrações que, quando o consagrado naturalista sueco Carl von Linné preparou seu compêndio descrevendo todos os animais então conhecidos, não pôde deixar de incluir as espécies por ela registradas.

Este grande inventário global de viajantes permitiu aos naturalistas unificar o mundo vivo em torno de teorias baseadas num equilíbrio biológico tenso e dinâmico, em substituição às concepções tradicionais que descreviam a imutabilidade e a harmonia da criação. Doutor em Biologia Marinha pela Universidade de Liverpool, Tony Rice, o autor deste volume, trabalhou no museu até se aposentar. Atualmente consultor ambiental na Inglaterra, publicou mais de 200 artigos e livros e aqui apresenta manuscritos e originais em boa parte desconhecidos, nomeando as circunstâncias nas quais o acervo foi coletado, pintado, classificado e descrito, antes de compor as ricas coleções do Museu.

Assina a introdução da edição brasileira a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Lorelai Kury, doutora em Histoire Et Civilisations pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales na França e professora da UERG-Universidade do Estado do Rio de Janeiro.


SERVIÇO

Viagens de descobrimento – três séculos de explorações e História Natural
Tony Rice (340 páginas, 340 ilustrações) - 27,5 x 31 cm - R$ 120
Tradução: Flavia Carneiro Anderson e Fernanda Schnoor (legendas)

PEDIDOS
Andrea Jakobsson Estúdio Editorial Ltda.
Rua Xavier da Silveira, 45 – sala 906 – Copacabana/RJ
(21) 2267-6763
http://www.andreajakobssonestudioeditorial.com.br/


NEIL YOUNG LYRICS

Bandeiras da liberdade



Ora, direis, ouvir estrelas... Inda mais quando a "estrela" em questão é o velho Neil Young, que traça à risca seu percurso (como o internauta poderá constatar a partir desta letra, peça especial de sarcasmo destacada para conduzir a sua aventura de apreensão de conteúdo atual sobre o mundo véi em que vivemos). Cada vez que você clicar no site, tocará uma das músicas de seu Living with war. Esta é só o aperitivo. Agora, pegue o dicionário...


"Flags of freedom"

Today's the day our younger son
Is going off to war
Fightin' in the age old battle
We've sometimes won before
Flags that line old Main Street
Are blowin' in the wind
These must be the flags of freedom flyin'

Church bells are ringin'
As the families stand and wave
Some of them are cryin'
But the soldiers look so brave
Lookin' straight ahead
Like they know just where they're goin'
Past the flags of freedom flyin'

Sister has her headphones on
She hears the music blasting
She sees her brother marchin' by
Their bond is everlasting
Listening to Bob Dylan singin' in 1963
Watching the flags of freedom flyin'

She sees the president speakin'
On a flat-screen TV
In the window of the old appliance store
She turns to see her brother again
But he's already walkin' past
The flags of freedom flyin'

Have you seen the flags of freedom?
What color are they now?
Do you think that you believe in yours
More than they do theirs somehow?
When you see the flags of freedom flyin'

Today's the day our younger son
Is goin' off to war
Fightin' in the age old battle
We've sometimes won before
Flags that line old main street
Are blowin' in the wind
These must be the flags of freedom flyin'


VEJA E OUÇA MAIS

FÁBULAS DE SOLIDARIEDADE HUMANA

Neruda, Kurosawa e Hitchcock



Um aspecto, talvez o mais importante, permanece vívido na obra literária do genial poeta “latino-americano” Pablo Neruda: a desconstrução de um padrão imaginário em conformidade com os navegantes, viajantes e evangelizadores, para os quais a América seria a concretização —messiânica e milenarista —, de profecias e a restauração do Paraíso terrestre. Se é verdade que as memórias são representativas para o escritor, como consta em Confieso que he vivido - Memorias, Neruda retém aquele aspecto quando compara o memorialista ao poeta de todos os tempos, reivindicando a expressividade e talento do último. Para ele, este “talvez tenha vivido menos”, mas “nos entrega uma galeria de fantasmas sacudidos pelo fogo e a sombra de sua época”. O que quer dizer estar o mais próximo possível da originalidade única do homem.

De outra parte, o filme O carteiro e o poeta (Il postino, ING/ITA/FRA 1995, fotograma acima), que tem como referencial da história o chileno Pablo Neruda, retrata uma passagem da vida do poeta quando, exilado numa pequena ilha da Itália, manteve uma relação de amizade com um carteiro, encarregado de lhe entregar a correspondência pessoal. São cenas que se constróem com brilho e exuberância, tal qual se define o amor entre os gregos como philia (a base da Filosofia), uma espécie de amizade, de cuidado e trato freqüente. Trata-se, no caso, de uma fábula sobre a solidariedade humana.

Portanto, quando afirmamos que a proeminência do carteiro é só aparente, ele (sociologicamente falando) representa a simbiose do conhecimento materializado na vida. Neste aspecto, lembremos a realização do self kurosawano em Madadayo (1993), contrariando a tese segundo a qual detemos a infância quando caminhamos para a morte (isto é, a atitude mental que subordina a aceitação direta da vida a um processo de reflexão, e ipso facto, consiste em elaborar criticamente a atividade intelectual que existe em cada um de nós).

Não é vão, portanto, admitir que se trate de uma constructione, com base no texto literário de Antonio Skarmeta (II postino di Neruda), e que os autores, na esfera da Sétima Arte, percebem ser esta a diferença entre o artístico e o político, ou, como diríamos, do intelectual que pode ter uma integral concepção do mundo.

Há ainda outro aspecto de profunda grandeza: a condição de “estrangeiro” do poeta, que significa o personagem de outra região, de outra parte, ainda que pertencente ao mesmo país ou não. É aquele que chega "de fora”, que é estranho ou intruso. Na medida em que seja verdade, ele é mais livre, prática, teórica e afetivamente; examina as condições com menos preconceito; seus critérios para isso são mais gerais e mais objetivamente ideais; não está amarrado à sua ação pelo hábito, pela piedade ou por precedente.

O filósofo de transição deste século, Georg Simmel — como o fôra Soren Aabye Kierkegaard no século que o precedera —, é um “ciscador” sobre este tema (?), na expressão de Evaristo Morais Filho (1978), que acredita que algo deste sentimento não está ausente de qualquer “relação social” (vergellschaftung), mas está contido numa idéia geral que inclui muitas possibilidades do que se tem em comum, pois “elas se esgueiram entre nós como sombras, como uma rubrica que escapa de qualquer palavra conhecida, mas que deve concretizar-se numa forma solidamente encarnada, antes de poder ser chamada de 'ciúme'”. Isto é evidente com o decorrer do filme Il postino di Neruda.

Aliás, nos últimos 500 anos toda a revolução (contida desde Copérnico, para quem a Terra não ocupa o centro do universo, em Darwin, para quem o homem não ocupa o centro da espécie, em Marx, para quem o homem não faz a História, mas age “sob condições determinadas”, e em Freud, que afirma que o homem não detém o centro de sua individualidade), mostra-nos que a Terra, a espécie, a História e a individualidade deslocam-se do centro, no desejo e na ação dos homens, indicando-nos um “novo” tipo de apropriação do saber, hoje, mais do que nunca, simbolizado na e pela informação adquirida pela acumulação “capitalística” de conhecimentos tecnológicos “a serviço do capital” (de Antonio Gramsci a Jürgen Habermas).

Este domínio, o da informação, pasmem senhoras e senhores, aprova e desaprova qualquer existência ou natureza de uma causa final. Os exemplos são inúmeros: querem agora nos dizer, testar e provar, com o fim da economia de guerra e a explosão globalizante das etnias, que a “consciência morreu”. Os argumentos se dão não só por vias de fato, mas sobretudo no plano ideológico, fomentados pela “guerrilha psicológica” pós-imperialista a nível mundial, com a guerra das imagens manipuladas pela mass communication science.

Os problemas encontram-se assim na ordem do profundo, do nacional e do local, “desnacionalizado e desterritorializado”, para lembrarmos Felix Guattari. Sobretudo pelo fato de que, no crepúsculo do Milênio, partimos para o instante da descoberta (ou, noutras palavras, quando passamos a fruir da (des)ordem mundial, a máxima intensidade do encantamento e da beleza na apreensão do conhecimento, passados 500 anos de colonização imperialista, com a possibilidade abrindo-se para o livre pensamento, ”sobretudo com o amor”, diz-nos o escritor anarquista Roberto Freire, quando afirma: “Há momentos em que se sente que a vida pode ter fim antes da morte da gente”, em seu conhecido livro Ame e dê vexame.

