08 setembro 2008

MAR QUE NÃO ESTÁ PRA PEIXE

Zeitgeist tropical


Você já ouviu o termo Zeitgeist? É alemão e a pronúncia é “tzaitgaist”. Adotado pelos filósofos românticos alemães do século 18 como uma tradução do latim genius (espírito guardião) e saeculi (do século), o termo foi popularizado pelo professor e filósofo (Georg Wilhelm Friedrich) Hegel (1770-1831, na ilustração ao lado) em seu livro Filosofia da História.

Zeitgeist é traduzido para o Português como “espírito do tempo”, significando –– em outras palavras –– o nível de avanço intelectual e cultural do mundo em uma época específica. De acordo com os sábios, Zeitgeist é a experiência de um clima cultural dominante que define uma era. Tentando simplificar: esse clima cultural é resultante das experiências dos indivíduos que compõem as nações que convivem numa determinada era. É o "espírito" daquela era.

Parece complicado, né? Deixa eu tentar de outra forma: anos atrás estive diante do desafio de criar uma campanha de motivação interna para a Dana, empresa na qual eu trabalhava. Havia um discurso muito bonito, calcado naquela história de visão, missão e valores, que dizia que a empresa era o máximo. Era honesta, consciente de sua importância no meio ambiente, socialmente responsável, focada na fabricação de produtos de qualidade etc etc etc. Igualzinho àquele texto que você lê todo dia em sua empresa.

No fundo, esses textos são apenas promessas que não têm nenhum valor até que alguém as cumpra. E nenhum papel colado na parede garante que qualquer promessa será cumprida. O cenário era aquele que encontramos na grande maioria das empresas: promessas feitas por meia-dúzia de cabecinhas, embaladas em papel de presente pelos caras do marketing e distribuídas ao mercado, enquanto as pessoas responsáveis pela entrega eram superficialmente comunicadas da promessa que havia sido feita.

No meio do processo de criação surgiu a luz, quando discutíamos um bordão batido: nós somos a Dana. Nós fazemos a empresa. O pulo do gato aconteceu quando invertemos a proposta: a Dana somos nós. Melhor ainda: a Dana sou eu. Esse passou a ser o mote da campanha, que trazia em si uma definição fundamental.

Quando dizíamos que “nós somos a Dana”, compartilhávamos a responsabilidade. Quando dizíamos que “a Dana somos nós”, considerávamos que a empresa seria a resultante do comportamento do grupo.

Mas com “a Dana sou eu” conseguíamos o desejado: a Dana só será uma empresa de qualidade se eu for um funcionário com qualidade. Só será responsável com o meio ambiente se eu for responsável com o meio ambiente. A Dana é o que eu decidir que eu sou. Ponto.

O Zeitgeist da Dana àquele ponto –– se fosse possível –– seria a resultante dos valores, convicções, atitudes e esforços de todos os seus 5 mil funcionários naquele momento. Seria o espírito daquela era.

Volto então ao nosso Zeitgeist: se pudéssemos ter a experiência de retornar no tempo, por exemplo, para o começo dos anos 1950, veríamos que o espírito de nossa era seria o de um País esperançoso pelo futuro, cheio de boas notícias, com obras para todo lado, títulos mundiais no futebol, no tênis, no boxe e no basquete e um Presidente que prometia fazer 50 anos em cinco. Havia um entusiasmo evidente, que “podia sentir-se no ar”.

Na segunda metade dos anos 1960 e durante os 1970, sentia-se no ar era um clima de preocupação, da mão pesada dos militares, da censura. Mesmo com o País crescendo, o espírito da época seria o espírito do medo.

Nos anos 1980 e começo dos 1990, o espírito da época era o da abertura. O Brasil descobria a democracia, votávamos para Presidente, acabávamos com a inflação e experimentávamos o começo do jogo da globalização. Eu diria que o Zeitgeist da época era o da perplexidade, como já escrevi em texto anterior.

E hoje? Qual é o Zeitgeist do Brasil? Sinceramente, não sei. Tentei aplicar aquele “o Brasil sou eu”, mas não deu certo. Nunca vi o País tão dividido, tão desigual. Pobres contra ricos, pretos contra brancos, índios contra não-índios, ignorantes contra educados. E piorando.

O espírito de nossa época será esse? O do confronto? Que pena.
Perderemos para nós mesmos.


*Pregando contra a mentalidade "pocotó" de nossa época, o jornalista Luciano Pires vai ainda à TV, ao rádio, ao Himalaia e ao Pólo Norte.


SAIBA MAIS
www.lucianopires.com.br

SUPERAÇÃO DETERMINADA

Triathlon brasileiro


O Campeonato Brasileiro de Triathlon 2008 está sendo disputado em 3 (três) etapas. A primeira foi realizada no dia 6 de abril em Vitória/ES. A segunda será promovida dia 21 de setembro no Rio de Janeiro/RJ, e a derradeira no dia 14 de dezembro em Salvador/BA.

Pelo sistema de pontuação da prova, todos os atletas pontuam em cada etapa, de acordo com a seguinte seqüência: 100, 85, 75, 70, 65, 60, 55, 50, 45, 40, 35, 30, 25, 20, 15, 14, 13, 12, 11 e 10 pontos, da primeira à vigésima colocação. Ao final das três etapas, cada atleta deverá descartar o seu pior resultado.

Como o descarte é feito sobre uma das provas de que o atleta participou, uma eventual ausência a uma das três etapas não permitirá o seu descarte. Portanto, caso o atleta tenha participado apenas de uma única etapa, ficará sem resultado pois exatamente este será descartado. A prova de Salvador servirá como critério de desempate.

A etapa do Rio de Janeiro será disputada no Parque do Flamengo e Av. Perimetral. A natação terá duas voltas, em percurso triangular. O ciclismo também terá duas voltas, utilizando-se o trecho que vai da área de transição montada na pista Sul-Centro (nas proximidades da Marina da Glória até as imediações da Rodoviária Novo Rio), na Av. Perimetral, com uma leve subida no início do elevado da Av. Perimetral.

A corrida, também em duas voltas, utilizará o trecho compreendido entre o Viaduto dos Estudantes (próximo ao Aeroporto Santos Dumont) e as proximidades do Morro da Viúva (à altura da Rua Dois de Dezembro) em percurso totalmente plano.

PROGRAMAÇÃO
No sábado dia 20 de setembro, um simpósio técnico será realizado às 18h00 no auditório do Hotel Golden Park, situado à Rua do Russel, 374. A entrega dos kits acontecerá antes do simpósio, no período de 15h00 às 17h30.

No domingo, o check-in acontece das 07h30 às 08h45 e exatamente às 09h00 será dada a largada para as categorias Elite, Sub-23 e Militares. Às 09h45 acontece a largada dos grupos de idade (Age Group). A cerimônia de premiação está prevista para ocorrer às 11h45.

PARTICIPANTES / INSCRIÇÕES
A prova é limitada a 350 atletas. As inscrições custam R$ 150 (Elite e Sub-23) e R$ 110 (Faixas de Idade e Militares). Todas as inscrições devem ser feitas através das federações de origem, e todos os atletas precisam ser federados e estar em dia com a anuidade de 2008.

