21 setembro 2006

VISTA E COMUNIQUE

O que é mesmo a moda?!?


M de mudança, M de manifestação. Para muitos, a moda não passa de simples indumentária. Acabam não se dando conta do quanto pode a moda expressar sobre o indivíduo. Afinal, existem várias formas de declarar algo a alguém — entre elas a fala, a escrita, os gestos e uma outra possibilidade de expressão: o estilo pessoal.

A comunicação pode ocorrer de forma verbalizada ou não-verbal. A moda possibilita, através da indumentária, essa comunicação não-verbal. A partir do vestuário, você pode construir a imagem de uma pessoa, ou saber como ela é o que gosta de fazer, ou ainda apreender a visão que ela tem do mundo à sua volta, entre outras percepções.

O modismo pode ser considerado um fenômeno admiravelmente presente na sociedade, demarcando o tempo, o lugar e as pessoas dentro de uma determinada cultura. Sendo assim, a moda é que influencia a sociedade, ou ao contrário? Como exatamente é a moda considerada uma manifestação sócio-cultural?

Não é tão simples nem tão óbvio como muitos pensam: a roupa tem, sim, o poder de comunicar e influenciar a sociedade. A partir do momento em que fazemos uso de certa indumentária, adquirindo hábitos e nos transformando de diversas formas para nos ajustarmos à realidade, estamos também produzindo e respondendo aos estímulos que nos rodeiam — estamos nos comunicando fazendo uso da moda.

A roupa assume uma função distintiva, marcando aquilo que há de mais aparente: a diferença entre as camadas da sociedade. E a classe mais baixa, para tentar se igualar à mais alta, acaba tentando imitá-la, começando pela aparência. Essa reação estimula a inovação por parte da classe alta, para continuar mantendo essa distinção. A busca pelo "novo" passa a ser a meta dessas "camadas superiores", gerando movimentos circulares intermináveis.

Mas a moda não pode ser pensada apenas como uma espécie de diferenciador social, sendo, também, um indicador cultural. A sociedade acompanha a moda, que acaba sendo uma tradução da atual situação de um determinado povo, numa determinada época. Conforme o "profeta da aldeia global" Marshall McLuhan, a moda "dá conta de uma certa estruturação simbólica própria de uma determinada cultura”.

É com apoio nessas afirmações que podemos constatar que o pensamento às vezes assumido por algumas pessoas sobre a moda, de que seja algo desnecessário e fútil, é equivocado. Verificamos que a aparência pode refletir, traduzir ou simplesmente veicular idéias fortes e complexas, que a moda expressa ou provoca, em certos casos.

Quando uma determinada pessoa usa uma roupa de marca muito conhecida, de valores altos, logo a sociedade subentende que aquela pessoa tem uma situação financeira elevada. Quando um indivíduo está feliz, de bem com a vida, ele se veste de um jeito alegre. Quando está triste, insatisfeito, veste-se de forma discreta. Assim, a roupa acompanha o status social e o estado de espírito das pessoas.

Ora, as "tribos" são formadas por pessoas que têm pensamentos, ideais e comportamentos em comum. Também podemos dizer que esses grupos acabam formando "territórios", em que as pessoas são acolhidas, adquirindo segurança e um sentimento de familiaridade. A aparência, neste caso, se apresenta como um elemento agrupador, pois a moda se torna um instrumento do “reconhecer-se”.

Para representar, apresentar, manifestar algo não é preciso necessariamente só o uso das palavras. Neste caso, o visual, a comunicação não-verbal, consegue atingir esse objetivo. Portanto, nada no ramo da moda é por acaso: o uso das cores, estilos, materiais, tendências nas coleções, tudo é feito para representar alguma coisa, tem um significado.

Só que às vezes há pessoas que utilizam a indumentária para esconder, camuflar. A roupa transforma-se em escudo, defendendo um homem de outro. Serve, assim, de falsificação do “eu”, não deixando ver o que se realmente é, mas sim o que se gostaria de ser. Vai-se fabricando, desse jeito, através do vestuário, um ser ideal, objeto de desejo que supostamente irá ser bem acolhido por todos.

Enfim, a palavra "moda", com apenas quatro letras e duas sílabas, tem muita coisa a nos dizer. Antes de julgá-la de forma preconceituosa, procuremos conhecê-la melhor. Desvendemos a moda e suas peculiaridades.


CONTATE A COLUNISTA
Nayara Gusmão é jornalista e especialista em Moda & Comunicação

arayan_rosa@hotmail.com

05 setembro 2006

PELA PAZ UNIVERSAL

Conhecimento com valores humanos


A pedagogia vigente sofre os efeitos colaterais da cultura de violência, através da separatividade do saber e da fragmentação do conhecimento. Nas escolas em que nós e nossos filhos estudamos, as estruturas de construção pedagógica existem a partir de fundamentos materialistas e mecanicistas.

O modelo de escola que conhecemos e a maneira pela qual se estabelecem os métodos que organizam o saber foram pensados pelas mentes capitalistas, que constituíram um modelo de escola semelhante ao de uma fábrica, que dispõe os alunos seqüenciados em números, em séries e em compartimentos que lembram linhas de produção industrial.

Até hoje, a grande maioria das escolas ainda possui sirenes como as antigas fábricas e ainda se escutam professores dizendo “soltei os alunos” ao término das aulas, como se eles estivessem realmente presos. A linguagem pedagógica é, ainda, recheada de adjetivos da cultura de violência, refletindo a massificação do imaginário capitalista: “grade curricular”, “hora do recreio”, “autoridade do professor”, “dia de teste”, “semana de provas”, “nota baixa”, “nota alta”, são alguns dos chavões que permeiam a linguagem do cotidiano das escolas do mundo.

Os professores também são frutos desse sistema e robotizam-se na repetitividade, e sem se darem conta ocupam um papel autoritário de “detentores do conhecimento”, operando uma pedagogia impositiva que forma gente submissa, obediente e direcionada, fazendo o jogo da ideologia dominante que atua em um “espaço oculto” da escola, cujo objetivos fundamentais são a não-participação e a subserviência.

Os prejuízos colhidos ao longo do tempo são inúmeros. O resultado no longo prazo foi a produção final de uma sociedade marcada pela indiferença e omissão, fruto de uma escola que induz a competitividade e a antissocialização. Até hoje, o objetivo da escola, cantado e decantado “é a preparação do aluno e sua transformação em uma ferramenta qualificada para disputar o mercado de trabalho”. As escolas do mundo não estão preocupadas em formar seres humanos para serem melhores. As escolas preparam o homem para a vida, mas não preparam o homem para viver.

O professor tornou-se um mecanicista, um especialista apenas na sua disciplina. O enfoque disciplinar gerou a especialização e o especialista, o expert, que passou a ser o novo herói moderno. A fragmentação do saber robotizou a moderna civilização, reduzindo o homem, com o seu complexo mistério, a um conjunto de engrenagens. Os efeitos colaterais deste modelo se fazem evidentes na alienação e empobrecimento do ser, que vem resultando na construção das sociedades infelizes que compõem o mundo, fruto de uma escola que reproduz conhecimento e oferece educação sem valores humanos.

O MovPaz-Movimento Internacional pela Paz e Não-Violência desenvolve uma campanha de alfabetização em Cultura de Paz que acontece simultaneamente entre professores, alunos e diretores de escolas. O intuito é produzir o impacto de uma mudança de percepção nas estruturas educacionais, construindo uma nova abordagem que transforme a escola em um espaço de construção da Paz. Nesse sentido, educadores e estudantes aprendem ao mesmo tempo, através do Kit-Paz — um conjunto de conteúdos pedagógicos que reprogramam educadores e estudantes para estabelecerem a mudança da cultura de violência para a Cultura de Paz.

O Kit Paz reúne várias pedagogias que se integram em uma síntese denominada Educação pela Paz. Essas pedagogias aproximam as culturas do Oriente e do Ocidente, superando a fragmentação e a separatividade do conhecimento, reconstruindo a religação dos saberes e desenvolvendo o surgimento da consciência de inteireza dos educadores e dos alunos. Os conteúdos do Kit Paz estabelecem as bases fundamentais para uma educação com valores humanos. Esses conteúdos são utilizados durante a implantação da semana da Cultura de Paz que integra o programa do projeto Educação Pela Paz nas Escolas.

Quando o Kit-Paz é entregue durante a capacitação dos professores e pedagogos, elabora os primeiros elementos para construir uma educação transformadora, que pouco a pouco vai se tornando uma revolução silenciosa. São as primeiras conquistas de mudança de consciências que formarão as bases de uma nova cidadania no futuro.

Atividades nas escolas

Durante a Semana da Cultura de Paz — que antecede o Dia Municipal da Paz (que é comemorado em Fortaleza no segundo domingo de setembro), a escola se transforma em um espaço de construção da Cultura de Paz, uma vez que, ao invés das aulas ordinárias em seu lugar estabelece-se um programa onde estuda-se a Paz em três aspectos simultaneamente integrados: Paz Ambiental, Paz Social e Paz Interior.