O que quer dizer "estar o mais próximo possível da originalidade única do homem, viver livre e nos prepararmos sempre e todo para a educação (política)", como afirma o escritor peruano Manuel Scorza em La Danza Imóvil (1983:45)? Diz ele: “É imprescindível fazer política e poesia. Quando um revolucionário não é um poeta acaba por ser um ditador ou um burocrata, um delator de seus próprios sonhos”.

Akira Kurosawa, gentil-homem, com seu filme Madadayo (Japão 1993, fotograma ao lado) indica-nos pistas de que a consciência não morreu. Ele sabe que só se conhece reconhecendo e desconhecendo pari passu. Empresta seu conhecimento reconhecendo que seu "mestre” (o conhecimento da vida materializado no professor) está vivo, não morreu, guardando o conhecimento no coração. Sabe que, para concordarmos com Antonio Gramsci em Quaderni del carcere, que o “erro do intelectual consiste em acreditar que se possa saber sem compreender e, principalmente, sem sentir e estar apaixonado”.

Ou, como Clarice Lispector observou no conhecido Lições de amor ou o Livro dos Prazeres (1967) que o vivente sabe que está pronto para a vida, que “viver ultrapassa todo entendimento”, daí repetir, como na ludicidade das crianças: "Madadayo!", e que a vida só nos é livre se tivermos a clareza de que este aprendizado inclui a independência de raciocínio e a liberdade de pensamento, primícias, portanto, para o novo, sempre eterno no homem.

Ou seja, parafraseando Sigmund Freud no ensaio Massenpsychologie und Ich-Analyse (1921), dir-se-ia que Kurosawa sempre soube "esperar para não fazer concessões”. Pois o que é catártico no conhecimento é o fato de que é a única coisa que não se pode tirar do ser humano, nem mesmo com a morte (contrariando Thomas Hobbes, do Leviatã ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil (1651), mas lembrando que ele afirma: “Ignoro como o mundo irá recebê-lo, ou como poderá refletir-se naqueles que parecem ser-lhe favoráveis”, ou mesmo o escritor argentino Ernesto Sabato, autor do trágico romance El túnel (1986) sobre a morte, quando afirma no prefácio: “É fácil ser modesto quando se é célebre, quero dizer, parecer modesto”...

De outra parte, tudo dá-se segundo o filósofo João Aloísio Lopes, autor da Tese de Livre-Docência Lições de Transitologia (introdução a uma Teoria Geral da Comunicação que procura compreender, num enfoque sócio-tecnológico, como as coisas falam, São Paulo: ECA/USP, 1991), quando afirma: “Todo processo de trabalho é um processo de comunicação, mas nem todo processo de comunicação é um processo de trabalho", e justifica este fato quando admite que o pensamento possa ser adjudicado como um transital.

Na sua concepção filosófica, que parte dos predicados de Aristóteles (que tem como pressuposto o fato de “poder mudar de forma” [cf. David Ross (ed.), Aristotle Selections. New York: Charles Scribner's Sons, 1955], a concepção materialista da história de Karl Marx contida em Das Kapital (1867), exprime uma “unidade de significação” que se materializa no real, ou melhor, “representa o fluxo de inteligibilidade no qual todas as coisas falam”.

Percebida esta relação decalcada no que é teórico, admite Aloísio Lopes que se criam, ao mesmo tempo, valores-de-informação, conceito filosófico com nítida inspiração em Walter Benjamin (in Auswahl in Drei Bändem) em sua concepção de “transitoriedade” no curso entre “valor de culto” e “valor de exposição” no âmbito da “obra de arte e sua reprodutibilidade técnica” e que podem situar-se em fluxo num “campo” e que este “campo” constituir-se-ia em um “clima de comunicação”, mas disso não trataremos agora. Para ficarmos num exemplo, a Catedral de Fortaleza expressa-se como obra de arte, “valor de culto”, conquanto o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura expresse “valor de exposição”.

De certo modo não há como se escapar deste certo “clima de comunicação” se tomarmos como referência, dentro destes limites e guardadas as proporções, além de Madadayo, The Piano (NZE/FRA, 1993), Como Água para Chocolate (MEX, 1992) e Sophie (SUE/DIN/NOR, 1992) entre outros, que consistem do elaborar criticamente a atividade intelectual que existe em cada um de nós. Ipso facto foi muito feliz o articulista capixaba Amylton de Almeida em seu artigo: Kurosawa abraça com força a sabedoria (cf. jornal A Gazeta, Vitória/ES, 12.11.93), porque percebe ser esta a diferença entre o “artista e o político”, ou, como diria, do intelectual que pode ter uma “integral concepção do mundo” (weltanschauung), como no entendimento de Bertolt Brecht em Über Politik und Kunst (Suhrkamp Verlag, Frankfurt am Maim, 1971).

Mas, como não podemos esquecer, a escola é o instrumento ideal para elaborar os intelectuais de diversos níveis. Principalmente se encontrarmos no professor o estímulo para a criatividade da imaginação, da espontaneidade, do talento e da capacidade do privilégio da obtenção do conhecimento humano e da ética. Por isso mesmo temos que admitir com o articulista que Kurosawa “faz a mais bela homenagem que um professor já recebeu no cinema” em todos os tempos.

Por fim, aprendi a ver Hitchcock pelos olhos de uma mulher, sentado na escadaria do antigo (e badalado) Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense, no Morro do Valonguinho, em Niterói/RJ. Àquela altura, éramos assíduos freqüentadores do bar do Natal e da livraria Gutenberg, tudo ao redor e ocupávamo-nos, principalmente, com o debate em torno de duas ou três crianças que, no transcorrer do século XIX, viriam a influenciar decisivamente o pensamento sociológico.

A razão ocidental faz pagar caro a um filho sem pai. “Marx, Nietzsche e Freud tiveram de pagar a conta”, lembrava o filósofo Louis Althusser, “algumas vezes atroz, da sobrevivência, preço contabilizado em exclusões, condenações, injúrias, misérias, fome e mortes, ou loucura, porque representaram o nascimento de ciências ou de crítica”.

Em 13 de agosto de 1999 completaram-se 110 anos do nascimento de Alfred Joseph Hitchcock, em Leytonstone, a menos de 10 quilômetros de Londres. Hitchcock era cinco anos mais novo que Isaac Babel, seis que Wladimir Maiakovski e Walter Benjamin, dois que Humberto Mauro e um que Bertolt Brecht, da mesma idade que seu compatriota Charles Spencer Chaplin e um pouco mais velho que Luís Buñuel, Ingmar Bergman e Akira Kurosawa. Filho de verdureiros muito católicos, foi educado em escola de jesuítas, começando a trabalhar como publicitário, com pouco mais de 20 anos.

À noite, neste período, freqüentou cursos de História da Arte e pintura na University of London. Seu passatempo era ver filmes americanos e alemães ou ler contos de Poe. Em 1920, a Paramount abriu um estúdio em Londres e contratou Hitchcock como desenhista. Ali começava sua carreira no cinema: desenhando títulos e criando legendas para filmes mudos. Em 1924, passou a trabalhar como roteirista, cenógrafo e assistente de direção. Hitchcock fez 24 filmes na Inglaterra até 1939, quando se mudou para os EUA. Tornou-se cidadão americano em 1955 e veio a morrer em Los Angeles, em 29 de abril de 1980, quatro anos depois de fazer seu 53.º filme, Family plot.

Ao tempo de seu nascimento, estava em curso a secularização da cultura e do comportamento. A crescente intelectualização dos indivíduos e a contínua racionalização da vida material e espiritual levaram ao desencantamento do mundo, visto por intelectuais europeus nas primeiras décadas do século XX, sendo os próprios fetiches criados e recriados à sombra da própria razão e invenção, mas que, todavia, defrontava-se com um destino trágico. A ilusão do indivíduo autônomo, livre e independente veio a reforçar uma das mais avançadas expressões da Modernidade, que é o cinema recriando as criações daquela ilusão.

Hitchcock, homem meticuloso, é magnânimo em sua criação porque filmava abstraindo o que se apresentava na realidade, mas com a transformação do magnetismo visual proporcionado pela 7.ª Arte. Isto quer dizer que não basta a atitude mental que subordina a aceitação direta da vida a um processo prévio de reflexão. A genialidade do cineasta não dizia respeito exclusivamente à técnica de manipular o medo dos espectadores por meio do suspense, o que elevou o medo à condição de uma das mais belas artes.

Mais do que isso, conduzia a démarche exata entre o aparente e o secreto e a possibilidade de experimentá-lo, ou, como se diz sociologicamente, a reflexividade no confronto com a imagem, revelando no secreto a obra de arte e o centro de ser artista e ator, por sua mania de aparecer, mesmo que fugazmente, nos filmes que dirigiu.

