14 fevereiro 2007

ESTADO OU NAÇÃO?

Uma reflexão político-astrológica


Corre na língua do mito grego que no princípio existiam Rhea ou Gaia (a Terra) e Urano (o Céu Estrelado). Mãe e filho. E cônjuges: todas as noites, Urano (ou Saturno) deitava-se sobre Gaia e fertilmente ia gerando e multiplicando sua prole. Entretanto, a deusa, exausta dessa copiosa relação, pede a um de seus filhos, Chronos, que a retire deste seu destino tão sofredor. Chronos, compartilhando da dor de sua mãe, decide ajudá-la. Com sua foice, aproveitando um momento de distração de seu severo pai, corta-lhe os testículos. O sangue do castrado cai sobre a Terra, fertilizando-a, enquanto seu sêmen jorra entre as águas do mar, dando vida à deusa Afrodite — divindade do Amor e da Beleza.

Tendo a acreditar que confundimos Estado com Nação. Não saberia entendê-los como sinônimos. Como Nação, entendo povo. É a Lua. Nossas raízes, heranças, o que trazemos conosco. É nossa família, nossas rastros que se reúnem. Pedaços entrelaçados, que ajudaram a construir o início do que nos somos. Povo é sinônimo de Nação. Nação sem povo, inexiste. Entretanto, existe povo sem nação. Pessoas que, unidas, vinculadas pelo sangue, pela história e pelo destino forjam sua nação.

Por Estado, entende-se um aparelho burocrático, que na idéia inicial de construção de uma realidade digna para seus cidadãos, forja-se nas entranhas da Nação. Qual é o seu objetivo, afinal? Saturno, sendo regente natural da Casa 10 de uma carta astrológica, é nosso pai, as figuras de autoridade, aqueles que estão no poder, o Estado. A Lua, significadora do povo, é senhora natural da Casa 4, oposta à casa 10.

São casas opostas, que realizam entre si um aspecto tido como difícil dentro do Saber Astrológico: a função de ambos é unir-se e completar-se. Dialogar com suas diferenças, enamorar-se. Será que isso se mostra como uma verdade constante? O Estado dialoga com o povo? Onde está o verdadeiro namoro? Ao confundir Estado com Nação, perdemos o verdadeiro enamorar-se. Valores essenciais — como o patriotismo — esvaem-se. Pelos caminhos da História, percebe-se um vício constante: o poder, simbolizado pelo Estado, na figura de seus governantes humilha e declina daqueles que são — em tese — seus filhos.

O pai (que, como citado, é simbolizado pela Casa 10 e por Saturno) é aquele que cuida, protege e fornece a seus filhos os subsídios para seu crescimento e fortificação. Um ótimo entendimento entre Casa 4 e Casa 10. Um namoro perfeito entre a Lua e Saturno.

Mas, petrificados há muito tempo, estão os deveres do Estado. Entre eles, o de fornecer ao povo (seus filhos) os subsídios para um crescimento digno e uma vida sadia: saúde, moradia, escola, alimentação, segurança. Será que o raciocínio está errado? Onde estão os deveres do Estado? Perderam-se no caminho?

O Estado aparece contraditoriamente como uma figura castradora, retirando do povo sua fertilidade — assim como Chronos fizera com o pai. No Brasil de hoje, muito pode ser percebido através da "Carta Astrológica do Grito do Ipiranga", onde Saturno — castrador e cerceador — localiza-se na Casa 3, a casa do ensino e da aprendizagem. Um forte indicador da deficiência do ensino brasileiro.

Nada melhor do que alienar seus filhos (o povo) por meio de uma base educacional limitada e deficiente. Obviamente que a figura de Urano ou Saturno mostra-se coerente, ao impor limites necessários para a exclusão do caos. Entretanto, a ordem preestabelecida deve ser simétrica aos interesses dos filhos da Nação, e não aos mandos e desmandos dos senhores do Estado. Diz o mito que Afrodite nasce da castração. De um ato de terror, nasce a deusa do amor. Esperando que o amor supere o terror, finalizo estas parcas reflexões iniciais de filhos que desejam entender e dialogar com seus pais.


*Binho Silva é apaixonado pela Astrologia e carrega a esperança dentro do peito aonde quer que vá.

(A figura de Chronos integra o acervo da Michael Whelan Gallery)



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TRILHA DA VIDA LOCA

Amor nosso de cada dia


Olha, a primeira vez que eu estive aqui
Foi só pra me distrair, eu vim em busca do amor

Dario foi no balcão e pediu um montila. Era a primeira vez que ia no Leila's. Virou a dose de um gole, depois deu uma goipada no chão e esfregou o sapato em cima. Reparou na luz vermelha do teto, o efeito que ela dava no ambiente. Na máquina tocava uma música animada e uns casais dançavam entre as mesas. Dario deu uma coçadinha nos possuídos e pediu outra dose. Foi nesse momento que ela apareceu, vinda da penumbra do corredor. Usava sainha jeans e bustiê estampado de manga comprida. Ela se encostou na parede, mascou o chiclete e olhou pra ele de rabicho de olho. Ele a achou muita mimosa. Ela pregou o chiclete atrás da cortininha de babado e... sorriu.

Olha, foi então que eu lhe conheci
Naquela noite fria, em seus braços
Meus problemas esqueci

Uma hora depois ele saiu de cima dela e foi se limpar na bacia que ficava sobre a mesinha de madeira. Quando voltou, ela estava sentada na cama e segurava um copo. "Peguei um montila pra você, por minha conta" – ela falou. Ele agradeceu, bebeu um pouco e perguntou se ela queria. Ela disse que não gostava, mas que ia beber porque estava gostando de estar com ele. Ela tomou um gole e fez careta. E Dario achou lindo a careta dela. Ela acariciou seus cabelos e disse que achava ele parecido com aquele cantor. Ele riu, descontraído. De repente a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela...