PREMIAÇÃO
A premiação, em dinheiro, soma o total de R$ 8 mil a serem divididos entre os atletas das categorias Elite e Sub-23, de acordo com a seqüência de chegada como categoria única, sendo: 1.º) R$ 1.280,00; 2.º) 1.040,00; 3.º) 760,00; 4.º) 520,00 e 5.º) 400,00 (tanto no masculino quanto no feminino). Os cinco primeiros da Elite e da Sub-23 recebem troféus (total de 10 troféus), assim como os primeiros colocados em cada faixa de idade.

Os três primeiros da categoria Militar também recebem troféus. Da segunda à quinta colocação nas faixas de idade, serão oferecidas medalhas, e quem completar o percurso recebe medalha de participação. Boa prova a todo(a)s.

CLASSIFICAÇÃO APÓS A PRIMEIRA ETAPA (Vitória/ES)
Elite/Masc: 1.º) Diogo Sclebin/RJ (100 pontos); 2.º) Antonio Marcos da Silva/CE (85 pontos); 3.º) Guilherme Manocchio/SC (75 pontos); 4.º) Mauro Cavanha Conceição/PR (70 pontos); 5.º) Henrique Siqueira de Oliveira/DF (65 pontos).

Elite/Fem:
1.ª) Vanessa Gianinni/SP (100 pontos); 2.ª) Fernanda Garcia/SP (85 pontos); 3.ª) Suely Baronto Lima/RJ (75 pontos); 4.ª) Aglaé Menezes/DF (70 pontos); 5.ª) Julia Campos/RJ (65 pontos).

Sub-23/Masc:
1.º) Bruno Matheus/SP (100 pontos); 2.º) Marcus Vinicius Fernandes/SP (85 pontos); 3.º) Wesley Mattos/CE (75 pontos); 4.º) Adriano Sacchetto/MG (70 pontos); 5.º) João Alfredo Soares/SC (65 pontos).

Sub-23/Fem:
1.ª) Carolina Furriela/SP (100 pontos); 2.ª) Tatiane Pereira de Souza/BA (85 pontos); 3.ª) Thyciane Viegas de Oliveira/SP (75 pontos); 4.ª) Pamela Oliveira/ES (70 pontos); 5.ª) Carolina Mattos/RJ (65 pontos).

SAIBA MAIS
Federação de Triathlon do Estado do Rio de Janeiro
E-mail: RJ@triathlon.com.br
Tel: (21) 2554-9340 / (21) 7833-4475
www.triathlon.com.br

05 setembro 2008

CÂMERA & AÇÃO

Lugar de criança é no cinema



O 6.° FICI-Festival Internacional de Cinema Infantil apresenta uma seleção de 28 filmes nas salas dos complexos da Rede Cinemark em sete cidades brasileiras. A estréia acontece no Rio de Janeiro e Niterói, de 29 de agosto a 7 de setembro.

O Festival reúne títulos inéditos e clássicos, curtas-metragens nacionais e internacionais e animações feitas para a internet, além de oficina e debate. Realizado com exclusividade na Cinemark desde sua criação, o FICI estará também em Brasília/DF (de 5 a 14 de setembro), São Paulo e Campinas/SP (de 12 a 21 de setembro), Belo Horizonte/MG (de 19 a 28 de setembro), Salvador/BA e Aracaju/SE (de 26 de setembro a 5 de outubro).

Uma das novidades do FICI 2008 é a realização do Prêmio Brasil de Cinema Infantil. Sete curtas-metragens nacionais concorrem a R$ 5.000,00 em serviços de laboratório, oferecidos pela Labocine Grupo de Cinema. Além desta novidade, seis filmes internacionais têm dublagem ao vivo, para que o público mirim contate dois idiomas diferentes ao mesmo tempo, descobrindo assim semelhanças e diferenças.

No todo, os destaques são o filme sueco Píppi Meialonga nos Mares do Sul, inspirado no livro homônimo de Astrid Lindgren, sucesso da época em que os pais que hoje levam seus filhos ao cinema, eram crianças, e também a pré-estréia especial de Os mosconautas no mundo da Lua, animação em 3-D sobre três mosquinhas que viajam rumo à Lua.

A dramaturga Maria Clara Machado é homenageada nesta edição, por sua carreira dedicada ao teatro infantil. A adaptação cinematográfica de uma de suas obras mais conhecidas, Pluft, o Fantasminha (Romain Lesage, 1962) foi incluída na sessão Clássico Brasil, que exibe também o filme Roberto Carlos em ritmo de aventura, de Roberto Farias.

O FICI traz ao Brasil títulos inéditos e dublados de diversos países, na sessão Pré-estréias Internacionais. Aqui chama a atenção o filme holandês African Bambi, de Alan Miller, que mostra como vivem os antílopes — ou seja, mostra a história real dos animais que inspiraram Bambi, o clássico de Walt Disney.

Após a exibição deste filme, dentro do projeto O Pequeno Jornalista, um jornalista convidado promoverá um debate com o público infantil sobre os processos de criação de uma crítica, entrevista ou reportagem. No Rio de Janeiro, além do bate-papo com o jornalista, as crianças poderão entrevistar também o diretor Alan Miller. Outra atividade que propõe a participação das crianças é a Oficina de Cinema de Animação, que mostra algumas técnicas utilizadas na criação de filmes de animação.

O FICI exibe também sucessos da Disney-Pixar como Monstros S/A, Toy Story e Vida de inseto oferecendo uma nova chance ao público de assistir ao filme A família do futuro em 3-D, em salas adaptadas a esse tipo de tecnologia. Além deles está programada, em salas digitais, a animação As aventuras de Gui e Estopa, produzida pelo portal infantil Iguinho. Confira a seguir os filmes do FICI, com sinopses e outras informações.

PRÉ-ESTRÉIAS INTERNACIONAIS
>> African Bambi (Holanda, 2007, 77 min)
Direção: Alan Miller
Recomendação etária: A partir de 7 anos
Sinopse: African Bambi conta a vida de três jovens antílopes crescendo e se adaptando a um mundo selvagem. Esta é a verdadeira história de Bambi, com cenas de coragem, aventura, drama e amor, vividas por personagens reais, filmados no leste da África.

>> Um reizinho chamado Macius (Alemanha, Polônia e França, 2007, 87 min)
Direção: Sandor Jesse & Lutz Stützner
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: Antes de fazer nove anos, o rei, pai de Macius, morre e o menino deve assumir o trono. O general descobre que esta é sua grande chance de tentar virar rei. Macius percebe isto e resolve criar o reino das crianças.

>> Dois Mosquitos dançando no formigueiro (Dinamarca, 2007, 77 min)
Direção: Jannik Hastrup e Flemming Quist Møller
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Dagmar, a mosquito bailarina, é louca por Egon, o mosquito ciclista, mas ele quer conhecer o mundo antes de pensar em amor. Os dois se envolvem num drama quando Dominela, rainha das formigas vermelhas, toma o formigueiro onde vivem.

>> Hugo, o tesouro da Amazônia (Dinamarca, 2007, 75 min)
Direção: Flemming Quist Møller e Jorgen Lerdam
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Sinopse: Hugo é a mais rara e encantadora criatura do mundo. Por isso, o Prof. Strix quer cloná-lo e vender suas cópias. Hugo é esperto e tem bons amigos, como Rita, a raposinha, mas será que consegue escapar dos caçadores e encontrar um lugar para viver?

>> Max & Companhia (Suíça, França, Reino Unido e Bélgica, 2007, 77)
Direção: Sam & Fred Guillaumemin
Recomendação estária : A partir de 10 anos
Sinopse: Max não conhece seu pai e vai para uma pequena aldeia procurá-lo. Quando um executivo e um cientista chegam à aldeia, a vida lá se modifica e corre perigo. Max encontra seu pai, mas agora precisa decidir se vai acompanhá-lo ou ajudar a salvar a cidade.

