16 outubro 2008

O NAUFRÁGIO DO CENTRO DO MUNDO

EUA entre recessão e colapso

A recessão instalou-se nos Estados Unidos. Os subsídios alimentares que em 2006 abrangiam uns 26,5 milhões de pessoas subiram em 2007 para 28 milhões, nível nunca atingido desde os anos 1960. Recentemente a OCDE-Organisation for Economic Co-operation and Development (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) reviu em baixa suas previsões de crescimento para a economia estado-unidense, assinalando-lhe uma expansão igual a zero para o primeiro semestre deste ano.

Por seu lado, o FMI-Fundo Monetário Internacional acaba de fazer um prognóstico ainda mais grave, pois inclui períodos de crescimento negativo. Estes organismos vinham bombardeando os meios de comunicação (que por sua vez bombardeavam o planeta) com prognósticos otimistas, baseados na suposta fortaleza da economia norte-americana.

Sustentavam que não haveria recessão e que o pior poderia ser um crescimento baixo, rapidamente ultrapassado por uma nova expansão... Se agora admitem a recessão, é porque algo muito pior está no horizonte. Sob a aparência de várias crises convergentes, desenvolve-se perante os nossos olhos o final daquilo que deveríamos encarar como o primeiro capítulo do declínio do império norte-americano (aproximadamente 2001-2007) e o começo de um processo turbulento desencadeado pelo salto qualitativo de tendências negativas que se foram desenvolvendo ao longo de períodos de diferentes durações.

De qualquer forma, as más notícias financeiras, energéticas e militares não parecem aplacar os delírios messiânicos de Washington, antes pelo contrário. É como se Bush e seus falcões não fossem deixar a Casa Branca dentro de pouco tempo. Continuam a ameaçar governos que não se submetem aos seus caprichos, insinuam novas guerras e afirmam querer prolongar indefinidamente as ocupações do Iraque e do Afeganistão -- inclusive um ataque devastador contra o Irã é ainda possível.

De vez em quando, emerge nova onda de rumores bélicos a apontar o Irã, em geral com origem em declarações ou transpirados de altos funcionários do governo. Um ataque contra esse país teria consequências imediatas catastróficas para a economia mundial: o preço do petróleo dispararia para as nuvens, o sistema financeiro global passaria a uma situação caótica e a recessão imperial converter-se-ia em ultra recessão encabeçada por um dólar em queda livre.

Talvez alguns estrategistas do Pentágono e do círculo de falcões mais radicalizados estejam a imaginar uma grande fogueira mundial purificadora, da qual emergiria vitoriosa a nação escolhida por Deus: os Estado Unidos da América. Trata-se de uma loucura, mas faz parte da configuração psicológica de uma parte importante da elite dominante, atravessada por uma corrente letal que combina virtualismo, onipotência, desespero e fúria perante uma realidade a cada dia menos dócil.

Nos grandes centros de decisão econômica atualmente domina a incerteza, que acaba de se ver convertida em pânico. O fantasma do colapso começa a mostrar seu rosto. Enquanto isso, todas as autoridades econômicas norte-americanas injetam maciçamente liquidez no mercado, concedem subsídios fiscais e improvisam salvações custosas das instituições financeiras em bancarrota, tentando suavizar a recessão, sabendo que desse modo aceleram a inflação e queda do dólar. Porém, sua margem de manobras é muito pequena: a mistura de inflação e recessão torna completamente ineficazes seus instrumentos de intervenção.

A palavra "colapso" foi aparecendo com intensidade crescente desde fins do ano passado em entrevistas e artigos jornalísticos, muitas vezes combinadas com outras expressões não menos terríveis, em alguns casos adotando seu aspecto mais popular (derrocada, morte, queda catastrófica) e em outros sua forma rigorosa, ou seja, como sucessão irreversível de graves deteriorações sistêmicas, como decadência geral.

Paul Craig Roberts (que no passado foi membro da equipe diretora do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e editor do Wall Street Journal) publicou em 20 de março deste ano um texto intitulado O colapso da potência americana, em que descreve os traços decisivos do declínio integral dos Estados Unidos [1] .

A 27 de março, The Economist intitulava Esperando o Armagedom, um artigo acerca da maré irresistível de bancarrotas empresariais norte-americanas. A 14 de março, The Intelligencer ostentava o título Peritos internacionais prognosticam o colapso da economia norte-americana num artigo que recolhia as opiniões, dentre outros, de Bernard Connelly (do banco AIG) e de Martin Wolf, colunista do Financial Times.

A 3 de abril Peter Morici, numa nota aparecida em Counterpunch, assinalava que "é impossível negar que a economia (estado-unidense) entrou numa recessão cuja profundidade e duração são imprevisíveis"...[2] . À guisa de conclusão, em 14 de abril o Financial Times publicava um artigo de Richard Haass, presidente do Conselho de Relações Exteriores dos EUA, onde assinalava que "a era unipolar, período sem precedentes de domínio estado-unidense, terminou. Durou umas duas décadas, pouco mais de um instante em termos históricos" [3] .

Uma degradação prolongada
Para entender o que está ocorrendo, bem como seus possíveis desenvolvimentos futuros, é necessário levar em conta fenômenos que modelaram o comportamento da sociedade norte-americana durante as últimas três décadas, gerando um processo mais amplo de decadência social. Em primeiro lugar, a deterioração da cultura produtiva, deslocada gradualmente por uma combinação de consumismo e práticas financeiras.

A precarização laboral incentivada a partir da presidência de Reagan procurava diminuir a pressão salarial, melhorando assim a rentabilidade capitalista e a competitividade internacional da indústria. Mas, a longo prazo, isto degradou a coesão laboral, o interesse dos assalariados para com as estruturas de produção, derivando para uma crescente ineficácia dos processos inovativos que passaram a ser cada vez mais difíceis e caros em comparação com os dos principais competidores globais (europeus, japoneses, etc).

Um dos seus resultados foi o déficit crônico e ascendente do comércio exterior (2 mil milhões de dólares em 1971, 28 mil milhões em 1981, 77 mil milhões em 1991, 430 mil milhões em 2001, 815 mil milhões em 2007).

Enquanto isso, foi-se expandindo a massa de negócios financeiros, absorvendo capitais que não encontravam espaços favoráveis no tecido industrial e outras atividades produtivas. As empresas e o Estado procuravam esses fundos, as primeiras para desenvolverem-se, concentrar-se, competir num mundo cada vez mais duro, e o segundo para financiar seus gastos militares e civis, que cumpriam um papel muito importante na sustentação da procura interna.

Recordemos, por exemplo, as despesas descomunais provocadas pela chamada "Iniciativa de Defesa Estratégica" (mais conhecida como "Guerra das Estrelas") lançada por Reagan em 1983 no momento em que o desemprego superava os 10% da População Economicamente Activa (o número mais elevado desde o fim da Segunda Guerra Mundial).

Um segundo fenômeno foi a concentração de rendimentos. Nos princípios dos anos 1980, os 1% mais ricos da população absorviam entre 7% e 8% do Rendimento Nacional. Vinte anos depois, o número havia duplicado e em 2007 rondava os 20%, o mais alto nível de concentração desde fins dos anos 1920. Por sua vez, os 10% mais ricos, que em meados dos anos 1950 absorviam um terço do Rendimento Nacional, passaram na atualidade a absorver 50% [4] .

Ao contrário do que ensina a "teoria econômica", a referida concentração não derivou em maiores poupanças e investimentos industriais e sim em mais consumo e mais negócios improdutivos que, com a ajuda do boom das tecnologias da informação e das comunicações, engendraram um universo semi-virtual por cima do mundo, quase mágico, onde fantasia e realidade misturam-se caoticamente. Por ali navegaram (e ainda navegam) milhões de norte-americanos, em especial nas classes superiores.

Entrelaçado com o anterior irrompeu um processo, a princípio quase imperceptível mas a seguir esmagador de desintegração social, em que um dos seus aspectos mais notáveis é o incremento da criminalidade e da subcultura da transgressão, que abrange os mais variados setores da população. Tal processo foi acompanhado pela criminalização de pobres, marginais e minorias étnicas. Actualmente, os cárceres norte-americanos são os mais populosos do planeta.

Em 1980 os EUA alojavam uns 500 mil presos, em 1990 cerca de 1.150.000, que em 1997 eram 1.700.000, aos quais havia que acrescentar 3.900.000 em liberdade vigiada ( probation etc.), mas em fins de 2006 os presos somavam uns 2.260.000 e os cidadãos em liberdade vigiada uns 5 milhões. No total, mais de 7.200.000 norte-americanos encontravam-se sob custódia judicial [5] .

Em abril de 2008, um artigo aparecido no New York Times assinalava que os EUA, com menos de 5% da população mundial, alojam 25% de todos os presos do planeta: um em cada 100 dos seus habitantes adultos encontram-se encarcerados. É o número mais alto no nível internacional [6] .

Militarização e decadência estatal
Outro fenômeno a ter em conta é a longa marcha ascendente do Complexo Industrial Militar, área de convergência entre o Estado, a indústria e a ciência que se foi expandindo desde meados dos anos 1930, atravessando governos democratas e republicanos, guerras reais ou imaginárias, períodos de calma global ou de alta tensão. Alguns autores, dentre eles Chalmers Johnson, consideram que os gastos militares foram o centro dinâmico da economia norte-americana desde a Segunda Guerra Mundial até às guerras euro-asiáticas da administração Bush-Cheney, passando pela Coréia, Vietnam, a "Guerra das Estrelas" e o Kosovo.

Segundo Johnson, que define a estratégia sobredeterminante seguida nas últimas sete décadas como "keynesianismo militar", o gasto bélico real do exercício fiscal de 2008 superaria os 1,1 milhões de milhões de dólares, o mais alto desde a Segunda Guerra Mundial [7] . Estes gastos foram crescendo ao longo do tempo, envolvendo milhares de empresas e milhões de pessoas.

De acordo com os cálculos de Rodrigue Tremblay em 2006, o Departamento da Defesa dos EUA empregou 2.143.000 pessoas, enquanto os empreiteiros privados do sistema de defesa empregavam 3.600.000 trabalhadores (no total, 5.743.000 postos de trabalho), aos quais há que acrescentar uns 25 milhões de veteranos de guerra. Em suma, nos Estados Unidos uns 30 milhões de pessoas (número equivalente a 20% da População Economicamente Activa) recebem de maneira direta ou indireta rendimentos provenientes da despesas públicas militares [8] .

O efeito multiplicador do setor sobre o conjunto da economia possibilitou, no passado, a prosperidade de um esquema que Scott MacDonald qualifica como "the guns and butter economy", ou seja, uma estrutura onde o consumo de massa e a indústria bélica expandem-se ao mesmo tempo [9] .

Mas este longo ciclo está chegando ao seu fim. A magnitude atingida pelos gastos bélicos converteram-nos num fator decisivo do déficit fiscal, causando inflação e a desvalorização internacional do dólar. Além disso, sua hipertrofia concedeu um enorme peso político a elites estatais (civis e militares) e empresariais, que foram embarcando num autismo sem contrapesos sociais.

O crescente refinamento tecnológico -- em paralelo com o encarecimento dos sistema de armas -- afastou cada vez mais a ciência militarizada das suas eventuais aplicações civis, afetando negativamente a competitividade industrial. Esta separação ascendente entre a ciência-militar (devoradora de fundos e talentos) e a indústria civil chegou a níveis catastróficos no período terminal da ex-União Soviética. Agora, a história parece repetir-se. A tudo isto acrescenta-se um acontecimento aparentemente inesperado.