Olha, a segunda vez que eu estive aqui
Já não foi pra distrair, eu senti saudade de você

Uma semana depois, quando ele chegou e perguntou pela Josélia, e a gerente disse que ela estava ocupada, ele se esforçou pra disfarçar a tristeza. Ele então disse que era o próximo e pediu uma dose pra esperar. Mas a gerente respondeu que tinha quatro na frente. Quatro? Será que escutara direito? E olhe que hoje a clientela dela tá fraca, a gerente explicou enquanto anotava o nome dele num caderno de 7 matérias cheio de fotos de artistas. Dario virou a dose e pediu uma dupla. E foi sentar na mesa do canto, perto da maquininha de música.
Olha, eu precisei do seu carinho Pois eu me sentia tão sozinho Já não podia mais lhe esquecer Duas horas depois, quando ela apareceu e o levou ao quarto, ele enjoou e vomitou na porta 8 montilas, duas coxinhas e um sarrabulho. Ela levou-o ao banheiro e deu banho nele. Depois deitou-o na cama e começou a tirar a roupa, mas ele a interrompeu e disse, engolindo as sílabas, que daquela vez queria ficar abraçado com ela, só isso. Surpresa, Josélia ajeitou o travesseiro e ele deitou, se aconchegando ao corpo dela. Ela o beijou no rosto com suavidade e fez carinho em sua cabeça. E Dario adormeceu.

Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não interessa o que os outros vão pensar

O salário como vendedor na loja de autopeças não era muito bom, mas ele conseguira um empréstimo e estava montando uma carrocinha de cachorro-quente na esquina do fórum. Ela poderia ajudá-lo a tomar conta da carrocinha, não era um trabalho complicado. Sentados na mesa do canto, a preferida dele, ela o escutava falar. Um cliente da loja era dono de um colégio, ele tentaria uma bolsa pra ela estudar. Nesse instante ela não conseguiu mais segurar a lágrima que insistia em escapar de seu olho. Ele percebeu e tocou seu rosto, desviando a lágrima para seu dedo, a luz vermelha refletindo na gotinha. "O que foi?" — ele perguntou. E ela então falou de Goiânia, as cartas que enviava pros pais, onde contava sobre como ia bem no supletivo — mentira que renovava já fazia 2 anos. Acho até que eles já sabem, ela murmurou, chorosa. Dario sorriu, compreensivo, e disse que adoraria conhecê-los. "Eles devem ter vergonha de mim" — ela disse. Ele pegou no queixo dela, ergueu seu rosto e olhou nos olhos dela: "Mas eu tenho orgulho."

Eu sei que você tem medo de não dar certo
Pensa que o passado vai estar sempre perto
E que um dia eu posso me arrepender

Enquanto ele comprava outro saco de pipoca, ela não conseguia deixar de admirar o cartaz do filme. Estava radiante. Imaginava que cinema era algo bonito mas não imaginava que fosse tanto. Ele a escutou falar excitada do filme, das músicas românticas, de como a moça era bonita e de como não esperava que o moço voltasse pra resgatá-la. Ele a pegou pela mão e atravessaram a rua, rumo à pracinha. Ela não queria ir pra lá mas ele disse que não havia problema e insistiu tanto que ela cedeu. Então, sentados no banquinho, ela disse que ele era um homem muito bom, que gostava muito dele, mas o problema é que ela era... Ele não a deixou terminar: segurou seu queixo e a beijou na boca. E Josélia pela primeira vez não afastou os lábios. Foi nesse momento que ele escutou, vindo de um grupo de rapazes que bebiam na birosca ao lado: "Grande Dario, me chupando por tabela..."

Eu quero que você não pense em nada triste
Pois quando o amor existe, não existe tempo pra sofrer

Hoje faz um ano que Dario e Josélia se conheceram. Semana passada, ela ganhou o anel de noivado e o abraçou, chorando emocionada. Ela ainda trabalha no Leila's onde, aliás, está cada vez mais requisitada, principalmente depois que passou a usar o anel. E é justamente pelo movimento que proporciona à casa que a gerente aceitou suas reivindicações. Uma delas é que agora ela só começa os programas depois das 11, que é a hora que chega do supletivo. E a outra é que ela tem sempre direito a 10 minutos de intervalo — e ela faz questão de aproveitar todos eles. Tomando um montila com Dario em sua mesinha predileta.


(A música "Vou tirar você desse lugar" é de autoria de Odair José)

*Ricardo Kelmer é escritor, letrista e roteirista e mora em São Paulo, Terra, 3.ª pedra do Sol

12 fevereiro 2007

BASE DA VIDA AMEAÇADA

Mangue, antes que seja tarde



O elevado estado de degradação do ecossistema manguezal promovido pelas fazendas de camarão no Nordeste brasileiro está pondo em risco a biodiversidade marinha e a segurança alimentar das comunidades tradicionais litorâneas. A conclusão do Doutor em Geografia pela Universitat de Barcelona e professor da Universidade Federal do Ceará-UFC Jeovah Meireles, após inúmeros estudos de campo e pesquisas denuncia mais um aspecto deplorável do avanço de uma mentalidade econômica suicida, causadora de descontroles da natureza como o aquecimento global.

Por tratar-se de um sistema onde aproximadamente 70% dos organismos marinhos têm relações de sobrevivência, desmatar o manguezal e extinguir o apicum (unidade do ecossistema maguezal que guarda etapas sem cobertura vegetal arbórea) e poluir suas águas para a implantação da monocultura do camarão, vem também acarretando uma diminuição da produtividade pesqueira dos mares.

Dados publicados já em 1997 pela FAO (Organização de Alimentação e Agricultura da ONU) e antes mesmo da explosão das fazendas de camarão nas bacias hidrográficas do Ceará — que mostraram um salto de mais de 2.000% em área cultivada a partir de 2001 — indicaram que a degradação do manguezal está associada a um déficit anual de aproximadamente 4,7 milhões de toneladas de peixe nos oceanos do planeta.

Agora, com a previsão de que os frutos do mar entrarão em colapso por volta de 2048, conforme artigo publicado na revista Science, de maior impacto no meio científico, estamos diante da possibilidade de uma catástrofe desencadeada pela pesca predatória e, em grande parte, pela extinção de importantes áreas de manguezal e poluição de suas águas.

