09 abril 2014

RESOLUÇÃO DO CONANDA n.º 163/2014


Infância livre
de publicidade*





Há oito anos, quando fui convidado a colaborar com o projeto Criança e Consumo, que estava sendo criado pelo Instituto Alana, a primeira ideia que me veio à cabeça foi a de que a sociedade brasileira não deveria medir esforços na produção de convergências que fossem capazes de enfrentar os interesses dos responsáveis pela exploração comercial da inocência por meio da indução compulsiva ao consumo.

Um dos maiores problemas identificados naquele momento era a forma desregrada e, por vezes, inconsequente, com que muitas das empresas de produtos e serviços destinados ao consumo infantil usavam as mais variadas técnicas de publicidade para seduzir crianças no Brasil, causando toda sorte de problemas de estresse familiar e escolar. 

Por outro lado, era alentador saber que, se em vários outros países essa prática de sedução comercial não era permitida, nem tudo estava perdido.

De 2006 a 2014, foram muitos debates, embates, articulações e vontade de “fazer valer nossos valores essenciais para influir em nossas escolhas de vida”, de modo que a infância não se resuma a uma “possibilidade de negócio, mas a possibilidade de um mundo melhor”, como procurei sintetizar da fala de Ana Lúcia Villela, fundadora e presidente do Alana, em um artigo intitulado Sociabilidade Infantil (DN, 01/04/2006). Nesse período o Instituto, com apoio do Ministério Público, obteve muitas conquistas para deter excessos do mercado na relação com a infância, em ações envolvendo retiradas de comerciais do ar e multas inibidoras.

Os avanços por uma infância livre de publicidade tiveram, entretanto, na sexta-feira passada (4), um dia histórico, quando foi publicada no Diário Oficial da União a norma que proíbe a publicidade dirigida à criança em todo território nacional. 

A Resolução n.º 163 (13/03/2014) do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) – órgão do qual o Alana faz parte, como uma das entidades da sociedade civil, ao lado de ministérios do governo federal – já está, portanto, em vigor, tipificando como abusiva esta prática de comunicação mercadológica em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais de televisão, creches, escolas (inclusive uniformes e materiais didáticos), pontos de venda e nas embalagens de produtos.

É provável que haja questionamento da resolução do CONANDA junto ao Poder Judiciário, por parte de agentes do mercado que exploram a credulidade infantil, mas os direitos de cidadania da criança estão cada vez mais evidentes, e uma forma de demonstrarmos respeito a eles é colocarmo-nos na posição da criança, como defendeu e fez o escritor, médico e educador polonês Janusz Korczak (1878-1942), autor do ensaio O direito da criança ao respeito, no qual traça uma perspectiva das considerações que viriam a ser dadas à pessoa criança, como um tipo particular de sujeito de direito.

Não deixar que a publicidade aborde diretamente a criança é um passo para uma nova infância, com liberdade para filhos e alívio para pais e educadores. Na nova arquitetura sociopolítica que se pretende para o mundo pós-hipermoderno, não cabe mais a violência do vínculo forçado ao consumo pelo assédio perturbador das empresas, em comunicações de mercado que tornam a criança refém da publicidade e os pais reféns das crianças. 

A norma do CONANDA dá um basta nessa anomalia social, libertando meninas e meninos dessas técnicas de domesticação do desejo, a fim de que possam usufruir de suas reservas de espontaneidade.

O nivelamento entre crianças e adultos na publicidade tem sido um dos responsáveis pela supressão do tempo da infância. Não é mais aceitável esta perda generalizada de espaços imaginativos, por conta do estímulo ao consumismo. 

As corporações que se valem do argumento de que, como cidadãs, as crianças também precisam ter acesso direto às informações de produtos e serviços postos à venda e que seriam do seu interesse, não se dão conta, ou agem de má-fé, por desdenharem da representação da infância em sua igualdade diferenciada.

No plano do Direito, a justiça se dá na distinção existente entre os iguais, na igualdade da diferença. A importância de a sociedade cuidar para que a publicidade de produtos e serviços infantis seja dirigida aos pais e adultos cuidadores, e não ao público infantil, está no reconhecimento de que a criança é um Outro – com necessidades e capacidade de participação próprias –, apesar de semelhante. Uma infância livre de publicidade está mais próxima da emancipação do si-mesmo.

Na história da infância, entre episódios de incompreensão, repressão, exclusão e avanços conceituais e práticos, pode-se dizer que a norma do Conanda para que as empresas deixem as crianças em paz é um marco a ser comemorado pela sensatez da dinâmica democrática. 

Esta conquista leva em consideração uma infância do presente, e não aquela do vir a ser, pregada pela ideologia geracional. Com ela, a criança conta com uma força legal capaz de protegê-la dessa sanha gananciosa, que a tudo transforma em mercadoria e a todos em estatísticas de consumo.
(publicado por Flávio Paiva em www.opovo.com.br)
(imagem em www.wallsave.com)

08 abril 2014

CHEGOU A HORA?