As guerras do Iraque e do Afeganistão -- e de maneira indireta o fracasso da ofensiva israelense no Líbano -- mostram a ineficácia operativa da super-complexa (e super-cara) maquinaria bélica de última geração, posta em xeque por inimigos que operam de maneira descentralizada e com armas simples e baratas, o que disponibiliza uma grave crise de percepção (uma catástrofe psicológica) entre os dirigentes do Complexo Industrial Militar dos EUA e da NATO (na história das civilizações, esta não é a primeira vez que ocorre um fenômeno deste tipo).

Pois bem, a hipertrofia-crise da militarização está estreitamente associada (faz parte) à decadência do Estado, expressa pelo recuo da sua capacidade integradora (declínio da segurança social, predomínio da cultura elitista nos seus centros de decisão etc.), pela degradação da infraestrutura e por um déficit fiscal crônico e em aumento que redundou numa dívida pública gigantesca. Se nos ativermos às últimas quatro décadas, os superávits fiscais constituem uma raridade. A partir dos anos 1970, os déficits foram crescendo até chegarem, em princípios dos 1990, a níveis muito altos.

Entretanto, Clinton despediu-se em fins dessa década com alguns superávits que, observados do ponto de vista do longo prazo, surgem como fatos efêmeros. Mas desde a chegada de George W. Bush, o déficit regressou, atingindo números sem precedentes: 160 mil milhões de dólares em 2002, 380 mil milhões em 2003, 320 mil milhões em 2005...

Encontramo-nos agora frente a um Estado imperial carregado de dívidas, cujo funcionamento já não depende só do sistema financeiro nacional como também (cada vez mais) do financiamento internacional. Teria sido extremamente difícil à Casa Branca lançar-se na sua aventura militar asiática sem a compra dos seus títulos por parte da China, Japão, Alemanha e outras fontes externas.

A dependência energética
A tudo isto é necessário acrescentar a dependência petrolífera. Por volta de 1960 os Estados Unidos importavam 16% do seu consumo, que atualmente chegam aos 65%. Durante muito tempo puderam importar a preços baixos, mas agora a situação mudou, a produção mundial de petróleo está a aproximar-se do seu nível máximo (dentro de muito pouco tempo começará a descer) o que, combinado com o enfraquecimento do dólar, está a levar o preço a níveis nunca antes atingidos.

E a substituição parcial de combustível de origem fóssil por biocombustíveis (no qual também estão empenhadas as outras grandes potências industriais) reduz a disponibilidade relativa global de terras agrícolas para a produção de alimentos, o que provoca a subida geral dos preços dos produtos da agricultura. Em consequência, o efeito inflacionário amplifica-se.

Os Estados Unidos emergiram como um grande país industrial porque, desde princípios do século XX foram também a primeira potência petrolífera internacional. Tal como a Inglaterra durante o século XIX em relação ao carvão, gozaram de uma vantagem energética que lhes permitiu desenvolver tecnologias apoiadas no referido privilégio e competir com êxito com o resto do mundo. Mas em meados dos anos 1950, importantes peritos norte-americanos, como o geólogo King Hubbert, anunciaram o fim próximo da era de abundância energética nacional. Tal como antecipou Hubbert (em 1956), a partir de princípios dos anos 1970 a produção petrolífera estado-unidense começaria a declinar. Assim aconteceu.

A incapacidade dos Estados Unidos para reconverter seu sistema energético (teve quase quatro décadas para fazê-lo) reduzindo ou travando sua dependência em relação ao petróleo pode ser atribuída em primeiro lugar à pressão das companhias de petróleo, que impuseram a opção da exploração intensiva de recursos externos, periféricos, que foram superestimados. Poderia afirmar-se, neste caso, que a dinâmica imperialista forjou uma armadilha energética da qual agora é vítima o próprio Império.

O Estado não desenvolveu estratégias de longo prazo tendentes à poupança de energia – o que provavelmente teria desacelerado (não evitado) a crise energética actual – não só por imposição do lobby petrolífero como também porque suas cúpulas políticas (democratas e republicanas) foram-se submergindo na cultura do curto prazo correspondente à era da hegemonia financeira, subordinando-se por completo aos interesses imediatos dos grupos econômicos dominantes.

Mas também deveríamos refletir acerca dos limites do sistema tecnológico ocidental moderno, que os estado-unidenses exacerbaram ao extremo. O mesmo reproduziu-se em torno de objectos técnicos decisivos da cultura individualista (o automóvel, por exemplo), que definem o estilo de vida dominante e de procedimentos produtivos baseados na exploração intensiva de recursos naturais não renováveis ou na destruição dos ciclos de reprodução dos recursos renováveis.

Graças a esta lógica destrutiva, o capitalismo industrial na Europa pôde, desde fins do século XVIII, tornar-se independente dos ritmos naturais, submetendo brutalmente a natureza e acelerando sua expansão.

Isto aparecia, perante os admiradores do progresso dos séculos XIX e XX, como a grande proeza da civilização burguesa. Uma visão mais ampla permite-nos agora dar-nos conta de que se tratava do desdobrar de uma das suas irracionalidades mais fundamentais -- que os Estados Unidos, o capitalismo com mais êxito da história, levou ao mais alto nível jamais alcançado.

Desequilíbrios, dívidas, queda do dólar
A perda de dinamismo do sistema produtivo foi compensada pela expansão do consumo privado (centrado nas classe altas), pelos gastos militares e pela proliferação de atividades parasitárias lideradas pelo sistema financeiro, o que engendrou crescentes desequilíbrios fiscais e do comércio exterior e uma acumulação incessantes de dívidas públicas e privadas, internas e externas.

A dívida pública norte-americana passou de 390 mil milhões de dólares em 1970 para 930 mil milhões em 1980, para 3,2 milhões de milhões em 1990, para 5,6 milhões de milhões em 2000 até saltar para 9,5 milhões de milhões (!) em abril de 2008.

Por sua vez, a dívida total dos estado-unidenses (pública mais privada), na última data mencionada, rondava os 53 milhões de milhões de dólares (aproximadamente o equivalente ao Produto Bruto Mundial). Desse número, 20% (uns 10 milhões de milhões de dólares) são constituídos por dívida externa. Só durante o ano de 2007 a dívida total aumentou cerca de 4,3 milhões de milhões de dólares (o equivalente a 30% do Produto Interno Bruto norte-americano) [10] .

O processo foi coroado por uma sucessão de borbulhas especulativas que marcaram, desde os anos 1990, um sistema que consumia para além das suas possibilidades produtivas. A partir dos anos 1970-1980, é possível observar o crescimento paralelo de tendências perversas -- como os déficits comercial, fiscal e energético, os gastos militares, o número de presos e as dívidas públicas e privadas. Todas estas curvas ascendentes surgem atravessadas por algumas tendências descendentes. Exemplo: a diminuição da taxa de poupança pessoal e a queda do valor internacional do dólar (que se acelerou na década atual), expressão do declínio da supremacia imperial.

A articulação desses fenômenos permite-nos esboçar uma totalidade social decadente em que se incorporam (convergem) uma grande diversidade de fatos de diferentes magnitude (culturais, tecnológicos, sociais, políticos, militares etc.). Esta visão de longo prazo coloca a "era dos falcões" presidida por George W. Bush como uma espécie de "salto qualitativo" de um processo com várias décadas de desenvolvimento, e não como um facto excepcional ou um desvio negativo. Estaríamos diante da fase mais recente da degradação do capitalismo estatista-keynesiano iniciado nos anos 1970, pontapé inicial da crise geral do sistema.

A experiência histórica ensina que esses arranques rumo ao inferno (hell, em Inglês) cresçam em meio a euforias triunfalistas, aonde por trás de cada sinal de vitória oculta-se uma constatação de desastre. A louca corrida militar sobre a Eurásia estava (ainda está) no centro do discurso acerca do suposto combate vitorioso contra um inimigo (terrorista) global imaginário, que submergiu no pântano as forças armadas imperiais. As expansões desenfreadas da borbulha imobiliária e das dívidas eram ocultadas pelos número dos aumentos do Produto Interno Bruto e da sensação (midiática) de prosperidade.

Como os EUA constituem hoje o centro do mundo (do capitalismo global), seu declínio é ainda o do espaço essencial da interpenetração produtiva, comercial e financeira em escala planetária, que se foi acelerando nas últimas três décadas até formar uma trama muito densa da qual nenhuma economia capitalista desenvolvida ou subdesenvolvida pode escapar (sair dessa rede emaranhada significa romper com a lógica, com o funcionamento concreto do capitalismo integrado por classes dominantes locais altamente transnacionalizadas).

Durante a presente década, a expansão econômica na Europa, China e outros países subdesenvolvidos e o modesto (efêmero) fim do estancamento japonês costumavam ser mostrados como o restabelecimento de capitalismos maduros e a ascensão de jovens capitalismos periféricos, quando na realidade tratou-se de prosperidades estreitamente relacionadas com a expansão consumista-financeira norte-americana. Os Estados Unidos representam 25% do Produto Bruto Mundial e são o primeiro importador global.

Em 2007, compraram bens e serviços no valor de 2,3 milhões de milhões de dólares, são o principal cliente da China, Índia, Japão, Inglaterra e o primeiro mercado extra-europeu da Alemanha. Mas é sobretudo no plano financeiro, área hegemônica do sistema internacional, em que se destaca a sua primazia. Exemplo: a rede dos negócios com produtos financeiros derivados (mais de 600 milhões de milhões de dólares registados pelo Banco da Basiléia, ou seja, umas 12 vezes o Produto Mundial Bruto) articula-se a partir da estrutura financeira norte-americana.

As grandes bolhas especulativas imperiais irradiam para o resto do mundo, de maneira direta ou gerando bolhas paralelas, como foi possível comprovar com a experiência recente da especulação imobiliária nos Estados Unidos -- e seus clones diretos em Espanha, Inglaterra, Irlanda e Austrália, ou indiretos como a superbolha bursátil chinesa.

Se observarmos o comportamento econômico das grandes potências, comprovaremos em cada caso como suas esferas de negócios superam sempre os limites dos respectivos mercados nacionais -- e inclusive regionais --, cuja dimensão real torna-se insuficiente do ponto de vista do volume e da articulação internacional das suas atividades. A União Européia está solidamente atada aos Estados Unidos em nível comercial, industrial e principalmente financeiro.

O Japão acrescenta a isso a sua histórica dependência das compras norte-americanas, e por sua vez a China desenvolveu sua economia no último quarto de século na base das suas exportações industriais para os Estados Unidos e para países como Japão, Coréia do Sul e outros, fortemente dependentes do Império.

Enfim, o renascimento russo gira em torno das suas exportações energéticas (destinadas principalmente à Europa), enquanto sua elite econômica foi-se estruturando desde o fim da URSS multiplicando suas operações à escala transnacional, em especial seus vínculos financeiros com a Europa ocidental e os EUA.

Não se trata de simples laços diretos com o Império e sim da reprodução ampliada e acelerada de uma complexa rede global de negócios, mercados interdependentes, associações financeiras, inovações tecnológicas etc., que integra o conjunto de burguesias dominantes do planeta.

O mundo financeiro hipertrofiado é o seu espaço de circulação natural e seu motor geográfico são os Estados Unidos, cuja decadência não pode ser dissociada do fenômeno mais amplo da chamada globalização, ou seja, da financiarização da economia mundial.

Poderíamos visualizar o Império como sujeito central do processo, seu grande beneficiário e manipulador, e ao mesmo tempo como seu objeto, produto de uma corrente que o levou até o mais alto nível de riqueza e degradação. Graças à globalização, os Estados Unidos puderam sobre-consumir pagando ao resto do mundo com os seus dólares desvalorizados, impondo-lhe o seu entesouramento (sob a forma de reservas) e seus títulos públicos, que financiaram seus déficits fiscais.