Talvez um dos melhores exemplos fora da súmula de neuroses, obsessões e humor mórbido em filmes-chave entre muitos já conhecidos, deva-se ao aparentemente pouco expressivo Rope (EUA, 1948, fotograma ao lado), seu primeiro filme colorido, baseado na peça de Patrick Hamilton. Conforme entendemos, só aparentemente em Rope insiste-se na técnica de manipular o medo dos espectadores, quando num diálogo denso, Brandon (John Dall) afirma ao amigo: “Sempre desejei ter talento artístico (...) assassinato também pode ser uma arte (...). Matar pode satisfazer tanto como criar”. E, ao cometer o crime: “Não me lembro de ter sentido nada (...) até seu corpo ficar mole (...) e aí senti que tinha terminado. Aí me senti tremendamente alegre”.

Em verdade, o filme tem como secreto o perigo sempre presente na atividade intelectual (e sexual, conforme Gore Vidal prefacia em The invention of heterosexuality, de autoria de J. N. Katz, 1995), exclusivamente entre homens. Na minha interpretação, o masculino é que sustenta o filme, já que as mulheres aparecem secundariamente: “Como jovens belas prontas para casar” etc. Trata-se do instrutor da escola (Summerville), Rupert Cadel (James Stuart), “que publica livros que gosta. Filosofia (...), e muito radical. Seleciona seus livros considerando que as pessoas podem ler e pensar” e dois discípulos seus: Brandon e Phillip (Farley Granger), que admitem (após o crime) que “ele [o professor] não tem garra. Intelectualmente é brilhante. Mas enfadonho. Poderia inventar (...) e admirar, mas nunca atuar. Somos superiores. Temos coragem. Ele, não”.

No que entendemos, a referência a Friedrich Nietzsche, literalmente mais adiante na película, serve para reiterar alguns conceitos do mestre (Caldel), que se utiliza de lógica e intelecto superior para compreender o mundo. Naquele exato momento o próprio Nietszche estava sendo mal compreendido (1940/1950), conforme nos é sugerido: “Poucos são os de superioridade intelectual que estão acima dos conceitos morais. Bem e mal, certo e errado foram inventados por homens médios que necessitam disso”, diz Brandon.

No que responde o Sr. Kentley (também intelectual, admirador de livros raros): “É a teoria do super-homem de Nietzsche, também a de Hitler”. No que responde novamente o discípulo, Brandon: “Hitler era um paranóico. Seus super-homens eram assassinos sem cérebro. Eu os enforcaria por serem estúpidos. E os incompetentes o têm demais” (sic). O próprio professor admite: “Me torna envergonhado dos meus conceitos de seres superiores e inferiores. Mas agradeço por esta vergonha. Porque agora sei que somos seres individuais com o direito de viver e pensar como tal, mas com uma obrigação com a sociedade. Com que direito ousa decidir que o rapaz era inferior e então poderia ser morto? Se julgava Deus, Brandon? Pensava assim quando o estrangulou? E quando serviu comida sobre o seu túmulo? Não sei o que pensa ou o que é, mas sei que assassinou. Matou um ser humano jovem que poderia viver e amar mais do que você. E não o fará...”.

Além disso, Hitchcock quer de fato demonstrar (ou fazer-nos refletir) que esta atividade intelectual (e sexual) exclusivamente entre homens pode representar o homem diante da guerra e da morte (evidentemente com o fim da guerra) em um crime contra a humanidade, individual ou coletivamente, que consiste em, com o intuito de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, ou como se diz: “Quantas esperanças fundaram os alemães nos gases asfixiantes e na guerra bacteriológica!... e os que mais protestavam contra esses nefandos genocídios herdaram a idéia e continuaram estudos de aperfeiçoamento dela” (sic).

É muito difícil, mas não impossível, deixarmos de refletir (em acordo com o forte argumento de Hitchcock) no homem diante da guerra e da morte, num século dos extremos, num século curto, num século que talvez tenha feito mais guerras, no sentido colonial, imperialista, de “economia de guerra”, étnico, racial, de “guerra psicológica”, de “guerra tecnológica” etc. Enfim, é um filme que de alguma forma lembra a logística da guerra, dos machos que guerreavam e guerreiam fora do vídeo/dentro do vídeo, na guerra de imagens, na guerra dos sonhos, mas “soñemos, alma, soñemos outra vez; pero há de ser con atención y consejo de que hemos de despertar de este gusto al mejor tiempo”, como afirmou Pedro Calderón de la Barca, em La vida es sueño. (Troisième journée, scène 5).



*Ubiracy Braga é sociólogo, cientista político, professor adjunto da UECE-Universidade Estadual do Ceará e cinéfilo confesso


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PULSAÇÃO REJUVENESCEDORA

Aliada em tratamentos



Ao longo da vida, nossa pele vai adquirindo uma aparência mais envelhecida, influenciada por vários fatores. Os sinais da idade e os danos causados pelos raios solares vão se tornando mais visíveis e mais aparentes, principalmente na face. Entre os diversos tratamentos atualmente oferecidos pela Medicina para obter-se o rejuvenescimento, um dos atuais destaques é a Luz Intensa Pulsada — a tecnologia IPL-Intense Pulsed Light —, derivada dos estudos da aplicação dos lasers em Medicina e Cirurgia.

A Luz Intensa Pulsada é um avanço tecnológico que permite um tratamento não-ablativo (que não fere), porque não retira camadas de pele mas trata as lesões tanto na superfície como em profundidade. Uma grande aliada contra o envelhecimento, permite ao médico escolher que melhor tratamento combinado pode ser adaptado a cada situação.

A sua aplicação superficial consegue promover uma redução significativa de manchas — a maioria devido à exposição ao sol. Além do rosto, podem ser tratados mãos, braços, colo e pescoço. A aplicação profunda estimula a produção de colágeno, porque transmite energia aos tecidos mais profundos, produzindo significativa melhora nas irregularidades dos tecidos e diminuição das rugas finas, melhorando a textura da pele e corrigindo cicatrizes.

A ação da Luz Intensa Pulsada aplicada na parte superficial e profunda da pele promove o chamado "foto-rejuvenescimento". Uma vantagem é que a técnica pode ser utilizada em uma variedade de condições benignas inestéticas como envelhecimento facial, envelhecimento das mãos, dorso e pescoço, vasos faciais, rosácea, acne, cicatrizes de acne, poiquilodermia, manchas senis, melasma, sardas e olheiras.

Para fazer o tratamento, o(a) paciente precisa abster-se de tomar sol por 30 dias antes do procedimento e, neste período, utilizar protetores solares. A duração de uma sessão é de 20 minutos. Após a aplicação, o(a) paciente deve abster-se de sol por mais um intervalo de 2 a 3 semanas. Para obter o resultado desejado são necessárias em média 6 sessões, com intervalos de 3 semanas para cada sessão. Os resultados aparecem progressivamente a cada aplicação.


*Érica Botelho, médica dermatologista (Universidade Metropolitana de Santos/SP), é professora-adjunta da Pós-Graduação em Dermatologia do Colégio Brasileiro de Dermatologia, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Associação Internacional de Medicina Estética

SAIBA MAIS
http://www.clinicaericabotelho.com.br/

DAPRAIA FUNNY PAGES

Rir e coçar... sacumé...



Engatada













por Guabiras



Eu por mim mesmo e mais ninguém






por Denilson Albano



Dingobéu








por Jefferson Portela

LIMPANDO A BARRA

Saber é saber pôr em prática



Salvar o mundo vai dar um bocado de trabalho, se considerarmos a resistência (danosa) que as pessoas opõem a prementes(necessárias) mudanças. Sendo o confronto de hábitos, tradições e costumes inevitável neste processo, é também inevitável que estejamos atentos, sabendo que a solução depende bastante de nós. Por isso, vimos divulgar estas "dicas práticas" para você poder ajudar a ECONOMIZAR ENERGIA E PROTEGER O PLANETA.