Alinhamento entre Terra,
 Sol e Marte antecipa
 o "fim do mundo"



Um evento cósmico raro é esperado para esta noite, 
 antecedendo as "quatro luas de sangue" — que alguns 
 acreditam ser um presságio do fim do mundo 



Para alguns fiéis, as luas de sangue são mais que um evento cósmico raro,
representando um presságio para o fim do mundo (Foto: Nasa / Divulgação) 

 Marte, Terra e Sol vão se alinhar no espaço na noite desta terça-feira, um evento conhecido também como “oposição de Marte” que só acontece uma vez a cada 778 dias. 

 Porém, o que faz o acontecimento cósmico marcante é ele antecede as "luas de sangue", um fenômeno que poderá ser visto da Terra na próxima semana e que é interpretado por muitos como um sinal bíblico do fim dos tempos. 

 De acordo com a Nasa, a rara sequência de quatro eclipses lunares (as ”luas de sangue”) é conhecida como tétrade, e será seguida por seis luas cheias. 

O ciclo começa na semana que vem, no dia 15 de abril, e terminará apenas em 28 de setembro deste ano. Ainda segundo a Nasa, as quatro "luas de sangue" só foram vistas por três vezes em mais de 500 anos: a primeira vez na Idade Média, em 1493, quando os judeus foram expulsos pela Inquisição Católica na Espanha; a segunda, em 1949, quando o Estado de Israel foi estabelecido na Palestina, e a terceira em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias entre Árabes e Israelenses. 

 Para alguns fiéis, as luas de sangue significam mais que um evento cósmico raro: são um presságio para o “fim do mundo” e o retorno de Cristo à Terra para o Juízo Final. 

 A passagem bíblica do Livro de Joel, no Antigo Testamento, diz: “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor” (Joel, 2:31).


 (conteúdo publicado em http://noticias.terra.com.br)


26 fevereiro 2014

"ÁGUA PARA NOSSO FUTURO"


Brasília vai sediar
VIII Fórum Mundial
da Água em 2018





O Fórum Mundial da Água de 2018 já tem uma sede: Brasília. A capital brasileira foi eleita hoje, 26 de fevereiro, por 23 governadores do Conselho Mundial da Água (WWC, na sigla em inglês) durante a 51.ª Reunião do Quadro de Governadores da instituição, que organiza o maior evento do planeta com a temática dos recursos hídricos. A cidade dinamarquesa de Copenhague, que concorria com Brasília, recebeu dez votos dos 36 possíveis. A escolha aconteceu em Gyeongju, Coreia do Sul.

Na disputa com Copenhague, a candidatura de Brasília recebeu visita do Comitê de Avaliação do WWC em agosto de 2013. Na ocasião, os avaliadores puderam analisar a viabilidade de a capital brasileira receber o evento em diversos aspectos, como: infraestrutura de transportes, mobilidade urbana, rede hoteleira e locais para realização da 8.ª edição do Fórum. O relatório do Comitê de Avaliação serviu como subsídio para que os governadores do Conselho Mundial da Água escolhessem a sede do evento de 2018.

A candidatura de Brasília foi resultado de um esforço conjunto do Governo Federal, do Governo do Distrito Federal (GDF), da Agência Nacional de Águas (ANA) e das diversas instituições que compõem a Seção Brasil do Conselho Mundial da Água.

Segundo o presidente do WWC ex-diretor da ANA, Benedito Braga, a candidatura brasileira foi visionária ao apresentar o tema “Compartilhando Água” e integrar os temas discutidos nas edições anteriores do evento, dando continuidade à discussões já realizadas sobre os desafios do setor de recursos hídricos.

O Fórum Mundial da Água é realizado a cada três anos com o objetivo principal de inserir a temática dos recursos hídricos com destaque na agenda global. Para tanto, o WWC reúne diferentes públicos durante o evento, como: organizações internacionais, políticos, representantes da sociedade civil, cientistas, usuários de água e profissionais do setor de recursos hídricos.

Assim, o Fórum funciona como uma plataforma para que os tomadores de decisão e os usuários de recursos hídricos possam se encontrar para trabalhar conjuntamente por soluções relativas a água. Na última edição do evento, em 2012, tomadores de decisão de mais de 140 países  e um público estimado de 35 mil pessoas compareceram à cidade francesa de Marselha.

Histórico

Desde 1997, o Conselho Mundial da Água vem realizando o Fórum Mundial da Água. A primeira edição aconteceu em Marrakesh, Marrocos, com o tema “Visão sobre a Água, Vida e Meio Ambiente no Século XXI”. Em 2000, a cidade de Haia, Holanda, sediou o evento com a temática “Da Visão à Ação”. Três anos depois, o Fórum foi para o Japão. Nas cidades de Kyoto, Shiga e Osaka, o tema foi “Um Fórum com uma Diferença”. Na ocasião, os debates consideraram as metas estabelecidas pela Cúpula do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 2006, o maior evento do mundo sobre recursos hídricos aconteceu na Cidade do México norteado pelo tema “Ações Locais para o Desafio Global”. Depois de passar pela África, Europa, Ásia e América, o Fórum Mundial da Água de 2009 foi realizado numa cidade ao mesmo tempo europeia e asiática: Istambul, Turquia. Nela o assunto que norteou as discussões foi “Superar Divergências sobre a Água”.