Ainda, também, graças ao parasitismo norte-americano os europeus, chineses, japoneses etc. puderam colocar no mercado mundial uma porção significativa das suas exportações de mercadorias e de excedentes de capitais. Neste sentido, o parasitismo financeiro, produto da crise de superprodução crônica, é simultaneamente norte-americano e universal. A outra face do consumismo imperial é a reprodução de capitalismos centrais e periféricos, que necessitam transpor seus mercados locais para fazer crescer seus lucros.

Isto é evidente nos casos da Europa ocidental e Japão, mas também é evidente no caso da China, que exporta graças a seus baixos salários (comprimindo seu mercado interno). O que está agora a afundar não é a nave principal da frota (se assim fosse, numerosas embarcações poderiam salvar-se). Só há uma nave e é o seu setor decisivo que está a fazer água.

Horizontes turbulentos e ilusões conservadoras
Devemos pôr no seu contexto histórico as atuais intervenções dos Estados dos países centrais destinadas a contrapor-se à crise. Nos últimos meses, proliferaram ilusões conservadoras mencionadas como possível desconexão de várias economias industriais e subdesenvolvidas em relação à recessão imperial, mas os factos vão derrubando tais esperanças.

Junto a elas, surgiu a fantasia do renascimento do intervencionismo keynesiano: segundo a referida hipótese o neoliberalismo (entendido como simples desestatização da economia) seria um fenômeno reversível -- e novamente, como há um século, o Estado salvaria o capitalismo.

Na realidade, nas últimas quatro décadas produziu-se nos países centrais um fenômeno duplo: por um lado a degradação geral dos Estados que, mantendo seu tamanho em relação a cada economia nacional, ficaram submetidos aos grupos financeiros, perdendo legitimidade social. E por outro foram progressivamente ultrapassados pelo sistema econômico mundial, não só por sua trama financeira como também por operações industriais e comerciais que burlavam os controles (cada vez mais frouxos) das instituições nacionais e regionais.

Nos Estados Unidos, o referido processo avançou mais do que em nenhum outro país desenvolvido. Nunca foi abandonado o histórico keynesianismo militar, pelo contrário, o Complexo Militar-Industrial hipertrofiou-se articulando-se com um conjunto de negócios mafiosos, financeiros, energéticos etc., que se converteu no centro dominante do sistema de poder, apropriando-se grosseiramente do aparelho estatal até convertê-lo em uma estrutura decadente. Nos países centrais, o Estado intervencionista (de raiz keynesiana) não precisa regressar porque nunca se foi.

Ao longo das últimas décadas, obediente às necessidades das áreas mais avançadas do capitalismo, o mesmo foi modificando suas estratégias, apoiando a concentração de rendimentos e os desenvolvimentos parasitários, mudando sua ideologia, seu discurso (ontem integrador, social, produtivista-industrial, hoje elitista, neoliberal e virtualista-financeiro).

No mundo subdesenvolvido, onde o estatismo retrocedeu até ser em numerosos casos triturado pela onda depredadora imperialista, a desestatização foi sua forma concreta de submissão à dinâmica do capitalismo global.

Ali, o regresso ao Estado interventor-desenvolvimentista de outras épocas é uma viagem no tempo fisicamente impossível. As burguesias dominantes locais, seus negócios decisivos, estão completamente transnacionalizados ou então sob a tutela direta de firmas transnacionais. Agora em plena crise, ficam a descoberto os dois problemas sem solução à vista do Estado desenvolvido (imperialista): sua degeneração estrutural e sua insuficiência, sua impotência perante um mundo capitalista demasiado grande e complexo.

É o que assinala Richard Haas no artigo citado acima, ainda que sem dizer que não se trata de uma reconversão positiva sobredeterminante do capitalismo internacional aquilo que encurrala o Estado norte-americano e os outros Estados centrais e sim, antes, de um fenômeno mundial negativo que, de maneira rigorosa, deveríamos definir como decadência global (econômica-institucional-política-militar-tecnológica).

É por isso que o paralelo (agora na moda em certos círculos de peritos) entre a implosão soviética e a provável futura implosão dos Estados Unidos é totalmente insuficiente, porque existe, entre outras coisas, uma diferença de magnitude decisiva: o hipergigantismo do Império faz com que o seu afundamento tenha o poder de arrastamento sem precedentes na história humana.

E também porque os Estados Unidos não constituem "um mundo à parte" (marginalizado) e sim o centro da cultura universal (o capitalismo), a etapa mais recente de uma longa história mundial em torno do Ocidente.

A imensidade do desastre em curso, a extrema radicalidade das rupturas que pode chegar a engendrar, muito superiores às que causaram a crise iniciada em 1914 (que deu nascimento a um longo ciclo de tentativas de superação do capitalismo e também do fascismo, tentativa de recomposição bárbara do sistema burguês) gera reações espontâneas negadoras da realidade nas elites dominantes, nos espaços sociais conservadores e para além deles, mas a realidade da crise vai-se impondo.

Todo o edifício de idéias, de certezas de diferentes sinais, construído ao longo de mais de dois séculos de capitalismo industrial está começando a rachar.




Notas
(1) Paul Craig Roberts, The collapse of American power, Online Journal, 20-03-2008;
(2) Peter Morice, Bush Administration Dithers While Rome Burns. The Deepening recesion, Counterpunch, April 3, 2008;
(3) Richard Haass, What follows American dominion?, Financial Times, April 16, 2008;
(4) Center on Budget and Policy Priorities;
(5) U.S. Department of Justice - Bureau of Justice Statistics;
(6) Adam Liptak, American Exception. Inmate Count in U.S. Dwarfs Other Nations, The New York Times, April 23, 2008;
(7) Chalmers Johnson, Going bankrupt: The US's greatest threat, Asia Times, 24 Jan 2008;
(8) Rodrigue Tremblay, The Five Pillars of the U.S. Military-Industrial Complex, September 25, 2006, http://www.thenewamericanempire.com/tremblay=1038.htm
(9) Scott B. MacDonald, End of the guns and butter economy, Asia Times, October 31, 2007;(10), Grandfather Economic Report, http://mwhodges.home.att.net/.


*o economista e escritor Jorge Beinstein, professor da Universidade de Buenos Aires e membro-coordenador do Observatório Internacional da Crise nos apresenta uma visão nua e crua da realidade mundial



TIRE DÚVIDAS

08 outubro 2008

OLHAR CARICATURISTA

Mendez faz 100 anos


A exposição Mário Mendez - O mestre da caricatura, apresentada no Espaço Cultural Correios (Centro de Fortaleza/CE) pelo Núcleo ArtZ, comemora o Centenário de um dos maiores artistas cearenses, reconhecido entre os seus pares brasileiros pelo traço inconfundível e pela herança deixada a gerações de caricaturistas.

O artista, que colaborou para o sucesso de várias publicações, hoje é pouco lembrado no Ceará. Na exposição, seu traço elegante passeia entre encantadoras caricaturas de políticos, músicos, pintores e outras personagens de sua época, produzidas ao longo de sua carreira de quase 70 anos. A mostra traz ainda ilustrações, pinturas e fotos de sua autoria.

O evento tem curadoria do ilustrador e poeta Klévisson Viana, responsável pela vinda de Mendez à capital do Ceará em 1992 para ser homenageado no I Salão Nacional de Humor de Fortaleza. Mas quem foi Mário Mendez?

Nascido em Baturité em 1907, Mário de Oliveira Mendes, o Mendez, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 17 anos. Sua carreira artística teve início com a publicação de sua primeira caricatura na Revista Musical, em 1.º de julho de 1927. A partir de então, passou a colaborar com diversos jornais e revistas, entre eles A Noite, Folha Carioca, Revista do Rádio, Radiolândia, Revista da Semana e O Cruzeiro, contribuindo para o seu sucesso.

Mendez destacou-se por seu traço preciso, facilmente reconhecível, que se tornou sua marca de humor irreverente, despertando a satisfação de alguns e causando incômodo a outros dos seus caricaturados. Certos personagens temiam tornar-se o seu próximo “alvo”. O cantor Orlando Silva, por exemplo, tentou impedir a publicação de sua caricatura, na qual figurava com cara de carneiro. Em vão: Mendez argumentou que “caricatura não humilha ninguém. Ao contrário, enaltece”.

Por outro lado, o artista agradava a figuras como Getúlio Vargas, Ângela Maria e Cândido Portinari. A caricatura de Getúlio criada por Mendez inclusive participou, garbosamente, da campanha eleitoral que conduziu o gaúcho à Presidência da República pela segunda vez (1951-54).

Ao final de sua trajetória profissional, o cearense dedicou-se também à pintura, admitindo ter sempre feito ensaios com os pincéis, no retrato, na paisagem ou na figura. "Minha pintura não está ligada a nenhuma escola. Faço o que sinto e o que gosto de fazer. O que faço é por intuição", afirmou. Sua produção foi interrompida apenas pela morte, em 1996, aos 90 anos.

Núcleo ArtZ:
Em sua notável iniciativa de resgate dos grandes nomes do desenho cearense, os produtores Weaver Lima e Franklin de Oliveira, do Núcleo ArtZ, com esta exposição sobre Mendez dão continuidade ao trabalho que realizou, em 2007, no CCBNB-Centro Cultural do BNB, exposição em homenagem ao Centenário do cartunista Luiz Sá.


CHEGUE JUNTO
Mendez – O Mestre da Caricatura, de 9 de outubro a 22 de novembro
Espaço Cultural Correios - Agência Central de Fortaleza/CE
Rua Senador Alencar, 38 - Centro
Produção: Núcleo ArtZ
http://nucleoartz.blogspot.com

*Na imagem, a autocaricatura do artista contempla um painel de personagens em seu traço característico


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Mário Mendez, um traço calado
Mendez nasceu em Baturité, Ceará, à zero hora do dia 25 de dezembro de 1907. Chegou ao mundo causando maior confusão, pois a única parteira da cidade assistia à Missa do Galo. O pai, apavorado, entrou às pressas na igreja e arrastou-a para casa. O dia festivo quase carimbou-lhe o nome de Natalino. Mas o pai -- José Mendes de Brito Arraes -- voltou atrás.

Seja como for, a mudança de nome deve ter marcado o menino, pois mais tarde alteraria o "s" do sobrenome por "z". Durante a infância, interessou-se pelo desenho e passava horas copiando caricaturas de J.Carlos, Kalixto e Storne. Cresceu com a arte nas veias e punha isso em prática vendendo bonecos e cartões pintados por ele mesmo. Era simples: montava uma barraca em frente à igreja da cidade para onde se havia mudado (Carutapera/MA).

Certa vez, já morando em Iguatu/CE, precisando de grana, pegou um serviço para pintar o nome de uma mercearia na parede. Preparou a tinta com anil e goma arábica. Ele conta: "Naquela região já não chovia há muito, mas dei azar; choveu durante a noite, levantei de madrugada, ainda escuro e fui olhar os letreiros. Que calamidade! A frente da mercearia estava em petição de miséria, já não se lia o letreiro. A frente da casa estava toda borrada de azul. Não esperei mais nada. Fui à casa de outra tia onde estava hospedado, enfiei algumas roupas numa valise e corri para a estação; comprei uma passagem e peguei o primeiro trem para Fortaleza".

Foi na capital cearense que teve o primeiro contato com a pintura. Mostrou alguns desenhos ao dono do atelier -- Manoel Queirós -- e foi pego como ajudante, sem ganhar nada. Assim seguiu, até que apareceu um tenente da Marinha querendo um cartaz para convocar voluntários. Mendez, que sonhava em viajar, ofereceu-se. Disse que tinha 18 anos (quando tinha 17) e, com essa idade, desembarcou no Rio de Janeiro.

Serviu na banda de música do regimento. Certa vez, fez a caricatura do regente da banda e mostrou-a ao tenente. Logo o desenho saiu na Revista Musical. Era o início de sua carreira de caricaturista. Três anos depois, foi convidado para fazer ilustrações de Carnaval para o jornal A Manhã. Foi um sucesso, e Mendez acabou efetivado.