No Ceará, são mais de 60 milhões de metros quadrados de fazendas de camarão promovendo fortes impactos sobre o ecossistema manguezal, relacionados ao desmatamento do bosque de mangue e d mata ciliar, à salinização da água doce, à fragmentação dos ecossistemas úmidos (estuários, lagunas e lagoas costeiras) e à extinção de áreas antes destinadas à alimentação de peixes, mariscos e aves.

Segundo pesquisas realizadas nas comunidades de pescadores e terras indígenas, com a implantação da indústria do camarão o peixe está minguando, ocorreu mortalidade de caranguejos, o solo das vazantes e a água das cacimbas estão ficando salgados. Quando avaliamos os empregos gerados, definiram-se índices de até 6,3 menos empregos por hectare, ao serem comparados com os elaborados pela Associação Brasileira dos Criadores de Camarão-ABCC.

Estamos diante de um assustador quadro de degradação, com as piscinas de camarão instaladas em áreas de preservação permanente e inviabilizando serviços ambientais fundamentais para a sociedade que incluem a produtividade dos mares, a manutenção de locais de alimento, refúgio e reprodução de uma diversificada fauna — incluindo aves migratórias e o peixe-boi marinho —, a proteção da costa contra a erosão e a segurança alimentar.

O que agrava mais ainda o precário estado de conservação do manguezal é que a insustentabilidade da indústria camaroneira está produzindo áreas contínuas de fazendas abandonadas. Tais espaços estão bloqueando a distribuição das águas e impedindo as interconexões de uma complexa cadeia alimentar, base da vida marinha e da subsistência dos povos do mar.

Medidas estratégicas para garantir a sustentabilidade e retomada da vida nos mares passam por uma efetiva preservação do manguezal, com o conseqüente veto à implantação de novas fazendas de camarão, recuperação das áreas degradadas, tratamento adequado dos efluentes, ampliação das unidades de conservação interconectadas por corredores ecológicos e a continuidade das atividades ancestrais de pesca e mariscagem pelos verdadeiros guardiães dos mares: pescadores, marisqueiros e índios.



SAIBA MAIS
http://www.aultimaarcadenoe.com/ecossismanguezais.htm


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meireles@ufc.br

06 fevereiro 2007

VOCAÇÃO SOCIAL

Todos pelo bem-estar


Com cerca de 50 milhões de associados (!), a YMCA — Young Men’s Christian Association, entre nós identificada como ACM-Associação Cristã de Moços — é uma entidade supranacional que põe em pauta criativo movimento social, ecumênico e não sectário, hoje presente em 122 países através de cerca de 14 mil sedes (!).

A YMCA, que ocupa uma cadeira no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da ONU, recebe o reconhecimento da comunidade mundial por constituir a maior rede de serviços voluntários do globo. Não é pouco.

Já no início do século XIX, enquanto se desenvolvia a Revolução Industrial nasceu a YMCA na Inglaterra, numa tentativa de promover o bem-estar da sociedade a partir de uma atenção especial dedicada à juventude.

Dadas as precárias condições de vida da época — em que não havia lazer, cuidar da saúde era tarefa árdua e a jornada de trabalho nas novas indústrias podia chegar a 16 horas, sem distinção de homens, mulheres ou crianças —, George Williams, preocupado com o futuro de sua geração, fundou a Young Men's Christian Association em 6 de junho de 1844, em Londres.

Promovendo reuniões de leitura dirigida de textos bíblicos, a fim de levar uma mensagem positiva aos jovens que se aglomeravam na cidade em busca de trabalho, Williams retirava-os das ruas e oferecia-lhes motivos para uma integração sadia.

A partir de 1851, quando a YMCA chegou aos EUA, os jovens receberam ainda maior incentivo, pois a instituição uniu os benefícios da prática esportiva ao desenvolvimento de valores do caráter e do espírito: foi então (muito bem) aproveitado o hoje famoso slogan em Latim Mens sana in corpore sano — ou Mente sã em corpo são.

No Brasil, a missão e a experiência da YMCA foram disseminadas pelo norte-americano Myron August Clark, que participou diretamente da fundação das sedes da ACM no Rio de Janeiro (1893), em Porto Alegre (1901), em São Paulo (1902) e em Recife, bem como instituiu a Aliança Brasileira das ACMs e fundou a ACM de Portugal.

Em 1903 criou-se a Federação Brasileira das Associações Cristãs de Moços, para congregar os movimentos nacionais e trabalhar pela unificação do discurso institucional, promover e solidificar parcerias de âmbito nacional e internacional, além de organizar a extensão e a expansão da instituição no País.

No mundo, a ACM constitui uma vasta rede que oferece assistência a comunidades em, por exemplo, países da África e Oriente Médio, permitindo ao mesmo tempo ao associado comum a prática de esportes e proporcionando também excursões, acampamentos, cursos, palestras e formação de líderes nas mais diversas localizações — como num incrível edifício localizado no Central Park, doado pela coroa espanhola para ser uma das sedes da YMCA New York -- a West Side.

Para completar, as ACMs estão abertas a pessoas de todas as raças, idades, habilidades, crenças religiosas e níveis econômicos, sem distinção.


Criação do basquetebol
Em 6 de Novembro de 1861, em Almonte, no Canadá, nasceu James A. Naishmith, o criador do basquetebol. O novo esporte tomou forma no ano de 1891, durante reunião anual dos professores do Springfield College em Massachusetts, nos EUA — o colégio que formava os professores que trabalhavam a serviço da YMCA.

Salientou-se na reunião o desinteresse crescente pelas aulas ministradas em ginásio, devido aos rigores do Inverno que impediam qualquer atividade ao ar livre, o que originava até problemas disciplinares com certo grupo de alunos.
Nesse contexto, e dado o entusiasmo crescente da juventude pelo atletismo e pelo futebol americano, largamente praticados na Primavera e no Verão, o diretor do Springfield, Luther Guleck, enviou a Massachusetts o professor de Educação Física James Naishmith, como encarregado de resolver o problema disciplinar e de achar uma solução para atrair o interesse dos alunos, que servisse ainda como ponto de partida para um programa de atividades práticas a ser adotado nas sedes da YMCA. Bem fácil, a missão...