>> Os mosconautas no mundo da Lua (Bélgica, 2008, 85 min)
Pré-estréia especial: sessão com dublagem ao vivo
Direção: Ben Stassen
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: Em 1969, Nat, I.Q. e Scooter, três jovens e curiosas mosquinhas, estão em busca de novas aventuras e acabam entrando para a história quando embarcam na lendária viagem da nave Apollo 11 para a Lua. Uma animação em 3-D que promete conectar uma nova geração de crianças e seus pais por meio da exploração espacial e de um dos momentos mais importantes da História da Humanidade, experimentado em sua grandiosidade através de efeitos especiais de última geração.

O CINEMA FALA VÁRIAS LÍNGUAS – SESSÕES COM DUBLAGEM AO VIVO
>> Leo, o imperador da selva (Japão, 1997, 99 min)
Direção: Yoshio Takeuchi
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Rune, filhote do rei da floresta, fascina do com uma caixa de música, quer conhecer os humanos que a fizeram. Mal sabe ele que os homens chegarão à procura da Pedra da Lua, trazendo devastação. O rei Leo vai ter que lutar para proteger a vida na selva.

>> Píppi Meialonga nos Mares do Sul (Suécia, 1970, 92 min)
Direção: Olle Hellbom
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: Com seus cabelos ruivos, rosto sardento e uma força descomunal, Píppi Meialonga é uma menina "impossível". Na terceira aventura da série de filmes, ela vai visitar seu pai, o ex-pirata Efraim Meialonga, para tentar libertá-lo das mãos dos piratas.

>> Knetter (Holanda, 2005, 83 min)
Direção: Martin Koolhoven
Recomendação etária: a partir de 8 anos
Sinopse: Bonnie tem 9 anos, vive com a mãe e a avó. Lis é uma mãe diferente, às vezes muito alegre, mas a maior parte do tempo triste. A avó resolve os problemas, mas um acidente a tira da família. Lis acha que um bicho de estimação resolverá tudo e traz para casa um animal especial.

>> Olsen Gang e o submarino (Noruega, 2003, 95 min)
Direção: Arne Lindtner Næss
Recomendação etária: a partir de 8 anos
Sinopse: Um dia, Egon está num orfanato, no outro é adotado por um ricaço. Tudo estava ótimo até ele descobrir que faz parte de um plano para conseguir diamantes do cofre de um submarino naufragado na 2.ª Guerra. A Olsen Gang tentará vencer os golpistas.

>> Eu e Max Minsky (Alemanha, 2006, 99 min)
Direção: Anna JusticeRecomendação: a partir de 12 anos
Sinopse: Nelly tem 13 anos e sonha com o príncipe de Luxemburgo. Quando o time da escola vai participar de um campeonato de basquete neste país, a menina, para aprender o esporte, faz um trato com Max Minsky, bom de bola e ruim de escola.

SESSÃO CLÁSSICO BRASIL
>> Pluft, o Fantasminha (Brasil, 1962, 95 min)
Direção: Romain Lesage
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: O fantasminha Pluft precisa da ajuda da menina Maribel para enfrentar o pirata Perna-de-Pau, que quer ficar com o tesouro da ilha Deserta. Mas para vencer o pirata, primeiro os dois terão que vencer o medo que sentem um do outro.

>> Roberto Carlos em ritmo de aventura (Brasil, 1968, 99 min)
Direção: Roberto Fariasutos
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Roberto Carlos, o Rei da Jovem Guarda, é perseguido por bandidos internacionais, dá um passeio por Nova York, volta de foguete e cai de pára-quedas num campo militar onde tem uma batalha sensacional, entre outras superaventuras.

MOSTRA DISNEY-PIXAR
>> Vida de Inseto (EUA, 1998, 95 min)
Direção: John Lasseter e Andrew Stanton
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Sinopse: Flik é uma formiga cheia de idéias para defender sua colônia de um faminto bando de gafanhotos. Quando descobrem que o exército é, na verdade, um fracassado grupo de atores de um circo de pulgas, o cenário está armado para divertidas confusões.

>> Monstros S/A (EUA, 2001, 92 min)
Direção: Peter Docter, David Silverman e Lee Unkrich
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Sinopse: A Monstros S/A é a maior fábrica de processamento de gritos de Monstrópolis. É que a principal fonte de energia do mundo dos monstros provém da coleta dos gritos das crianças humanas. Mas os monstros acreditam que ela são tóxicas e, quando uma menininha invade o mundo deles, começa a maior confusão.

>> Toy story (EUA, 1995, 81 min)
Direção: John Lasseter
Recomendação etária: A partir de 4 anos
Sinopse: Buzz Lightyear, o novo e sofisticado astronauta de brinquedo do garoto Andy (foto acima), encontra um rival, Woody — o "brinquedo número 1" do menino até então. Porém, quando caem nas garras de um vizinho destruidor de brinquedos, precisam se unir para escapar do perigo.

...E SE VOCÊ AINDA NÃO VIU...
>
> A família do futuro (em 3-D) (EUA, 2007, 102 min)
Direção: Steve Anderson
Recomendação etária: a partir de 8 anos
Sinopse: Lewis é um menino brilhante, que inventa o Memory Scanner, uma máquina que o ajudará a encontrar sua mãe biológica. Porém a máquina é roubada e ele contará com a ajuda do jovem Wilbur Robinson, que o transporta em uma máquina do tempo.

CURTAS BRASILEIROS - Prêmio Brasil de Cinema Infantil
>> Ícarus (Brasil, 2007, 11 min)
Direção: Victor Hugo Borges
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Este curta-metragem de animação em 3-D, tem visual baseado em contos infantis. Mostra Ícarus, um garoto de 4 anos que vive numa grande cidade e se sente só, pois seus pais trabalham muito.

>> Jardim das Cores (Brasil, 2008, 8 min)
Direção: Guilherme Reis
Recomendação etária: a partir de 5 anos
Sinopse: Uma brincadeira de lápis e papel.

>> Mãos de vento e olhos de dentro (Brasil, 2008, 13 min)
Direção: Susanna Lira
Recomendação etária: a partir de 4 anos
O filme é um ensaio sensível sobre crianças com deficiência visual e narra com muita poesia e lirismo a história da amizade entre Lia (Júlia Matos), uma menina cega, e Tico (Pablo Rocha), um menino solitário e cheio de imaginação.

>> O jumento do Lua-Estrela (Brasil, 2007, 16 min)
Direção: Wildes Sampaio
Recomendação etária: a partir de 4 anos
Sinopse: Lua-Estrela é fã de Luí­s Gonzaga. No seu aniversário, decepciona-se com os pais quando ganha um jumento de presente, ao invés da sonhada sanfona. Ele resolve sair mundo afora com o animal, mas descobre que este fala com a voz inconfundível de seu ídolo.

>> Pajerama (Brasil, 2008, 9min)
Direção: Leonardo Cadaval
Recomendação etária: a partir de 5 anos
Sinopse: Um pequeno í­ndio começa a ter experiências estranhas em seu habitat, que vão acabar lhe revelando mistérios do tempo e do espaço.