Na última edição, em 2012, a cidade onde fica a sede do WWC também sediou o Fórum: Marselha, França. Na ocasião, o tema escolhido foi “Soluções para Água”. O próximo evento acontecerá em duas cidades da Coreia do Sul, Daegu e Gyeongbuk, entre 12 e 17 de abril de 2015. Para esta edição, a temática dos debates será “Água para nosso Futuro”.


(conteúdo publicado em www2.ana.gov.br)
(texto: Raylton Alves - ASCOM/ANA)
(foto: Zig Koch / Banco de Imagens ANA)



24 janeiro 2014

CONHECER, DECIDIR, AGIR


Conhecendo os
nossos potenciais*


Capacidade de desenvolver, habilidade e condição de realizar, força disponível para ser utilizada. Todas essas definições falam sobre a habilidade ou força disponível para realizar algo, mas elas, por si sós, não garantem essa tal realização. 

Carros de corrida têm o potencial de atingir velocidades de até 340 km/h, celulares têm o potencial de fazer ligações para qualquer lugar do mundo, geladeiras têm o potencial de refrigerar os alimentos, mas isso não necessariamente acontece. Potencial é ter a condição de fazer algo, mas isto não é suficiente para alcançar a realização.

Carro de corrida, por exemplo, é preciso que seja ligado, abastecido e acelerado, senão pode ficar parado para sempre, mesmo tendo o potencial de correr. Quando nos limitamos ao “ter potencial” ou ao “ter a capacidade para”, não saímos do lugar. Diferente de quando unimos o potencial para algo com o que precisa ser feito para ativar ou exercer tal potencial.

Vivemos anos e anos nos contentando com ter o potencial de conquistar os nossos sonhos, de ter a saúde e o corpo que queremos, de batermos nossas metas, de vivermos um ano melhor, de lermos mais, de sermos o que sabemos, o que podemos e queremos ser. 

Enfim, eu poderia escrever muito mais opções aqui, mas ninguém melhor do que nós mesmo(a)s para sabermos quais as nossas famosas “potencialidades”.

Não consigo achar uma palavra melhor para definir a situação de querer e poder realizar algo, mas não fazer o que precisa ser feito para isso; se não, desperdício. Ou seja, um gasto inútil. De tempo, energia, recursos, atividades, sonhos, vida.

Como passar de potencialidades para realizações? 
Acredito que isso se dá através de três passos: conhecimento, decisão e disciplina.

Muitas vezes não conhecemos os nossos potenciais e, por isso, vivemos com muito menos do que poderíamos. Conheço um casal que foi passar a lua-de-mel no melhor e mais caro hotel da cidade. Eles passaram os seus dias lá, sendo muito cuidadosos com os gastos, porque, claro, que no final iriam pagar por tudo. 

Na hora do check-out descobriram que todos os seus dias de hospedagem, gastos e muito mais, que haviam sido poupados, tinham sido pagos como presente de casamento por uma pessoa amiga. Enquanto eles contavam a história, diziam “Ahhh, se eu soubesse! Teria aproveitado muito mais”. 

O que quero dizer com isso é que devemos parar de ser, viver e realizar menos do que temos condição, por simplesmente não sabermos que podíamos. Conheça!

Normalmente já sabemos que temos potencial, pois nossas metas são relacionadas a isso. É aquilo que sabemos que podemos melhorar, é aquilo que sabemos que podemos conquistar, é aquilo que as pessoas que nos amam insistem que deveríamos fazer. 

Quando já sabemos qual o nosso potencial, precisamos decidir superar a preguiça, o medo, o comodismo, as desculpas, as pessoas e tudo o mais que nos impede. Precisamos decidir e agir!

E finalmente, precisamos de disciplina. É comum nos iludirmos procurando métodos mágicos, receitas instantâneas e atalhos, mas o que precisamos entender é que não há melhor atalho do que "fazer o que precisa ser feito".

 Me ajuda pensar que minhas escolhas são sementes que ninguém, além de mim mesma, vai colher depois. A cada dia nos é dada uma porção de sementes e cabe a nós usá-las com sabedoria.

Que este ano seja diferente. Ter e conhecer o nosso potencial é o primeiro passo, mas se não decidirmos e nos disciplinarmos, vai ser só mais um ano em que “poderíamos ter sido o nosso melhor”.

Este ano tem o potencial de ser o mais produtivo, o de melhores escolhas, o ano em que você realizará todas as suas metas, o ano em que você se alimentará bem e se exercitará regularmente, o ano em que você se aproximará de Deus e conhecerá a vida que Ele já “pagou” na cruz para você, o ano de parar de adiar os seus sonhos.

Cabe a cada um(a) de nós decidirmos exercer o potencial que há em nós.



*Alana Benevides é membro da Comunidade Cristã
Videira e aluna do Hillsong College em Sidney, Austrália.

06 janeiro 2014

NÃO NO GIBI, MAS AO REDOR DE NÓS


Os X-Men*




E num DVD em homenagem a Stevie Ray Vaughan, um dos maiores guitarristas da história, um depoimento de outro gênio, chama a atenção. Eric Clapton diz mais ou menos assim:

- Quando toco guitarra, penso no próximo acorde de acordo com o resultado que quero obter. Levo uma fração de segundo, que é aquele momento em que, racionalmente, penso para construir o acorde. Stevie Ray não fazia isso. Quando tocava, um acorde seguia o outro naturalmente. Ele não precisava pensar para tocar. Era como se a guitarra fosse extensão de seu corpo.