Naishmith decidiu começar o novo jogo com a bola ao ar, entre dois jogadores, para evitar choques e empurrões. E optou pela bola redonda do futebol europeu, porque a bola de rugby convidava ao transporte, movimento que não seria permitido no novo jogo.

Stebbins, o superintendente do colégio, arranjou dois cestos de pêssegos, mais largos em cima do que em baixo. Naishmith pregou-os no balcão em cada uma das extremidades do ginásio do Springfield College, acima da cabeça dos jogadores, de modo que os defensores tivessem de ir ao encontro dos atacantes para impedir o arremesso da bola e escreveu um conjunto de 15 regras para o novo jogo. Sempre que a bola entrasse no cesto, os atacantes obteriam um ponto.

A primeira experiência foi bem recebida pelos alunos da “classe rebelde” e o novo jogo foi lançado como uma atividade que realmente interessava aos alunos. Depois das férias do Natal, um dos alunos, Frank Mahan, sugeriu o nome "basketball" — já que o novo jogo usava cestos e bola.

Por fim, Naishmith (foto) comunicou a Gulick que a tarefa estava terminada: o basketball fôra criado e a classe se encontrava disciplinada e interessada, havendo também uma nova atividade para as aulas de Educação Física na YMCA durante o Inverno.

Assim, o basquetebol surgiu em 1891 nos EUA, pela pertinácia de um professor de Educação Física da Associação Cristã de Moços de Springfield — que só não supunha nem imaginava que a modalidade iria, em 50 anos, transformar-se num dos desportos mais praticados do mundo, inclusive nas Olímpiadas.

Por sua vez, o volleyball foi criado no dia 9 de fevereiro de 1895 pelo diretor de Educação Física da ACM de Massachusetts, William George Morgan. O futebol de salão — atual futsal — também nasceu na Associação Cristã de Moços, ou na década de 1930 em Montevidéu, Uruguai, ou na década de 1940 em São Paulo/SP.

Com muitas histórias tão ou mais interessantes que esta, temos hoje a centenária Federação Brasileira das ACMs, sediada na capital paulista, como integrante do CONANDA-Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, como entidade titular junto a parceiros como o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB, a Fundação Fé e Alegria do Brasil, o Conselho Federal de Psicologia, a Inspetoria São João Bosco (Salesianos), a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB–Pastoral do Menor, a União Brasileira de Educação e Ensino–UBEE (Maristas), a Federação Nacional dos Empregados em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas–FENATIBREF, o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua–MNMMR, a Sociedade Brasileira de Pediatria–SBP, o Movimento Nacional de Direitos Humanos–MNDH, a Pastoral da Criança–CNBB, a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e a Central Única dos Trabalhadores–CUT.

Mais além, são entidades suplentes do CONANDA a Associação Brasileira de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da Juventude–ABMP, a Pontifícia Universitária Católica de São Paulo-PUCSP, a Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente-ANCED, o Conselho Federal de Serviço Social–CFESS, a Federação Nacional das Apaes, a Sociedade Literária e Caritativa Santo Agostinho, as Aldeias Infantis SOS do Brasil, o Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social-IBISS, a Visão Mundial Assembléia Espiritual Nacional dos Baha’is do Brasil, a Associação da Igreja Metodista, o Fundo Cristão para Crianças, Centro de Integração Empresa-Escola–CIEE/SP e o Congresso Nacional Afro-Brasileiro–CNAB.

Detalhe: com todo o seu currículo de atividades e apesar de presente desde o final do séc. XIX em várias cidades do Brasil, a Young Men's Christian Association (YMCA) ou Associação Cristã de Moços (ACM), como a conhecemos, ainda busca solo fértil para desembarcar e estabelecer-se adequadamente no Ceará (assim como no restante do Nordeste).

Enquanto isso, a Federação Brasileira das Associações Cristãs de Moços continua desenvolvendo ações com base num tema estabelecido em 2006, ou seja: “A Utopia da Inclusão: O Desafio do Milênio - Ano III”, que tem como subtemas: a) Responsabilidade Social, b) Sustentabilidade e Crescimento - Pacto Global, e c) Promoção da Resiliência.

Um novo componente já norteia os passos da Federação — o Planejamento Estratégico —, consubstanciado em três pilares: 1) Clareza de Missão, 2) Programas Transformadores, e 3) Viabilidade Financeira, que se reflete diretamente no trabalho protagonizado pelas diversas Comissões Nacionais.

A Federação dá também seguimento à implantação de metas que preveem acompanhar e participar das políticas que envolvem todo o programa de Meio Ambiente em operação no País e gestionar junto à Aliança Mundial das ACMs, no sentido de confirmar a realização de um Encontro Mundial de Meio Ambiente no Brasil.
MISSÃO DA ACM
“A Associação Cristã de Moços no Brasil é uma organização dirigida por voluntários e profissionais, que com base nos princípios do cristianismo está comprometida com o desenvolvimento integral de crianças, jovens, adultos e idosos. Busca através de programas de educação física, social, cultural e espiritual atender as necessidades e aspirações da comunidade sem fazer discriminação de crença, raça, sexo ou condição sócio-econômica, contribuindo para uma melhor qualidade de vida”.

MERCADO EDITORIAL

Comemorando o début

Em 2007 a Editora Escala, um dos maiores grupos editoriais do País, comemora 15 anos de atuação promovendo uma série de atividades e ações que envolverão funcionários, colaboradores, parceiros, clientes e leitores. No mês de março — mês de sua fundação — haverá uma grande festa para celebrar a data. Desde janeiro, porém, algumas ações já estão acontecendo.