>> Pipo Pipa (Brasil, 2007, 5 min)
Direção: Sheila Neumayr e Marconi Loures
Recomendação etária: a partir de 2 anos
Sinopse: Em um dia de pouco vento Pipo, um simpático filhote de lagartixa, percebe que não será exatamente fácil empinar uma pipa. Uma animação singela, que mostra que um problema é, às vezes, apenas uma questão de perspectiva.

>> Rua das Tulipas (Brasil, 2007, 10 min)
Direção: Alê Camargo
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Um grande inventor, acostumado a criar soluções para todo os moradores de sua rua, a Rua das Tulipas, após ver a felicidade de todos seus vizinhos descobre que ainda faltava a felicidade de uma pessoa...

SESSÃO IGUINHO
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> As aventuras de Gui e Estopa (Brasil, 2008, 72 min)
Direção: Mariana Caltabiano
Recomendação etária: a partir de 6 anos
Sinopse: Dois cães decidem fazer uma série de animação. Estes dois personagens mostram como é feito um desenho animado, desde o roteiro até o lançamento nas salas de cinema. O público poderá ainda conferir os curtas “criados” por essa atrapalhada dupla.

ATIVIDADES PARALELAS
>> Oficina de cinema de animação
Com muita diversão, as crianças juntam conhecimentos artísticos e técnicas de animação. Dois núcleos funcionam simultaneamente: o núcleo de Sensibilização com equipamentos ópticos coloca o público infantil em contato com os primórdios do cinema e o núcleo de Videografismo possibilita a participação no processo de animação no computador.

>> O pequeno jornalista
Nestas sessões inclui-se a presença de jornalistas que, depois do filme, conversam com as crianças sobre como é fazer uma entrevista, uma matéria ou uma crítica de cinema revelando os bastidores da profissão em uma divertida palestra e a partir daí as crianças escrevem sua própria crítica do filme.

>> Sessões com dublagem ao vivo
Na sexta edição do Festival Internacional de Cinema Infantil o cinema fala várias línguas, com uma seleção de filmes de diversas nacionalidades, apresentados em sessões com dublagem ao vivo, onde dois dubladores fazem as vozes dos personagens enquanto o filme é exibido. Nestas exibições, as crianças terão a oportunidade de ouvir tanto a língua original na qual o filme foi realizado como a língua portuguesa.

>> Prêmio Brasil de Cinema Infantil
A partir desta edição fica instituído o Prêmio Brasil de Cinema Infantil, iniciativa que pretende destacar e difundir produções cinematográficas nacionais voltadas ao público infantil. Os curtas selecionados por Cacá Mourthé, Karen Acioly e Andrés Lieban serão exibidos no 6.º FICI, na sala digital. O curta-metragem premiado receberá prêmio no valor de R$ 5.000 em serviços da Labocine Grupo de Cinema.

ASSISTA NOS CINEMAS: Rio de Janeiro
>> Cinemark Downtown
Av. das Américas, 500 - Bloco 17 - 2.º piso - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro/RJ
Sessões às 10h30, 11h, 11h30, 12h30, 13h, 13h30, 14h30, 15h, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30

>> Cinemark Botafogo
Praia de Botafogo, 400 - Arco 800 - Botafogo - Rio de Janeiro/RJ
)Sessões às 11h30, 12h30, 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 18h30

>> Cinemark Carioca Shopping
Estrada Vicente de Carvalho, 909 - 2.o Pavimento - Vila Kosmos - Rio de Janeiro/RJ
Sessões às 11h, 11h30, 12h30, 13h, 13h30, 14h30, 15h, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30

ASSISTA NOS CINEMAS - Niterói
>> Cinemark Plaza
Shopping Niterói - R. XV de Novembro, 8 - Loja 333 - Centro - Niterói/RJ
Sessões às 11h30, 12h30, 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 18h30


PERFIL DO EVENTO
O 6.º Festival Internacional de Cinema Infantil é dirigido por Carla Camurati e Carla Esmeralda e realizado pela Copacabana Filmes e Produções, pela Esmeralda Produções Artísticas e pela Espaço Z Marketing de Entretenimento, com o patrocínio das empresas Oi, Light, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Terna e Rede Cinemark. O FICI tem apoio institucional do Governo Federal, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura n.° 1.954, da Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura n.° 1940/92 e da Prefeitura da Cidade de São Paulo, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura n.° 10.923/90, com o apoio da Oi Futuro, Editora Gráficos Burti, a parceria do Espaço Z Marketing de entretenimento, e a promoção da Globo Filmes. O FICI tece agradecimentos especiais à Quip, Embaixada da Suécia, Consulado Geral da Suécia no Rio de Janeiro, Consulado Geral da Noruega no Rio de Janeiro, Consulado Geral dos Países Baixos no Rio de Janeiro e Instituto Goethe Rio de Janeiro.


A Rede Cinemark no Brasil
Precursora e especializada no conceito multiplex no País, a Rede Cinemark chegou ao Brasil em 1997 e está presente hoje no Distrito Federal e em 13 estados: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe, Goiás, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia e Amazonas. Atualmente, conta com 377 salas divididas em 46 complexos. Em junho de 2008, um novo complexo foi inaugurado em São Paulo, no Shopping Cidade Jardim. Até o final do ano, mais dois serão abertos: um em São Paulo (Pátio Paulista) e um em Porto Alegre (Barra Shopping Sul). É da Rede Cinemark a primeira sala de cinema em 3-D da América do Sul, no Shopping Eldorado, em São Paulo, que segue o padrão exigido pelos grandes estúdios americanos. Atualmente, a Rede conta com mais três salas 3-D: no complexo do Shopping Downtown, no Rio de Janeiro, no Floripa Shopping, em Florianópolis e no Market Place , em São Paulo.


16 agosto 2008

HORA H 2008

A hora é agora


Com muita seriedade e propriedade já se dizia, por volta de 1972-1976, no âmbito da "Santíssima Trindade" -- agremiação informal surgida no Colégio Objetivo que abrigou poetas como Claude Sachs e Juvenal de Sousa Neto -- que "Está na hora/ De devorar a demora/ Que no esperar/ Devora o agora", uma pérola juvenalesca a justificar as (bem-intencionadas) ursadas do Claude.

Exatamente: a "Hora H" de Haroldo, Haroldo de Campos, poeta, advogado, procurador e professor, tradutor e ensaísta, o homem que percorreu fantásticos campos entre os sons, imagens e símbolos das línguas e das linguagens, "o mais barroco dos concretistas", emerge e vem à tona.