Conversei a respeito com meu amigo Nuno Mindelis, outro guitarrista de primeira linha, e ele disse algo que também chamou a atenção.

- Quando subo no palco e começo a tocar, saio da realidade e entro em outro mundo. Passo a pensar diferente. É uma espécie de autismo.

Steve Ray com a guitarra nas mãos era um autista. Nuno também é.

Recentemente meu amigo Luis Tejon publicou um artigo em que afirmava que Lionel Messi, o maior jogador de futebol da atualidade, é autista. Tejon escreveu assim: “Messi tem Síndrome de Asperger, um autismo leve que o dota de um impressionante talento de foco e de concentração na repetição do que deve ser feito para obter êxito nas jogadas do futebol. 

Ele tem o olhar que não olha, mas que foca no objetivo de maneira completa. Em função do autismo também busca escapar das pressões das entrevistas, das badalações sociais e mesmo na propaganda consegue pronunciar a palavra "listo" (pronto) meio sem-jeito… mas com todo o jeito no foco de sua arte esportiva.”

Lionel Messi, com a bola nos pés, é um autista.

Se você reparar bem nos indivíduos que têm alguma habilidade especial muito acima da média, no limiar da genialidade, notará que a maioria deles é “gente esquisita”. Olham diferente, falam diferente, movimentam-se diferente, tomam decisões diferentes. São gente diferente da gente.

Pois começa a ganhar força uma tese dando conta de que esses indivíduos, vivendo vários tipos diferentes de síndromes ligadas ao complexo “autismo”, ou até mesmo dislexia, já seriam os primeiros exemplares do que será o ser humano no futuro. Esses atributos “diferentes”, que muitos julgam defeitos, seriam mutações, evoluções, na direção de um novo ser humano capaz de feitos inimagináveis para nós, os “normais”. 

São como os X-Men dos gibis e do cinema, com habilidades sobre-humanas que hoje achamos esquisitas, pois implicam num comportamento social que não compreendemos. 

Eles realizam feitos inacreditáveis, têm memória incrível, saem tocando piano aos quatro anos de idade, leem quando outros bebês nem mesmo balbuciam palavras, anteveem jogadas brilhantes, são capazes de visualizar padrões onde só vemos confusão. Seres humanos do futuro, hiper sensíveis, com habilidades que ainda não compreendemos.

E a novidade é que a quantidade de crianças com vários graus de autismo está crescendo ano a ano. Os X-Men estão chegando e a sociedade vai ter de se adaptar a eles. 

Não sei se isso é assustador ou maravilhoso, mas algo me diz que é o futuro. 


*Luciano Pires é jornalista. 
Conteúdo publicado em www.portalcafebrasil.com.br  


18 dezembro 2013

AMEAÇA FÓSSIL


Pesquisadores afirmam
que "fracking" 
pode causar
defeitos de nascença e câncer*





Um novo estudo aponta que o uso de elementos químicos perigosos na técnica mais utilizada para a exploração de gás de xisto, o chamado fracking (fraturamento da rocha), pode causar diversos efeitos negativos à saúde humana, desde infertilidade até defeitos de nascença e câncer.

Pesquisadores da Universidade de Missouri (Estados Unidos) alegam em uma publicação no periódico Endocrinology que “a rápida expansão na extração de gás natural usando-se o fraturamento hidráulico aumenta o potencial de contaminação da água de superfície e subterrânea”. 

Eles explicam que centenas de produtos, contendo mais de 750 elementos químicos e outros componentes, são potencialmente usados no processo de extração, incluindo mais de 100 com efeitos conhecidos ou suspeitos sobre o sistema endócrino.

Das 39 amostras de água coletadas em uma região com intensa atividade de extração, 89%, 41%, 12% e 46% apresentaram atividades estrogênicas, anti-estrogênicas, androgênicas e anti-androgênicas, respectivamente, mais do que nas regiões com pouca atividade de fracking.

Essas substâncias, chamadas de disruptores endócrinos, interferem no sistema hormonal, que controla diversas funções corporais. A exposição aos elementos tem sido relacionada, por outros estudos, com casos de câncer, defeitos de nascença e infertilidade.

“Nos Estados Unidos, o fracking é isento da regulamentação federal que protege a qualidade da água, mas os vazamentos associados com a exploração de gás natural podem contaminar a superfície, o solo e a água potável”, alerta Susan Nagel, PhD, professora associada da Escola de Medicina da Universidade de Missouri.



*Fernanda B. Müller publicou este conteúdo 

12 dezembro 2013

HAJA ÁGUA


O Mar Vermelho
vai tentar salvar
o Mar Morto
da extinção*





O mar Morto está, literalmente, morrendo. Caso mantenha o ritmo de evaporação que o fez perder 27 metros desde 1962, o lago já tem até data prevista para ser gravada na lápide: 2050. Para tentar frear o processo de extinção — conhecido pela sua elevada concentração de magnésio, cálcio, potássio e bromo, onde somente bactérias conseguem sobreviver —, os três povos banhados pelo mar (Israel, Jordânia e a Autoridade Palestina) assinaram na segunda-feira, 9 de dezembro, um acordo de construção de um duto para transpor água do mar Vermelho para o mar Morto.