Um selo comemorativo foi criado e estará sendo estampado nas capas de todas as publicações, bem como na comunicação visual da empresa ao longo de todo o ano. Uma comissão interna foi constituída para planejar e organizar as diversas ações comemorativas. Fazem parte dela: Evelin Müller, diretora da Divisão de Customizadas e Projetos Especiais; Marco Barone, assessor de Imprensa; Otto Schmidt Júnior, gerente de Criação Publicitária; Paulo Afonso de Oliveira, assessor da Presidência; e Ritha Corrêa, gerente de Marketing. Fundado em março de 1992 pelo empresário Hercílio de Lourenzi, o Grupo Escala conta, além da Editora Escala, com a Escala Educacional, especializada em livros didáticos e paradidáticos; as gráficas Oceano e Anhanguera, que compõem um dos maiores e mais bem equipados parques gráficos da América Latina; a Escala Empresa de Comunicação Integrada; e a Comercial Cajamar, que atende os mercados de distribuição alternativa e de vendas de livros e revistas pelo sistema door-to-door.

Uma das principais marcas editoriais do Grupo é o didatismo na apresentação dos conteúdos e a prestação de serviços. Consolidando forte presença nas bancas em todo o Brasil, além de editar suas revistas em Portugal, México e em países da América do Sul, a Escala publica cerca de 150 edições mensalmente. Sua característica mais marcante é a de produzir revistas e outras publicações para públicos diversos , em vários segmentos.

“A Escala nasceu como alternativa e hoje está devidamente consolidada no mercado editorial. Teve como motivação inicial descobrir novos nichos e explorar, de forma eficiente e inovadora, os segmentos existentes. Assim suas revistas e livros atendem a diferentes públicos, o que fez com que a empresa não apenas crescesse, mas, sobretudo, se tornasse um dos principais grupos editoriais do País”, afirma o presidente Hercílio de Lourenzi.

Destaque entre as publicações da Editora Escala, a revista Visão Jurídica # 9 volta sua atenção para o cenário internacional. A matéria de capa traz um especial sobre o Direito nos EUA, país em cuja cultura o mundo todo se espelha. A publicação aponta as enormes diferenças entre o Judiciário norte-americano e o brasileiro. Além das leis, é abordada a própria formação dos bacharéis em Direito e dos juízes, com regras distintas das nossas.
Na entrevista do mês, o secretário de Reforma do Judiciário, Pierpaolo Bottini, à frente de um cargo desafiador, fala sobre os projetos que podem solucionar os problemas da Justiça, discute a politização do Poder Judiciário e defende que as vias extrajudiciais podem ser a saída para a morosidade que emperra os processos no Brasil. À revista, ele declara: “A reforma do Judiciário é um processo constante, não terá fim”.

Também nesta edição:
• No Enfoque do Mês, duas opiniões sobre o banco de talentos da OAB
Debate: progressão penal para os crimes hediondos
Carta Magna: entidades fazem um balanço das normas editadas pelos governos federais desde 1988
• Não há mais desculpas para evitar a contratação de pessoas portadoras de necessidades especiais
Porque ler: o leitor resenha Recordações da casa dos mortos, de Dostoievski
Porque me tornei: o promotor de Justiça Damásio de Jesus conta sua história profissional
Páginas da História: um retrato das escolas jurídicas que fundamentaram o Direito contemporâneo
• Artigos assinados: Benedito Calheiros Bomfim, Luis Carlos da Rocha, Márcio Pestana, Pedro Risério da Silva, Renato Sócrates Gomes Pinto e Ricardo Miranda
• E mais: OAB pelo Brasil / Jurisprudência / Notas / Projeto no Congresso / Frases / Poder Judiciário / Biblioteca Jurídica.

A revista Visão Jurídica é direcionada especialmente à orientação de jovens advogados e estudantes em final de curso, constituindo uma fonte segura e periódica de atualização sobre leis, códigos, jurisprudências e doutrinas para todos os ramos do Direito.


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19 janeiro 2007

ORELHAS EM PÉ

A escola não ensina


Alguns (bons) conselhos, atribuídos ao notório criador da Microsoft, fazem a atenção voltar-se sobre como a "política educacional de vida fácil para as crianças" tem criado uma geração que não é capaz de formular um conceito objetivo do que seja a "realidade", mostrando ainda como as pessoas vêm falhando em suas vidas posteriores aos anos escolares.

A situação imaginada seria uma sala de aula, em que Bill Gates falaria rapidamente para uma atenta platéia de alunos antes entediados e sem foco nas suas juvenis existências.

Ora, estamos sempre à caça de elementos sintéticos para traduzir em palavras os bons exemplos que possam ser ensinados aos que aí estão, debatendo-se na busca por um "lugar ao sol". Por tudo isso, pela memória dos nossos pais e em prol do "pé-no-chão" tão necessário aos nossos filhos e filhas (e até a muitos de nós mesmos!), transcrevemos a seguir em 11 breves itens os seus (sábios) supostos "ensinamentos", transmitidos naquela ocasião:

Regra 1 — A vida não é fácil: acostume-se com isso.

Regra 2 — O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo(a).

Regra 3 — Você não ganhará R$ 20 mil por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição, antes que tenha conseguido por si mesmo(a) comprar seu próprio carro e telefone.

Regra 4 — Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.

Regra 5 — Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós (e pais) têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de "oportunidade".

Regra 6 — Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda com eles.

Regra 7 — Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos". Então, antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto.

Regra 8 — Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas, você nem repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido(a), RUA !!! Portanto, faça tudo certo logo na primeira vez.

Regra 9 — A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o(a) ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

Regra 10 — Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas TÊM que deixar o surfe, o bate-bola, o namoro, os videogames, o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

Regra 11 — Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma graaande probabilidade de você um belo dia vir a trabalhar PARA um deles.

Estes sutis "toques", atribuídos ao dono da maior fortuna pessoal do mundo e da Microsoft — a única empresa que enfrentou e venceu a Big Blue (IBM) desde a sua fundação em meados de 1900, a empresa que construiu o primeiro "cérebro-eletrônico" (computador) — têm com toda a certeza um valor que transcende qualquer abobrinha que você possa vir a formular (se você fosse capaz, porra, você seria o Bill Gates!).