Tudo muuuuito simples mesmo, sem qualquer "segredo", só o véi bom senso, junto à comprovação da experiência científica e com o intuito de que a temática gere assunto. É isso: fale mais a respeito disto tudo, pois apenas isso já é sinal de respeito. Complicou? Bom, siga lendo que vai descomplicando:

1. TAMPE SUAS PANELAS ENQUANTO COZINHA. Parece óbvio, não é? E é mesmo! Ao tampar as panelas enquanto cozinha, você aproveita o calor que simplesmente se perderia no ar;

2. USE UMA GARRAFA TÉRMICA COM ÁGUA GELADA. Compre daquelas garrafas térmicas de acampamento, de 2 ou 5 litros. Abasteça-a de água bem gelada com uma bandeja de cubos de gelo pela manhã. Você terá água gelada até à noite e evitará o abre-e-fecha da geladeira toda vez que alguém quiser beber um copo de água;

3. APRENDA A COZINHAR EM PANELA DE PRESSÃO. Acredite, dá pra cozinhar tudo em panela de pressão: feijão, arroz, macarrão, carne, peixe etc. Muito mais rápido e economizando 70% de gás;

4. COZINHE COM FOGO MÍNIMO. Se você não faltou às aulas de Física no Segundo Grau, você sabe: não adianta, por mais que você aumente o fogo, sua comida não vai cozinhar mais depressa, pois a água não ultrapassa 100ºC em uma panela comum. Com o fogo alto, você vai é queimar sua comida;

5. ANTES DE COZINHAR, RETIRE DA GELADEIRA TODOS OS INGREDIENTES DE UMA SÓ VEZ. Evite o abre-e-fecha da geladeira toda vez que o seu cozido precisar de uma cebola, uma cenoura etc.;

6. COMA MENOS CARNE VERMELHA. A criação de bovinos é um dos maiores responsáveis pelo efeito-estufa. Não é piada. Você já sentiu aquele cheiro pavoroso quando você se aproximou de alguma fazenda /criação de gado? Pois é: é metano, um gás inflamável, poluente e fedorento. Além disso, a produção de carne vermelha demanda uma quantidade enorme de água. Tenha uma idéia: para produzir 1kg de carne vermelha são necessários 200 litros de água potável. O mesmo quilo de frango só consome 10 litros;

7. NÃO TROQUE O SEU CELULAR. Já foi-se o tempo em que celular era sinal de status. Hoje em dia, qualquer Zé Mané tem. Trocar por um mais moderno para tirar onda? Ninguém se importa. Fique com o antigo, pelo menos enquanto estiver funcionando perfeitamente ou em bom estado. Se o problema é a bateria, considere o custo-benefício de trocá-la e descartá-la adequadamente, encaminhando-a a postos de coleta. Celulares trouxeram muita comodidade à nossa vida, mas utilizam derivados de petróleo em suas peças e metais pesados em suas baterias. Além disso, na maioria das vezes sua produção é feita utilizando mão-de-obra barata em países em desenvolvimento. Ora, utilize seus gadgets até o final da vida útil deles: lembre-se de que eles certamente não foram nada baratos;

8. COMPRE UM VENTILADOR DE TETO. Nem sempre faz calor suficiente pra ser preciso ligar o ar-condicionado. Na maioria das vezes, um ventilador de teto é o ideal para refrescar o ambiente, gastando 90% menos energia. Combinar o uso dos dois também é uma boa idéia. Regule seu ar-condicionado para o mínimo e ligue o ventilador de teto;

9. USE SOMENTE PILHAS E BATERIAS RECARREGÁVEIS. É certo que são caras, mas no uso em médio e longo prazos elas se pagam com muito lucro. Duram anos e podem ser recarregadas em média 1.000 vezes;

10. LIMPE OU TROQUE OS FILTROS DO SEU AR-CONDICIONADO. Um ar condicionado sujo representa 158 quilos de gás carbônico a mais na atmosfera por ano;

11. TROQUE SUAS LÂMPADAS INCANDESCENTES POR FLUORESCENTES. Lâmpadas fluorescentes gastam 60% menos energia do que uma incandescente. Assim, você economizará 136 quilos de gás carbônico anualmente;

12. ESCOLHA ELETRODOMÉSTICOS DE BAIXO CONSUMO ENERGÉTICO. Procure por aparelhos com o selo do PROCEL (no caso de nacionais) ou Energy Star (no caso de importados);

13. NÃO DEIXE SEUS APARELHOS EM STAND-BY. Simplesmente desligue ou tire da tomada quando não estiver usando um eletrodoméstico. A função de stand-by de um aparelho usa cerca de 15% a 40% da energia consumida quando ele está em uso;

14. MUDE SUA GELADEIRA OU FREEZER DE LUGAR. Ao colocá-los próximos ao fogão, eles utilizam muito mais energia para compensar o ganho de temperatura. Mantenha-os afastados pelos menos 15cm das paredes, para evitar o superaquecimento. Colocar roupas e tênis para secar atrás deles então, nem pensar!;

15. DESCONGELE GELADEIRAS E FREEZERS ANTIGOS A CADA 15 OU 20 DIAS. O excesso de gelo reduz a circulação de ar frio no aparelho, fazendo com que gaste mais energia para compensar. Se for o caso, considere trocar de aparelho. Os novos modelos consomem até metade da energia dos modelos mais antigos, o que subsidia o valor do eletrodoméstico a médio/longo prazo;

16. USE A MÁQUINA DE LAVAR ROUPAS/LOUÇA SÓ QUANDO ESTIVEREM CHEIAS. Caso você realmente precise usá-las com metade da capacidade, selecione os modos de menor consumo de água. Se você usa lava-louças, não é necessário usar água quente para pratos e talheres pouco sujos. Só o detergente já resolve;
17. RETIRE IMEDIATAMENTE AS ROUPAS DA MÁQUINA DE LAVAR QUANDO ESTIVEREM LIMPAS. As roupas esquecidas na máquina de lavar ficam muito amassadas, exigindo muito mais trabalho e tempo para passar e consumindo assim muito mais energia elétrica;

18. TOME BANHO DE CHUVEIRO. E, de preferência, rápido. Um banho de banheira consome até quatro vezes mais energia e água que um chuveiro;

19. USE MENOS ÁGUA QUENTE. Aquecer água consome muita energia. Para lavar a louça ou as roupas, prefira usar água morna ou fria;

20. PENDURE AS ROUPAS AO INVÉS DE USAR A SECADORA. Você pode economizar mais de 317 quilos de gás carbônico se pendurar as roupas durante metade do ano ao invés de usar a secadora;

21. NUNCA É DEMAIS LEMBRAR: RECICLE NO TRABALHO E EM CASA. Se a sua cidade ou bairro não tem coleta seletiva, leve o lixo até um posto de coleta. Existem vários, por exemplo, na rede Pão de Açúcar. Lembre-se de que o material reciclável deve ser lavado (no caso de plásticos, vidros e metais) e dobrado (papel);

22. FAÇA COMPOSTAGEM. Cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico. Aprenda a fazer compostagem: além de reduzir o problema, você terá um jardim saudável e bonito;

23. REDUZA O USO DE EMBALAGENS. Embalagem menor é sinônimo de desperdício de água, combustível e recursos naturais. Prefira embalagens maiores, de preferência com refil. E evite ao máximo comprar água em garrafinhas, leve sempre com você a sua própria;

24. COMPRE PAPEL RECICLADO. Produzir papel reciclado consome de 70 a 90% menos energia do que o papel comum, e poupa nossas florestas;

25. UTILIZE UMA SACOLA PARA AS COMPRAS. Sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio ambiente. Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar. Quando for ao supermercado, leve uma sacola de feira ou suas próprias sacolinhas plásticas;

26. PLANTE UMA ÁRVORE. Uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde;

27. COMPRE ALIMENTOS PRODUZIDOS NA SUA REGIÃO. Fazendo isso, além de economizar combustível, você incentiva o crescimento da sua comunidade, bairro ou cidade;

28. COMPRE ALIMENTOS FRESCOS AO INVÉS DE CONGELADOS. Comida congelada, além de mais cara, consome até 10 vezes mais energia para ser produzida. É uma praticidade que nem sempre vale a pena;

29. COMPRE ORGÂNICOS. Por enquanto, alimentos orgânicos são um pouco mais caros, pois a demanda deles ainda é pequena no Brasil. Mas você sabia que, além de não usarem agrotóxicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera do que a agricultura "tradicional"? Se toda a produção de soja e milho dos EUA fosse orgânica, cerca de 240 bilhões de quilos de gás carbônico seriam removidos da atmosfera. Portanto, incentive o comércio de orgânicos para que os preços possam cair com o tempo;

30. ANDE MENOS DE CARRO. Use menos o carro e mais o transporte coletivo (ônibus, metrô) ou o limpo (bicicleta ou a pé). Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano;

31. NÃO DEIXE O BAGAGEIRO VAZIO EM CIMA DO CARRO. Qualquer peso extra no carro causa aumento no consumo de combustível. Um bagageiro vazio gasta 10% a mais de combustível, devido ao seu peso e aumento da resistência ao ar;

32. MANTENHA SEU CARRO REGULADO. Calibre os pneus a cada 15 dias e faça uma revisão completa a cada 6 meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante. Carros regulados poluem menos. A manutenção correta de apenas 1% da frota de veículos mundial representa meia tonelada de gás carbônico a menos na atmosfera;

33. LAVE O CARRO A SECO. Existem diversas opções de lavagem sem água, algumas até mais baratas do que a lavagem tradicional, que desperdiça centenas de litros a cada lavagem. Procure no seu posto de gasolina ou no estacionamento do shopping;