Com apenas 50 milímetros de chuvas acumuladas, a margem do Mar Morto retrocede atualmente 1,5 metro por ano. São 500 milhões de metros cúbicos de água evaporados anualmente.

A ideia é extrair anualmente até 200 milhões de metros cúbicos de água do mar Vermelho, que passará por uma rede de tubulações instalada na Jordânia. Desses, 80 milhões serão dessalinizados, a fim de fornecer água potável para a Jordânia e o sul de Israel. O restante, junto aos resíduos da dessalinização, será despejado no mar Morto, visando evitar sua extinção.

Desde 2005, o Banco Mundial analisa o projeto, cuja viabilidade foi testada em 2012, estimando um custo final de 22,9 bilhões de reais.

Ambientalistas, contudo, acusam o acordo de cooperação de ser meramente político, sem impacto efetivo na preservação do lago. “Os estudos preliminares demonstram que, ao misturar a água do mar Vermelho com a do mar Morto, seriam produzidos depósitos de gesso. A qualidade e composição química da água de ambos os corpos é diferente. Existe o risco de que se crie uma crosta de gesso flutuante. Isso significaria matar duas vezes o mar Morto”, afirmou ao jornal El País Marcelo Sternberg, professor do Departamento de Biologia Molecular e Ecologia Vegetal da Universidade de Tel Aviv.


*conteúdo publicado em www.ecodesenvolvimento.org
Imagem: Armando Lodi

09 dezembro 2013

GÁS DE XISTO NO BRASIL


Problemas que se avizinham*


Foto de região com exploração de gás de xisto nos EUA

Na última quinta (5/12), houve uma excelente audiência pública, convocada pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, para discutir a exploração de “gás de xisto” no país, cujo pontapé inicial foi dado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na semana retrasada, após malandramente dar um “drible da vaca” no Ministério Público Federal (saiba mais).

Diferentemente da audiência ocorrida alguns meses atrás no Senado, esta contou com representantes da área ambiental do governo federal (Ministério do Meio Ambiente e Agência Nacional de Águas), além dos representantes da ANP e da Petrobrás (grande vencedora do leilão da semana retrasada). Contou ainda com representantes da academia e da sociedade civil organizada, o que ajudou a qualificar o debate.

O representante da ANP fez duas correções semânticas ao debate que vem ocorrendo na sociedade. A primeira, de que na verdade se trata de “gás de folhelho”, e não de “xisto”, como vem sendo impropriamente falado por nós, leigos. São duas formações geológicas distintas e todos deveríamos saber disso. O geólogo Luiz Fernando Scheibe, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no entanto, nos tranquilizou: embora seja verdade que a formação na qual será usado o faturamento hidráulico (fracking) no Brasil é o folhelho, o termo “gás de xisto” já se popularizou e não há porque abandoná-lo. O importante é que todos saibamos sobre o que estamos falando.

E foi nesse ponto que a segunda correção semântica trazida pela ANP desperta alguma preocupação. Foi afirmado na audiência que a licitação ocorrida prevê que o ganhador da concessão de cada bloco tem direito (e o dever) à “exploração” do gás de xisto, mas que esse termo, no jargão dos petroleiros, não tem o mesmo significado da linguagem comum. Exploração significaria, na verdade, “pesquisa”. Retirar o gás seria, na verdade, “produção”. Segundo Luciano Teixeira, da ANP, essa exploração é necessária para que tenhamos dados das bacias sedimentares nas quais se localiza o gás de forma a, daqui a uma década, poder decidir-se sobre sua efetiva produção.

Por alguns minutos vários respiraram aliviados: estaríamos, felizmente, fazendo uma tempestade num copo d'agua? Estaríamos apenas na fase de pesquisas, coleta de dados, para tomar uma decisão madura mais adiante? Todos esses bons sonhos desapareceram quando uma questão singela foi feita ao advogado da ANP presente à audiência: se estamos tratando apenas de pesquisa, uma vez encontrado o gás e tomada a decisão de que é possível explorá-lo (ou produzi-lo), terá de haver novo leilão? Não. Então terá de haver uma nova autorização pela ANP para a produção? Sim. Essa autorização pode ser negada pela ANP em função dos riscos ambientais mesmo que exista gás no bloco concedido? Não se sabe.

O fato é que os concessionários ganharam o direito à exploração, desde que exista o gás, obviamente. Não tem nada no edital que diga que eles vão simplesmente fazer pesquisas e levantar dados para, em algum momento do futuro, saber se poderão produzir. O leilão ocorreu como todos os anteriores, na regra vigente: se há gás, é teu e pode usá-lo. Se o edital tivesse tido o cuidado de dizer que, nesse caso, não há direito adquirido, que a produção do gás não convencional está sujeito a outra autorização, futura e incerta, boa parte dos problemas poderiam ter se resolvido. Só que não foi assim. Tanto que o advogado da ANP admitiu que, caso a agência não dê autorização para a produção, os concessionários poderiam ter “algum sucesso” em ações de indenização por lucro cessante. Ou seja: a sociedade pagaria a essas empresas para que elas não colocassem os aquíferos de água em risco!