Portanto, ponha-os em prática! E reflita: não é à-toa que o nome do cara é "gates" (portões): aprenda a passar por eles! Agradeça a Deus ter-lhe dado pais assim tão pacientes... E, por fim, se ligue, porque eles não vão estar aí para sempre.


SAIBA MAIS
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bill_Gates

18 janeiro 2007

ÉPICO ORIENTAL

Porque ler o que é bom é preciso


Histórias em quadrinhos costumam ser vistas com certa reserva por leitores (ainda) não habituados a elas. Porém, são os mesmos leitores capazes de dedicar-se com avidez a calhamaços áridos, romances que se tornam best-sellers nas vitrines das livrarias. Ora, a esses "campeões de vendas" falta um apelo essencial para que se possam comparar a um álbum como O sétimo suspiro do samurai (Conrad Editora), de onde surge, em fantásticas imagens, a empolgante história de Toho Daisuke. O item capaz de trazer indizível prazer à sua leitura é justamente o encontro entre texto e ilustração, ausente em livros não quadrinizados. Portanto...

Os coloridos desenhos do francês Hugues Micol cativam o olhar e transportam o leitor a um universo de aventuras de sabor oriental que faz eco a contos clássicos da literatura universal. Espicaçando a curiosidade e deliciando os sentidos, apresenta a minuciosa saga deste jovem espadachim em busca da própria identidade, interagindo com personagens cuja existência só seria possível num Japão feudal situado entre os séculos XVII e XVIII.

O deleite total representado pela apreciação de sua obra rendeu a Micol em 2004 o prêmio de "Melhor Desenho" no Festival Internacional de Angoulême (França). Não obstante, Toho Daisuke deve ao roteirista Eric Adam a firmeza do seu caráter, a sinceridade das suas ações e a presteza da sua espada — atributos que o levam a conflitos terríveis e a ver sua irmã perder a vida, em cenas marcadas por cruel beleza e tensão.

O cotidiano não era nada fácil para esses guerreiros anônimos a serviço de senhores prepotentes e nem sempre justos, levando-os a transitar entre o Bem e o Mal para desvelar segredos macabros. Ao lutar com assassinos e enfrentar as forças da natureza no intento de descobrir quem foi realmente seu pai, Toho Daisuke conta com a ajuda de um monge desconhecido, autor de uma estranha previsão: antes de que o samurai possa dar o sétimo suspiro, deverá confrontar-se com o seu destino.

Numa bem-cuidada edição com capa cartonada e distribuição em livrarias e bancas de revistas, O sétimo suspiro do samurai garante entretenimento completo mesmo a quem habitualmente (ainda) não lê quadrinhos ou só aprecia games e a velocidade das mudanças em telinhas de computador ou celulares. E simboliza mais: pode ser o caminho seguro da iniciação para o mundo editorial que associa, com muita competência, traço e palavra. É só fazer a experiência — e a passagem.


SERVIÇO
O sétimo suspiro do samurai
Álbum colorido em quadrinhos de Eric Adam e Hugues Micol
Conrad Editora - 120 págs.
Preço médio: R$ 32, em bancas e livrarias


PARA COMPRAR
http://www.lojaconrad.com.br/Quadrinhos/index.asp?PaginaAtual=3&codigo_categoria=&nome_categoria=

17 janeiro 2007

TOQUES ESSENCIAIS

Na real, o que quero da vida?


Esta deveria ser a reflexão primordial, de todos nós, a cada início de ano. O tempo que perdemos desejando ser feliz, desejando ser um sucesso, desejando ... desejando ... é tão grande que quase não nos sobra tempo para vivermos aquilo que somos, a cada momento.

Para se alcançar a felicidade e o sucesso, primeiramente é necessário que você tenha uma clara noção de quem você é e de onde você quer chegar. Buscar, possuir ou proteger quaisquer coisas para fazê-lo(a) feliz não funcionam ... procure, ao invés, a felicidade onde você a perdeu.

Felicidade requer que você restaure a paz interior. Você não pode ser feliz sem paz interior. Não existe alegria sem paz interior. Se você tem qualquer preocupação, ansiedade ou falta de paz interior, você não pode ser feliz. Apegos tiram sua paz interior, expectativas perturbam a sua paz interior.

Nada tem que acontecer ou não acontecer para você ser feliz. Você re-direciona sua atenção para você mesmo(a), para o momento — e então está tudo certo. O caminho para obter a verdadeira satisfação na vida pode ser uma exploração sábia, honesta e consciente de seus próprios medos e desejos. Quando você percebe quem você está sendo e o que você acredita, sabe as respostas para suas dúvidas e ansiedades.

O “prêmio” — e ele é simples e único — é despertar para quem você realmente é e aprender a viver deliberadamente. Quando você sabe, a resposta é: não há perguntas. Totalmente vivo(a), totalmente consciente, desejando aquilo que se tem a cada momento — isto é o que realmente quero da vida!!!


AJUDAR
"Simplesmente seja tão feliz quanto puder. Não pense nos outros.
Se você estiver feliz, sua felicidade ajudará os outros.
Você não pode ajudar, mas sua felicidade pode."
(Osho)


*A.Ramyata é terapeuta renascedora e gente que busca, como todos, ser feliz — momento a momento.


FALE COM A COLUNISTA
ramyata28@yahoo.com.br

28 dezembro 2006

FELIZ ANO "NOVO"?

Dizer deve equivaler a fazer...


Frase dita por milhões de pessoas mundo afora nesta época do ano, destas tantas pessoas poucas serão as que, de fato, terão um ano diferente. Não porque não desejem. Até acredito que a maioria absoluta realmente gostaria de ter um ano diferente, verdadeiramente novo.

O caso é exatamente esse: muitos desejam, poucos realizam. A todos é dado o direito de querer, mas só a alguns é possível conquistar aquilo que se quer. E o motivo pode parecer simples, mas merece reflexão: muitos de nós afirmamos querer determinados objetivos, mas não fazemos por merecê-los. Estipulamos certas metas, mas não criamos as condições para alcançá-las.