34. QUANDO FOR TROCAR DE CARRO, ESCOLHA UM MODELO MENOS POLUENTE. Apesar da dúvida sobre o álcool ser menos poluente que a gasolina ou não, existem indícios de que parte do gás carbônico emitido pela sua queima é reabsorvida pela própria cana-de-açúcar plantada. Carros menores e de motor 1.0 poluem menos. Em cidades como São Paulo, onde no horário de pico anda-se a 10km/h, não faz muito sentido ter carros grandes e potentes para ficar parados nos congestionamentos;

35. USE O TELEFONE OU A INTERNET. A quantas reuniões de 15 minutos você já compareceu este ano, para as quais teve que dirigir por quase uma hora para ir e outra para voltar? Usar o telefone ou skype pode evitar a você o estresse, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera;

36. VOE MENOS, REÚNA-SE POR VIDEOCONFERÊNCIA. Reuniões por videoconferência são tão efetivas quanto as presenciais. E deixar de pegar um avião faz uma diferença significativa para a atmosfera;

37. ECONOMIZE CDs E DVDs. CDs e DVDs sem dúvida são mídias eficientes e baratas, mas você sabia que um CD leva cerca de 450 anos para se decompor e que, ao ser incinerado, ele volta como chuva ácida (como a maioria dos plásticos)? Utilize mídias regraváveis, como CD-RWs, drives USB ou mesmo e-mail ou FTP para carregar ou partilhar seus arquivos. Hoje em dia, são poucos os arquivos que não podem ser disponibilizados virtualmente ao invés de em mídias físicas;

38. PROTEJA AS FLORESTAS. Por anos os ambientalistas foram vistos como "eco-chatos". Mas em tempos de aquecimento global, as árvores precisam de mais defensores do que nunca. O papel delas no aquecimento global é crítico, pois mantêm a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera;

39. CONSIDERE O IMPACTO DE SEUS INVESTIMENTOS. O dinheiro que você investe não rende juros sozinho. Isso só acontece quando ele é investido em empresas ou países que dão lucro. Na onda da sustentabilidade, vários bancos estão considerando o impacto ambiental das empresas em que investem o dinheiro dos seus clientes. Informe-se com o seu gerente antes de escolher o melhor investimento para você e o meio ambiente;

40. INFORME-SE SOBRE A POLÍTICA AMBIENTAL DAS EMPRESAS QUE VOCÊ CONTRATA. Seja o banco onde você investe ou o fabricante do xampú que você utiliza, todas as empresas deveriam ter políticas ambientais claras para os seus consumidores. Ainda que a prática esteja se popularizando, muitas empresas ainda pensam mais nos lucros e na imagem institucional do que em ações concretas. Por isso, não olhe apenas para as ações que a empresa promove, mas também para a sua margem de lucro, alardeada todos os anos. Será mesmo que eles estão colaborando tanto assim?;

41. DESLIGUE O COMPUTADOR. Muita gente tem o péssimo hábito de deixar o computador de casa ou da empresa ligado ininterruptamente, às vezes fazendo downloads, às vezes simplesmente por comodidade. Desligue o computador sempre que for ficar mais de 2 horas sem utilizá-lo e o monitor por até 15 minutos;

42. CONSIDERE TROCAR SEU MONITOR. O maior responsável pelo consumo de energia de um computador é o monitor. Monitores de LCD são mais econômicos, ocupam menos espaço na mesa e estão ficando cada vez mais baratos. O que fazer com o antigo? Doe para as instituições como o Comitê para a Democratização da Informática;

43. NO ESCRITÓRIO, DESLIGUE O AR-CONDICIONADO UMA HORA ANTES DO FINAL DO EXPEDIENTE. Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que se transforma no equivalente a quase um mês de economia ao final do ano. Além disso, no final do expediente a temperatura começa a ser mais amena;

44. NÃO PERMITA QUE AS CRIANÇAS BRINQUEM COM ÁGUA. Banho de mangueira, guerrinha de balões de água e toda sorte de brincadeiras com água são sem dúvida divertidas, mas passam a equivocada idéia de que a água é um recurso infinito, justamente para aqueles que mais precisam de orientação — as crianças. Não deixe que seus filhos brinquem com água, ensine a eles o valor atual desse bem tão precioso;

45. NO HOTEL, ECONOMIZE TOALHAS E LENÇÓIS. Use o bom senso... Você realmente precisa de uma toalha nova todo dia? Você é tão imundo(a) assim? Em hotéis, o hóspede tem a opção de não ter as toalhastrocadas diariamente, para economizar água e energia. Trocar uma vez a cada 3 dias já está de bom tamanho. O mesmo vale para os lençóis, a não ser que você mije na cama...;

46. PARTICIPE DE AÇÕES VIRTUAIS. A Internet é uma arma poderosa na conscientização e mobilização das pessoas. Um exemplo é o site ClickÁrvore, que planta árvores com a ajuda dos internautas. Informe-se e aja!;

47. INSTALE UMA VÁLVULA NA SUA DESCARGA. Instale uma válvula para regular a quantidade de água liberada no seu vaso sanitário: mais quantidade para o número 2, menos para o número 1!;

48. NÃO PEÇA COMIDA PARA VIAGEM. Se você já foi até o restaurante ou à lanchonete, que tal sentar-se um pouco e curtir sua comida, ao invés de pedir "para viagem"? Assim você economiza as embalagens de plástico e isopor utilizadas;

49. REGUE AS PLANTAS À NOITE. Ao regar as plantas à noite ou de manhãzinha, você impede que a água se perca na evaporação e também evita choques térmicos que podem agredir suas plantas;

50. FREQÜENTE RESTAURANTES NATURAIS/ORGÂ NICOS. Com o aumento da consciência para a preservação ambiental, uma gama enorme de restaurantes naturais, orgânicos e vegetarianos está se espalhando pelas cidades. Ainda que você não seja vegetariano, experimente os novos sabores que essa onda verde está trazendo e assim estará incentivando o mercado de produtos orgânicos, livres de agrotóxicos e menos agressivos ao meio-ambiente;

51. VÁ DE ESCADA. Para subir até 2 andares ou descer 3, que tal ir de escada? Além de fazer exercício, você economiza a energia elétrica dos elevadores.

FONTE:
ORA-Organização de Renovação Ambiental / 2.º Simpósio USP Recicla: Gestão de Resíduos na Universidade de São Paulo: da ação cotidiana à política institucional por um campus sustentável - 25/10/2007 - Anfiteatro Prédio Engenharia Mecânica - Escola Politécnica


PROMOVA E PARTICIPE DO FESTIVAL DE BOAS IDÉIAS E PRÁTICAS AMBIENTAIS. Fique ligado(a) nas categorias: frases, projetos, programa de rádio (um minuto) e vídeos, cujo tema são as boas idéias e práticas ambientais que minimizem problemas sócio-ambientais locais e a produção de lixo para implantarmos em nossa comunidade

UTILIZE A ESTANTE PERMANENTE DE TROCAS E OBJETOS USADOS. Traga seus objetos em bom estado e em funcionamento: roupas, sapatos, bijouterias, enfeites, eletrônicos, revistas, etc. e retire objetos de seu interesse, sempre colocando outro no lugar. Plantas, animais de estimação e objetos que não se adeqüem a estante podem ser anunciados no quadro de avisos

ASSUMA QUE "COMO EDUCADORES, QUEREMOS SER UMA ESCOLA / EMPRESA QUE POSSUI COLETA DE LIXO SELETIVA". Os coletores para papel podem ser dispostos no corredor central do prédio principal da unidade. Participe! Não misture seu lixo reciclável com o lixo comum. Reciclar faz bem para o meio ambiente em que vivemos. Siga e dê o exemplo!

Comissão Interna USP Recicla (Universidade de São Paulo)

FAÇA CONTATO
(16) 3602-3584

10 janeiro 2008

CARTÃO-POSTAL

O "plus" da cena carioca


Um dos mais famosos veículos de todos os tempos ganha livro em comemoração aos seus 95 anos. Sob o selo de Andrea Jakobsson Estúdio, sinônimo de capricho gráfico e apurado contexto editorial, Bondinho do Pão de Açúcar - 95 anos da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar conta uma história intimamente ligada à trajetória da cidade do Rio de Janeiro, narrada através de textos assinados por personas como Nelson Motta, Léo Jaime, Pedro da Cunha e Menezes, Telma Lasmar e Pedro Carauta, entre outras personalidades e pesquisadores íntimos do Pão de Açúcar e de sua maior maravilha.
O sonho do visionário engenheiro Augusto Ferreira Ramos de construir um teleférico ligando os morros que formavam uma das paisangens mais lindas e exaltadas (em prosa, verso, pinturas, fotografias etc.) do País tornou-se realidade em 27 de outubro de 1912, ao ser inaugurado o primeiro trecho do teleférico ligando a Praia Vermelha ao Morro da Urca. Logo depois, em 18 de janeiro de 1913, começava a funcionar o segundo trecho entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar. Neste dia, 449 pessoas tiveram o privilégio de embarcar no bondinho, chegar ao topo do símbolo-maior da Cidade Maravilhosa e deslumbrar-se com a vista estonteante que até hoje inspira e emociona pessoas do mundo inteiro.