Enquanto o relembramos, está a ocorrer um fantástico momento paulistano de celebração à poesia, à música e ao desfrute social das artes urbanas: trata-se do evento Homenagem a Haroldo de Campos, que ofereceu gratuitamente a seguinte programação de fim-de-semana em São Paulo:

Sábado, 16/08
16h: Palestra O leitor Haroldo de Campos, com Gênese Andrade
17h: Mesa-redonda: A obra poética de Haroldo de Campos, com Lucia Santaella, Leda Tenório da Motta e Antonio Vicente Pietroforte (mediação de Claudio Daniel)
19h: Coffee-break e exibição dos filmes de Júlio Bressane Galáxia Albina e Infernalário: logodédalo, Galáxia Dark
20h: Música e poesia grega, com Marcelo Tápia (voz), Daniel Tápia (violino) e Diego Lisboa (flauta)
20h40: Poemas de Haroldo de Campos (recital)
>> Abertura: Ivan de Campos, acompanhado por Alberto Marsicano (cítara) e Olavo Ito (okotô)
>> Leituras: Lenora de Barros, Horácio Costa, Frederico Barbosa, João Bandeira, Yun Jung Im e Arrigo Barnabé. Live performance com VJ Fábio Vietnica

Domingo, 17/08
15h: Depoimento de colaboradores de Haroldo de Campos: Boris Schnaiderman e Jacó Guinsburg (mediação de Frederico Barbosa)
16h: Mesa-redonda: Transcriação: a teoria e a obra tradutória de Haroldo de Campos, com Aurora Bernardini, Marcelo Tápia e Trajano Vieira (mediação de Claudio Daniel)
18h: Coffee-break
18h30: Apresentações musicais: Cid Campos, Péricles Cavalcanti, Edvaldo Santana e a Marsicano Sitar Experience. Live performance com VJ Fábio Vietnica

LOCAL: Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37 - Bela Vista (próx. Estação Brigadeiro do Metro)
Tels.: (11) 3285-6986 / 3288-9447

Imagem: Sereia e sátiro, do alemão Ferdinand Leeke (1859-1923)


Sobre a Marsicano Sitar Experience
Discípulo do sitarist Ravi Shankar, o músico paulistano Alberto Marsicano, que se destacou pela execução de temas clássicos da Índia no Brasil, lançou o livro-CD A música clássica da Índia (Ed. Perspectiva, Col. Signos). Mais além, atenção: o sétimo CD de Marsicano é Sitar Hendrix, pela gravadora americana Sonic Wave, indicado ao 49th Grammy USA.

Ele toma como guião o fraseado original de Hendrix, que praticamente reinventou sozinho o som da guitarra elétrica, e se arrisca em território pantanoso com o álbum Sitar Hendrix. Conhecido mais em São Paulo, do círculo dos que cultivam a música indiana e a poesia (Marsicano é tradutor) às raves desde o fim dos anos 90, depois de experimentar projetos eletrônicos o citarista propõe este trio reunindo sitar, baixo e bateria para retranscriar Jimi Hendrix.

Eles perpetram tanto músicas que ficaram famosas com o grupo Experience, tipo as da fase exploratória de Band of gypsys, como versões de clássicos tipo Purple haze, Fire, Spanish castle magic e Little wing, e ainda flertam com canções de alta octanagem psicodélica como Voodoo child, Machine gun e Third stone from the Sun.

VEJA E OUÇA MAIS
http://br.youtube.com/results?search_query=marsicano+sitar


Fantástica homenagem
Na esfera dramático-experimental, o evento na Casa das Rosas traz ainda Julio Bressane e Haroldo de Campos (foto) como videomakers, produzindo juntos Galáxia Albina (1990) e Infernalário: logodédalo, Galáxia Dark (1992). A chance de apreciar estes vídeos está nesta homenagem. Galáxia Albina, com Bete Coelho, Giulia Gam e Tânia Nomura inicia uma trilogia que transpõe uma solitária viagem de palavras e de papel para imagens sonorizadas em VHS.

A segunda parte desta trilogia galáctica, Infernalário: Logodédalo, Galáxia Dark, com Bete Coelho e Mariana de Moraes, apoia-se numa estética dark que retira da obra de Campos sua “matéria-escura” para combiná-la às imagens rarefeitas do cineasta e às marcações marionetizadas das atrizes: lusco-fusco mítico, cênico e interpretativo. Nessa galáxia negra, é perceptível o mundo lido pelo taoísmo chinês: a multiplicidade é concebida como manifestação da Unidade, que, por sua vez, é gerada pelo Vazio -- um vazio impenetrável ao raciocínio, mas paradoxalmente pleno de virtualidades.

O universo primordial era pura energia. A partir daí, desenharam-se cenários mais e mais complexos das dramáticas transformações do cosmos em sua estruturação material. A criação das "Galáxias" segue, por analogia, o "modelo inflacionário" do "Big Bang" e a "estética do excesso" que representa a arte finissecular do final do século XX e do início deste. Da palavra primordial a gerar escritura, aos cantos/galáxias que se expandem e proliferam, esta obra de Haroldo não reluta em transpassar linguagens, mídias, fronteiras: um Universo em expansão.

(por Antonio-Manoel Nunes, doutor em Literatura Comparada/UFRJ)

Horários de Funcionamento da Casa das Rosas
Terça a sexta, das 10h às 22h e sábados e domingos, das 10h às 18h


DELEITE ÚTIL
www.casadasrosas.sp.gov.br

www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp125.asp

05 agosto 2008

FRANCINE EM PESSOA

Ponto de Encontro


Nesta sexta-feira, às 20 horas, a cantora e atriz Francine Lobo interpreta canções compostas a partir de poemas de Fernando Pessoa e musicadas por figuras da MPB como Dori Caymmi, Sueli Costa, Renato Motha e Patrícia Lobato, entre outros.

O show conta também com a participação de Jardel Caetano (violão), Webster Santos (cordas) e Roberto Otsu (comentários sobre o poeta).

Os apreciadores da boa música e da obra literária de Fernando Pessoa certamente irão deliciar-se com o espetáculo, conferindo o carisma da emergente cantora e a evolução de seu trabalho.

Francine -- que às vezes também se apresenta com sua filha, a pequena Laura Lobo, que participou da microssérie global Hoje é dia de Maria --, é cantora, violonista e atriz desde os 15 anos.

Ela integrou o Corpo Estável do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo e apresentou-se com orquestras de peso como integrante do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo (Prêmio Carlos Gomes de Melhor Coral de 1999), a exemplo da OSESP, Jazz Sinfônica, Banda Sinfônica e Orquestra Experimental de Repertório.

Em algumas ocasiões, Francine Lobo cantou em conjunto com outros corais -- como o Men's Gle Club-Coral Masculino da Universidade de Michigan. Também atuou no teatro com O Fantasma da Ópera, (Teatro Abril), A Lenda do Quebra-Nozes (dirigida por Telma Dias e Robson Vellado), A Bela e a Fera (Teatro Abril), Brasil 500 Anos, E o mundo não se acabou! (sob a direção de Kleber Montanheiro), além de haver participado de diversos shows e CDs.

A cantora faz ainda gravações de jingles e locuções e ministra aulas de Canto e Técnica Vocal para cantores e outros profissionais da voz, bem como promove a sensibilização musical para crianças.


VÁ CONFERIR
O Ponto de Encontro com Francine Lobo,
no espetáculo musical “Que PESSOA esse FERNANDO!”
Data e hora: 08 de agosto às 20 horas
Convite: R$ 15 (antecipe sua reserva)
Local: Arjuna Livraria e Espaço
Rua Simão Álvares, 923 - Vila Madalena
Tel.: (11) 3815-8026
www.livrariaarjuna.com.br

SAIBA & OUÇA MAIS
www.samba-choro.com.br/artistas/francinelobo

24 julho 2008

ÉS O QUE COMES, ZÉ!

Propaganda sugere má alimentação



Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB) constatou que 72% das propagandas de alimentos veiculam mensagens para o consumo de produtos que fazem mal à saúde. A maioria desses produtos contém altos teores de gordura, açúcar e sal.

As cinco categorias mais veiculadas de produtos que afetam a saúde são 1) os fast-food; 2) guloseimas e sorvetes; 3) refrigerantes e sucos artificiais; 4) salgadinhos de pacote; 5) biscoitos e bolos. Estes alimentos contribuem para o aumento de doenças crônicas — como obesidade, hipertensão e diabetes.