Todo o conteúdo foi planejado para alcançar principalmente as escolas públicas, devendo se adaptar com mais facilidade às escolas particulares. Com o programa Educação Pela Paz nas Escolas, invertemos o “currículo oculto”, e substituímos o “mercado de trabalho” pela “conquista da excelência humana”. Sempre buscando a importância dos valores humanos, constrói-se assim, através da pedagogia, uma educação que ensine os seres humanos a serem mais felizes.

Ao invés da robotização mecanicista das estruturas dominantes da pedagogia vigente, a Educação Pela Paz acessa o indivíduo para que seja feita a sua transposição de “competidor do mercado de trabalho” para “construtor de soluções para o mundo”.

Quem são nossos heróis?

As escolas do mundo nos impuseram e ainda impõem aos estudantes, como condição obrigatória para recebermos o diploma de formação, a necessidade imperiosa de estudar todas as guerras, com seus componentes de degradação e horror, de morte e destruição. Contudo, nas salas de aula do mundo não se estuda, uma hora sequer, de Paz. Somos obrigados a reverenciar como heróis guerreiros matadores que venceram as mais importantes batalhas, homens e mulheres que estiveram envolvidos em conflitos revolucionários.

A cultura de violência estabeleceu que a História fosse contada pelo vencedor: por isso, o Duque de Caxias, que venceu a Guerra do Paraguai, é o Herói Patrono do Exército Brasileiro. No entanto, quando visto pelos paraguaios, Luís Alves de Lima e Silva era apenas um destemido matador de mulheres grávidas e de crianças. Assim Mem de Sá, Herói do Desbravamento Nacional, quando visto pelos índios, revela-se um dos maiores matadores de silvícolas da América do Sul.

As escolas nos fazem ainda reverenciar os heróis internacionais, como Napoleão Bonaparte, Alexandre – O Grande, os Césares e muitos outros, todos guerreiros matadores, invasores, violentos e sanguinários. A cultura de violência também se universaliza, quando prestamos atenção às letras compostas para os Hinos de todas as Nações do Mundo, que unanimemente evocam as batalhas, a dominação pela luta, o derramamento de sangue, as espadas, as mortes, as guerras.

Porque os heróis das escolas não são os homens que trabalharam pela excelência humana, os construtores da Paz, os arautos da não-violência, como Mahatma Gandhi, Albert Schweitzer, Chico Xavier, Martin Luther King Jr., Francisco de Assis, Tereza de Calcutá, Steve Biko, John Lennon, Carol Wojtyla e tantos outros que seguem desconhecidos dos cotidianos das salas de aula do mundo? O motivo fundamental é a tônica da cultura de violência, que conduz o imaginário coletivo das sociedades humanas exercendo seu poder de dominação sobre as estruturas pedagógicas das escolas do mundo.

Está provado cientificamente que ninguém nasce com um gene ou uma determinação genética para ser violento, ninguém nasce detestando outra pessoa por causa da cor de sua pele: tudo isso aprendemos pela cultura. Ora, se aprendemos a sermos violentos pela cultura de violência, também podemos aprender a ser pacíficos pela Cultura de Paz. Paz, princípio governante de todas as relações

É a cultura de violência que estabelece que o objetivo fundamental das escolas é o mercado de trabalho, cujo princípio governante são as estruturas financeiras que determinam os modelos econômicos de dominação e exploração do homem pelo homem. Quando os valores humanos forem inseridos na educação, não construiremos apenas técnicos repletos de informações no cérebro, aprimorados no intelecto, porém pobres de sentimento no coração.

A instrução puramente dita, sem ética e sem valores, se torna perigosa. O conhecimento, sem a bondade, nos deu as bombas e as armas. A educação com valores humanos molda e transforma o caráter e nos dará, no futuro, uma sociedade mais humanizada, com construções éticas de valorização pela vida. Quando a Cultura de Paz se tornar dominante, passaremos a construir as bases de uma sociedade mais feliz. Somente com uma Educação pela Paz poderemos alcançar, um dia, a condição de termos a Paz como princípio governante de todas as relações. Quando isso acontecer, faremos por este Planeta, em 10 anos, o que não conseguimos em muitos séculos.

Resgate da consciência

Dizia Mahatma Gandhi que, “para uma mente não violenta, a humanidade é uma só família”. A construção de um mundo inter-relacionado, inter-dependente, nos remete a uma nova visão de humanidade. José Martí, durante a luta pela independência de Cuba, sua pátria, declarou que sua verdadeira terra-natal era a humanidade inteira. Ele também disse que não pode haver ódio entre as raças, porque “não há raças”, ou seja, "raça" é um conceito artificialmente formado.

Foi a percepção de uma humanidade universal — a grande família humana — que também inspirou a expressão de Martin Luther King Jr., quando proferiu “eu tenho um sonho: que um dia meus filhos vivam num país onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo valor do seu caráter”.

Na Educação pela Paz é importante realçar a noção de percepção da Terra, como a nossa grande casa. Quando todas as escolas do mundo fizerem disso uma prioridade, isso terá um grande efeito benéfico na própria vida familiar. Todos esses princípios propiciam o surgimento de um sentimento vivo, de altruísmo universal. Nasce a percepção de que cada um de nós é responsável por toda a humanidade. É preciso para isso desenvolver, a partir de nós mesmos, uma globalização da consciência, como uma constante construção.

Hoje, mais do nunca, precisamos mostrar às crianças que as distinções entre o “meu país e o seu país”, a “minha religião” e a “sua religião”, são considerações secundárias. Ao invés, devemos insistir no fato de que o “meu” direito à felicidade não deve ter mais importância do que o direito “dos outros”. Indo ainda mais além, é preciso desenvolver uma Pedagogia da Terra, a fim de que possamos traduzir em vontade a realização de uma cidadania terrena, para que também cresça e se desenvolva uma consciência planetária que resgate a identidade terrena do ser humano.

Se perguntarmos numa sala de aula, a qualquer estudante, para apontar a natureza, ele se dirigirá a uma janela e apontará para uma árvore ou uma montanha, mas nunca apontará para si mesmo. Com a cultura da separatividade, perdemos a relação com a Terra — e por nos sentirmos tão separados dela é que nos tornamos predadores. Como maus agricultores, tiramos a laranja batendo na laranjeira. Embora precisemos da Terra para a nossa subsistência, não a tratamos como fonte essencial das nossas vidas.

Com uma Pedagogia da Terra, desenvolveremos em nós a consciência de inteireza que determina a percepção de que todas as coisas estão interligadas. Foi essa lucidez que norteou a percepção de Francisco de Assis, como “homem ecológico”, o “irmão universal”. Ele viveu há 800 anos e ainda está muito à frente da humanidade. Francisco se confraternizava com tudo, religava todas as coisas, casou os céus com a Terra, as estrelas com as formigas. E o vento, o sol, a lua e o lobo eram seus irmãos, e sua vida uma síntese das mais fascinantes e generosas potencialidades do ser humano.

Paz plural versus religião singular

A percepção da paz é plural. Já a percepção religiosa nos dá a esperança de uma humanidade pacífica pela igualdade. Não corresponde à verdade, embora se apregoe religiosamente que um dia haverá um só rebanho para um só pastor. Mas enquanto tivermos religiões institucionalizadas isso nunca será possível. Somente teremos um só rebanho para um só pastor, quando a única religião da Terra for o Amor e o único pastor, Deus. Nunca teremos uma humanidade absolutamente igual, porque existem desigualdades evolutivas.

A percepção da Cultura de Paz nos remete à uma humanidade pacífica, em que o respeito às diferenças e à compreensão de que é nas diferenças que somos iguais é que contitui as bases de uma humanidade pacífica. A percepção religiosa é singular porque a religião limita, uma vez que estabelece a fronteira nos horizontes de seu partido de crença.

O Instituto do Milênio, organização Internacional da qual participam mais de 50 Prêmios Nobel de diversas áreas, estabeleceu que durante o período da "civilização" foram perpetradas por todos os povos cerca de 15 mil guerras que deixaram um doloroso rastro de horror e destruição, mais de 80% delas motivadas pela intolerância religiosa. O Século XX foi o mais sangrento de toda a História, quando mais se matou seres humanos.

Assim, o passado histórico das religiões determina que elas não tiveram competência para construir a Paz no mundo. Todas elas se subdividiram motivadas por conflitos, politizaram-se e muitas se estatizaram, produzindo segregações e divisões que deram margem à manutenção da intolerância. A Paz no mundo será o resultado de uma construção da sociedade civil organizada, que norteará seus próprios caminhos no processo de mudança da cultura de violência para a Cultura de Paz. O método eficaz para alcançarmos esse objetivo no mais curto prazo é através de uma educação que construa suas bases fundamentadas na Cultura da Paz. Paz e Não-Violência são as éticas que podem mudar o mundo.