Também colaborava com os jornais A Batalha, A Esquerda, Vanguarda e o Radical. Os caricaturistas da época eram Kalixto, Romano, Guevara, Raul Pederneiras, Justinus e Figueroa (que muito influenciou Mendez). Envolvendo-se com esses artistas, acabou conhecendo Luiz Sá, conterrâneo que fazia histórias em quadrinhos da série Reco-reco, Bolão e Azeitona para as revistas O Tico-Tico e O Malho.

Foi incentivado por Raul Pederneiras, que fazia Cenas da vida carioca para a Revista da Semana e publicava sátiras no Jornal do Brasil. Artistas conhecendo artistas dão sempre uma história boa. Certo dia, quando almoçava numa pensão, viu um cara numa mesa e achou-o caricaturável, tirou um papel do bolso e desenhou-o. A dona da pensão viu e disse a Mendez que aquele cara era (o colega) J.Carlos. Mendez quase teve um treco. Seu ídolo desde a infância estava ali perto! A dona da pensão não perdeu tempo e apresentou Mendez a J.Carlos. Mendez tremia. Só se aquietou quando recebeu elogios do mestre sobre o seu trabalho.

Caricaturistas são debochados e ousados. Quando Mendez casou-se, em 1933, a notícia foi publicada no jornal -- porém, no lugar da tradicional foto, havia uma caricatura dos noivos! Em 1935, Mendez organizou uma exposição de desenhos feitos durante uma viagem à Bahia, Pernambuco e Ceará. No mesmo ano, publicou o livro Tipos e costumes do negro no Brasil.

Um ano depois, seus desenhos saíram na revista O Cruzeiro, despertando o interesse de Belmonte: o "monstro sagrado" da charge trabalhava na Folha da Manhã em São Paulo e convidou Mendez para trabalhar com ele. Em 1938, voltou ao Rio para trabalhar no jornal A Noite, junto com os "feras" da charge: Álvarus, Carlos Thiré, chargista e quadrinhista (criador dos personagens Gavião de Riff, Bob Lloyd, Rafles e Os Três Legionários da Sorte) e Monteiro Filho (que idealizou o personagem Roberto Sorocaba).

Mendez foi ficando famoso. Caricaturava figuras importantes da política e das artes brasileiras. Ele conta que Dalva de Oliveira chorou de desgosto durante uma semana quando viu sua caricatura na revista Carioca. Orlando Silva também ficou aborrecido com ele por ter sido caricaturado com cabeça de carneiro.

Isso não abalou sua carreira, nem sua fama. Em 1941, quando Walt Disney esteve no Rio, vários artistas foram apresentados a ele: J.Carlos, Luiz Sá, Jorge Bastos e... Mendez. Além de desenhar, Mário Mendez era preocupado com arte. Ele comentou: "O humor na caricatura brota espontaneamente. Ele vem só e naturalmente. Não o tentamos nunca... É conseqüência fácil... Se nos acharem rebeldes, não o somos voluntariamente. Rebeldia é fugirmos de uma norma, e como em caricatura não há normas, é absurdo sairmos de uma coisa que não existe. Quantos políticos não devem sua popularidade aos caricaturistas? E no entanto, muitos não gostam de ser caricaturados... Felizmente, não são todos."

Para a campanha de eleição de Getúlio Vargas, o PTB-Partido Trabalhista Brasileiro usou uma caricatura feita por Mendez. Além de Getúlio, Dorival Caymmi e outras personalidades famosas passaram pela ponta de seu lápis in loco: a primeira-dama argentina Eva Perón, o presidente norte-americano Harry Truman, o multiartista Burle Marx, o maestro espanhol Xavier Cugat.

Em 1973 Mendez foi entrevistado por Ziraldo, Nássara e Augusto Rodrigues para o Museu da Imagem e do Som. Sobre a caricatura, disse: "As melhores caricaturas sempre foram aquelas das pessoas com quem a gente convive, das quais podemos captar traços da personalidade que só notamos mesmo com a convivência. Pois como já foi dito, a caricatura é o retrato da alma... Eu acho que uma caricatura acertada, às vezes, vale mais do que uma fotografia. Na foto, as pessoas vão mudando de ano para ano, enquanto a boa caricatura retrata a pessoa durante anos a fio!".

A certa época de sua vida, Mendez abandonou o desenho. Aposentou-se! Mas a veia artística impulsionou-o à música. Trocou o lápis pelo violão. A esposa, Emília, vendo sua capacidade musical, sugeriu que entrasse numa banda. Mendez pensou, pensou e desistiu, largou o violão e voltou ao desenho...

Artista nato e autodidata, Mendez não teve professor nem fez curso algum. Aprendeu tudo vendo, observando e comparando. A caricatura foi sua profissão, meio de expressão e vida. Ele dizia "A gente nasce caricaturista, vira desenhista e morre pintor. Como exemplos, lembro Columbano (Bordalo Pinheiro) de Portugal, (Honoré) Daumier e (Henri de) Toulouse-Lautrec da França, (José Clemente) Orozco do México... e (Emiliano) Di Cavalcanti, que também começou a carreira como caricaturista."

Ele continuou: "Tanto a pintura como a escultura vêm do desenho. Hoje, há uma concepção diferente em relação a essa idéia, devido ao abstracionismo. Mas a pintura figurativa vem sempre do desenho. A cor é inerente. É uma questão de sentimento. Minha pintura não está ligada a nenhuma escola. Faço o que sinto e o que gosto de fazer. O que faço é por intuição."

Mário Mendez esteve ligado à caricatura e ao humor até o fim da vida. Caricaturou Chico Caruso e em1996 foi homenageado no Salão de Humor de Piracicaba. Mas o tempo neste mundo é curto para mestres e gênios... e o criador voltou ao Criador. O traço de Mendez calou-se no mesmo mês em que nasceu, 90 anos depois -- dezembro de 1997. Sua arte está registrada em duas obras editadas pela Ediouro: Caricaturas e caricaturados e Como fazer caricaturas.


* O jornalista e quadrinhista Fernando Moretti publicou este texto em seu blog Humor Vítreo

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http://www.aleph.com.br/moretti

IDÉIAS PREMIADAS

Valor ao que se inova


O Laboratório SESC Rio de Roteiros para Cinema Infantil, em parceria com o FICI-Festival Internacional de Cinema Infantil, selecionou os 10 roteiros que participarão do projeto em 2008 e nomeou os 10 consultores a eles associados. Entre os cinco roteiristas estrangeiros designados para vir ao Brasil, figuram renomados autores, destacados entre os mais atuantes do roteiro de cinema infantil contemporâneo.

O americano Michael Goldenberg roteirizou Harry Potter e a Ordem da Fênix, enfrentando o desafio de fazer uma adaptação do best-seller da inglesa J.K. Rowling sem perder o espírito do livro. Aos 43 anos, é co-roteirista de Where the wild things are, uma adaptação do livro infantil homônimo de Maurice Sendak que será dirigida por Spike Jonze.

O time de consultores tem ainda o francês Eric Rognard, com mais de 20 anos de experiência como roteirista para filmes infanto-juvenis na televisão européia, e a holandesa Mieke de Jong, roteirista dos premiados Spoon, de Sande Bakhuyzen, e Bonkers, de Martin Koolhoven. Seu último trabalho para o cinema, Winter in wartime, é uma adaptação do romance de Jan Terlouw, sobre um garoto na Holanda durante a 2.ª Guerra Mundial.

O dinamarquês Niels Arden Oplev e o norueguês Arne Lindtner Naess completam a lista dos consultores estrangeiros. Formado em direção cinematográfica pela National Film School da Dinamarca, Oplev fez dois filmes quando ainda era estudante e seu penúltimo filme Drømmen (We shall overcome, 2006) ganhou 16 prêmios, entre eles um Urso de Cristal, no Festival de Berlim, e o prêmio do júri infantil do Festival Internacional de Filme Infantil de Chicago.

Já o norueguês, ator, dramaturgo e diretor, roteirizou e dirigiu sete longas desde 2001, entre eles The Junior Olsen gang, um fenômeno de público em seu país natal.

Entre os cinco brasileiros que prestarão consultoria estão Cláudio Lobato, que escreve regularmente para a série infantil da TV Globo O sítio do picapau amarelo, e Maria Camargo, que passou pelo Laboratório SESC Rio de Roteiros com o roteiro infantil Noite de vaga-lumes.

Os outros três consultores são Claudio Galperin, roteirista do filme O ano em que meus pais saíram de férias, Eliana Fonseca, e Claudio Yosida, que também escreve para O sítio do picapau amarelo.

Os selecionados
Em 2008, o Laboratório recebeu 40 inscrições, a partir das quais foram selecionados os seguintes trabalhos: A fabulosa jornada de João e Maria, de Arnaldo Galvão e Flavio de Souza; A turma, de Ricardo Favilla; As peripécias de Pilar na Grécia, de Flavia Lins e Silva; Eu e meu guarda-chuva, de Adriana Falcão, Marcelo Gonçalves, Bernardo Guilherme e Toni Vanzolini; Historietas assombradas, de Daniel Turini e Vitor Brandt; Meninos do mangue, de Adolfo Lachtermacher e Roger Mello; Meu amigãozão, de Andrés Lieban e Claudia Koogan Breitman; O menino no espelho, de Cristiano Abud; Pedro e a cobra-de-fogo, de Tom S. Figueiredo; e Quem tem medo de fantasma?, de Sylvio Gonçalves, Cris D’Amato e Bruno Garotti.
MAIS CINEMA
E no cinema "adulto", o tradicional Laboratório SESC Rio de Roteiros para Cinema anuncia os 10 roteiros de longa-metragem de ficção selecionados para participar do Laboratório SESC Rio de Roteiros para Cinema deste ano (a ocorrer também no SESC Nogueira, em Petrópolis, de 25 a 28 de novembro).
Uma comissão formada por profissionais de cinema elegeu 10 roteiros entre os 165 inscritos. Os trabalhos escolhidos serão analisados por um time de 10 consultores brasileiros e internacionais, entre eles o roteirista americano Vondie Curtis-Hall, que veio ao Brasil para o Laboratório de 1998. Vondie roteirizou e dirigiu os filmes Na contra-mão (1997) e O acerto final (2006), além de episódios das séries Plantão Médico (ER) e Boston Legal.

Os roteiros selecionados são: Inferno provisório, de George Moura, roteirista do filme Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas; Cidade tóxica, de Rose Miranda; Cupuaçu, de Iana Cossoy Paro, que se formou em Cinema pela Escola Internacional de Cinema e Televisão, em Cuba; Éden, de Antonia Pellegrino e Bruno Safadi, que é um reconhecido diretor de curtas-metragens e estreou na direção de longas com Meu nome é Dindi; Identidade, de Maurício Arruda e do artista multimídia Tadeu Jungle; Intimidade indecente, de Rogério Gallo, que é diretor de televisão com passagens pela RedeTV, MTV, atualmente no Canal 21; Maresia, de Melanie Dimantas, Marcos Guttmann e Rafael Cardoso; Posto 9, de Bernardo Melo Barreto, ator da Rede Globo; Queda livre, de Ricardo Pinto e Silva, que tem longa carreira no cinema e já dirigiu os longas Sua excelência, o candidato e Querido estranho; e Umbral, de Tiago Teixeira, que é um renomado curta-metragista.

Originalmente realizados no Brasil em parceria com o Sundance Institute, os laboratórios organizados por Carla Esmeralda já promoveram o encontro de mais de 250 roteiristas brasileiros em nove edições, nas quais 88 roteiros receberam mais de mil horas de consultorias de profissionais especializados dos mercados brasileiro e internacional.