Esse é apenas um dos riscos que se avizinham, o financeiro. Mas o que assusta mesmo são os riscos ambientais e, consequentemente, sociais. Embora os representantes da ANP e da Petrobrás tenham tentado minimizar os impactos desse tipo não convencional de exploração de gás, eles são óbvios, e muito bem documentados. Foi dito que hoje já se faz fraturamento hidráulico em explorações “convencionais”, para “estimular” a produção, o que tornaria a técnica corriqueira. Só que não foi dito que, nas explorações convencionais, feitas em bolsões de gás, os poços são espalhados em alguns quilômetros de distância um do outro, e duram vários anos no mesmo lugar. Já na exploração do xisto, não só o processo de “estímulo” é muito mais severo, como os poços são muitíssimo mais próximos uns dos outros. E, além disso, como a produção declina em poucos anos (o pico ocorre até o segundo ano), essa é uma exploração itinerante, que precisa se deslocar com frequência, criando uma paisagem como a mostrada na foto abaixo, de uma região em exploração nos Estados Unidos.

Isso faz com que os problemas convencionais da produção de gás se multipliquem em muitas vezes, e o principal é a contaminação de água. O professor da UFSC, estudioso do aquífero Guarani, deixou claro que a exploração intensiva com fraturamento hidráulico (injeção de água misturada com areia e químicos, a altíssima pressão, nos poços perfurados) pode não só criar novas, como reabrir fraturas naturais existentes na rocha que permitiriam o gás entrar em contato com a água, contaminando as reservas subterrâneas. 

E isso pode ocorrer não só no aquífero Guarani, mas em diversos outros aquíferos situados na área de influência dos blocos leiloados, tão ou mais importantes para o uso humano que aquele.Não há porque o Brasil se aventurar nesse tipo de exploração apenas porque os EUA já o fazem. Nossa situação é muito distinta. Temos muitas outras fontes, muitas delas subaproveitadas. Em vez de importar uma tecnologia altamente impactante, poderíamos investir todo esse esforço em desenvolvimento nacional de tecnologia solar por exemplo. 

Mas, independente disso, precisamos de estudos sistematizados para orientar onde e como seria possível a exploração. Uma moratória e a criação de um espaço público para análise e discussão dos dados, que levem a uma Avaliação Ambiental Estratégica, são fundamentais.

Para ver as apresentações feitas na audiência da semana passada, clique aqui.



*conteúdo publicado por Raul do Valle no Programa




ATENÇÃO AO GREENWASHING!


Como identificar falsos
produtos sustentáveis*



Rica herança histórica e cultural do rio Bagmati em Kathmandu, capital do Nepal,
ameaçada pelo empreendedorismo humano, que o tornou um depósito de lixo 


Diante da crescente preocupação com a interferência do homem no meio ambiente, o mercado ecossustentável, em todas as suas formas, vem atraindo a atenção dos consumidores. 

O problema é que este crescimento não vem sendo aproveitado da maneira necessariamente devida por todas as empresas. Essa prática é conhecida como greenwashing.

O termo em inglês refere-se a falsos benefícios ambientais oferecidos por empresas de produtos ou serviços, uma espécie de máscara colocada nos rótulos para induzir a compra, de forma enganosa. Como não cair neste erro?

Foi pensando nisso que a TerraChoice criou um relatório dos "pecados" cometidos quando o assunto é greenwashing (veja lista abaixo), que funciona desde 2007 como um manual para a prevenção destas práticas.

“Como o consumidor ficou muito sensibilizado com as questões ambientais e éticas, a forma como uma empresa gerencia seus impactos tornou-se um dos pontos que trazem reputação para a marca no mercado”, ressalta Natalia Pasishnyk, consultora sênior da Keyassociados.

Característricas genéricas como "verde", "natural", "sem produtos agrotóxicos” também podem ser utilizadas de maneira imprecisa.

“O falso sustentável pode ser reconhecido pela ausência de informações críveis no rótulo do produto, tais como ausência de selos de certificação de origem orgânica, comércio justo ou outra forma de rastrear a cadeia produtiva daquele bem", esclarece Clarissa Lins, sócia-fundadora da Catavento Consultoria em Gestão e Negócios em Sustentabilidade.

Outra forma de tentar enganar o consumidor é financiar ONGs com atividades ambientais para esconder que a marca promove impactos pesados, como desmatamento e poluição. Desta forma, as atenções se voltam para a boa prática, deixando as políticas incorretas em segundo plano. Em todos os casos, o marketing é a maneira mais fácil de induzir o consumidor ao erro.  


Rio Bagmati, em local próximo a Thapathali:
problemas para definir e penalizar o(s) culpado(s) 

Veja a seguir algums regras básicas para não cair nas mentiras do mercado:


1. O custo ambiental camuflado

Ocorre quando a empresa até resolve um problema ambiental, mas a sua ação acaba acarretando outro problema, sendo necessária uma escolha do consumidor. Ou, mais grave, a marca prefere abordar uma questão ambiental em detrimento de outras, muito mais sérias. “Por exemplo, uma indústria intensiva em poluição do ar afirma que usa papel reciclado nos seus escritórios, mas evita falar dos principais impactos causados por sua atividade”, explica Natalia, da Keyassociados.