A percepção da Paz é plural porque a Paz é absoluta, não pode ter partido, está acima das religiões, dos homens e das instituições. Paz é síntese integrada entre as diferenças, não podendo ser um resultado de uma forma de crer, que é relativa, mas sobretudo um processo sistêmico de construção interior, uma vez que não a encontraremos em nenhum lugar externo.

Isso simplesmente porque a Paz não é um ser, não é uma entidade, nenhum precipitado isolado em algum lugar, à espera de um encontro. A única Paz possível é a Paz construída e ela não está em lugar algum, a não ser dentro do próprio indivíduo. Dentro de nós mesmos.

*Este instigante símbolo foi desenvolvido em 1935 por Nikolai Konstantinovich Roerich (9/out/1874 - 13/dez/1947) . Preocupado com a paz mundial, ele criou a "Pax Cultura", em que os círculos vermelhos representam as artes, as religiões e as ciências, dentro de um círculo aberto maior que simboliza a cultura. A cor utilizada seria a do fluido que os seres humanos têm nas veias do corpo. Tudo coerente a uma ideologia de fraternidade.

Roerich foi um pintor e professor espiritual russo. Nascido em São Petersburgo, visitou, na década de 20, Nova York (EUA), aonde criou, junto com sua esposa, várias fundações de mecenato cultural e de teosofia. Educado no seio de uma família apologista da paz, interessava-se por literatura, filosofia, arqueologia e, especialmente, arte.

Roerich depois percorreu a Ásia, estabelecendo-se na Índia em 1928, país conhecido por seus líderes pacificadores e teósofos. Ali fundou o Intituto Himaláico de Arqueologia. No ano seguinte foi nomeado para o Nobel da Paz, pela Universidade de Paris.

Em 1935, recebeu a segunda nomeação. A 15 de abril assinou com os EUA o Pacto de Roerich, um antecipado instrumento de proteção às artes. Entre os seus trabalhos destaca-se Convidados ao estrangeiro, obra concebida em 1899. Roerich faleceu em Punjab, na Índia. A maioria de suas obras conserva-se hoje em museus europeus, como o Museu Nacional de Artes da Letônia.

SAIBA MAIS
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nikolai_Konstantinovich_Roerich


PARTICIPE
2.ª Caminhada Pela Paz em Fortaleza
Domingo, 10 de setembro, a partir das 16 horas na Av. Leste-Oeste (Kartódromo), com grande encerramento musical ao lado da igreja de Sta. Edwirges. No evento, a presença dos artistas Geraldo Azevedo, Waldonys, Dorgival Dantas, Eliane Chagas, Márcia Porto e outros.

SAIBA MAIS
www.movpaz.com.br
http://www.londrinapazeando.org.br/
www.movpaz.org

CONTATE
Clóvis Nunes, coordenador do MovPaz Nacional
Tel.: (85) 8888-5533
pazpelapaz1@yahoo.com.br

TEMPERANDO O CALOR

As louras suadas


Os arqueólogos concordam em que a cerveja já era produzida há mais de 5 mil anos pelos egípcios e sumérios — quando, além de bebida, também era usada como remédio, para homenagens rituais nas cerimônias religiosas e como moeda de pagamento e de troca, bem como constituía uma importante fonte de nutrição.

A produção de cerveja envolve algumas matérias-primas fáceis de serem encontradas em todos os continentes. Significativamente, pão e cerveja são virtualmente produzidos com os mesmos ingredientes:

Água - principal componente; sua pureza é um importante determinante da qualidade final da cerveja;

Cevada – a maioria das cevadas destinadas à produção de cervejas é cultivada especialmente com este objetivo. A qualidade da cevada varia de acordo com o clima e região onde é produzida. Para ser usada na cerveja, a cevada deve ser maltada: é posta na água até iniciar sua germinação e em seguida secada em fornos, transformando-se em malte;

Trigo – algumas das cervejas mais refrescantes contêm uma proporção de trigo misturada à cevada;

Fermento – assim como o vinho, o pão, o iogurte e outros alimentos, a cerveja, para ser produzida, depende do fermento. O fermento é um micro-organismo unicelular, invisível a olho nu, que consome os açúcares do malte, convertendo-os em álcool;

Lúpulo – no passado, antes da introdução do lúpulo no processo de produção da cerveja, muitas espécies de ervas foram utilizadas para aromatizar e preservar as cervejas.

O processo de produção de cerveja passa por diversas etapas, entre as quais destacamos a fermentação, como muito importante para a qualidade do produto final. Da fermentação do açúcar contido numa fruta (como a uva), obtêm-se os vinhos. Este é um açúcar — glicose — de moléculas simples, pequenas, facilmente fermentescível com leveduras apropriadas. Já quando esta fermentação dá-se sobre os açúcares contidos em cereais (como a cevada), obtêm-se as cervejas.

Tais açúcares, chamados amidos, são moléculas complexas, bastante grandes, que precisam primeiro sofrer uma quebra, para poderem então fermentar e se transformar em álcool. No caso das cervejas, esta quebra das moléculas ocorre por um processo bioquímico — a germinação do grão — originando um produto intermediário denominado “malte”.

Resumindo, as cervejas são bebidas alcoólicas fermentadas obtidas exclusivamente a partir de malte (cevada germinada), água, fermento e lúpulo, que ao lhes ser adicionado confere um sabor amargo, equilibrando o sabor adocicado do malte.

Quanto ao processo de produção e ao tipo de fermento utilizado, as cervejas podem ser de
alta e de baixa fermentação. Alta fermentação é o processo mais antigo de seu preparo, no qual os fermentos sobem para a superfície do mosto e a fermentação acontece na temperatura entre 15ºC e 25ºC, durante um curto período de tempo (3 a 5 dias). As principais cervejas assim obtidas são as Ales, Altbier, Kolsch, Porter, Stout etc.

Baixa Fermentação é uma técnica mais recente, na qual os fermentos baixam ao fundo do mosto. Esta modalidade de fermentação tornou-se uma solução alternativa e, hoje, é a mais utilizada. Acontece em temperaturas mais baixas (6ºC a 8ºC) e o tempo de seu processo é mais longo (7 a 10 dias). São as Lager, Pilsener, Munchner, Bock, Dopple Bock etc.

A cerveja, nos seus diversos tipos e qualidades, é a bebida alcoólica mais consumida no mundo. No Brasil, país tropical, de clima quente, aprecia-se beber uma cerveja bem geladinha e de baixo teor alcoólico, entre 4% a 5%. A que mais se adapta a este paladar é a do tipo Pilsener ou Pilsen.

Esta preferência nacional fez com que a maioria de nossos fabricantes de cerveja, atendendo ao mercado, produzissem uma grande quantidade de Pilsen, além de uma pequena quantidade de Bocks e de Stouts (cerveja preta). Conclusão: o brasileiro desconhece a enorme diversidade de cervejas de boa qualidade produzidas no mundo.

A grande diferença entre o que nós chamamos de chopp e a cerveja está nos processos de conservação utilizados: o chopp, comercializado em barril, é fresco, não sofrendo nenhum processo de conservação. Por isso, tem duração muito curta e necessita ser guardado sob refrigeração. Antes do chopp ser engarrafado, se transformando em cerveja, passa, entre outros, por um processo de pasteurização que visa melhorar sua conservabilidade — evidentemente com prejuízo do paladar. Porém pode, então, ser armazenado em temperatura ambiente, por um tempo maior.

Mais recentemente, alguns produtores independentes de cerveja (entre os quais destacamos as marcas Baden-Baden de Campos do Jordão e a Eisenbahn de Blumenau), resolveram elaborar as cervejas chamadas “artesanais”. Estas novas cervejas, de muita qualidade e diferentes tipos, permitem ao consumidor brasileiro sair da rotina das Pilsens e aumentar seu prazer experimentando novos paladares e texturas.

Para que você aumente seus conhecimentos e diversifique seus prazeres no envolvente e delicioso mundo das cervejas, tenho o prazer de comunicar que, nas minhas últimas andanças por restaurantes de Fortaleza, encontrei em alguns deles (o Café Matisse, o Tilápia, o Café Pagliuca e o Jazzmin) à venda alguns tipos (8, se não me engano) das deliciosas cervejas da Eisenbahn.

Por sinal, experimentei uma deliciosíssima: a Weissenbeer, uma cerveja feita com trigo, onde desfrutei aromas e sabores complexos, inclusive o de cravo. È importante ressaltar que estas cervejas fazem excelentes harmonizações com os mais diversos e requintados pratos (há que experimentar para fazer um bom casamento, assunto para um outro papo).

Lembrando que usufruimos melhor as cervejas quando as bebemos com moderação, levantemos um brinde com uma boa cerveja. Saúde!!!