10 roteiros! 10 consultores!
>> LABORATÓRIO SESC RIO DE ROTEIROS PARA CINEMA INFANTIL 2008
Realização: SESC Rio de Janeiro, em parceria com o Festival Internacional de Cinema Infantil, com organização de Esmeralda Produções Cinematográficas
>> De 07 a 10 de outubro, no SESC Nogueira (Petrópolis/RJ)


*Imagem do filme Winter in wartime, da holandesa Isabella Films

SAIBA MAIS
www.festivaldecinemainfantil.com.br

08 setembro 2008

MAR QUE NÃO ESTÁ PRA PEIXE

Zeitgeist tropical


Você já ouviu o termo Zeitgeist? É alemão e a pronúncia é “tzaitgaist”. Adotado pelos filósofos românticos alemães do século 18 como uma tradução do latim genius (espírito guardião) e saeculi (do século), o termo foi popularizado pelo professor e filósofo (Georg Wilhelm Friedrich) Hegel (1770-1831, na ilustração ao lado) em seu livro Filosofia da História.

Zeitgeist é traduzido para o Português como “espírito do tempo”, significando –– em outras palavras –– o nível de avanço intelectual e cultural do mundo em uma época específica. De acordo com os sábios, Zeitgeist é a experiência de um clima cultural dominante que define uma era. Tentando simplificar: esse clima cultural é resultante das experiências dos indivíduos que compõem as nações que convivem numa determinada era. É o "espírito" daquela era.

Parece complicado, né? Deixa eu tentar de outra forma: anos atrás estive diante do desafio de criar uma campanha de motivação interna para a Dana, empresa na qual eu trabalhava. Havia um discurso muito bonito, calcado naquela história de visão, missão e valores, que dizia que a empresa era o máximo. Era honesta, consciente de sua importância no meio ambiente, socialmente responsável, focada na fabricação de produtos de qualidade etc etc etc. Igualzinho àquele texto que você lê todo dia em sua empresa.

No fundo, esses textos são apenas promessas que não têm nenhum valor até que alguém as cumpra. E nenhum papel colado na parede garante que qualquer promessa será cumprida. O cenário era aquele que encontramos na grande maioria das empresas: promessas feitas por meia-dúzia de cabecinhas, embaladas em papel de presente pelos caras do marketing e distribuídas ao mercado, enquanto as pessoas responsáveis pela entrega eram superficialmente comunicadas da promessa que havia sido feita.

No meio do processo de criação surgiu a luz, quando discutíamos um bordão batido: nós somos a Dana. Nós fazemos a empresa. O pulo do gato aconteceu quando invertemos a proposta: a Dana somos nós. Melhor ainda: a Dana sou eu. Esse passou a ser o mote da campanha, que trazia em si uma definição fundamental.

Quando dizíamos que “nós somos a Dana”, compartilhávamos a responsabilidade. Quando dizíamos que “a Dana somos nós”, considerávamos que a empresa seria a resultante do comportamento do grupo.

Mas com “a Dana sou eu” conseguíamos o desejado: a Dana só será uma empresa de qualidade se eu for um funcionário com qualidade. Só será responsável com o meio ambiente se eu for responsável com o meio ambiente. A Dana é o que eu decidir que eu sou. Ponto.

O Zeitgeist da Dana àquele ponto –– se fosse possível –– seria a resultante dos valores, convicções, atitudes e esforços de todos os seus 5 mil funcionários naquele momento. Seria o espírito daquela era.

Volto então ao nosso Zeitgeist: se pudéssemos ter a experiência de retornar no tempo, por exemplo, para o começo dos anos 1950, veríamos que o espírito de nossa era seria o de um País esperançoso pelo futuro, cheio de boas notícias, com obras para todo lado, títulos mundiais no futebol, no tênis, no boxe e no basquete e um Presidente que prometia fazer 50 anos em cinco. Havia um entusiasmo evidente, que “podia sentir-se no ar”.

Na segunda metade dos anos 1960 e durante os 1970, sentia-se no ar era um clima de preocupação, da mão pesada dos militares, da censura. Mesmo com o País crescendo, o espírito da época seria o espírito do medo.

Nos anos 1980 e começo dos 1990, o espírito da época era o da abertura. O Brasil descobria a democracia, votávamos para Presidente, acabávamos com a inflação e experimentávamos o começo do jogo da globalização. Eu diria que o Zeitgeist da época era o da perplexidade, como já escrevi em texto anterior.

E hoje? Qual é o Zeitgeist do Brasil? Sinceramente, não sei. Tentei aplicar aquele “o Brasil sou eu”, mas não deu certo. Nunca vi o País tão dividido, tão desigual. Pobres contra ricos, pretos contra brancos, índios contra não-índios, ignorantes contra educados. E piorando.

O espírito de nossa época será esse? O do confronto? Que pena.
Perderemos para nós mesmos.


*Pregando contra a mentalidade "pocotó" de nossa época, o jornalista Luciano Pires vai ainda à TV, ao rádio, ao Himalaia e ao Pólo Norte.


SAIBA MAIS
www.lucianopires.com.br

SUPERAÇÃO DETERMINADA

Triathlon brasileiro


O Campeonato Brasileiro de Triathlon 2008 está sendo disputado em 3 (três) etapas. A primeira foi realizada no dia 6 de abril em Vitória/ES. A segunda será promovida dia 21 de setembro no Rio de Janeiro/RJ, e a derradeira no dia 14 de dezembro em Salvador/BA.

Pelo sistema de pontuação da prova, todos os atletas pontuam em cada etapa, de acordo com a seguinte seqüência: 100, 85, 75, 70, 65, 60, 55, 50, 45, 40, 35, 30, 25, 20, 15, 14, 13, 12, 11 e 10 pontos, da primeira à vigésima colocação. Ao final das três etapas, cada atleta deverá descartar o seu pior resultado.

Como o descarte é feito sobre uma das provas de que o atleta participou, uma eventual ausência a uma das três etapas não permitirá o seu descarte. Portanto, caso o atleta tenha participado apenas de uma única etapa, ficará sem resultado pois exatamente este será descartado. A prova de Salvador servirá como critério de desempate.

A etapa do Rio de Janeiro será disputada no Parque do Flamengo e Av. Perimetral. A natação terá duas voltas, em percurso triangular. O ciclismo também terá duas voltas, utilizando-se o trecho que vai da área de transição montada na pista Sul-Centro (nas proximidades da Marina da Glória até as imediações da Rodoviária Novo Rio), na Av. Perimetral, com uma leve subida no início do elevado da Av. Perimetral.

A corrida, também em duas voltas, utilizará o trecho compreendido entre o Viaduto dos Estudantes (próximo ao Aeroporto Santos Dumont) e as proximidades do Morro da Viúva (à altura da Rua Dois de Dezembro) em percurso totalmente plano.

PROGRAMAÇÃO
No sábado dia 20 de setembro, um simpósio técnico será realizado às 18h00 no auditório do Hotel Golden Park, situado à Rua do Russel, 374. A entrega dos kits acontecerá antes do simpósio, no período de 15h00 às 17h30.

No domingo, o check-in acontece das 07h30 às 08h45 e exatamente às 09h00 será dada a largada para as categorias Elite, Sub-23 e Militares. Às 09h45 acontece a largada dos grupos de idade (Age Group). A cerimônia de premiação está prevista para ocorrer às 11h45.

PARTICIPANTES / INSCRIÇÕES
A prova é limitada a 350 atletas. As inscrições custam R$ 150 (Elite e Sub-23) e R$ 110 (Faixas de Idade e Militares). Todas as inscrições devem ser feitas através das federações de origem, e todos os atletas precisam ser federados e estar em dia com a anuidade de 2008.

PREMIAÇÃO
A premiação, em dinheiro, soma o total de R$ 8 mil a serem divididos entre os atletas das categorias Elite e Sub-23, de acordo com a seqüência de chegada como categoria única, sendo: 1.º) R$ 1.280,00; 2.º) 1.040,00; 3.º) 760,00; 4.º) 520,00 e 5.º) 400,00 (tanto no masculino quanto no feminino). Os cinco primeiros da Elite e da Sub-23 recebem troféus (total de 10 troféus), assim como os primeiros colocados em cada faixa de idade.

Os três primeiros da categoria Militar também recebem troféus. Da segunda à quinta colocação nas faixas de idade, serão oferecidas medalhas, e quem completar o percurso recebe medalha de participação. Boa prova a todo(a)s.

CLASSIFICAÇÃO APÓS A PRIMEIRA ETAPA (Vitória/ES)
Elite/Masc: 1.º) Diogo Sclebin/RJ (100 pontos); 2.º) Antonio Marcos da Silva/CE (85 pontos); 3.º) Guilherme Manocchio/SC (75 pontos); 4.º) Mauro Cavanha Conceição/PR (70 pontos); 5.º) Henrique Siqueira de Oliveira/DF (65 pontos).

Elite/Fem:
1.ª) Vanessa Gianinni/SP (100 pontos); 2.ª) Fernanda Garcia/SP (85 pontos); 3.ª) Suely Baronto Lima/RJ (75 pontos); 4.ª) Aglaé Menezes/DF (70 pontos); 5.ª) Julia Campos/RJ (65 pontos).

Sub-23/Masc:
1.º) Bruno Matheus/SP (100 pontos); 2.º) Marcus Vinicius Fernandes/SP (85 pontos); 3.º) Wesley Mattos/CE (75 pontos); 4.º) Adriano Sacchetto/MG (70 pontos); 5.º) João Alfredo Soares/SC (65 pontos).

Sub-23/Fem:
1.ª) Carolina Furriela/SP (100 pontos); 2.ª) Tatiane Pereira de Souza/BA (85 pontos); 3.ª) Thyciane Viegas de Oliveira/SP (75 pontos); 4.ª) Pamela Oliveira/ES (70 pontos); 5.ª) Carolina Mattos/RJ (65 pontos).

SAIBA MAIS
Federação de Triathlon do Estado do Rio de Janeiro
E-mail: RJ@triathlon.com.br
Tel: (21) 2554-9340 / (21) 7833-4475
www.triathlon.com.br

05 setembro 2008

CÂMERA & AÇÃO

Lugar de criança é no cinema



O 6.° FICI-Festival Internacional de Cinema Infantil apresenta uma seleção de 28 filmes nas salas dos complexos da Rede Cinemark em sete cidades brasileiras. A estréia acontece no Rio de Janeiro e Niterói, de 29 de agosto a 7 de setembro.

O Festival reúne títulos inéditos e clássicos, curtas-metragens nacionais e internacionais e animações feitas para a internet, além de oficina e debate. Realizado com exclusividade na Cinemark desde sua criação, o FICI estará também em Brasília/DF (de 5 a 14 de setembro), São Paulo e Campinas/SP (de 12 a 21 de setembro), Belo Horizonte/MG (de 19 a 28 de setembro), Salvador/BA e Aracaju/SE (de 26 de setembro a 5 de outubro).

Uma das novidades do FICI 2008 é a realização do Prêmio Brasil de Cinema Infantil. Sete curtas-metragens nacionais concorrem a R$ 5.000,00 em serviços de laboratório, oferecidos pela Labocine Grupo de Cinema. Além desta novidade, seis filmes internacionais têm dublagem ao vivo, para que o público mirim contate dois idiomas diferentes ao mesmo tempo, descobrindo assim semelhanças e diferenças.

No todo, os destaques são o filme sueco Píppi Meialonga nos Mares do Sul, inspirado no livro homônimo de Astrid Lindgren, sucesso da época em que os pais que hoje levam seus filhos ao cinema, eram crianças, e também a pré-estréia especial de Os mosconautas no mundo da Lua, animação em 3-D sobre três mosquinhas que viajam rumo à Lua.