2. A falta de provas

De que adianta a empresa trazer afirmações ambientais que não têm respaldo de provas ou certificações? Em alguns casos, a empresa até reconhece seus principais impactos, porém de maneira que não permite que o consumidor entenda o contexto e a escala do problema. “Aqui a marca informa que reduziu as emissões de gases de efeito estufa em 10 mil toneladas, sem dizer o que isso representa de fato”, destaca Natalia.

Muitas empresas usam essa estratégia. É bastante fácil colocar uma palavra que remeta a algo ecossustentável. Mas se o termo não fizer sentido, de nada adianta usá-lo. Por exemplo, empregar a palavra “natural” pode se referir até ao urânio e ao mercúrio, que também são naturais, apesar de danosos. “Normalmente, esse pecado aparece para distrair a atenção do consumidor, usando-se algumas palavras genéricas que fazem sentido apenas em certos setores, como um 'verde' vago”, diz Natalia. É preciso ter uma explicação junto com o termo usado.

4. Culto a falsos rótulos

Este é um dos pecados mais usados pelos marketeiros. A marca cria uma falsa imagem, dando a entender que aquele produto tem certificação como "produto verde". Cuidado para não confundir um selo de certificação de um programa ambiental da própria empresa com os que são promovidos por entidades reconhecidas no mercado.

5. Irrelevância

Quando ler algo nos rótulos sobre um problema ambiental, sempre questione se a afirmação é realmente substancial. Não adianta alegar que um produto é "isento de CFC", quando isso já é proibido por lei, por exemplo.

6. O menor de dois males

Este pecado está divido em dois pontos: o pecado do “menos pior” aparece quando um produto de uma categoria que não tem benefícios ambientais classifica-se como "verde", como no caso dos cigarros orgânicos; já o pecado da "mentira" ocorre nos casos em que a empresa faz alegações ambientais falsas. “Geralmente os resultados informados não são verificáveis, ou seja, nenhuma terceira parte os classificou como válidos”, ressalta a consultora sênior da Keyassociados.

*publicado por Lygia Haydée (Exame) em www.sustentabilidades.com.br
(imagens por Pramod Bhagat em www.theepochtimes.com)


06 dezembro 2013

PONTUAL LOCAL

Cinco coisas que eu
gostaria de saber*






1. Confesso a minha surpresa quanto à preocupação da Justiça brasileira com o caráter do atual empregador do ex-ministro José Dirceu, no hotel Saint Peter. Li, por exemplo, que um dos motivos do trabalho para os detentos é a “ressocialização do preso” e que é muito importante a “correção” da empresa empregadora. Eu fico me perguntando sobre as atuais estatísticas de ressocialização de adolescentes e jovens adultos neste País. Não há um certo exagero neste zelo com o José Dirceu?

2. O ex-deputado Roberto Jefferson fez uma perícia médica para saber se vai cumprir prisão domiciliar ou em presídio. Ele está em tratamento de um câncer de pâncreas. Daí, a minha dúvida é: o Estado é obrigado a fornecer ao deputado, no presídio, uma alimentação adequada ao seu estado de saúde? Não seria mais barato mantê-lo em casa sob a proteção, o carinho e as despesas da família?

3. Conversando, domingo passado, com uma amiga, professora da UECE lotada no Interior, ela me dizia que a situação de alguns polos é tão grave que não tem segurança nem um corpo mínimo de servidores que dê conta da estrutura. Sem contar que falta uma quantidade imensa de professores para vários cursos e que o salário pago aos substitutos não cobre os custos do deslocamento de uma cidade para outra ou mesmo uma mudança de residência para o local.

E mais, que existe um edital pronto para a contratação efetiva de professores dormindo o sono dos justos na mesa do governador e ele não assina. Agora, me digam: o governador Cid Gomes não deveria sentar-se como um cidadão cearense e ouvir os professores?

4. Leio com uma atenção redobrada todas as informações sobre o aumento do IPTU. E considero hipócrita essa grita em torno da proposta de elevação do imposto, se quase todos os dias sabemos que o valor dos imóveis só cresce numa escalada insana. Não seria mais prudente que o valor dos imóveis voltasse à realidade e deixasse de ser ficção? Até porque não existe coisa mais concreta do que imposto.

5. A secretaria da Educação do Município informou que está reduzindo o horário integral do Ensino Infantil para aumentar a base de matrículas na rede, nesta faixa. É claro que ninguém é doido para ser contra que cada vez mais crianças tenham acesso à escola, mas o que pergunto é: por que o secretário não amplia as matrículas em sistema integral? Não seria essa a verdadeira expansão do ensino nesse período de pré-alfabetização?

*a jornalista Regina Ribeiro publica o que escreve no jornal O Povo de Fortaleza/CE


27 novembro 2013

XISTO NÃO !!!