CONVIDE
O enogastrônomo Jorge Cals Coelho para degustar outros temas tão interessantes quanto este

jorge.calscoelho@gmail.com

O DIREITO DE SER VOCÊ MESMO

O que você será quando renascer?


Existe inteligência e intenção por trás de toda a criação. Assim, não é por acaso que você é você. Sob a liberdade de pensar, falar, fazer suas escolhas e trabalhar no que lhe dá prazer, está um direito básico, poucas vezes reconhecido — saber quem (e o quê) você é, desenvolver sua auto-estima e viver a partir de sua essência. Tudo isso constitui um saudável senso de si mesmo(a), quando você tem a oportunidade de “descobrir o mistério” que é “você” e que o(a) faz único(a) — e ainda assim, o(a) une a toda a família humana.

Pois a vida é uma jornada que se inicia com você e termina com você e que apresenta, no meio deste “caminho”, um imenso território, “esperando” por você para ser explorado e vivido. Porém, você tem estado tão ocupado(a), preocupando-se com tudo e com todos, que perdeu de vista o mais importante — você mesmo(a)! Então, como será possível “enxergar” esta dimensão? Como atingir este umbral e reconectar-se consigo mesmo(a)? Onde estará localizada esta “ciência misteriosa” que mostra você a si próprio(a)?

Ora, está em você mesmo(a) — ou melhor, em sua respiração: o Renascimento (Rebirthing) – Terapia da Respiração é um técnica simples e poderosa que o(a) ajuda a fazer esta conexão. Trata-se de um processo estudado há milênios na Índia, que alcança grande sucesso entre os ocidentais pela sua atuação imediata sobre os níveis físico e emocional através da respiração, sem a intervenção dos aspectos mental e/ou intelectual, normalmente já “bem conhecidos” por nós.

A Terapia da Respiração é poderosa e eficaz e sem qualquer contra-indicação. Baseia-se na respiração consciente e conectada, que cria um “movimento energético” capaz de dissolver tensões, angústias, medo e dor que foram contraídos — não expressados — e tudo o que é contrário à vida em sua plenitude.

Respirar é um processo concreto de transformação, que propicia confiança às pessoas. Elas descobrem que a vitalidade e a harmonia que há tanto tempo procuravam sempre estiveram à sua disposição — e que resgatar tais bênçãos depende, basicamente, delas mesmas. É como reentrar nos nossos mais escuros porões — mas, desta vez, acompanhado(a)s por uma “luz” interna, que acalma o espírito e liberta as emoções.

Pois (mais) uma oportunidade de vivenciar esta técnica está para ocorrer em Fortaleza: a terapeuta renascedora A. Ramyata está chegando à capital cearense nos próximos dias para coordenar um Programa de Renascimento aberto à sua participação. Sua missão é mostrar de que forma a nossa respiração acontece no presente — e que quem respira somos nós — é você. Fica o convite: inspire-se e venha respirar. Pesquise e conheça (-se) mais. E eis o que diz a psicóloga Dominique Levadoux:

“Respirar é aprender a reconhecer seu poder infinito e utilizá-lo com toda consciência, sabedoria e amor.”


PERFIL
A. Ramyata tem formação em Psicologia e é terapeuta holística, formada e especializada em Renascimento – Terapia da Respiração, com a psicóloga alemã Samvara Boewig. Coordena, há 15 anos, a Formação de Terapeutas Renascedores no Brasil e é uma das fundadoras do Osho Centro de Renascimento no Rio de Janeiro. Em 1993 fez o Treinamento Avatar com Harry Palmer nos EUA, tornando-se Avatar Master credenciada pelo Star’s Edge International.

Em 1995 ela foi treinada por Gerd Ziegler e Luna Muller, no Transcendence Process e em 2003, com Fritjof Kraft – Rahasya, no Treinamento para a Vida. Ramyata atualizou e reciclou sua formação em Renascimento em 2004 com Bob Mandel e Thomas Verny e agora participa do Projeto Internacional de Auto-Estima. Nestes anos, tem coordenado workshops e treinamentos em Renascimento, Avatar e Transcendência em várias cidades do País. Atualmente, dissemina esses conhecimentos por meio de parcerias com várias empresas em todo o Brasil.

PALESTRA ABERTA
Dia 13 de setembro às 20h

WORKSHOP
Dias 15, 16 e 17 de setembro
sexta-feira, das 20h às 22h
sábado e domingo, das 8h às 18h
(com intervalo para o almoço)

LOCAL
Hotel Golden Tulip Iate Plaza
Av. Beira Mar, 4753 — Praia do Mucuripe — Fortaleza/CE
(após o mercado de peixes, ao final da Beira Mar)

Mais informações com Maristela
Tels.: (85) 9953-5916 / 3262-1799 (à noite)

maristela.martini@terra.com.br


SAIBA MAIS

Sobre a Terapia do Renascimento acessando o post UNIVERSO EM MUTAÇÃO, criado em 10 de agosto de 2006 aqui no Blog Dapraia

01 setembro 2006

BISCOITO FINO

Exercitando o pensamento


Um menino vivia dizendo, a respeito de um colega: "Desejo tudo de ruim para ele. Quero matar esse cara!" Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho, que continua a reclamar: "O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito isso! Gostaria que ele ficasse doente, sem poder ir à escola!"

O pai escuta tudo, calado, enquanto caminha em direção a um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal, enquanto o menino o acompanhava. Zeca vê o saco ser aberto e, antes que possa fazer alguma pergunta, o pai lhe propõe algo: "Filho, faça de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amigo Juca, e que cada pedaço de carvão dentro do saco é um mau pensamento seu endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto, para ver como ficou."

O menino acha que seria uma brincadeira bem divertida, e põe mãos à obra. O varal com a camisa estava longe, e poucos pedaços de carvão acertavam o alvo. Uma hora se passou e Zeca terminou a tarefa. O pai, que a tudo espiava de longe, aproxima-se do menino e pergunta: "Filho, como está se sentindo?"

"Estou cansado, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa", responde o pequeno. O pai olha, impassível, para o menino que não consegue entender a razão daquela brincadeira, e lhe fala: "Venha comigo até o meu quarto, quero mostrar-lhe uma coisa." O filho segue o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho, onde pode ver todo o seu corpo.

Que susto! Só consegue enxergar seus dentes e os olhinhos, arregalados! O pai então lhe diz, ternamente: "Filho, você viu que a camisa no varal quase não se sujou, mas olhe só para si mesmo! Pois o mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com os nossos pensamentos a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos."

"Porisso", finalizou o homem, "tome cuidado com os seus pensamentos, pois eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras, pois elas se transformam em ações. Cuidado com suas ações, pois elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus hábitos, pois eles moldam o seu caráter. Por fim, cuide bem de seu caráter, pois ele controla o seu destino."

Sem dizer uma palavra, corado e cabisbaixo, o menino caminha, rápido mas silenciosamente, para o chuveiro. O pai agradece em seu pensamento o dom da palavra e a bênção do discernimento ao Deus Onipotente.


Adaptação do editorial (boletim YMCA Acontece n.º 6) assinado por Luiz Carlos Gonzaga,
secretário-geral da Federação Brasileira das Associações Cristãs de Moços (SP)
CONTATO
SAIBA MAIS SOBRE A YMCA

MENTE SÃ EM CORPO SÃO

45 milhões de associados


Imagine uma instituição internacional, que representa um criativo movimento social, ecumênico e não sectário, presente em mais de 120 países, com cerca de 14 mil sedes (!) e mais de 45 milhões da participantes (!). A este perfil "enxuto", acrescente uma privilegiada cadeira no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da ONU e o reconhecimento por constituir a maior rede de serviços voluntários do mundo (seu exemplo e modus operandi há muito tempo servem de modelo para a atuação de incontáveis outras entidades em toda parte — basta pensar um pouquinho e olhar ao redor).

Detalhe: apesar de presente desde os anos 1900 em várias cidades do Brasil, tal instituição — a Young Men's Christian Association (YMCA) ou Associação Cristã de Moços (ACM), como a conhecemos — ainda não encontrou solo fértil para desembarcar e estabelecer-se definitivamente no Ceará, bem como de resto, não se encontra presente no Nordeste.

No início do século XIX, enquanto se desenvolvia a Revolução Industrial, nasceu a YMCA, como tentativa de promover o bem-estar da sociedade frente às precárias condições de vida da época. Não havia lazer, cuidar da saúde era uma árdua tarefa e as jornadas de trabalho nas novas indústrias podia chegar a 16 horas, sem distinção de homens, mulheres ou crianças. Diante desta realidade adversa George Williams, um jovem preocupado com o futuro de sua geração, fundou a Young Men's Christian Association em Londres, em 6 de junho de 1844.