Desde então, o bondinho transportou milhões de pessoas e participou de momentos históricos, shows inesquecíveis, namoros nos jardins, festas animadíssimas, bailes de Carnaval e Réveillon, e recebeu turistas e cariocas que conheceram a vista do Pão de Açúcar, e sem risco ou esforço fizeram fotos como Marc Ferrez — o primeiro a retratar a paisagem vista do topo do Pão de Açúcar em 1890, quando escalou o morro com mais de 100 kg de equipamento.

O livro apresenta textos de apaixonados pelo Pão de Açúcar que conviveram intimamente com diversos aspectos deste patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan, em 1973. Eles apresentam detalhes desta trajetória histórica, por Pedro da Cunha e Menezes e Telma Lasmar, geologia, por Diógenes de Almeida Campos, fauna e flora, por Jorge Pedro Pereira Carauta, montanhismo, por Waldecy Mathias Lucena, e dos shows que marcaram toda uma geração, por Nelson Motta, criador do lendário Noites Cariocas, e Léo Jaime, um dos muitos artistas que se apresentaram no palco da Concha Verde para uma platéia que chegava a 3 mil jovens nas inesquecíveis noites de sexta e sábado.

Com o objetivo permanente de ampliar horizontes, The Bank of New York Mellon patrocina o livro sobre os 95 anos do bondinho. Com escritórios em 37 países e atendendo acima de 100 mercados, o banco administra mais de US$ 20 trilhões em recursos financeiros em todo o mundo. A iniciativa reforça o compromisso da instituição com o Brasil e com o Rio de Janeiro.

Trazendo 150 imagens, a edição traça um panorama que completa 95 anos, retratando desde o surgimento do nome "Pão de Açúcar", dado à época do descobrimento, quando os navegadores mapearam o litoral identificando os portos seguros, até as mudanças na paisagem do entorno, bem como a evolução dos bondinhos que permitiram o acesso ao seu topo. Os textos — curtos e concisos — prendem a leitura e a seleção de imagens é segura fonte de deleite para todos os que apreciam a deslumbrante beleza da cidade do Rio de Janeiro.


SERVIÇO
Bondinho do Pão de Açúcar - 95 anos da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar Sugar Loaf Cable Car - 95 years of the Sugar Loaf Aerial Pathway Company - Edição bilíngüe (Português/Inglês), 200 págs, R$ 95

Formato: 23 x 28 >>Idéia: Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar >> Realização: Andrea Jakobsson Estúdio Editorial - Textos: Diógenes de Almeida Campos (diretor do Museu de Ciências da Terra, Departamento Nacional da Produção Mineral e Membro da Academia Brasileira de Ciências), Jorge Pedro Pereira Carauta (Pesquisador-associado no Departamento de Botânica do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ), Léo Jaime (músico, ator e escritor), Maria Ercília Leite de Castro (Diretora Geral da CCAPA), Nelson Motta (jornalista, compositor, escritor, roteirista e produtor musical), Pedro da Cunha e Menezes (escritor e diplomata, profundo conhecedor da história da cidade do Rio de Janeiro e representante permanente adjunto do Brasil junto ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Telma Lasmar (museóloga responsável pelo projeto do Museu Aberto do Bondinho Pão de Açúcar e professora da UFF e do UNIPLI), Waldecy Mathias Lucena (escalador, vice-presidente da Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro) >> Fotos: Marco Terranova, Ricardo Azoury e outros
Projeto Gráfico: Jair de Souza >> Lançamento: 17 de janeiro de 2008 no Morro da Urca


SAIBA MAIS
Andrea Jakobsson Estúdio Editorial Ltda.
R. Xavier da Silveira, 45 - sala 906 - Copacabana, Rio de Janeiro/RJ
Tel.: (21) 2267-6763

08 janeiro 2008

O ÍNCUBO

Aquecimento local


Ele virá como num sonho mas será real. Porque habita a realidade mais profunda — e inadmissível, não esqueça — dos seus desejos femininos. Chegará devagar e sem alarde. E deixará os sapatos à entrada para poder pisar delicadamente o seu chão e sentir desde o início todos os detalhes de sua presença. Ele, o meticuloso.

Haverá uma roupa no sofá da sala, você anda meio desleixada?... Quem será o moço no porta-retrato, seu namorado? Que diria se acaso soubesse que ele esteve em seu apartamento a essa hora da noite? A porta de seu quarto estará trancada, evidente, mas ele já sabe que você anseia por essa visita. E é exatamente por isso que poderá vir e entrar. Se este encontro não existisse antes em seu pensamento, minha querida, ele não passaria jamais por esta porta, aberta ou fechada.

Ele entrará em seu quarto enquanto acostuma os olhos à penumbra do ambiente, os olhos que a encontrarão dormindo na cama. Já haverá algum tempo que não se vêem, ele estará curioso em saber como você está. Você dormirá tranquila, os lábios roçando o travesseiro e os cabelos escorrendo pelas curvas do seu rosto suave. Então ele se permitirá profanar a harmonia do quadro e afastará para o lado uma mecha de cabelo que insiste em querer seus lábios. Ele, o profano.

Não, de forma alguma ele se sentirá culpado por invadir assim sua intimidade mais secreta, logo você, tão cheia de recatos. Porque foi você quem quis assim embora jamais o revele, nem a si mesma. É essa a lógica dele: você tem que chamá-lo, para que ele possa vir. Estará, portanto, somente realizando um velho desejo seu — você é que sempre foi boba para admitir os próprios pensamentos. Ele, aliás, gostaria imensamente de estar presente quando, pela manhã, você sonolenta a lavar o rosto, viesse a primeira lembrança do sonho que teve, tão estranho, tão louco... Mas tão real, não?, tão real...

Ah, ele adoraria vê-la, você estancando subitamente, em pé ao espelho, os olhos na expressão de quem lembra, o gesto suspenso na vã tentativa de congelar o resto de lembrança que vai morrendo, morrendo... E a cara de incredulidade e espanto. Mas não, ele não poderá estar presente. Seus poderes não resistem longe dos sonhos.

Ele puxará a ponta do lençol, descobrindo seu ombro magro. Mais um pouco e surgirão aos seus olhos agradecidos os seus seios, descansando serenos e alheios no ritmo calmo de sua respiração. Ele não resistirá e deixará escapar um sorriso... Nesse momento já não poderá evitar de se deter um pouco e comparar a imagem que tem à mulher que conhece, tão pudica. Se você pudesse despertar agora, certamente teria um de seus repentes de indignação e bradaria que ele está violando sua intimidade e que não tem o direito. Mas nesse sonho, minha querida, não há lugar para violências. E, além do mais, não foi você quem o chamou? E quem melhor que ele, o que capta o que se esconde, para entender a beleza tímida dos seus seios?

Então, de repente, para total surpresa dele... você se moverá! E virará o corpo para o lado, privando dos seus seios o olhar dele. Ele confessará, do alto de suas vivências no assunto, que, tsc-tsc, por essa não esperava. E não esperava mesmo. Então sussurrará ao seu ouvido, sorrindo uma revolta bem-humorada, que certos pudores não têm jeito, não adormecem nunca.

Em sinal de protesto ele puxará de uma vez o lençol que cobria seu corpo... E terá outra surpresa o nosso amigo. Duas, para ser exato. Quem, em algum tempo, poderia imaginar, inclusive ele, que aquele autêntico recato ambulante dormisse nua, inteiramente nua, despojadamente nua? E, mais curioso ainda, que fosse tão surpreendentemente desejável sem vestes?! Ninguém certamente, você sempre fez questão de se ocultar demais. E ele muito menos, ele que há algum tempo flagra a ânsia dessa aventura por trás das couraças de sua defesa.

Retirado o lençol, o profano se afastará da cama e se posicionará melhor para observar, pintor orgulhoso do novo quadro. Você nua na cama. Nua e sem defesa. Entregue aos olhos de um homem como jamais imaginou que pudesse. A pele brilhando na penumbra. O corpo inteiramente nu, convidativamente disposto sobre a cama, finalmente autorizado, nihil obstat. Ah, ele se deliciará enormemente ao vê-la aprisionada em sua própria nudez. Deliciosamente prisioneira. Insuspeitavelmente bela.