A dramaturga Maria Clara Machado é homenageada nesta edição, por sua carreira dedicada ao teatro infantil. A adaptação cinematográfica de uma de suas obras mais conhecidas, Pluft, o Fantasminha (Romain Lesage, 1962) foi incluída na sessão Clássico Brasil, que exibe também o filme Roberto Carlos em ritmo de aventura, de Roberto Farias.

O FICI traz ao Brasil títulos inéditos e dublados de diversos países, na sessão Pré-estréias Internacionais. Aqui chama a atenção o filme holandês African Bambi, de Alan Miller, que mostra como vivem os antílopes — ou seja, mostra a história real dos animais que inspiraram Bambi, o clássico de Walt Disney.

Após a exibição deste filme, dentro do projeto O Pequeno Jornalista, um jornalista convidado promoverá um debate com o público infantil sobre os processos de criação de uma crítica, entrevista ou reportagem. No Rio de Janeiro, além do bate-papo com o jornalista, as crianças poderão entrevistar também o diretor Alan Miller. Outra atividade que propõe a participação das crianças é a Oficina de Cinema de Animação, que mostra algumas técnicas utilizadas na criação de filmes de animação.

O FICI exibe também sucessos da Disney-Pixar como Monstros S/A, Toy Story e Vida de inseto oferecendo uma nova chance ao público de assistir ao filme A família do futuro em 3-D, em salas adaptadas a esse tipo de tecnologia. Além deles está programada, em salas digitais, a animação As aventuras de Gui e Estopa, produzida pelo portal infantil Iguinho. Confira a seguir os filmes do FICI, com sinopses e outras informações.

PRÉ-ESTRÉIAS INTERNACIONAIS
>> African Bambi (Holanda, 2007, 77 min)
Direção: Alan Miller
Recomendação etária: A partir de 7 anos
Sinopse: African Bambi conta a vida de três jovens antílopes crescendo e se adaptando a um mundo selvagem. Esta é a verdadeira história de Bambi, com cenas de coragem, aventura, drama e amor, vividas por personagens reais, filmados no leste da África.

>> Um reizinho chamado Macius (Alemanha, Polônia e França, 2007, 87 min)
Direção: Sandor Jesse & Lutz Stützner
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: Antes de fazer nove anos, o rei, pai de Macius, morre e o menino deve assumir o trono. O general descobre que esta é sua grande chance de tentar virar rei. Macius percebe isto e resolve criar o reino das crianças.

>> Dois Mosquitos dançando no formigueiro (Dinamarca, 2007, 77 min)
Direção: Jannik Hastrup e Flemming Quist Møller
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Dagmar, a mosquito bailarina, é louca por Egon, o mosquito ciclista, mas ele quer conhecer o mundo antes de pensar em amor. Os dois se envolvem num drama quando Dominela, rainha das formigas vermelhas, toma o formigueiro onde vivem.

>> Hugo, o tesouro da Amazônia (Dinamarca, 2007, 75 min)
Direção: Flemming Quist Møller e Jorgen Lerdam
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Sinopse: Hugo é a mais rara e encantadora criatura do mundo. Por isso, o Prof. Strix quer cloná-lo e vender suas cópias. Hugo é esperto e tem bons amigos, como Rita, a raposinha, mas será que consegue escapar dos caçadores e encontrar um lugar para viver?

>> Max & Companhia (Suíça, França, Reino Unido e Bélgica, 2007, 77)
Direção: Sam & Fred Guillaumemin
Recomendação estária : A partir de 10 anos
Sinopse: Max não conhece seu pai e vai para uma pequena aldeia procurá-lo. Quando um executivo e um cientista chegam à aldeia, a vida lá se modifica e corre perigo. Max encontra seu pai, mas agora precisa decidir se vai acompanhá-lo ou ajudar a salvar a cidade.

>> Os mosconautas no mundo da Lua (Bélgica, 2008, 85 min)
Pré-estréia especial: sessão com dublagem ao vivo
Direção: Ben Stassen
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: Em 1969, Nat, I.Q. e Scooter, três jovens e curiosas mosquinhas, estão em busca de novas aventuras e acabam entrando para a história quando embarcam na lendária viagem da nave Apollo 11 para a Lua. Uma animação em 3-D que promete conectar uma nova geração de crianças e seus pais por meio da exploração espacial e de um dos momentos mais importantes da História da Humanidade, experimentado em sua grandiosidade através de efeitos especiais de última geração.

O CINEMA FALA VÁRIAS LÍNGUAS – SESSÕES COM DUBLAGEM AO VIVO
>> Leo, o imperador da selva (Japão, 1997, 99 min)
Direção: Yoshio Takeuchi
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Rune, filhote do rei da floresta, fascina do com uma caixa de música, quer conhecer os humanos que a fizeram. Mal sabe ele que os homens chegarão à procura da Pedra da Lua, trazendo devastação. O rei Leo vai ter que lutar para proteger a vida na selva.

>> Píppi Meialonga nos Mares do Sul (Suécia, 1970, 92 min)
Direção: Olle Hellbom
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: Com seus cabelos ruivos, rosto sardento e uma força descomunal, Píppi Meialonga é uma menina "impossível". Na terceira aventura da série de filmes, ela vai visitar seu pai, o ex-pirata Efraim Meialonga, para tentar libertá-lo das mãos dos piratas.

>> Knetter (Holanda, 2005, 83 min)
Direção: Martin Koolhoven
Recomendação etária: a partir de 8 anos
Sinopse: Bonnie tem 9 anos, vive com a mãe e a avó. Lis é uma mãe diferente, às vezes muito alegre, mas a maior parte do tempo triste. A avó resolve os problemas, mas um acidente a tira da família. Lis acha que um bicho de estimação resolverá tudo e traz para casa um animal especial.

>> Olsen Gang e o submarino (Noruega, 2003, 95 min)
Direção: Arne Lindtner Næss
Recomendação etária: a partir de 8 anos
Sinopse: Um dia, Egon está num orfanato, no outro é adotado por um ricaço. Tudo estava ótimo até ele descobrir que faz parte de um plano para conseguir diamantes do cofre de um submarino naufragado na 2.ª Guerra. A Olsen Gang tentará vencer os golpistas.

>> Eu e Max Minsky (Alemanha, 2006, 99 min)
Direção: Anna JusticeRecomendação: a partir de 12 anos
Sinopse: Nelly tem 13 anos e sonha com o príncipe de Luxemburgo. Quando o time da escola vai participar de um campeonato de basquete neste país, a menina, para aprender o esporte, faz um trato com Max Minsky, bom de bola e ruim de escola.

SESSÃO CLÁSSICO BRASIL
>> Pluft, o Fantasminha (Brasil, 1962, 95 min)
Direção: Romain Lesage
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: O fantasminha Pluft precisa da ajuda da menina Maribel para enfrentar o pirata Perna-de-Pau, que quer ficar com o tesouro da ilha Deserta. Mas para vencer o pirata, primeiro os dois terão que vencer o medo que sentem um do outro.

>> Roberto Carlos em ritmo de aventura (Brasil, 1968, 99 min)
Direção: Roberto Fariasutos
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Roberto Carlos, o Rei da Jovem Guarda, é perseguido por bandidos internacionais, dá um passeio por Nova York, volta de foguete e cai de pára-quedas num campo militar onde tem uma batalha sensacional, entre outras superaventuras.

MOSTRA DISNEY-PIXAR
>> Vida de Inseto (EUA, 1998, 95 min)
Direção: John Lasseter e Andrew Stanton
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Sinopse: Flik é uma formiga cheia de idéias para defender sua colônia de um faminto bando de gafanhotos. Quando descobrem que o exército é, na verdade, um fracassado grupo de atores de um circo de pulgas, o cenário está armado para divertidas confusões.

>> Monstros S/A (EUA, 2001, 92 min)
Direção: Peter Docter, David Silverman e Lee Unkrich
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Sinopse: A Monstros S/A é a maior fábrica de processamento de gritos de Monstrópolis. É que a principal fonte de energia do mundo dos monstros provém da coleta dos gritos das crianças humanas. Mas os monstros acreditam que ela são tóxicas e, quando uma menininha invade o mundo deles, começa a maior confusão.

>> Toy story (EUA, 1995, 81 min)
Direção: John Lasseter
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Sinopse: Buzz Lightyear, o novo e sofisticado astronauta de brinquedo do garoto Andy (foto acima), encontra um rival, Woody — o "brinquedo número 1" do menino até então. Porém, quando caem nas garras de um vizinho destruidor de brinquedos, precisam se unir para escapar do perigo.

...E SE VOCÊ AINDA NÃO VIU...
>
> A família do futuro (em 3-D) (EUA, 2007, 102 min)
Direção: Steve Anderson
Recomendação etária: a partir de 8 anos
Sinopse: Lewis é um menino brilhante, que inventa o Memory Scanner, uma máquina que o ajudará a encontrar sua mãe biológica. Porém a máquina é roubada e ele contará com a ajuda do jovem Wilbur Robinson, que o transporta em uma máquina do tempo.

CURTAS BRASILEIROS - Prêmio Brasil de Cinema Infantil
>> Ícarus (Brasil, 2007, 11 min)
Direção: Victor Hugo Borges
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Este curta-metragem de animação em 3-D, tem visual baseado em contos infantis. Mostra Ícarus, um garoto de 4 anos que vive numa grande cidade e se sente só, pois seus pais trabalham muito.

>> Jardim das Cores (Brasil, 2008, 8 min)
Direção: Guilherme Reis
Recomendação etária: a partir de 5 anos
Sinopse: Uma brincadeira de lápis e papel.

>> Mãos de vento e olhos de dentro (Brasil, 2008, 13 min)
Direção: Susanna Lira
Recomendação etária: a partir de 4 anos
O filme é um ensaio sensível sobre crianças com deficiência visual e narra com muita poesia e lirismo a história da amizade entre Lia (Júlia Matos), uma menina cega, e Tico (Pablo Rocha), um menino solitário e cheio de imaginação.

>> O jumento do Lua-Estrela (Brasil, 2007, 16 min)
Direção: Wildes Sampaio
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: Lua-Estrela é fã de Luí­s Gonzaga. No seu aniversário, decepciona-se com os pais quando ganha um jumento de presente, ao invés da sonhada sanfona. Ele resolve sair mundo afora com o animal, mas descobre que este fala com a voz inconfundível de seu ídolo.

>> Pajerama (Brasil, 2008, 9min)
Direção: Leonardo Cadaval
Recomendação etária: a partir de 5 anos
Sinopse: Um pequeno í­ndio começa a ter experiências estranhas em seu habitat, que vão acabar lhe revelando mistérios do tempo e do espaço.

>> Pipo Pipa (Brasil, 2007, 5 min)
Direção: Sheila Neumayr e Marconi Loures
Recomendação etária: a partir de 2 anos
Sinopse: Em um dia de pouco vento Pipo, um simpático filhote de lagartixa, percebe que não será exatamente fácil empinar uma pipa. Uma animação singela, que mostra que um problema é, às vezes, apenas uma questão de perspectiva.

>> Rua das Tulipas (Brasil, 2007, 10 min)
Direção: Alê Camargo
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Um grande inventor, acostumado a criar soluções para todo os moradores de sua rua, a Rua das Tulipas, após ver a felicidade de todos seus vizinhos descobre que ainda faltava a felicidade de uma pessoa...

SESSÃO IGUINHO
>
> As aventuras de Gui e Estopa (Brasil, 2008, 72 min)
Direção: Mariana Caltabiano
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Dois cães decidem fazer uma série de animação. Estes dois personagens mostram como é feito um desenho animado, desde o roteiro até o lançamento nas salas de cinema. O público poderá ainda conferir os curtas “criados” por essa atrapalhada dupla.