Tudo teve início com reuniões de leitura dirigida de textos bíblicos, a fim de levar uma mensagem positiva aos jovens que se aglomeravam na cidade em busca de trabalho, retirando-os das ruas e oferecendo-lhes motivos para uma integração sadia. A partir de 1851, quando a ACM chegou aos EUA, os jovens receberam ainda mais incentivo, pois a instituição uniu os benefícios da prática esportiva ao desenvolvimento de valores do caráter e do espírito: eis como foi (muito bem) aproveitado o famoso slogan em Latim Mens sana in corpore sano.

No Brasil, Mayron August Clark, um acemista norte-americano cuja missão era disseminar a experiência da ACM na América Latina, fundou a primeira ACM brasileira no Rio de Janeiro, em 1893. Em 1901 surge a ACM Rio Grande do Sul e, um ano mais tarde, a ACM São Paulo.

Para oferecer atrativos dignos aos jovens conectados ao movimento, na ACM foram criados o basquetebol e outros esportes coletivos de salão. Piscinas indoors aquecidas funcionando em edifícios urbanos também vieram integrar o trabalho, causando o surgimento da maioria das modalidades esportivas que temos hoje, com suas regras de arbitragem e premiações. Além disso, são inúmeras as opções de atividades promovidas, desde escotismo, escolas e creches, a qualificação em idiomas, teatro, yoga e ballet — por exemplo, quem busca o desporto na ACM de Lisboa encontra aeróbica, aerocombat, correção postural e alongamentos, exercícios de circuito, fitremix, fitsênior, bola suíça, hip-hop & dance, ju-jitsu, karate, lift, localizada e step (combinações de música, coreografias e exercícios cardiovascular e de resistência muscular utilizando pesos, barras, elásticos, halteres e plataformas de step). Adivinha onde surgiu a primeira academia (a figura acima é apenas ilustrativa, pois a ACM está presente em 122 países)?

A Federação Brasileira das ACMs, fundada em 1903 e com sede em São Paulo/SP, é a entidade que congrega os movimentos nacionais e trabalha pela unificação do discurso institucional, promove e solidifica parcerias nacionais e internacionais, além de organizar a extensão e a expansão da instituição no País. No mundo, a ACM é uma vasta rede que oferece assistência a comunidades em, por exemplo, países da África e Oriente Médio, ao mesmo tempo em que permite ao associado comum a prática de esportes em um ambiente adequado, além de proporcionar viagens, acampamentos, cursos, palestras e formação de líderes em localizações as mais diversas — como um incrível edifício no Central Park, doado pela coroa espanhola para ser uma das sedes da YMCA New York. Para completar, as ACMs estão abertas a pessoas de todas as raças, idades, habilidades, crenças religiosas e níveis econômicos.

Atuando como unidades interdependentes, um dos slogans da YMCA é: We build strong kids, strong families, strong communities, servindo há mais de 150 anos ao desenvolvimento social da Terra. Atualmente, os executivos da ACM brasileira buscam maior capacitação em gestão estratégica, em busca do aprimoramento de suas ações. Quem sabe um dia desses não possamos nos associar a uma sede da ACM perto de nossas casas? Tudo a ver. Imagine.


A ACM NO BRASIL


  • 1893 - Rio de Janeiro (RJ)
  • 1901 - Porto Alegre (RS)
  • 1902 - São Paulo (SP)
  • 1950 - Belo Horizonte (MG)
  • 1954 - Sorocaba (SP)
  • 1965 - Brasília (DF)
  • 1966 - Londrina (PR)
  • 1984 - Itapeva (SP)
  • 2006 - ...

SAIBA MAIS
http://www.ymca.org.br

http://www.ymca.net

http://www.acmlisboa.pt/mundo.htm

http://www.ymcaworldservice.org/

26 agosto 2006

DOIS BRASIS 1

O maravilhoso e o incompetente


Quando contemplo o mundo e olho o Brasil, concluo que este País não é competitivo. No entanto, desfruta de ilimitadas chances de se tornar uma das maiores nações do planeta. Basta nos comparar com o Japão, esmagado pelos americanos em 1945, paupérrimo em recursos naturais, localizado entre gigantes (China, União Soviética, tigres asiáticos), rodeado de vulcões por todos os lados, falando um idioma complicado, e mesmo assim, o segundo PIB mundial, ancorado na excelência da população, sobretudo da mão-de-obra, e numa refinada elite governamental e empresarial.

E o Brasil, possuidor de recursos abundantes e ainda patinando como ilustre desconhecido, quando muito em fase de desenvolvimento, apesar da baixa taxa de crescimento até na América Latina. Ao cotejar o desenvolvimento e o crescimento chinês com o brasileiro, ficamos atordoados. Continuamos bloqueados por vários condicionantes internos. Um deles, o auto-engano de eterno ''País do Futuro''. E esse futuro não chega. Nessa falta de competitividade globalizada, entram vários fatores. Um deles, a ''incompetência brasileira''.

Em outro artigo, afirmei: ''O Brasil dispõe de uma cultura, neste alvorecer do século XXI, extremamente pecaminosa, lesiva, banhada pela corrupção, por uma notória incompetência.'' E, acrescentei, ''nada funciona aqui ou funciona de maneira improvisada, a não ser que o indivíduo não tenha olho crítico, seja conformista, alienado''. Não reclama, não luta pelos seus direitos e ainda estimula a mediocridade e o erro. Ambos são protegidos, por causa da ''solidariedade da mediocridade''. E, prossegui, ''se ele tiver um mínimo de cidadania, será um eterno revoltado. A incompetência está ramificada em todos os setores''.

Não tenho medo dos incompetentes nem dos medíocres. Tenho uma enorme insegurança, inquietação com a ''solidariedade'' dos incompetentes e dos medíocres. Eles se irmanam entre si, fechando todas as portas para quem tem um mínimo de talento. A incompetência foi plantada já no descobrimento pelos portugueses, revelando naquela época — há mais de 500 anos — uma miopia imperdoável. Chegaram aqui no século XV e levaram 30 anos para retornar às plagas nacionais, porque não perceberam as nossas potencialidades e riquezas. Só retornaram após se sentirem acossados pelos piratas europeus que começaram a nos cercar.

Outro indicador de incompetência (talvez mais de corrupção), o escrivão da Frota Pero Vaz de Caminha, na primeira carta ao Rei de Portugal, no meio de um texto superficial, pedia um emprego para seu sobrinho. Outra luz na construção da incompetência nacional ocorreu com os primeiros passos da educação escolar, que vem se deteriorando ao longo dos séculos, chegando agora ao fundo do poço. As aulas ministradas pelos jesuítas no começo da colonização, uma imposição aos silvícolas de valores, ideologias, visões importadas sem nenhum compromisso com a realidade local.

Essa distorção continua, com uma desvantagem: transmissão de utopias intermediadas por ineficazes e mal-intencionados processos pedagógicos. Portanto, no momento da elaboração deste artigo, o Brasil se apresenta assentado em dois pilares. De um lado, uma nação maravilhosa para se viver, do ponto de vista geográfico. A geografia brasileira é incomparável. Único País do mundo a preencher todas as necessidades autênticas do ser humano, daí a luta dos estrangeiros — por exemplo, os executivos — em querer continuar residindo aqui.

O Brasil oferece tudo para o indivíduo passar a existência levando uma vida saborosa, prazerosa. Amplo, rico e atraente litoral, praias deslumbrantes, clima ameno, nação agradável, sem terremoto, sem terrorismo, povo bom, de excelente relacionamento, de estimulante convivência, onde se desfruta de privilegiados espaços de sobrevivência. Só morre de fome quem detesta trabalhar, tem cabeça truncada e o lazer, a ociosidade por opção. Mas quem possui um mínimo de inteligência, vontade de dar duro, usufrui de todas as condições para viver dignamente.

Há uns 10 anos fiz uma viagem de estudos dentro de um programa de formação e desenvolvimento de executivos internacionais com alunos da Universidade de São Paulo (USP), visitando seis países europeus. Numa reunião com um dos diretores da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, um dos alunos perguntou ao diretor do órgão as possibilidades de ele fazer uma carreira trabalhando na Suíça. O executivo foi enfático na resposta: ''Nem pensar nesse desejo. Volte para o Brasil, porque lá se encontram notáveis atrações.'' E completou: ''Aqui na Europa todos os espaços estão ocupados''.

Outras ilustrações do Brasil maravilhoso. Na coordenação da programação dos alunos de MBA da Whorton, conceituada e famosa escola de negócios dos Estados Unidos e uma das mais credenciadas do mundo, com sede na Filadélfia, incluí Fortaleza. Ficaram nesta cidade 10 dias. Ao término do estágio na capital do Ceará, fui procurado por eles. Isso me preocupou. Em resumo, a questão central deles era a seguinte: ''Professor Cléber Aquino, será que há possibilidades de nós trabalharmos em Fortaleza ou de montar um negócio?'' Fiquei perplexo com esta interpelação.