E ele percorrerá com os olhos comovidos as paisagens de seu corpo, montes e planícies, savanas e cavernas. Gozará sinceramente enternecido todas as minúcias de sua pele e procurará novos ângulos para sua beleza inconsciente — e finalmente despudorada. Um fino e cruel ladrão de intimidades, desumano e desrespeitador. "Ora, convenhamos...", ele dirá, "um pouco de perversidade não faz mal a mulher nenhuma!" Principalmente a você, que sequer admite durante o dia o que se permite em sonhos...

Então ele perceberá, desconfiado, a sua respiração mais intensa... o ritmo mais acelerado... Aproximará o rosto do seu, já antevendo a nova surpresa, e por fim constatará sua excitação. "Ora, ora...", ele exclamará sorrindo, e, enquanto se despe ao lado da cama, observará seus movimentos angustiados e impacientes, como se buscasse alguém ausente.

Ele comparecerá a esse encontro porque você o quer, vamos deixar isso bem claro, mas também porque anda curioso em saber o que existe por trás de toda essa sua aparente frieza e indiferença. Aparente sim, ele sabe disso. Mesmo nas mulheres, bichos ardilosos que sempre foram, o olhar nem sempre acompanha a velocidade da mentira — ou da habilidade, como queira. E foi o olhar, minha querida, foi exatamente esse pequeno detalhe que naquele dia a denunciou, a você e suas tão bem-cuidadas aparências. Foi apenas um rápido encontro de olhares, você talvez nem se lembre. Foi somente um desejo que, por um segundo, escapou sorrateiro de sua vontade e que, ao perceber o olhar dele, ato contínuo, voltou a ser frieza e desdém. Ah, mas já era tarde. Ele agora sabia de tudo.

Jogada a roupa a um canto, ele se deitará ao seu lado na cama, já chega de perversidade. Sentirá então o calor receptivo e o aroma delicado de sua pele. Você jogará ao chão velhos escrúpulos que por lá ficarão enquanto ele não se for e decerto que se espantarão ante toda a sua disposição revelada. Seus olhos estarão sempre fechados, mas verão tudo em seu sonho. Só não verão os olhos dele, o que fará mais difusa ainda sua recordação. Se pudesse, ele confessaria que por vezes lhe falta a cumplicidade do olhar, em algumas mulheres bem mais que em outras. Mas as regras são essas, o que se pode fazer?

Enquanto sua boca o procura e seus braços exigem com avidez o corpo dele, ele sorrirá dessa sua insuspeitada ardência. E finalmente fechará os olhos, deslizando de vez para dentro do seu sonho, envolto pela velha sensação de vertigem, dor e alívio que essa queda lhe provoca. E só retornará quando novamente abri-los.

No outro dia você se lembrará de quase tudo, mas sua lembrança será como névoa — que, aos poucos, e sem que você possa evitar, irá se dissipando, terminando por se transformar naquela sensação de já ter vivido algo assim em algum dia, algum lugar... "Mas como, se tudo foi apenas um sonho?", você se perguntará, sempre surpresa com a qualidade das lembranças.

Lembranças que a farão sorrir pelos cantos do dia, subitamente envergonhada. "O que foi?" — a amiga indagará, desconfiada, e você disfarçará, procurando qualquer coisa para se ocupar e fugir do flagrante. Mas nem sempre conseguirá conter o sorriso que, fora do seu controle, denunciará a si mesma uma descarada satisfação.

Você pensará nele, sim, pensará. E por pouco não se renderá ao desejo, várias e vacilantes vezes ao lado do telefone. Sussurrará na rua, sem querer, o nome do maldito. Mas ao mesmo tempo evitará de todas as formas encontrá-lo, pois se sentirá nua nesse encontro. Perceberá um vento gelado a roçar-lhe os pêlos e trazer arrepios toda vez que se recordar dessa noite. Ventos do outro mundo? Lera certa vez alguma coisa sobre demônios que invadem o sono das mulheres para copular com elas, lendas medievais. A história não lhe saíra da cabeça.

"Demônios... não sabia que pudessem ser tão competentes", você pensará, permitindo-se afinal brincar um pouco. Bem competentes... Mas não, não — você sacudirá a cabeça, abandonando tal absurdo, e voltará aos afazeres. Entrar no sonho dos outros, imagina, seria o fim do mundo...

"Mas e se fosse possível? E se realmente eles pudessem..." "Não, não, foi tudo um sonho" — você repetirá mais uma vez, lutando contra a vontade que arde de vê-lo novamente. Foi apenas um sonho louco e alguma coincidência. E além do mais há muito que essas coisas não existem.



*Ricardo Kelmer é escritor, letrista e roteirista e mora em São Paulo, Terra, 3.ª Pedra do Sol


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31 dezembro 2007

SABORES DA HISTÓRIA

Misterioso chocolate



Não é interessante? A vontade de comer chocolate não passa se comemos outro tipo de doce. Acho que isto acontece porque um dos componentes do chocolate — descobriu-se recentemente — age como uma espécie de serotonina, substância que nosso organismo produz em situações de extrema felicidade, como no caso do namoro e do orgasmo. Talvez por isso algumas pessoas tornam-se facilmente chocólatras, com muita razão.

A origem do chocolate, que provém do cacau, é muito polêmica e faz parte dos segredos da História. Segundo os Maias, habitantes da América Central à época dos descobrimentos, os deuses foram os primeiros a consumir chocolate — o que constituiu um incentivo para os homens seguirem o seu exemplo. Quanto à época dos primeiros usos de bebidas achocolatadas, escavações e ruínas antigas dão conta da existência deste fato desde o século VI a.C. Desde aí o mundo foi invadido por este desejo incontrolável de tomar chocolate.

Ao aportarem os espanhóis no México, o chocolate já era conhecido dos Astecas, habitantes locais, tomado frio ou quente dissolvido em leite ou água. Estes espanhóis adoraram as diversas formas da bebida (então amarga) e seus efeitos inusitados de paz, tranqüilidade e até afrodisíacos. Apressaram-se a divulgá-la na Europa, introduzindo-a primeiramente na Espanha. Teve início a conquista dos paladares pelas delícias do chocolate — agora também adoçado.

Devido aos seus muitos e agradáveis aromas, o chocolate tanto é bom puro como também combina deliciosamente com frutas e legumes. Para os mais corajosos e inovadores pode até fazer alianças sutis e prazerosas com ervas e especiarias, desde que os seus próprios agradáveis e múltiplos sabores não sejam encobertos pelos aromas e sabores fortes muito invasivos e dominantes de alguns destes aliados.

Certos fanáticos por vida saudável condenam o chocolate devido à gordura presente no cacau — justamente o que dá ao produto a sua textura característica. Porém, pesquisadores mostraram que comer chocolate não contribui para aumentar os níveis de colesterol ruim (LDL) no sangue.

Ao contrário, o chocolate apresenta níveis elevados de flavonóides e compostos fenólicos que têm efeitos anti-oxidantes benéficos e podem ajudar a diminuir os riscos de doenças coronarianas, elevando os níveis de colesterol bom (HDL). Estes flavonóides também estão contidos nos vinhos e produzem os mesmos efeitos vitalizantes.

Também parece que os chocolates contêm substâncias que estimulam a produção, no organismo humano, de um complexo químico chamado “feniletilamina”, associado ao estado de “sentir-se apaixonado(a)” — o que seria uma razoável explicação ou até justificativa do porquê sermos estimulados a consumir, a sós, uma caixa inteira de chocolates...

E assim, vamos a ele já desde o Réveillon em 2008. Viva o chocolate!


*O enogastrônomo Jorge Cals Coelho não é chocólatra, mas adora chocolate — principalmente sob algumas formas de que aprendeu a gostar no restaurante Piantela, quando viveu em Brasília (como nos “Profiteroles au Chocolat” e no “Petit Gâteau”, sobremesa do restaurante do antigo hotel Caesar Park de Fortaleza/CE) que são iguarias inigualáveis — complementando de forma divina uma boa refeição.


SAIBA MAIS
http://www.copacabanarunners.net/hdl.html

http://www.morganachocolates.com.br/curiosidades.htm

17 dezembro 2007

NO ÚLTIMO SÁBADO

Foi quando tudo aconteceu...


Quem lê No último sábado de Paulo Eboli não percebe ser este o livro de estréia do autor, que vai construindo sua envolvente narrativa e seduzindo leitores e leitoras ao longo de suas mais de 150 páginas.

Prefaciado pelo jornalista Renato Maurício Prado, o livro conforma uma adequada fábula sobre o tempo, os amigos e a felicidade — temas apaixonantes que se enquadram à perfeição nos dias de hoje.