ATIVIDADES PARALELAS
>> Oficina de cinema de animação
Com muita diversão, as crianças juntam conhecimentos artísticos e técnicas de animação. Dois núcleos funcionam simultaneamente: o núcleo de Sensibilização com equipamentos ópticos coloca o público infantil em contato com os primórdios do cinema e o núcleo de Videografismo possibilita a participação no processo de animação no computador.

>> O pequeno jornalista
Nestas sessões inclui-se a presença de jornalistas que, depois do filme, conversam com as crianças sobre como é fazer uma entrevista, uma matéria ou uma crítica de cinema revelando os bastidores da profissão em uma divertida palestra e a partir daí as crianças escrevem sua própria crítica do filme.

>> Sessões com dublagem ao vivo
Na sexta edição do Festival Internacional de Cinema Infantil o cinema fala várias línguas, com uma seleção de filmes de diversas nacionalidades, apresentados em sessões com dublagem ao vivo, onde dois dubladores fazem as vozes dos personagens enquanto o filme é exibido. Nestas exibições, as crianças terão a oportunidade de ouvir tanto a língua original na qual o filme foi realizado como a língua portuguesa.

>> Prêmio Brasil de Cinema Infantil
A partir desta edição fica instituído o Prêmio Brasil de Cinema Infantil, iniciativa que pretende destacar e difundir produções cinematográficas nacionais voltadas ao público infantil. Os curtas selecionados por Cacá Mourthé, Karen Acioly e Andrés Lieban serão exibidos no 6.º FICI, na sala digital. O curta-metragem premiado receberá prêmio no valor de R$ 5.000 em serviços da Labocine Grupo de Cinema.

ASSISTA NOS CINEMAS: Rio de Janeiro
>> Cinemark Downtown
Av. das Américas, 500 - Bloco 17 - 2.º piso - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro/RJ
Sessões às 10h30, 11h, 11h30, 12h30, 13h, 13h30, 14h30, 15h, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30

>> Cinemark Botafogo
Praia de Botafogo, 400 - Arco 800 - Botafogo - Rio de Janeiro/RJ
)Sessões às 11h30, 12h30, 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 18h30

>> Cinemark Carioca Shopping
Estrada Vicente de Carvalho, 909 - 2.o Pavimento - Vila Kosmos - Rio de Janeiro/RJ
Sessões às 11h, 11h30, 12h30, 13h, 13h30, 14h30, 15h, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30

ASSISTA NOS CINEMAS - Niterói
>> Cinemark Plaza
Shopping Niterói - R. XV de Novembro, 8 - Loja 333 - Centro - Niterói/RJ
Sessões às 11h30, 12h30, 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 18h30


PERFIL DO EVENTO
O 6.º Festival Internacional de Cinema Infantil é dirigido por Carla Camurati e Carla Esmeralda e realizado pela Copacabana Filmes e Produções, pela Esmeralda Produções Artísticas e pela Espaço Z Marketing de Entretenimento, com o patrocínio das empresas Oi, Light, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Terna e Rede Cinemark. O FICI tem apoio institucional do Governo Federal, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura n.° 1.954, da Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura n.° 1940/92 e da Prefeitura da Cidade de São Paulo, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura n.° 10.923/90, com o apoio da Oi Futuro, Editora Gráficos Burti, a parceria do Espaço Z Marketing de entretenimento, e a promoção da Globo Filmes. O FICI tece agradecimentos especiais à Quip, Embaixada da Suécia, Consulado Geral da Suécia no Rio de Janeiro, Consulado Geral da Noruega no Rio de Janeiro, Consulado Geral dos Países Baixos no Rio de Janeiro e Instituto Goethe Rio de Janeiro.


A Rede Cinemark no Brasil
Precursora e especializada no conceito multiplex no País, a Rede Cinemark chegou ao Brasil em 1997 e está presente hoje no Distrito Federal e em 13 estados: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe, Goiás, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia e Amazonas. Atualmente, conta com 377 salas divididas em 46 complexos. Em junho de 2008, um novo complexo foi inaugurado em São Paulo, no Shopping Cidade Jardim. Até o final do ano, mais dois serão abertos: um em São Paulo (Pátio Paulista) e um em Porto Alegre (Barra Shopping Sul). É da Rede Cinemark a primeira sala de cinema em 3-D da América do Sul, no Shopping Eldorado, em São Paulo, que segue o padrão exigido pelos grandes estúdios americanos. Atualmente, a Rede conta com mais três salas 3-D: no complexo do Shopping Downtown, no Rio de Janeiro, no Floripa Shopping, em Florianópolis e no Market Place , em São Paulo.


16 agosto 2008

HORA H 2008

A hora é agora


Com muita seriedade e propriedade já se dizia, por volta de 1972-1976, no âmbito da "Santíssima Trindade" -- agremiação informal surgida no Colégio Objetivo que abrigou poetas como Claude Sachs e Juvenal de Sousa Neto -- que "Está na hora/ De devorar a demora/ Que no esperar/ Devora o agora", uma pérola juvenalesca a justificar as (bem-intencionadas) ursadas do Claude.

Exatamente: a "Hora H" de Haroldo, Haroldo de Campos, poeta, advogado, procurador e professor, tradutor e ensaísta, o homem que percorreu fantásticos campos entre os sons, imagens e símbolos das línguas e das linguagens, "o mais barroco dos concretistas", emerge e vem à tona.

Enquanto o relembramos, está a ocorrer um fantástico momento paulistano de celebração à poesia, à música e ao desfrute social das artes urbanas: trata-se do evento Homenagem a Haroldo de Campos, que ofereceu gratuitamente a seguinte programação de fim-de-semana em São Paulo:

Sábado, 16/08
16h: Palestra O leitor Haroldo de Campos, com Gênese Andrade
17h: Mesa-redonda: A obra poética de Haroldo de Campos, com Lucia Santaella, Leda Tenório da Motta e Antonio Vicente Pietroforte (mediação de Claudio Daniel)
19h: Coffee-break e exibição dos filmes de Júlio Bressane Galáxia Albina e Infernalário: logodédalo, Galáxia Dark
20h: Música e poesia grega, com Marcelo Tápia (voz), Daniel Tápia (violino) e Diego Lisboa (flauta)
20h40: Poemas de Haroldo de Campos (recital)
>> Abertura: Ivan de Campos, acompanhado por Alberto Marsicano (cítara) e Olavo Ito (okotô)
>> Leituras: Lenora de Barros, Horácio Costa, Frederico Barbosa, João Bandeira, Yun Jung Im e Arrigo Barnabé. Live performance com VJ Fábio Vietnica

Domingo, 17/08
15h: Depoimento de colaboradores de Haroldo de Campos: Boris Schnaiderman e Jacó Guinsburg (mediação de Frederico Barbosa)
16h: Mesa-redonda: Transcriação: a teoria e a obra tradutória de Haroldo de Campos, com Aurora Bernardini, Marcelo Tápia e Trajano Vieira (mediação de Claudio Daniel)
18h: Coffee-break
18h30: Apresentações musicais: Cid Campos, Péricles Cavalcanti, Edvaldo Santana e a Marsicano Sitar Experience. Live performance com VJ Fábio Vietnica

LOCAL: Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37 - Bela Vista (próx. Estação Brigadeiro do Metro)
Tels.: (11) 3285-6986 / 3288-9447

Imagem: Sereia e sátiro, do alemão Ferdinand Leeke (1859-1923)


Sobre a Marsicano Sitar Experience
Discípulo do sitarist Ravi Shankar, o músico paulistano Alberto Marsicano, que se destacou pela execução de temas clássicos da Índia no Brasil, lançou o livro-CD A música clássica da Índia (Ed. Perspectiva, Col. Signos). Mais além, atenção: o sétimo CD de Marsicano é Sitar Hendrix, pela gravadora americana Sonic Wave, indicado ao 49th Grammy USA.

Ele toma como guião o fraseado original de Hendrix, que praticamente reinventou sozinho o som da guitarra elétrica, e se arrisca em território pantanoso com o álbum Sitar Hendrix. Conhecido mais em São Paulo, do círculo dos que cultivam a música indiana e a poesia (Marsicano é tradutor) às raves desde o fim dos anos 90, depois de experimentar projetos eletrônicos o citarista propõe este trio reunindo sitar, baixo e bateria para retranscriar Jimi Hendrix.

Eles perpetram tanto músicas que ficaram famosas com o grupo Experience, tipo as da fase exploratória de Band of gypsys, como versões de clássicos tipo Purple haze, Fire, Spanish castle magic e Little wing, e ainda flertam com canções de alta octanagem psicodélica como Voodoo child, Machine gun e Third stone from the Sun.

VEJA E OUÇA MAIS
http://br.youtube.com/results?search_query=marsicano+sitar


Fantástica homenagem
Na esfera dramático-experimental, o evento na Casa das Rosas traz ainda Julio Bressane e Haroldo de Campos (foto) como videomakers, produzindo juntos Galáxia Albina (1990) e Infernalário: logodédalo, Galáxia Dark (1992). A chance de apreciar estes vídeos está nesta homenagem. Galáxia Albina, com Bete Coelho, Giulia Gam e Tânia Nomura inicia uma trilogia que transpõe uma solitária viagem de palavras e de papel para imagens sonorizadas em VHS.

A segunda parte desta trilogia galáctica, Infernalário: Logodédalo, Galáxia Dark, com Bete Coelho e Mariana de Moraes, apoia-se numa estética dark que retira da obra de Campos sua “matéria-escura” para combiná-la às imagens rarefeitas do cineasta e às marcações marionetizadas das atrizes: lusco-fusco mítico, cênico e interpretativo. Nessa galáxia negra, é perceptível o mundo lido pelo taoísmo chinês: a multiplicidade é concebida como manifestação da Unidade, que, por sua vez, é gerada pelo Vazio -- um vazio impenetrável ao raciocínio, mas paradoxalmente pleno de virtualidades.

O universo primordial era pura energia. A partir daí, desenharam-se cenários mais e mais complexos das dramáticas transformações do cosmos em sua estruturação material. A criação das "Galáxias" segue, por analogia, o "modelo inflacionário" do "Big Bang" e a "estética do excesso" que representa a arte finissecular do final do século XX e do início deste. Da palavra primordial a gerar escritura, aos cantos/galáxias que se expandem e proliferam, esta obra de Haroldo não reluta em transpassar linguagens, mídias, fronteiras: um Universo em expansão.

(por Antonio-Manoel Nunes, doutor em Literatura Comparada/UFRJ)

Horários de Funcionamento da Casa das Rosas
Terça a sexta, das 10h às 22h e sábados e domingos, das 10h às 18h


DELEITE ÚTIL
www.casadasrosas.sp.gov.br

www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp125.asp

05 agosto 2008

FRANCINE EM PESSOA

Ponto de Encontro


Nesta sexta-feira, às 20 horas, a cantora e atriz Francine Lobo interpreta canções compostas a partir de poemas de Fernando Pessoa e musicadas por figuras da MPB como Dori Caymmi, Sueli Costa, Renato Motha e Patrícia Lobato, entre outros.

O show conta também com a participação de Jardel Caetano (violão), Webster Santos (cordas) e Roberto Otsu (comentários sobre o poeta).

Os apreciadores da boa música e da obra literária de Fernando Pessoa certamente irão deliciar-se com o espetáculo, conferindo o carisma da emergente cantora e a evolução de seu trabalho.

Francine -- que às vezes também se apresenta com sua filha, a pequena Laura Lobo, que participou da microssérie global Hoje é dia de Maria --, é cantora, violonista e atriz desde os 15 anos.

Ela integrou o Corpo Estável do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo e apresentou-se com orquestras de peso como integrante do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo (Prêmio Carlos Gomes de Melhor Coral de 1999), a exemplo da OSESP, Jazz Sinfônica, Banda Sinfônica e Orquestra Experimental de Repertório.