São considerados os melhores estudantes do mundo em Gestão, preparados para presidir corporações globais, multinacionais, jovens viajados, poliglotas, filhos de ricos e estudantes nos Estados Unidos. E querendo viver e trabalhar no Brasil/Nordeste. Constantemente sou procurado por estrangeiros cursando disciplinas na USP, com os mesmos interesses. Um deles francês, residindo em Paris ao lado da Torre Eiffel, terminando o doutorado no Canadá, sua idéia fixa é morar no Brasil. Procurei mergulhar nas motivações deles, principalmente dos alunos da Whorton.


Por unanimidade, afirmaram que o Brasil mexeu com a cabeça deles, passaram a questionar se valia continuar no tal do "primeiro mundo", considerando a qualidade de vida aqui. Por outro lado, na paralela desse Brasil maravilhoso, deslumbrante, encanto dos estrangeiros, nós brasileiros somos metralhados por um show de incompetência, indo desde o porteiro de um prédio residencial à Presidência da República, e daí ao parque empresarial, aos profissionais liberais, enfim, em todos os segmentos nacionais. Até a corrupção é conduzida de maneira incompetente.


VÁ ALÉM
Cleber Aquino é professor da Universidade de São Paulo (USP), consultor de Alta Gestão e coordenador dos 6 volumes de História empresarial vivida – Depoimentos de empresários brasileiros bem-sucedidos (Editora Gazeta Mercantil, 1986 – compre em http://www.livronet.com.br/produtos.php?codigo=189084). Escreve quinzenalmente aos domingos para a coluna Análise Econômica do jornal O Povo
www.opovo.com.br

20 agosto 2006

INTERAÇÃO SIGNIFICANTE

Eles não são apenas formas


"Gêneros são formas de vida, modos de ser. São frames para cada ação social. São ambientes para aprendizagem. São os lugares onde o sentido é construído. Os Gêneros moldam os pensamentos que formamos e as comunicações através das quais interagimos. Gêneros são os lugares familiares para onde nos dirigimos para criar ações comunicativas inteligíveis uns com os outros e são os modelos que utilizamos para explorar o não-familiar."

(Charles Bazerman)

Uma semana cheia esta em Fortaleza, com a 7.º Bienal Internacional do Livro inundando de literatura a cidade. Entre os lançamentos e boas opções de compra, destacou-se o evento paralelo Festival Internacional de Ilustração de Fortaleza — uma série de palestras, debates, exposição, oficinas e lançamentos, até 27 de agosto no Centro de Convenções, com curadoria dos artistas Daniel Diaz, Rafael Limaverde e Weaver Lima.

Na enxuta e expressiva exposição, tematizada como Mostra 1001 Utilidades, figuram trabalhos de 30 artistas da ilustração, quadrinhos, charge, cartum e caricatura, na ordem: Audifax, Carlus, Clayton, Damião, Daniel Brandão, Daniel Diaz, Denilson Albano, Franklin de Oliveira, Geraldo Jesuíno, Guabiras, Hemetério, Ivna Mourão, Jefferson, JJ Marreiro, Klévisson, Viana, Lilá, Lobo, Lupin, Marcílio S., Mário Sanders, Mariza Viana, Maurício Silva, Mino, Newton Silva, Nice Estrigas, Rafael Limaverde, Sinfrônio, Thyago, Valber Benevides, Weaver Lima. Se estiver na área vá ver, no Bloco B, sala B5.

...e na 7.ª Bienal...
Entre as boas edições trazidas ao evento, Charles Bazerman, lingüista e professor na Universidade da Califórnia, marca presença intelectual com sua obra Gênero, agência e escrita (lançada no Brasil pela Cortez Editora). A abordagem de "gênero" por ele delineada vai além do gênero como constructo formal, para vê-lo como ação tipificada pela qual podemos tornar nossas intenções e sentidos inteligíveis para os outros. Como resultado, o gênero é o que "dá forma a nossas ações e intenções". É um meio de "agência" e não pode ser ensinado divorciado da ação e das situações dentro das quais aquelas ações são significativas e motivadoras.

Bazerman está bem alerta para o "detalhe" de que, assim como as ações, intenções e situações humanas, uma "teoria de gênero" precisa ser dinâmica e estar sempre mudando. Segundo o autor, na medida em que os alunos aprendem que sua escrita não somente pode afetar as pessoas na sala de aula e na comunidade, mas também pode levar significados e intenções para outras pessoas que não conhecem pessoalmente, eles focam mais atenção no mundo de interação criado dentro do texto. "O texto se torna um lugar onde a interação significante acontece, em vez de ser acessório à interação face-a-face enriquecida com uma história pessoal."

O mistério de como ações podem ser criadas à distância através de significados criados em um texto é o tema do capítulo final Performance textual: Localizando a ação à distância. "Quando os alunos podem fazer seus textos terem vida para leitores à distância, criando interação dos significados evocados pelo texto, eles terão alcançado a agência mais profunda da escrita”, descreve Bazerman. Esta é uma obra certamente indicada para estudantes e pesquisadores nas áreas de Educação, Letras, Comunicação e Ciências Sociais.


SERVIÇO
Gênero, agência e escrita, por Charles Bazerman
Organizadoras: Judith Chambliss e Angela Paiva Dionisio
144 páginas, R$ 26

17 agosto 2006

EPISÓDIOS PARA SETEMBRO

Mais 11 super-heróis em ação


Virar gente grande pode ser difícil para uma criança, mas em Robotboy, que faz sua estréia no canal Cartoon Network, um andróide adolescente é criado por um cientista japonês para ser um robô guerreiro, porém com sentimentos e emoções humanas. É importante o herói não cair em mãos erradas e, por isso, ele vive com seu grande amigo Tommy.

Tommy Turnbull é um menino de 10 anos de idade, sensível e inteligente, que possui um grande segredo. Seu brinquedo favorito, guardado com cuidado em seu quarto, é um robô chamado Robotboy. Com um simples comando no seu relógio de pulso, Tommy consegue ativá-lo e colocá-lo em ação. Normalmente, Tommy anda com o brinquedo desativado, exceto quando está em perigo.

Quando acionado por Tommy, Robotboy torna-se um robô do tamanho de uma criança… grande, forte e guerreira. Se chamado para tirar seus amigos de uma situação de risco, Robotboy se revela um equipamento ultramoderno, pronto para o combate. No passado, Robotboy foi criado pelo Professor Moshimo para participar de um concurso de televisão de luta de robôs. Porém, o malvado doutor Kamikazi descobre a invenção do cientista japonês e tenta apoderar-se da máquina, a fim de dominar o mundo. Para protegê-lo, o Professor Moshimo entrega-o a Tommy, seu principal admirador. O menino deverá mantê-lo a salvo, com a ajuda de seus amigos Gus e Lola.

Para combater outros vilões, o Cartoon Network traz em setembro novos episódios de Ben 10, que continua surpreendendo com os poderes novos e espetaculares que ganha quando o Omnitrix o transforma em qualquer um dos dez heróis alienígenas.

A criançada poderá juntar-se a Ben, enquanto ele aprende a lidar com seus novos poderes: para começar, ele será obrigado a enfrentar três alienígenas caçadores de recompensas. E ainda conhece um mutante superlegal… ou será que ele não é tão legal assim? Ben também terá que superar o seu medo de palhaços. Mais que tudo, o garoto precisa adaptar-se ao Omnitrix, com todos os problemas que isso pode trazer, enquanto assume o papel de defender os inocentes.


SOBRE O CANAL
Cartoon Network para a América Latina é a rede de cabo e satélite da Turner Broadcasting System, Inc. que oferece 24 horas com animação da maior filmoteca mundial de desenhos animados, além de programas originais como As meninas superpoderosas, O laboratório de Dexter, Du, Dudu e Edu, KND – A turma do bairro, A mansão Foster para amigos imaginários, Hi Hi Puffy AmiYumi, O acampamento de Lazlo, A vida e aventuras de Juniper Lee, Meu amigo da escola é um macaco e Ben 10.

O Cartoon Network para a América Latina é a rede a cabo mais assistida da região, disponível em 19,2 milhões de lares. Lançada na América Latina em 30 de abril de 1993, a rede é transmitida em Português, Espanhol e Inglês.

ACESSE
www.cartoonnetwork.com.br


ASSISTA
Robotboy — sábados, às 11h30 (a partir de 2 de setembro)
Ben 10 — sextas, às 19h30 (a partir de 1.º de setembro)


É TEMPO DE INSTIGAR

Para um novo senso comum


Lançar os fundamentos de uma nova cultura política, que permita voltar a pensar e a querer a transformação social e emancipatória. Este é o objetivo central do livro A gramática do tempo: Para uma nova cultura política, do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos.

Editado no Brasil pela Cortez Editora, o livro trata da reconstrução da tensão entre regulação social e emancipação social como condição para o retorno ao que foi designado como “epistemologia do Sul” — um pensamento alternativo de alternativas.