Deputados e MPF
pedem retirada de xisto*



Gasodutos na Pensilvânia, nos EUA,
construídos para exploração de gás de xisto

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou hoje, por unanimidade, requerimento que pede que a ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural) exclua o gás de xisto da consulta pública que será realizada nos próximos dois dias.

Serão leiloados 240 blocos com potencial exploratório de petróleo e gás natural. O edital da 12a Rodada de Concessão prevê o exercício das atividades de exploração convencionais que também podem evoluir para produção de recursos não convencionais, também conhecidos no Brasil como gás de xisto.

Trata-se de um gás natural encontrado em formações de folhelho — xisto — e que para ser extraído precisa que as rochas sejam fraturadas. O processo utiliza mais de 600 produtos químicos (!), areia e outros elementos pouco testados — como bário e arsênio. Além de precisar de uso intensivo de água cujo destino final, após ter entrado em contato com os químicos, ainda é desconhecido.

A Comissão pediu uma moratória de cinco anos devido aos riscos que essa técnica apresenta ao meio ambiente e para que, dessa forma, os impactos socioambientais possas ser estudados. Segundo o deputado Sarney Filho, o gás de xisto reconhecidamente produz poluição nos aquíferos e fazer um leilão sem que se tenha noção dos estudos realizados é perigoso. 

O Ministério Público Federal também manifestou suas preocupações à ANP. Em parecer técnico afirmou que existem áreas a serem licitadas que atravessam reservas indígenas, áreas próximas à mananciais de água e reservas florestais. O MPF ressaltou a necessidade de que seja feita uma Avaliação Ambiental Estratégica para que sejam esclarecidos os riscos e impactos ambientais relacionados à exploração de gás de xisto.

Diante de tantas dúvidas a maior e que permanece é: diante de tantos pedidos para que a exploração de gás de xisto seja, ao menos, adiada no País, o que será que a ANP fará?


*conteúdo postado por Marina Yamaoka em www.greenpeace.org
imagem: 
Les Stone / Greenpeace

26 novembro 2013

VERDE ANIDROBIÓTICO


Técnica propõe cultivo
de plantações a seco*


Anidrobiose viabilizará a otimização
do uso de água em períodos de seca

Pesquisa realizada pela bióloga Cláudia Carolina Silva Evangelista, aluna de pós-graduação do Programa de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP-Universidade de São Paulo, propõe uma inovação na forma como os recursos hídricos são aplicados ao solo. 

O estudo “visa à otimização do uso das águas em períodos de secas”. Claudia e seu orientador, Tiago Campos Pereira, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, acreditam ter vislumbrado “uma estratégia sem precedentes: a preservação de plantações por intermédio da anidrobiose [vida sem água]”.

A previsão, segundo eles, é que os recursos hídricos possam ser redirecionados e preferencialmente investidos no consumo humano, animal e produção de energia. Não haveria necessidade, portanto, de se utilizar volumes incalculáveis de água para irrigar as grandes extensões de terra em uso agrícola, uma vez que estas plantas poderiam ser reversivelmente preservadas a seco pelo processo de anidrobiose.

Com esse cenário em mente, Cláudia e seu orientador trabalharam na identificação de genes associados ao processo de anidrobiose em uma espécie modelo. Foi realizada uma triagem funcional (via RNAi) de aproximadamente 100 genes possivelmente associados à anidrobiose.

O professor  Pereira explica que se trata de uma abordagem inédita no mundo, em que foram identificadas algumas das principais etapas no processo de anidrobiose. Adianta ainda que os estudos continuam e, em breve, os resultados estarão publicados, para compreender as bases moleculares da anidrobiose e, segundo o orientador, possibilitar o uso da engenharia anidrobiótica na agricultura.

Prêmio Jovem Cientista
Reduzindo drasticamente nossa dependência de água na agricultura através da anidrobiose, título do trabalho de Cláudia, ficou com o segundo lugar no Prêmio Jovem Cientista 2013 – Tema Água – Desafios da Sociedade, categoria Mestre e Doutor.

“O trabalho aborda a gestão inovadora dos recursos hídricos aplicados ao uso do solo e a gestão ambiental”, afirma o orientador de Claudia. A pesquisa contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fapesp) e da CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O Prêmio Jovem Cientista é considerado um dos principais no campo das ciências no Brasil e será entregue pessoalmente pela Presidente da República, Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, no dia 16 de dezembro. Cláudia receberá o prêmio no valor de R$ 20 mil e uma bolsa de estudos do CNPq (nível doutorado).

A premiação é inédita no Departamento de Biologia e também na própria FFCLRP. Em 32 anos de existência, o Jovem Cientista havia premiado somente outras duas vezes o campus da USP de Ribeirão Preto.

“Participar de um Prêmio Jovem Cientista é uma jornada muito laboriosa. Exige-se muito tempo para redigir todo o ensaio, literalmente parando todas as atividades de um laboratório tão pequeno quanto o nosso. Acreditávamos que nosso trabalho seria de alguma forma reconhecido, mas foi acima do esperado”, comemora o professor.


*conteúdo publicado  por Tauana Boemer, 
do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura USP 
do Campus de Ribeirão Preto, em www.usp.br - 

 foto: Marcos Santos / USP Imagens
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