Em algumas ocasiões, Francine Lobo cantou em conjunto com outros corais -- como o Men's Gle Club-Coral Masculino da Universidade de Michigan. Também atuou no teatro com O Fantasma da Ópera, (Teatro Abril), A Lenda do Quebra-Nozes (dirigida por Telma Dias e Robson Vellado), A Bela e a Fera (Teatro Abril), Brasil 500 Anos, E o mundo não se acabou! (sob a direção de Kleber Montanheiro), além de haver participado de diversos shows e CDs.

A cantora faz ainda gravações de jingles e locuções e ministra aulas de Canto e Técnica Vocal para cantores e outros profissionais da voz, bem como promove a sensibilização musical para crianças.


VÁ CONFERIR
O Ponto de Encontro com Francine Lobo,
no espetáculo musical “Que PESSOA esse FERNANDO!”
Data e hora: 08 de agosto às 20 horas
Convite: R$ 15 (antecipe sua reserva)
Local: Arjuna Livraria e Espaço
Rua Simão Álvares, 923 - Vila Madalena
Tel.: (11) 3815-8026
www.livrariaarjuna.com.br

SAIBA & OUÇA MAIS
www.samba-choro.com.br/artistas/francinelobo

24 julho 2008

ÉS O QUE COMES, ZÉ!

Propaganda sugere má alimentação



Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB) constatou que 72% das propagandas de alimentos veiculam mensagens para o consumo de produtos que fazem mal à saúde. A maioria desses produtos contém altos teores de gordura, açúcar e sal.

As cinco categorias mais veiculadas de produtos que afetam a saúde são 1) os fast-food; 2) guloseimas e sorvetes; 3) refrigerantes e sucos artificiais; 4) salgadinhos de pacote; 5) biscoitos e bolos. Estes alimentos contribuem para o aumento de doenças crônicas — como obesidade, hipertensão e diabetes.

A pesquisa revelou ainda que, entre canais de televisão abertos e fechados, 44% do total das propagandas de alimentos são direcionados para a persuasão das crianças. Abaixo, em entrevista concedida à Radioagência Notícias do Planalto, o presidente da ABJC-Associação Brasileira de Jornalismo Científico, Wilson Bueno, afirma que seria necessário haver uma restrição a essas propagandas, já que as publicidades que utilizam o depoimento (testemunho) de artistas induzem as crianças a um consumo não saudável.

Radioagência NP: Como você avalia as propagandas sobre alimentos no Brasil?
Wilson Bueno: Temos um problema sério. A propaganda de alimentos, sobretudo aquela voltada para o público infantil, tem realmente um efeito danoso. Não adianta as indústrias e muitas vezes as agências negarem. Falar que as crianças e as pessoas têm condições, elas próprias, de decidir o que é bom ou é ruim. Ou que não há esse tipo de influência, no sentido de conduzir a uma má nutrição, obesidade, aumento de colesterol, porque a propaganda é feita e é paga para funcionar. E se ela funciona, o efeito que causa é o de conduzir as pessoas, em particular as crianças, para a péssima alimentação.

RNP: As propagandas devem sofrer restrições?
WB: Sim. Deve haver restrições, como no caso do tabaco. Devem existir restrições às bebidas e às propagandas de medicamentos em geral. Não dá para acreditar na auto-regulação. Não devemos deixar esse tipo de coisa nas mãos das entidades que representam as empresas — as agências e os anunciantes — porque certamente eles trabalharão em causa própria.

RNP: Existem políticas públicas voltadas para uma boa alimentação? O que pode ser feito?
WB: Não, mas existem as pesquisas e um trabalho que está sendo muito condenado, mas na maior parte das vezes é bem feito é o da ANVISA-Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no sentido de indicar, sobretudo, para a propaganda de alimentos, de bebidas e de medicamentos, abusos inaceitáveis que influenciam a postura e comportamentos dos cidadãos. Institutos como o IDEC-Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e o Instituto Ethos poderiam trabalhar, de maneira que não seja truculenta, formas de discutir e restringir tais práticas. Não é possível deixar celebridades e artistas de televisão, em programas de horário infantil, induzirem as crianças ao consumo não saudável.

RNP: Como você avalia os hábitos alimentares do brasileiro?
WB: Muito ruins. Certamente não só influenciados pela propaganda, mas por uma educação que não contempla esse tipo de informação nas escolas. Há o problema da falta de vigilância nas escolas em relação ao uso de produtos não saudáveis, como por exemplo nas cantinas. E há um papel não-assumido de maneira adequada pela escola, pela família e pela sociedade como um todo.

RNP: É saudável o consumo de alimentos transgênicos?
WB: Devemos ter precaução. Devemos exigir rotulagem dos transgênicos. Tenho o direito de escolha de consumir ou não o transgênico. Esse direito não pode ser negado. Há esforço e um lobby poderoso de empresas de biotecnologia, no sentido de fazer com que a gente substitua culturas tradicionais que são importantes, sobretudo no caso do Brasil. Essa mudança para os transgênicos nos leva a uma perigosa dependência tecnológica, no caso específico das sementes de soja ou de algodão. Acho que falta discussão e observação de pesquisas que mostram os impactos ambientais e os problemas que esses produtos trazem para a saúde humana. Devemos ficar atentos, porque há interesses econômicos.

*por Desirèe Luíse, da Radioagência NP em São Paulo/SP


AGROECOLOGIA VERSUS ALTA DE PREÇOS DOS ALIMENTOS
Paralelamente a estas preocupações, integrantes de movimentos sociais brasileiros e representantes de países latinos estão reunidos desde quarta-feira (23 de julho), para debater formas alternativas para a produção de alimentos.

A VII Jornada de Agroecologia acontece em Cascavel, interior do Paraná, discutindo a reforma agrária, a alta do preço dos alimentos e a viabilidade de outros modelos de agricultura para produção de alimentos sem agrotóxicos e sem uso de sementes transgênicas — geneticamente modificadas. Durante o encontro, os camponeses irão trocar experiências bem-sucedidas de produção agroecológica.

Segundo o coordenador da Via Campesina — entidade que reúne movimentos do campo sediados nos quatro continentes — José Maria Tardin, as discussões ao redor da Agroecologia são importantes não só pela questão essencial da produção de alimentos saudáveis, mas também pela autonomia tecnológica que estas práticas podem gerar. “Essa autonomia tecnológica significa uma ruptura total da relação do camponês com a indústria da agricultura, porque sua base é organizar na produção os processos ecológicos da vida, o que se dá de forma totalmente desvinculada dos atuais processos industriais.”

Tardin afirma ainda que esta ruptura é um fator essencial atualmente, diante da crise gerada pela alta no preço dos alimentos. Na verdade, a crise está relacionada com a produção e distribuição de alimentos que são controladas por empresas transnacionais. Nesse contexto, a agricultura camponesa ainda é responsável por 70% dos alimentos que são consumidos pela população brasileira.

O coordenador da Via Campesina avalia que, como resultado desejável, a VII Jornada deverá pautar a reivindicação de políticas governamentais visando desvincular a distribuição destes alimentos do domínio das grandes empresas.

*por Juliano Domingues, da Radioagência NP em São Paulo/SP


SAIBA MAIS
www.radioagencianp.com.br

www.coopenbh.com.br/projetos%20pedagogicos%20-%202007/alimentacao_saudavel.htm

www.viacampesina.org

http://pt.wikipedia.org/wiki/Via_Campesina

23 julho 2008

ENTRONCAMENTO DE MÍDIAS

Cartografia Web Literária



O SESC-Serviço Social do Comércio e o Portal de Literatura e Arte Cronópios põem em discussão as revistas eletrônicas e os rumos da Literatura face ao advento da Web.

O evento contará com debates e performances multimídia e será transmitido em tempo real pela Internet. O Portal Cronópios disponibilizará também um chat para que os interessados enviem suas perguntas ao mediador de cada mesa-redonda, também em tempo real.

Na programação, constam:

12/agosto (terça-feira), 19h
As zonas de exclusão do mercado literário e o papel da Internet
com Heloísa Buarque de Holanda * Fabrício Carpinejar * Carlos Emílio Corrêa Lima * Vicente Franz Cecim * Raimundo Carrero
Moderador: Edson Cruz (Portal Cronópios)
(leitura de textos inéditos com os escritores)

13/agosto (quarta-feira), 19h
Publicação e distribuição da literatura em tempos digitais
com Clara Averbuck * Ana Paula Maia * Cardoso (André Czarnobai) * Artur Rogério * Lima Trindade Moderador: Fabrício Carpinejar
(Leitura de textos e discotecagem com DJ Malásia)

14/agosto (quinta-feira), 19h
Interfaces da literatura na Web
com André Vallias * Pipol * Mardônio França * Fábio Oliveira Nunes
Moderador: Lúcio Agra
(Apresentação de André Vallias com vídeo-poema intermeado por traduções de obras de Hölderlin, Khlèbnikov, Gottfried Benn, Mandelstam e Trakl, entre outros)

15/agosto (sexta-feira), 19h
Apreciação/crítica dos conteúdos de literatura veiculados na Internet
com Ivan Marques * Paulo Franchetti * Márcio-André * Linaldo Guedes * Floriano Martins
Moderador: Leda Tenório da Motta
(Márcio-André apresenta uma roldana de palavras -poesia-máquina de desautomatizar munido de vozes, violino e outros objetos sonoros)

16/agosto (sábado), 15h
Sarau Cartográfico
com a participação de autores, blogueiros, editores de sites de literatura, poetas, performers, DJ e convidados do evento. Leituras de textos e apresentações de performances literárias
(Especial: performance de Lúcio Agra)


VÁ LÁ
SESC Consolação
Rua Dr. Vilanova, 245 - Vila Buarque - São Paulo/SP
Tels.: 3234-3000 / 3256-2281 / 0800-11-8220
www.sescsp.org.br

ACOMPANHE PELA TV CRONÓPIOS
www.cronopios.com.br

A seguir, trecho escrito pelo poeta Márcio-André — da revista bimestral de arte e literatura Confraria — que integra o texto Por que expulsar de vez o poeta (disponível na íntegra no Portal Cronópios):

"O poeta nunca deve ser maior que a poesia que escreve. Deve sumir diante dela e restar na ordinária condição de indivíduo — aquele que vai à padaria, que assiste filme ruim na Tela Quente, que nunca foi o preferido da professora, que não ostenta essa ou aquela condição, que não é melhor ou pior em relação a qualquer outro —de tal forma que falar de aspectos de sua vida não venha a ser mais importante que a poesia contida nela.

"Em verdade, já não haverá diferença entre vida e poesia, ao contrário dos exemplos citados no início do ensaio, onde a poesia não passa de um recurso retórico tendo em vista a canonização do autor — não é a vida que se impõe à poesia, mas a poesia que gera a própria possibilidade da vida.

"O poeta deve ser, consequentemente, aquele que se interessa pelas pessoas, poderosas ou não, que se ocupa de todo aquele que não tenha nada a lhe oferecer. Somente assim, lutando em pensamento e ação por uma ética da escrita, a poesia poderá ser, como já foi na Antiguidade e, em casos muito recentes, a arma mais incisiva e poderosa contra as incoerências da realidade.

"Ser ético é, portanto, escapar ao próprio ego e engajar-se na quântica das palavras. Essa é a dimensão da qual o poeta não pode abrir mão. Se ele for complacente com o sistema, quem mais deixará de ser? Somente sua simplicidade e renúncia o podem redimir, muito além das ilusões criadas para suportar sua real insignificância social.

"O cinismo só se torna válido quando duvidamos de nós mesmos. O artista que tem medo de duvidar, seja de si, seja do mundo que o aceita, tem medo de deixar de ser como é, pois ainda se admira como o sujeito de uma realidade objetivadamente imutável, e não como centelha de um universo mutável. Este ainda não está pronto para a caminhada. Sua viagem se limita em ir até a esquina e voltar."