Formatamos desejos e sonhos, pensamos em mudanças e tantos outros "quereres", mas não estamos realmente aptos a fazer nada, mudar nada, alterar um milímetro sequer. Enfim, não damos nenhum passo na direção do fazer e executar... Ao contrário, esperamos, esperamos e esperamos — e outro ano chega e, quando menos esperamos, já se passou, e, de novo, nos veremos ensaiando uma série de desejos, muitos intimamente repetidos, ditos muitas vezes, mais pelo contágio do que pela real convicção.

Ou seja, o recado é simples: se você quer um ano “novo” de verdade, é melhor começar a pensar nas coisas que deve fazer para conseguir isso. Não adianta querer coisas que não dependam de você — por isso, vamos falar sério: se até quando depende só de você já é difícil, imagine se depender demais de outros? Enfim, comece estipulando quais áreas da sua vida pretende, gostaria ou poderia mudar.

> Concentre-se em metas de curto, médio e longo prazos e defina, além de prioridades, que recursos e condições precisarão ser providenciados;

>Analise que demandas ou deficiências precisa suprir ou resolver. Lembre-se: não adianta apenas querer sem se preparar adequadamente;

>Vale muito desenvolver um plano de ação estruturado, com os objetivos escolhidos e com prazo definido para cumpri-los;

> Não se esqueça de manter planos alternativos para o caso de alguma contrariedade alheia à sua vontade acontecer. Isso é fundamental para você não desanimar ao menor percalço;

> Envolva as pessoas mais próximas em seus planos: a participação delas é importante para colaborar no entusiasmo;

> Não perca tempo reclamando demais. Direcione suas energias em trabalhar;

> Renove sua motivação a cada dia;

> Seja disciplinado(a) e procure corrigir imediatamente toda e qualquer situação que crie maior distância de seus objetivos.

Pode até ser que, mesmo com os toques acima, você não consiga atingir todos os objetivos. Mas, certamente, já será possível chegar ao final de 2007 tendo construído um ano realmente novo. O que é certo é que nada vai mudar, se você não mudar. Pense nisso e até o ano que vem. Desejo que você tenha um Feliz Ano NOVO!

*Antonio Carlos Rodrigues pesquisa como pode a vida ficar ainda melhor


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INDIGNAÇÃO COTIDIANA

Esfaqueei o deputado


Eu assumo: fui eu que esfaqueei aquele deputado lá em Salvador. Isso mesmo, fui eu. E aviso: estou muito puta e posso esfaquear outros. E tem mais: duvido que me prendam. Sabe por quê? Porque não tenho pulsos para me algemarem. Nem rosto para ser fichada. Não podem me pegar porque não estou em nenhum lugar e estou em todos os lugares ao mesmo tempo. Eu sou a consciência indignada do cidadão brasileiro. Que não aguenta mais o que a classe política está fazendo com o povo desse País.

Fui eu que esfaqueei aquele deputado. Mas não se preocupe com ele, o homem tem as costas largas. Preocupe-se com a senhora que o golpeou: ela vai apodrecer na cadeia sem ter culpa. Sim, pois ela foi apenas um instrumento da minha ira sagrada, acumulada durante anos, décadas, séculos. Aquela mão, empunhando a peixeira, você não percebeu?, era a mão do povo brasileiro. Era a mesma mão persistente que todos os dias faz sinal para o ônibus lotado para ir ao trabalho, a mesma mão cansada que rastreia os classificados atrás de emprego. Era a mesma mão impotente que acaricia o filho faminto, a mesma mão sem futuro que pede uma ajudinha no sinal. E é a mesma mão que votou nos políticos que aí estão. Votou neles para que a representassem com decência.

E olha o que os calhordas fazem... É muita cara-de-pau! Num momento delicado desses, em que o governo precisa enxugar custos e toda a sociedade se concentra na tarefa de fazer o País crescer um pouco mais, nossos indignos e egocêntricos parlamentares se concedem um aumento de quase 100 por cento de salário, como se já não ganhassem muito. E como o salário de senadores, deputados e vereadores é proporcional, todos vão ganhar aumento. No final, essa brincadeirinha de bandidos de paletó vai custar à sociedade um custo extra anual de mais de um bilhão e meio de reais. Isso sim é uma facada de respeito!

Agora o bando dos federais quer ganhar vinte e quatro mil e quinhentos reais. Mais ajuda de custo para morar, comer, viajar e ir na esquina. Mais verba de gabinete e convocação extraordinária. Mais décimo-terceiro, décimo-quarto e décimo-quinto salários. São 100 mil reais por mês para cada um. É uma senhora fatia da pilhagem geral do País. Sem falar que, na prática, esses vidas-boas só trabalham três dias por semana. E têm impunidade parlamentar. E ainda acham pouco. E não vamos nem falar no mensalão e em tudo que rola nas malas e nas cuecas. São uns cínicos!

Passarão à História como a pior de todas as legislaturas e ainda continuam fazendo pose e falando bonito. Por que não assumem logo que o que querem mesmo é ficar milionários em dois mandatos e garantir uma aposentadoria rechonchuda em cima dos trouxas dos seus eleitores? Eu estou muito, muito puta. Como podem gozar assim da cara do povo? Não temem que as pessoas se revoltem e invadam seus lindos gabinetes, que os seqüestrem, que joguem uma bomba no Congresso? Não, eles não temem.

Porque estão tranqüilos em sua certeza de que o povo brasileiro é burro, medroso e acomodado. É por causa dessa certeza que num minutinho o bando vota para si mesmo um aumento de R$ 12 mil e depois fica semanas e semanas discutindo se dá ou não dá R$ 8 — oito reais! — de aumento no salário mínimo. É desrespeito demais. Sabe o que os nobres parlamentares deviam fazer com esses oito reais? Eu digo. Enrolem as notas bem enroladinhas, formem um canudo e enfiem de volta lá, lá no lugar de onde vem o cheiro que infesta o Congresso Nacional, a casa que deveria ser dos representantes do povo e que está ocupada por vossas excrescências.