Ante o colapso do contrato social da modernidade ocidental capitalista e colonial e a proliferação de fascismos sociais, é necessário reinventar a democracia, a cultura política e o próprio Estado. Como opção à democracia de baixa intensidade que hoje domina são propostas formas de democracia de alta intensidade, através das quais é possível expandir os espaços públicos, tanto estatais como não-estatais. Neste volume(*), as análises centram-se em articulações entre os espaços-tempo local, nacional e global: aqui se infiltram idéias articuladas em sistemas e redes.

Boaventura analisa, em especial, a complexa transição de uma "teoria crítica pós-moderna" para uma "teoria crítica pós-colonial". "É uma passagem complexa, porque nem sempre a segunda anula a primeira, nem qualquer delas responde adequadamente às passagens que continuo explorando. A minha crítica da modernidade ocidental — concebida quer como paradigma epistemológico, quer como paradigma sócio-cultural — nunca se identificou com as concepções pós-modernas dominantes entre os autores do Atlântico Norte. Nunca deixei que a crítica dos modos modernos de transgressão boicotasse a idéia de transgressão. Nunca perdi de vista que a desconstrução da modernidade e da crítica moderna da modernidade não deveria envolver a desconstrução da aspiração a uma sociedade mais justa e mais solidária, e muito menos o desarme das lutas de resistência contra a injustiça e a opressão", explica o autor.

Pelo contrário, foi o rearme, não o desarme, o que moveu o seu trabalho teórico, crítico e analítico e, daí, a sua caracterização do tempo de transição que vivemos: confrontamos problemas modernos (igualdade, liberdade, fraternidade, paz) para os quais não há soluções modernas, dadas as inadequações reveladas pelo liberalismo, o progresso, o marxismo, a revolução e o reformismo. Seja como for, o autor recusa-se a ter uma concepção pós-moderna da pós-modernidade. E caracteriza sua posição como o pós-modernismo de oposição, uma designação que confronta o que denominou pós-modernismo celebratório, "a posição daqueles que passaram da crítica das concepções modernas de transformação social emancipatória ao abandono da própria idéia de emancipação social", complementa.


SOBRE O AUTOR
Boaventura de Sousa Santos, nascido em Coimbra, é doutor em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale (1973), professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Universidade de Wisconsin-Madison, diretor do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, além de diretor do Centro de Documentação 25 de Abril daquela instituição. Recebeu o Prêmio de Ensaio Pen Club Português (1994), Prêmio Gulbenkian de Ciência (1996), Prêmio Bordalo da Imprensa – Ciências (1997), Prêmio Jabuti – Área de Ciências Humanas e Educação (Brasil, 2001), Prêmio Euclides da Cunha da União Brasileira de Escritores (Rio de Janeiro, 2004), Prêmio “Reconocimiento al Mérito”, da Universidade Veracruzana (México, 2005), e Prêmio de Ensaio Ezequiel Colômbia Estrada da Casa de las Américas (Cuba, 2006).


LIVROS PUBLICADOS (seleção)
Um discurso sobre as ciências, Porto, Afrontamento, 1988 (14.ª edição), publicado pela Editora Cortez, São Paulo, 2003 (4ª edição); Introdução a uma ciência pós-moderna, Porto, Afrontamento, 1989 (6.ª edição), publicado por Graal, São Paulo (3.ª edição); Estado e sociedade em Portugal (1974-1988), Porto, Afrontamento, 1990 (3.ª edição); Pela mão de Alice: O social e o político na pós-modernidade, Porto, Afrontamento, 1994 (8.ª edição), publicado pela Editora Cortez, 1995 (10.ª edição) e na Colômbia, Ediciones Uniandes (1998); Toward a new common sense: Law, science and politics in the paradigmatic transition, New York, Routledge, 1995; Os tribunais nas sociedades contemporâneas: O caso português (org.), Porto, Afrontamento, 1996; La globalización o el derecho: los nuevos caminos de la regulación y la emancipación, Colômbia, ILSA, Ediciones Universidad Nacional de Colombia, 1998; e Reinventar a democracia, Lisboa, Gradiva, 1998 .

(*) O volume A gramática do tempo: Para uma nova cultura política é o quarto da obra “Para um novo senso comum: A ciência, o direito e a política na transição paradigmática”, publicada originalmente em inglês, Toward a new common sense: Law, science and politics in the paradigmatic transition (New York, Routledge, 1995), e amplia profundamente a reflexão aí apresentada. O objetivo desta obra é desenvolver epistemologias e teorias sociais que travem a proliferação da razão cínica, que alimentem o inconformismo contra a injustiça e a opressão e, por fim, que permitam reinventar os caminhos da emancipação social. Os demais volumes são: A crítica da razão indolente: Contra o desperdício da experiência; O direito da rua: Ordem e desordem nas sociedades subalternas; e Os trabalhos de Atlas: Regulação e emancipação na Redopolis.


SOBRE A EDITORA E O MERCADO EDITORIAL
  • Atuação no mercado:
    Fundada em 1980 (originou-se da Cortez & Morais, antes localizada atrás da PUCSP), a Cortez Editora tem em catálogo cerca de 800 títulos nas áreas de Educação, Serviço Social, Sociologia, Meio Ambiente, Lingüística, Psicologia, Fonoaudiologia e Literatura Infanto-juvenil. Seu público-alvo central compõe-se de alunos e professores universitários, pesquisadores e interessados nas Ciências Humanas, além de alunos até 14 anos de escolas públicas e privadas.
  • Principais títulos:
    Aqui figuram A importância do ato de ler de Paulo Freire e Metodologia do trabalho cientifico de Antonio Joaquim Severino (mais de 250 mil exemplares vendidos) e, mais recentemente, na área de Literatura Infanto-juvenil, o livro Na minha escola todo mundo é igual, de Rossana Ramos (mais de 30 mil exemplares vendidos).
  • Projeto Nossa Capital:
    A coleção Nossa Capital conta com três livros — São Paulo: De colina a cidade; Fortaleza: De dunas andantes a cidade banhada de sol; e Natal: A noiva do sol —, lança mais dois na Bienal Internacional do Livro de Fortaleza que ocorre este mês, focalizando Brasília e Curitiba e, ainda em 2006, a elas juntar-se-ão Recife, Vitória, Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro e Manaus. A Coleção deverá estar completa até o final de 2007. A idéia principal é fazer com que professores e alunos comecem a ver sua cidade de outro ângulo, desenvolvendo uma noção de cidadania.
  • Mercado externo:
    Desde 1998, através de projeto direcionado ao mercado de língua espanhola, a Cortez Editora publicou 12 títulos na área de Serviços Social (Biblioteca Latinoamericana de Servicio Social) e 14 títulos na área Infanto-juvenil. As oportunidades de negócios, sejam em que área for, devem levar em conta a globalização e as oportunidades de abertura proporcionadas pelo mercado.
  • Preço do livro impresso:
    Há relação direta entre o preço do livro e o poder aquisitivo da população em geral. Uma das alternativas para a solução deste impasse seria um amplo projeto de reestruturação e manutenção de acervos de bibliotecas — especialmente de Universidades públicas e privadas. Tal ação possibilitaria (no caso do segmento de livros técnicos e científicos) um aumento direto do número de leitores e um aumento das tiragens, possibilitando (a médio e longo prazos) uma queda nos preços de livros. Projeto semelhante, se adotado para as bibliotecas públicas escolares e comunitárias, favoreceria outro segmento de leitores.
  • O leitor:
    Não importa o que o leitor leia, o importante é que leia algo! Dessa forma, o não-leitor poderá ter a chance de iniciar seu processo de construção da leitura. O best-seller, por exemplo, faz com que o leitor seja convidado a entrar numa livraria ou comprar o exemplar em um supermercado ou farmácia. Este tipo de literatura traz uma situação importante para o mercado editorial como um todo, pois contribui para que o livro, nesses casos, seja "desejado" pelo leitor.
  • PNLL-Plano Nacional do Livro e Leitura (http://www.pnll.gov.br) e algumas isenções importantes:
    O PNLL Vivaleitura tornou-se um dos principais canais para discutir o tema "leitura". É muito importante que continue. A desoneração do PIS e Cofins foi fundamental para o mercado editorial e sua cadeia produtiva e distributiva, já que beneficiou principalmente distribuidores e livreiros.
  • Desaparecimento do livro impresso:
    Não acredito no desaparecimento do livro impresso. Todavia, haverá uma readequação, com o advento de novas tecnologias que possibilitarão que mais leitores sejam incorporados, pois o livro — seja qual for seu formato — estará mais acessível e disponível.

por Jose Xavier Cortez (diretor)


SERVIÇO
A gramática do tempo: Para uma nova cultura política, 512 páginas, R$ 59,00
Autor: Boaventura de Sousa Santos
Cortez Editora — Rua Bartira, 317 – Perdizes
05009-000 — São Paulo/SP — Tel.: (11) 3864-0111
cortez@cortezeditora.com.br
www.cortezeditora.com.br

10 agosto 2006

UNIVERSO EM MUTAÇÃO

Obter o corpo desejado, apenas respirando


Através do Rebirthing ou Respiração Consciente podemos ter o corpo que desejamos, baseando-nos no fato de que nosso pensamento é criativo e que com ele criamos a nossa realidade. Assim, podemos tentar seguir uma dieta naturista ou de baixas calorias, mas se não mudarmos a qualidade dos nossos pensamentos a respeito dos alimentos, não obteremos o domínio de nosso corpo físico e não conseguiremos manter o nosso "peso ideal". O Rebirthing nos permite alcançar o domínio absoluto do nosso corpo físico, porque através desta técnica logramos dominar os nossos pensamentos.