A pesquisa revelou ainda que, entre canais de televisão abertos e fechados, 44% do total das propagandas de alimentos são direcionados para a persuasão das crianças. Abaixo, em entrevista concedida à Radioagência Notícias do Planalto, o presidente da ABJC-Associação Brasileira de Jornalismo Científico, Wilson Bueno, afirma que seria necessário haver uma restrição a essas propagandas, já que as publicidades que utilizam o depoimento (testemunho) de artistas induzem as crianças a um consumo não saudável.

Radioagência NP: Como você avalia as propagandas sobre alimentos no Brasil?
Wilson Bueno: Temos um problema sério. A propaganda de alimentos, sobretudo aquela voltada para o público infantil, tem realmente um efeito danoso. Não adianta as indústrias e muitas vezes as agências negarem. Falar que as crianças e as pessoas têm condições, elas próprias, de decidir o que é bom ou é ruim. Ou que não há esse tipo de influência, no sentido de conduzir a uma má nutrição, obesidade, aumento de colesterol, porque a propaganda é feita e é paga para funcionar. E se ela funciona, o efeito que causa é o de conduzir as pessoas, em particular as crianças, para a péssima alimentação.

RNP: As propagandas devem sofrer restrições?
WB: Sim. Deve haver restrições, como no caso do tabaco. Devem existir restrições às bebidas e às propagandas de medicamentos em geral. Não dá para acreditar na auto-regulação. Não devemos deixar esse tipo de coisa nas mãos das entidades que representam as empresas — as agências e os anunciantes — porque certamente eles trabalharão em causa própria.

RNP: Existem políticas públicas voltadas para uma boa alimentação? O que pode ser feito?
WB: Não, mas existem as pesquisas e um trabalho que está sendo muito condenado, mas na maior parte das vezes é bem feito é o da ANVISA-Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no sentido de indicar, sobretudo, para a propaganda de alimentos, de bebidas e de medicamentos, abusos inaceitáveis que influenciam a postura e comportamentos dos cidadãos. Institutos como o IDEC-Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e o Instituto Ethos poderiam trabalhar, de maneira que não seja truculenta, formas de discutir e restringir tais práticas. Não é possível deixar celebridades e artistas de televisão, em programas de horário infantil, induzirem as crianças ao consumo não saudável.

RNP: Como você avalia os hábitos alimentares do brasileiro?
WB: Muito ruins. Certamente não só influenciados pela propaganda, mas por uma educação que não contempla esse tipo de informação nas escolas. Há o problema da falta de vigilância nas escolas em relação ao uso de produtos não saudáveis, como por exemplo nas cantinas. E há um papel não-assumido de maneira adequada pela escola, pela família e pela sociedade como um todo.

RNP: É saudável o consumo de alimentos transgênicos?
WB: Devemos ter precaução. Devemos exigir rotulagem dos transgênicos. Tenho o direito de escolha de consumir ou não o transgênico. Esse direito não pode ser negado. Há esforço e um lobby poderoso de empresas de biotecnologia, no sentido de fazer com que a gente substitua culturas tradicionais que são importantes, sobretudo no caso do Brasil. Essa mudança para os transgênicos nos leva a uma perigosa dependência tecnológica, no caso específico das sementes de soja ou de algodão. Acho que falta discussão e observação de pesquisas que mostram os impactos ambientais e os problemas que esses produtos trazem para a saúde humana. Devemos ficar atentos, porque há interesses econômicos.

*por Desirèe Luíse, da Radioagência NP em São Paulo/SP


AGROECOLOGIA VERSUS ALTA DE PREÇOS DOS ALIMENTOS
Paralelamente a estas preocupações, integrantes de movimentos sociais brasileiros e representantes de países latinos estão reunidos desde quarta-feira (23 de julho), para debater formas alternativas para a produção de alimentos.

A VII Jornada de Agroecologia acontece em Cascavel, interior do Paraná, discutindo a reforma agrária, a alta do preço dos alimentos e a viabilidade de outros modelos de agricultura para produção de alimentos sem agrotóxicos e sem uso de sementes transgênicas — geneticamente modificadas. Durante o encontro, os camponeses irão trocar experiências bem-sucedidas de produção agroecológica.

Segundo o coordenador da Via Campesina — entidade que reúne movimentos do campo sediados nos quatro continentes — José Maria Tardin, as discussões ao redor da Agroecologia são importantes não só pela questão essencial da produção de alimentos saudáveis, mas também pela autonomia tecnológica que estas práticas podem gerar. “Essa autonomia tecnológica significa uma ruptura total da relação do camponês com a indústria da agricultura, porque sua base é organizar na produção os processos ecológicos da vida, o que se dá de forma totalmente desvinculada dos atuais processos industriais.”

Tardin afirma ainda que esta ruptura é um fator essencial atualmente, diante da crise gerada pela alta no preço dos alimentos. Na verdade, a crise está relacionada com a produção e distribuição de alimentos que são controladas por empresas transnacionais. Nesse contexto, a agricultura camponesa ainda é responsável por 70% dos alimentos que são consumidos pela população brasileira.

O coordenador da Via Campesina avalia que, como resultado desejável, a VII Jornada deverá pautar a reivindicação de políticas governamentais visando desvincular a distribuição destes alimentos do domínio das grandes empresas.

*por Juliano Domingues, da Radioagência NP em São Paulo/SP


SAIBA MAIS
www.radioagencianp.com.br

www.coopenbh.com.br/projetos%20pedagogicos%20-%202007/alimentacao_saudavel.htm

www.viacampesina.org

http://pt.wikipedia.org/wiki/Via_Campesina

23 julho 2008

ENTRONCAMENTO DE MÍDIAS

Cartografia Web Literária



O SESC-Serviço Social do Comércio e o Portal de Literatura e Arte Cronópios põem em discussão as revistas eletrônicas e os rumos da Literatura face ao advento da Web.

O evento contará com debates e performances multimídia e será transmitido em tempo real pela Internet. O Portal Cronópios disponibilizará também um chat para que os interessados enviem suas perguntas ao mediador de cada mesa-redonda, também em tempo real.

Na programação, constam:

12/agosto (terça-feira), 19h
As zonas de exclusão do mercado literário e o papel da Internet
com Heloísa Buarque de Holanda * Fabrício Carpinejar * Carlos Emílio Corrêa Lima * Vicente Franz Cecim * Raimundo Carrero
Moderador: Edson Cruz (Portal Cronópios)
(leitura de textos inéditos com os escritores)

13/agosto (quarta-feira), 19h
Publicação e distribuição da literatura em tempos digitais
com Clara Averbuck * Ana Paula Maia * Cardoso (André Czarnobai) * Artur Rogério * Lima Trindade Moderador: Fabrício Carpinejar
(Leitura de textos e discotecagem com DJ Malásia)

14/agosto (quinta-feira), 19h
Interfaces da literatura na Web
com André Vallias * Pipol * Mardônio França * Fábio Oliveira Nunes
Moderador: Lúcio Agra
(Apresentação de André Vallias com vídeo-poema intermeado por traduções de obras de Hölderlin, Khlèbnikov, Gottfried Benn, Mandelstam e Trakl, entre outros)

15/agosto (sexta-feira), 19h
Apreciação/crítica dos conteúdos de literatura veiculados na Internet
com Ivan Marques * Paulo Franchetti * Márcio-André * Linaldo Guedes * Floriano Martins
Moderador: Leda Tenório da Motta
(Márcio-André apresenta uma roldana de palavras -poesia-máquina de desautomatizar munido de vozes, violino e outros objetos sonoros)