E você, caro cidadão eleitor? Onde está o seu nobre deputado numa hora dessas? Ligue para ele, para ela, escreva, exija providências. Ou será que Sua Indecência é a favor do aumento? Se for, então é mais um dos que agora estão rindo da sua cara de otário. Sim, você é um grande otário. Uma tremenda otária. Porque é você quem vai pagar a conta desse roubo. Fui eu que esfaqueei o nobre deputado. Mas o golpe não foi dirigido a ele, não especificamente.

O golpe foi contra toda a classe política. Certamente há um ou outro que não tem o costume de cagar na cabeça de quem o elegeu mas, como todos fazem parte da classe, é sobre todos eles que avança a minha mão firme e indignada, empunhando a lâmina afiada da revolta. Os políticos foram eleitos para representar e defender o povo — mas na verdade o esfaqueiam todos os dias quando legislam em interesse próprio. Assim sendo, aquela senhora nada mais fez do que praticar um ato de legítima defesa. O aumento ainda não foi pago, mas o primeiro deputado já recebeu o troco. Nas costas. Quem será o próximo?

*Ricardo Kelmer é escritor, letrista e roteirista e mora em São Paulo, Terra, a 3.ª pedra do Sol


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http://www.ricardokelmer.net/

13 dezembro 2006

DICIONÁRIO DO LUA

A realeza lembrada em Sampa


Ora, que maravilha! O jornalista e divulgador da cultura popular Assis Ângelo (foto) lançou no Dia Nacional do Forró — data para cuja criação também deu a sugestão — um saborosíssimo livro sobre o saudoso "Lua", o cantor e acordeonista Luiz Gonzaga. Trata-se do Dicionário Gonzagueano de A a Z, que em 224 páginas faz deliciosas revelações sobre a carreira do compositor, acompanhando tudo com depoimentos reveladores de Dominguinhos, Sivuca, Hermeto Pascoal, Oswaldinho do Acordeon, Anastácia e Carmélia Alves, a Rainha do Baião.

O Dicionário apresenta também rica iconografia referente ao artista e seu principal parceiro, o advogado e político cearense Humberto Teixeira, co-autor junto ao Rei do Baião na criação do gênero musical que virou coqueluche no Brasil dos anos 1940 e 1950. Assis Ângelo descobriu meia centena de músicas de Luiz Gonzaga e parcerias inéditas na sua voz.

O livro mostra também o fenômeno que foi o artista. "Em nenhum momento da vida brasileira um artista da música popular foi tão biografado e cantado em verso e prosa quanto Gonzaga. E olha que são poucas as pessoas que conhecem a obra dele gravada no Exterior. Gonzaga foi um artista excepcional em todos os sentidos", diz Assis. Haja realeza.

Sobre o Rei do Baião, foram publicados pelo menos 18 livros e mais de uma centena de folhetos de cordel. De acordo com o Dicionário, há também mais de uma centena de títulos musicais que citam o popular forrozeiro Luiz Gonzaga. Além do significativo número de músicas inéditas deixadas pelo Rei do Baião, Assis Ângelo dispõe-se a explicar porque o "Mestre Lua" foi tão importante para a música brasileira e porque continua "na crista da onda" quase 20 anos após o seu desaparecimento.

"O gênero musical baião tem sido gravado no mundo todo desde a década de 1950, quando a portuguesa Carmen Miranda interpretou Baião (Baião Ca-Room' Pa Pa, na versão do norte-americano Ray Gilbert) no filme Nancy goes to Rio, da Metro Goldwyn-Mayer", esbanja Assis.

Mas a cereja-no-bolo do novo livro do renomado jornalista paraibano é o completo levantamento das músicas que Luiz Gonzaga e parceiros compuseram e gravaram. Como brinde ao leitor, o autor ainda entrega revelações curiosas, ninharias bem-humoradas como a que dá conta de que "Lua" gravou mais músicas do que o Rei da Voz Chico Alves, contando as regravações. "Entre gravações e regravações, Gonzaga ultrapassa Chico em 9 músicas!", declina Assis Angelo.

No total, conforme o Dicionário Gonzagueano, o Rei do Baião gravou 625 músicas em 125 discos de 78 rpm e 41 compactos simples e duplos de 33 e 45 rpm, de 12 polegadas. O registro de sua voz encontra-se em 266 discos — fora participações especiais em LPs e compactos de colegas iniciantes na profissão. E mais: músicas de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira foram gravadas pela japonesa Keiko Ikuta e pelo "papa" do jazz e do estilo bebop, Dizzy Gillespie, entre outros muitos artistas estrangeiros.

E quem pensa que o Rei do Baião só gravou forró, baião, xote e arrasta-pé vai tomar um susto: gravou também sambas, choros, mazurcas, valsas... Não faz um mês, foi lançado nos EUA um disco com músicas do Rei do Baião interpretadas por David Byrne (Asa Branca) e Bebel Gilberto (Juazeiro). É... o "hômi" ainda dá o que cantar...

O lançamento do Dicionário do Lua no dia 13 de dezembro veio marcar essa data tão especial, por ser também o Dia Nacional do Forró — uma idéia que virou realidade a partir de projeto da deputada federal Luiza Erundina —, criado em 2005 para homenagear "Lua", o imortal fenômeno da música brasileira.


SERVIÇO
Lançamento do Dicionário Gonzagueano, de A a Z
13 de dezembro às 20h no Bar Lua Nova, Recanto dos Cantadores
(R. Cons. Carrão, 451 - Bixiga, São Paulo/SP)
Às 22 horas, apresentação de Anastácia (a Rainha do Forró) e seu trio.

MAIS INFO
Mais informações e pedidos com andrea lago: (11) 8542-2061
andrealol@terra.com.br

12 dezembro 2006

HUMOR SEM ESFORÇO

A bandim que era pra ser plim-plim - por Denilson Albano




















Manibura memories - por Guabiras











Um "cara" chamado Osmose - por Jefferson Portela














VEJA MAIS
http://fotolog.terra.com.br/denilsonalbano
www.guabiras.theblog.com.br/inicial.html
www.sivirino.com.br