Mas por que não funcionam as dietas alimentares? Não funcionam, simplesmente, porque temos fortes crenças arraigadas sobre as comidas e sobre nossa alimentação: cremos que o que comemos faz mal ao nosso corpo ou o engorda, de modo que não podemos desfrutar livremente dos alimentos que escolhemos. Porém, se modificarmos a qualidade dos nossos pensamentos, poderemos comer o que mais nos agrada, sem engordar.

Porém, as crenças são muito fortes e ainda assim somos programados, desde muito pequeno(a)s, com idéias tais como "se você não comer, irá morrer" — e a forma de obter o amor e a aprovação dos nossos pais acaba sendo mesmo "limpando" o prato. Em conseqüência, comíamos em excesso ou sem ter fome, quando em realidade nos poderiam haver ensinado a escutar e sentir os desejos do nosso corpo, que é sábio por natureza e "sabe" quando tem fome, quando precisa comer doce ou salgado, ou apenas não comer...

Sabemos que, quando uma criança não come quando seus pais assim impõem, isto se converte em algo dramático que inevitavelmente transferimos para a nossa vida adulta, e se manifesta como transtornos em nossa alimentação. Comemos "em excesso" ou até comemos as comidas que mais nos agrada saborear com muita culpa, já que cremos fortemente que nos vão engordar ou fazer-nos mal ao fígado, quando estamos ansiosos ou necessitamos amor.

Ao invés de sentirmos o que se passa conosco, tapamos nossas emoções com comida, de forma que nunca estamos satisfeitos. Em vez de pedir amor comemos, sem sequer nos darmos conta se temos fome ou não. É interessante pararmos para pensar o que é que realmente queremos ou pensamos nestes momentos!

De toda forma, não se trata de culpar nossos pais pelas crenças que temos a respeito da nossa alimentação, já que esta síndrome se foi transferindo inconscientemente de geração em geração, mas agora temos a possibilidade de escolher e temos as ferramentas necessárias para produzir em nós uma mudança, se assim o desejarmos.

O excesso de peso muitas vezes é ódio retido — e uma maneira de nos livrarmos disso é através do Perdão, já que quando odiamos alguém estamos cedendo o nosso poder. "Perdôo e sou livre, recupero meu poder e tenho o domínio dos meus pensamentos". Podemos considerar esta como uma fórmula bem prática.

Portanto, quando estamos "conscientes" do pensamento que depositamos em cada uma das coisas que comemos, temos a ferramenta fundamental para poder reverter isso — e assim podemos comer tudo o que desejarmos, quando tivermos vontade, sem engordar ou prejudicar o nosso corpo.

Simplesmente respire e deixe que aflorem os pensamentos que o(a) estão engordando ou fazendo mal ao seu corpo — e que não permitem que você desfrute de comer o que seja nem manter o seu "peso perfeito".


LESLIE THURSTON NO BRASIL
Vamos conhecer Leslie Temple-Thurston (foto), que estará no Brasil de 24 a 27 de agosto no Sítio do Ingá, em Teresópolis/RJ, a convite de Samvara Bodewig e A. Ramyata, para lançar seu livro traduzido em Português e ministrar darshans. É nossa oportunidade de fazer um trabalho intensivo com ela. Estamos aceitando inscrições porque a procura é grande e as vagas, limitadas.

Leslie Temple-Thurston é uma mestra da iluminação. Desde 1988, encaminhou milhares de pessoas no seu desenvolvimento espiritual realizando eventos mundialmente, desde a América do Norte à África do Sul.

Leslie oferece eventos e ecléticos cursos baseados em yoga e influenciados pelas técnicas da Psicologia. Leslie é sul-africana e tem centros nos EUA e África. Fundadora das ONGs Corelight, que se formou para dar apoio aos seus ensinamentos, e Sementes de Luz, que atende órfãos com aids e comunidades marginalizadas na África do Sul, é autora dos livros O casamento do espírito – Vivendo iluminado no mundo de hoje, e Retornando à unidade – As sete chaves da ascensão", traduzido para várias línguas.

Darshan é uma bênção — uma iniciação energética de unidade, amor e compaixão que ajuda significativamente no desenvolvimento espiritual, reorganizando profundamente e oferecendo o potencial para mudanças de vida. Durante seus Darshans, Leslie inclui a meditação, uma palestra sobre a essência, perguntas e respostas.

Durante um darshan, é transmitida uma energia de cura. Leslie faz um discurso espontâneo sobre um assunto relevante aos que estão presentes, falando em estado de samadhi, que promove uma iniciação profunda dentro da unidade de consciência a todos os presentes.

Alguns professores dão o darshan tocando uma pessoa. Os darshans de Leslie acontecem através dos seus olhos, voz e mãos, e são uma transmissão de elevada energia de cura, conhecida no Oriente como Shakti.


PARTICIPE
deste e outros programas de Terapia da Respiração: converse e informe-se com a terapeuta renascedora
ramyata@terra.com.br

SAIBA MAIS
sobre a técnica do Rebirthing ou Respiração Consciente
http://www.veenamukti.com/04_terapiarespiracao.htm

CONTATE
a especialista Cecilia Pereyra, autora do texto inicial desta coluna
cpereyra@cdc.unrc.edu.ar

07 agosto 2006

COSPLAY CHAMPIONS

Brasil fatura o WCS 2006


Os irmãos Mônica e Maurício Somenzari receberam o título mundial no maior concurso de cosplayers do mundo. Representando o Brasil pela primeira vez no evento — o World Cosplay Summit 2006 —, a dupla Somenzari superou adversários fortíssimos e conquistou o 1.º lugar na grande final realizada domingo (6 de agosto), em Nagoya (Japão).

O megaevento promovido pela TV Aichi reuniu os melhores cosplayers — nome dado a pessoas que vestem fantasias (do inglês costumes) e atuam (são players, ou atores) como seus personagens preferidos de mangás e animês (respectivamente, histórias em quadrinhos japonesas e desenhos animados japoneses) — de todo o planeta. Resultado: os representantes do Brasil levaram a melhor, superando até mesmo as duplas do Japão, que têm óbvia tradição no universo cosplay.

Maurício e Mônica apresentaram-se como os personagens Rosiel e Alexiel, do animê Angel Sanctuary — atuação que já lhes havia valido o primeiro lugar na etapa brasileira do WCS 2006 (promovida pela Editora JBC), o que lhes valeu a classificação para a fase final no Japão. Na ordem das apresentações, os países participantes do concurso foram: Itália, Cingapura, Japão (representado por três duplas), Alemanha, China, Espanha, Tailândia, França e, por último, o grande campeão Brasil, cuja dupla representante foi, também, a mais aplaudida.

Mônica Somenzari revelou, após o anúncio da vitória, que não esperava ganhar o concurso "porque os outros concorrentes eram muito bons". Já Maurício pensava diferente: "Eu tinha uma certa esperança. Quando anunciaram o terceiro e o segundo lugares, tive a sensação de que algo de bom ia acontecer", disse o emocionado vencedor, que chegou às lágrimas de alegria.

Verdadeira lenda viva no universo dos mangás, um dos jurados do evento, Go Nagai (Cutey Honey, Devil Man, Kekko Kamen), afirmou que o Brasil esteve muito bem representado pelos irmãos Somenzari . "Eles fizeram uma boa apresentação no palco, o que impressionou a todos nós", detalhou ele. Nagai também gostou da dupla chinesa Ni Jiating e Yu Xinhao, que fez seu cosplay com base no game Final Fantasy 7 - Advent Children.

Com a conquista do título de Campeão Mundial do WCS, fica definitivamente consolidado o nome do Brasil no universo cosplay internacional. Com concursos que apresentam cosplayers e atuações cada vez mais elaboradas, todos torcemos para que, no próximo ano, a etapa brasileira do WCS (que será novamente promovida pela Editora JBC) envie à final mundial no Japão mais uma dupla que — quem sabe? — consiga repetir o feito (até então inédito) dos irmãos Maurício e Mônica.


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