16/agosto (sábado), 15h
Sarau Cartográfico
com a participação de autores, blogueiros, editores de sites de literatura, poetas, performers, DJ e convidados do evento. Leituras de textos e apresentações de performances literárias
(Especial: performance de Lúcio Agra)


VÁ LÁ
SESC Consolação
Rua Dr. Vilanova, 245 - Vila Buarque - São Paulo/SP
Tels.: 3234-3000 / 3256-2281 / 0800-11-8220
www.sescsp.org.br

ACOMPANHE PELA TV CRONÓPIOS
www.cronopios.com.br

A seguir, trecho escrito pelo poeta Márcio-André — da revista bimestral de arte e literatura Confraria — que integra o texto Por que expulsar de vez o poeta (disponível na íntegra no Portal Cronópios):

"O poeta nunca deve ser maior que a poesia que escreve. Deve sumir diante dela e restar na ordinária condição de indivíduo — aquele que vai à padaria, que assiste filme ruim na Tela Quente, que nunca foi o preferido da professora, que não ostenta essa ou aquela condição, que não é melhor ou pior em relação a qualquer outro —de tal forma que falar de aspectos de sua vida não venha a ser mais importante que a poesia contida nela.

"Em verdade, já não haverá diferença entre vida e poesia, ao contrário dos exemplos citados no início do ensaio, onde a poesia não passa de um recurso retórico tendo em vista a canonização do autor — não é a vida que se impõe à poesia, mas a poesia que gera a própria possibilidade da vida.

"O poeta deve ser, consequentemente, aquele que se interessa pelas pessoas, poderosas ou não, que se ocupa de todo aquele que não tenha nada a lhe oferecer. Somente assim, lutando em pensamento e ação por uma ética da escrita, a poesia poderá ser, como já foi na Antiguidade e, em casos muito recentes, a arma mais incisiva e poderosa contra as incoerências da realidade.

"Ser ético é, portanto, escapar ao próprio ego e engajar-se na quântica das palavras. Essa é a dimensão da qual o poeta não pode abrir mão. Se ele for complacente com o sistema, quem mais deixará de ser? Somente sua simplicidade e renúncia o podem redimir, muito além das ilusões criadas para suportar sua real insignificância social.

"O cinismo só se torna válido quando duvidamos de nós mesmos. O artista que tem medo de duvidar, seja de si, seja do mundo que o aceita, tem medo de deixar de ser como é, pois ainda se admira como o sujeito de uma realidade objetivadamente imutável, e não como centelha de um universo mutável. Este ainda não está pronto para a caminhada. Sua viagem se limita em ir até a esquina e voltar."

18 julho 2008

TEMPO E ENERGIA

Descubra o seu talento!



Todos nós fomos dotados de dons especiais — chamados “talentos” — que, se adequadamente desenvolvidos, podem representar a diferença entre o sucesso e o fracasso na vida profissional e pessoal. No entanto, grande parte dos profissionais não sabe o que fazer de suas potencialidades e o que seria uma marca registrada de seu talento pode desaparecer no tempo, se não for exercitada adequadamente.

Para que você possa alcançar patamares mais elevados de realização e ação em sua vida profissional e pessoal, preparamos algumas questões capazes de lhe proporcionar um exercício valioso de reflexão rumo ao sucesso. São as seguintes:

a) PENSE DIFERENTE – O mundo está cada vez mais igual. Repare nas características dos bens de consumo do varejo e verá que a diferença, hoje, é mínima. Estamos na era da “commoditização”, ou seja, a praticidade e a evolução de produtos e marcas alcançaram patamares onde a diferença é quase nenhuma entre eles. O que sobra, então, para você? Diferenciar-se pelo pensamento criativo ou, expressando-me melhor, fazer algo realmente diferente.

Se isto for muito difícil para você, vale fazer algo comum de forma diferente. Olhe ao seu redor e enumere, pelo menos, cinco atividades que você poderia estar fazendo de forma inusitada, tornando-as mais eficientes, econômicas e prazerosas. Certamente você vai resistir, no início, achando que é difícil ou mesmo impossível descobrir novos usos/utilidades para as suas tarefas, mas, aos poucos, vai encontrar situações onde a realidade posta começará a se transformar e, com determinação, esta terceira via começará a se tornar a solução ideal;

b) LANCE NOVAS IDÉIAS – Uma vez constatado que a sua idéia é autêntica, selecione e envolva as pessoas certas para a divulgação, formalização e implantação da mesma. Muitas idéias que poderiam revolucionar processos se perdem pela simples falta de alguém que possa capitalizar as novas idéias geradas, provocando desperdícios diários nas empresas.

Quem não já ouviu a frase “a idéia é boa, mas depois a gente conversa sobre este assunto”? Neste caso e em muitos outros, não deixe a burocracia, o pessimismo e a falta de ânimo de outrem sufocarem o seu talento. Se você for autônomo(a), garanta os recursos para concretizar um produto ou prestar um serviço da melhor forma possível, sem abandonar sua idéia;

c) JULGUE-SE UM TALENTO – Se você não tinha pensado antes nisso, acredite seriamente! A auto-análise positiva é o primeiro passo para realizarmos algo diferenciado e novo em nossas vidas. Esta nova percepção nos alimenta e "energiza" para grandes realizações futuras;

d) ENVOLVIMENTO EMOCIONAL – Só vamos realizar algo realmente diferente se nos envolvermos “de corpo e alma” nos projetos, trabalho e causa que abraçarmos. A ambição somente pelo dinheiro não é suficiente para perenizar o sucesso. Portanto, comprometa-se incansavelmente pelas coisas em que acredita e verá que o seu talento florescerá naturalmente;

e) INVISTA EM SI MESMO(A) – Antes de você descobrir qualquer coisa, primeiro descubra-se. Eleve seus pontos fortes e trabalhe aquelas características em que você não está tão bem, se comparado(a) a outro(a)s profissionais do mesmo nível que você. Agindo desta forma e trabalhando um plano de ação coerente e consistente, os pontos fracos serão amenizados e novas forças e armas vitais capazes de agregar valor ao seu talento lhe serão acrescidas.

*o colunista Luís Antonio Rabelo Cunha é Mestre em Administração de Recursos Humanos, consultor e professor universitário, administrador de empresas, diretor da FAMETRO-Faculdade Metropolitana de Fortaleza/CE e presidente da RECENS-Rede Católica de Ensino Superior
luisrabelo@terra.com.br

*imagem e outras info pertinentes no blog de Paulo Alves (Porto, Portugal) http://carambasproblog.wordpress.com/2008/04/11/receita-para-o-regresso-ao-trabalho

09 julho 2008

NA OMELETE QUEBRAM-SE OVOS

O supermercado é político


Falar que o “supermercado é político” é dizer que o mais privado dos atos — o de buscar alimento e garantir necessidades primárias — não se encerra na hora de pagar a conta. A escolha do produto até pode dar-se por razões econômicas, busca de qualidade ou, ainda, ideologia.

Contudo, ao escolher um produto também se escolhe, querendo ou não, uma forma de produção, um tipo de relação de trabalho, um determinado impacto ambiental.

Em suma, comprar algo é trazer para casa, além do produto, a sua cadeia de fabricação e as conseqüências. Ignorar esses fatores é se proteger de duas conseqüências do conhecimento: liberdade e responsabilidade.