Trata-se das descobertas e memórias de um grupo de amigos que atravessam três décadas de convivência cheias de sonhos, fantasias, paixões, momentos de glória e profunda frustração. Como mais um personagem, Eboli apresenta-nos o tempo — um companheiro indesejado, a cobrar de cada um e de todos o preço de sua presença.

Cercada por uma atmosfera de tensão crescente, a leitura pode cativar leitores de todas as idades, mostrando-se particularmente familiar àqueles que já ultrapassaram a fímbria dos 40 e tantos...

Estes, com melhor certeza, irão se identificar muito e emocionar-se com as passagens da estória, assim como também curtir a saudosa existência dos vários flashbacks trazidos à tona pelos personagens e que compõem a trilha sonora da narrativa.



*Paulo Eboli é arquiteto, profissional de marketing em diversas empresas e consultor da área. No último sábado é seu primeiro romance (escreveu artigos e crônicas para jornais e sites na web). Carioca de 1950, Eboli é rubro-negro, ariano e casado há 31 anos com Claudia, com quem tem dois filhos. O autor atuou na criação do jornal Extra, respondendo por sua estratégia de marketing.


FICHA TÉCNICA
No último sábado, de Paulo Eboli
Ed. Publit - 160 págs. - R$ 35
Capa: Cristina Amorim - Ilustrações : Denise Pinho

Foto da capa: Ricardo Cunha - Formato: 14 X 21

SAIBA MAIS
Anna Accioly (21) 8616-6688 & Paula Torres (21) 8676-2712
annaccioly@terra.com.br
adoiscom@terra.com.br

15 dezembro 2007

CHEGARAM AS FÉRIAS

Onde levar as crianças?


Não parece ótimo poder deixar as crianças em um lugar seguro, aonde elas estarão à vontade, bem nutridas e aprendendo coisas novas e úteis? Uma sugestão é a colônia de férias que se inicia a partir de hoje, dia 15 de dezembro, estruturada para oferecer à criançada oficinas diversas e outras atividades divertidas em um espaço cuidadosamente planejado para favorecer o desenvolvimento infantil.

Como sempre, as férias chegaram e os pais estão à procura das melhores opções para preencher adequadamente o tempo de suas crianças. Vale dar uma olhada nesta colônia de férias, cuja programação, além do contato com a natureza, inclui oficinas de inglês, reciclagem, ioga, capoeira, culinária, música, teatro, artes plásticas, tatuagem e maquiagem, além do Projeto Pequenos Cientistas e saborosas sessões de degustação de frutas, entre outras animadas atividades interativas.

Em ritmo de brincadeira, as crianças se envolvem com bichos "do bem", barro, tinta, água, riacho e exploração ecológica, entre outras programações que tornarão estas férias da criançada momentos inesquecíveis, como devem ser.

Este ano a colônia de férias transcorrrerá no período da tarde, de segunda a sexta, de 14 às 17 horas, para crianças de 3 a 8 anos de idade. Durante a manhã, o espaço — cerca de 400 m² nos jardins da Hípica carioca — funcionará normalmente mantendo sua programação e preços vigentes. Confira algumas atividades:
>> Oficina de Inglês: parceria com o curso de inglês Let's Go Kids, especializado em ensinar crianças a partir do primeiro ano de idade;

>> Ioga, capoeira e jogos cooperativos: atividades corporais;

>> Projeto Pequenos Cientistas, ministrado por biólogos: a meninada tem experiência com ecologia, reciclagem e conscientização sobre a conservação ambiental do planeta;

>> Oficina de reciclagem: para aprender a importância da reciclagem, pela transformação de descartes (lixo) em brinquedos;

>> Alimento vivo: promoção de reeducação alimentar, visando uma dieta mais saudável para as crianças. Uma pedagoga estimula a curiosidade através do elemento lúdico, com frutas cortadas em diversas formas (como estrelas e borboletas), para que a meninada possa provar sabores e identificar aromas;

>> Atividades musicais interativas: conduzidas por músicos profissionais, pedagogos e musicoterapeutas, as crianças têm acesso aos instrumentos;

>> E mais: brincadeiras cantadas; teatro; oficina de barro; artes plásticas; tatuagem; maquiagem; fábrica de massinha; passeio aos cavalos; culinária; alimentação dos animais (cavalos, jabuti, galinhas, coelhos, gerbils, entre outros); fantoches; jogos cooperativos; brincadeiras e trabalhos com bolas, texturas, panos etc.; experiências com a natureza (troncos para explorar com kit (lupa, lanterna, pinça e potinho); horta, experiências no minhocário etc.; pintura no painel de vidro; pintura e desenho; barro vermelho; rio e mangueira; ouvir e contar histórias; construir cabanas; brincadeiras com massinhas comestíveis e gelatinas, entre outras.

As crianças devem levar: lanche, roupa para sujar, molhar e manchar, toalha, agasalho e repelente. Se chover, as atividades serão suspensas e a criança recebe um convite para outro dia.

O espaço da colônia de férias localiza-se na Hípica do Rio de Janeiro, numa área de 400 m². É um projeto inédito na cidade, em que as crianças não só aprendem a respeitar o meio ambiente e desenvolver atividades junto a animais, como também são livres para brincar.

Monitoradas por pedagogos, psicólogos e biólogos, todas as atividades do espaço são pensadas para ajudar no amadurecimento emocional e na socialização das crianças. A proposta é proporcionar um ambiente que facilite a formulação da criatividade dos pequenos.


SAIBA MAIS
Playgym Natureza Av. Borges de Medeiros, 2428 - Zona Sul - Hípica
Tels.: (21) 2537-9541 / 9647-6938 Estacionamento: R$ 5 o dia todo
FUNCIONAMENTO
Em dezembro: de terça a sexta-feira: de 14h às 17h (a partir de 3 anos)
Em janeiro: de segunda a sexta-feira de 14h às 17h (a partir de 3 anos)

Preços (pacote semanal): R$ 200
Descontos especiais para duas semanas ou mais e para mais de uma criança (consulte sobre os descontos)
http://www.guiadoriodejaneirocomcriancas.kit.net/acontecendo/playgym03.htm

TENDA DA SAÚDE

Ao seu dispor no calçadão


A maioria das pessoas adora a estação mais quente do ano. Porém, o que poucos sabem é que, nesta época, ocorre uma propagação maior das chamadas "micoses de Verão". Isso acontece porque a transpiração aumenta muito e também é mais intenso o contato com a água (da piscina e do mar), o que pode fazer com que a pele fique úmida por mais tempo. Tal umidade, aliada ao calor, que debilita o organismo, favorece o aparecimento de micoses.

Para informar e esclarecer a população sobre estes e outros assuntos, o laboratório Divcom Pharma vai armar a Tenda da Saúde no calçadão da Av. Beira Mar, entre os dias 17 e 21 de dezembro. A iniciativa da colocação de uma tenda informativa no calçadão das praias mais movimentadas para caminhadas matinais e noturnas, dispondo acadêmicos de Medicina preparados e treinados para dar orientações sobre o processo da circulação sanguínea e sobre como prevenir a dilatação das veias visa evitar, desta forma, o surgimento das varizes e também ajudar no combate e prevenção de problemas de pele como as micoses.

Há alguns cuidados que podem ser adotados para prevenir o aparecimento das micoses superficiais. A higiene é o primeiro passo, principalmente nas áreas preferidas pelos fungos. Eis algumas atitudes simples que ajudam a evitar a ocorrência das micoses de Verão:

>> evite andar descalço(a) em pisos úmidos ou públicos;
>> não compartilhe toalhas;
>> procure não utilizar lava-pés de piscinas e saunas;
>> evite o contato direto da pele com as cadeiras de praia (utilize uma toalha ou canga para forrar a cadeira);
>> evite equipamentos profissionais de uso comum (botas, luvas etc.);
>> não use roupas e calçados de outras pessoas;
>> só utilize alicates de cutícula, tesouras e lixas esterilizados;
>> evite usar meias que não sejam de algodão;
>> seque bem as regiões úmidas após o banho ou após o esporte;
>> não use calçados fechados por muito tempo.


Obs.: a imagem acima, que retrata uma colônia de Cortinarius trivialis, não tem relação direta com os assuntos aqui tratados e foi empregada apenas para chamar a sua atenção. O que é importa é que agora você está devidamente convidado(a) a saber mais sobre este tema e seus desdobramentos

COMPAREÇA
Local: Calçadão da Av. Beira Mar, n.º 3080 (em frente ao Seara Praia Hotel)
Data: 17 a 21 de dezembro 2007
Horário: das 6h às 9h e das 17h às 20h
Contato: Thany Rufino – (81) 9127-3262
SAIBA MAIS