Dados de recentes pesquisas demonstraram que produtos orgânicos possuem mais nutrientes que os alimentos da produção linear. Ou seja, não é apenas uma questão de quantidade, mas de qualidade. Pode até ser que a agricultura orgânica não produza tanto quanto a linear, mas alimenta mais.

O artigo Comparação da qualidade nutricional de frutas, hortaliças e grãos orgânicos e convencionais, publicado no Jornal de Medicina Alternativa, relata que produtos orgânicos contêm, em média, 29,3% mais magnésio, 27% mais vitamina C, 21% mais ferro, 26% mais cálcio, 11% mais cobre, 42% mais manganês, 9% mais potássio e 15% menos nitratos.

Indo mais além, conforme relatório do Environmental Group, atualmente, ao completar um ano de vida uma criança já recebeu, por conta do consumo de alimentos convencionais, a dosagem máxima aceitável pela OMS-Organização Mundial de Saúde de oito pesticidas altamente carcinogênicos para uma vida inteira.

Para além das questões nutricionais, alimentos orgânicos e de agricultura familiar contribuem para a empregabilidade no campo. O que evita o êxodo rural, e, por conseqüência, o aumento de favelas em centros urbanos.Um outro dado importante é que quem produz alimento para o brasileiro não é a produção convencional ou linear ou o agronegócio, mas a agricultura familiar e orgânica.

Mais da metade do feijão vem da produção familiar. No caso do arroz, mais de um terço e, da mandioca, 90%. Estas são algumas informações que demonstram a importância do setor na economia brasileira — um setor responsável por uma média de 10% do PIB-Produto Interno Bruto nacional, conforme dados da FIPE-Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. E, mais, o que realmente alimenta é a produção de grãos, vegetais e hortaliças.

A carne de suínos, aves e bovinos não é o alimento mais completo em nutrientes ou que vai estar na mesa de todos os brasileiros. O Brasil é campeão de exportações. E Santa Catarina orgulha-se dos seus números. No entanto, ao exportar a carne produzida por aqui também se exportam a água potável, os milhões de hectares utilizados para alimentar os animais, as florestas queimadas.

A única coisa que fica são os resíduos. A EPAGRI-Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S/A revela que as fezes dos 5,6 milhões de suínos que existem no Estado produzem 9,7 toneladas de dióxido de carbono por dia. Para 1 kg produzido de carne de suíno ou bovino, gera-se o equivalente a 8 kg de excremento. Imagine levar tudo isso para casa ao comprar um inocente pacotinho de presunto para o sanduíche?

Não levamos. Desde 2005, no Brasil, há mais bois e vacas que homens e mulheres: 200 milhões de bovinos ocupam um espaço três vezes maior do que toda a área cultivada no País e consomem quatro vezes mais água. Se for uma questão de aumento da riqueza nacional e de estratégia para matar a fome dos brasileiros, a nossa matemática não está bem certa.

Afinal, o agronegócio nem emprega tanta gente assim e os custos ambientais com a poluição de rios, solo, mananciais e emissão de metano são revertidos ou para o preço final do produto ou para o Estado, que terá mais gastos com saúde e políticas para despoluição. Aí, quem paga a conta somos todos nós, querendo ou não, sabendo ou não.

Foi-se o tempo em que comprar mandioquinha, feijão ou ovos era só comprar mandioquinha, feijão ou ovos. Quando se leva ovo para casa, o da produção convencional, se está chancelando, incentivando e financiando um processo que trata animais como coisas, que ignora que sentem dor e que possuem uma forma própria de viver a vida.

Além disso, este processo os faz viver de forma confinada, sendo alimentados com uma ração que contém tantos aditivos que os transforma mais em uma pasta química do que em seres vivos. Nem o peitinho de frango se salva.

Ir ao supermercado é, sim, fazer política. É fazer escolhas. É dizer que tipo de produção de alimentos queremos e que tipo de empregos queremos financiar. O ato de escolher e comprar o que se vai consumir pode ser silencioso, mas é muito poderoso.

*Samantha Buglione (foto) é jurista e professora de Teoria do Direito e Bioética. Coordena o CLADEM-Brasil (Comitê Latinoamericano e do Caribe para Defesa dos Direitos da Mulher)

SAIBA MAIS
www.cladem.org

VOVÓS METRALHA

Chapeuzinho Vermelho reloaded?


Pois é, a cada dia que passa e que vivo, cada vez mais me espanto com as coisas do Brasil. Leio recentemente pelos jornais que foi desarticulada uma bem-organizada quadrilha de vovós — todas de aparência tão inofensiva quanto um beija-flor, mas que eram, na verdade, um geriátrico bando de exímias meliantes. As espertas macróbias integravam uma gangue especializada em furtos a lojas, shoppings e igrejas dos nossos chamados "bairros nobres", agindo em Fortaleza e em capitais de outros Estados.

As velhinhas atacavam as incautas vítimas com uma perícia de veteranas profissionais. Pelo que se vê, apesar dos discursos ufanistas de nossos bem-intencionados governantes, nosso torrão natal transformou-se num paraíso de gatunos de todos os calibres, de todas as espécies, de todas as idades. Até as idosas estão abraçando (dedicadas com intimorato afinco) a carreira do crime, especializando-se em vários ramos da bandidagem — inclusive o lucrativo tráfico de drogas nacional e internacional.

Do jeito que marcha a carruagem, não duvido de que, em breve, teremos vovós pistoleiras profissionais. Em quem agora podemos confiar, ao caminharmos não mais despreocupadamente pelas ruas da cidade? E se alguma velhinha, de rostinho simpático, faces rosadas, andarzinho trôpego, me pedir para ajudá-la a atravessar uma rua?

Quem me garante que ela não me vai bater a carteira com a maestria de um um punguista peruano? De agora em diante, não se contará jamais a história da Chapeuzinho Vermelho, porque, sabe-se lá se o verdadeiro fato não foi um seqüestro de conluio com o lobo mau? E aquela velhinha ao seu lado no caixa-eletrônico, o que estará tramando contra você?

Tristes tempos vivemos no Brasil de hoje, em que se perdeu até a confiança nas vovós e a velhice nos mete medo como se fosse um pivete, um assaltante armado até os dentes, o sujeito que nos segue quando saímos de um banco com um minguado dinheirinho que significa a nossa sobrevivência.

Que desgraçado País é este, em que a simples visão de uma cabeça aureolada de cabelos brancos não nos impõe mais respeito e sim, um laivo de medo? Sim, as vovós-metralha estão à solta e eu, capiongo e gravebundo, me pergunto: o que virá depois?


*O médico psiquiatra e escritor cearense Airton Monte é um atento cronista de sua época. A imagem retrata The Beagle Family (a Família Metralha), da obra de Walt Disney

08 julho 2008

O PREÇO DE SER LOURA

Pra fazer a cabeça tem hora



Quando se trata de alcançar um bem maior, sacrifícios devem ser feitos. Este é um jargão facilmente aplicável às mulheres, quando o assunto inclui "beleza" e "estética". É que, seguindo as tendências para a próxima estação, muitas se anteciparam ao Verão 2008/2009 e aderiram aos tons de cabelos claros — como castanhos leves, mel, acobreados — e louros.

Mas qual o preço que a mulher paga para ser loura? Segundo o hairstylist Falks, do salão Yes localizado nos Jardins, em São Paulo, tornar-se loura não é fácil e depende da cor natural do cabelo. "O primeiro passo é analisar qual é esse tom, porque ele determinará o resultado final. Isso não significa que mulheres de cabelos mais escuros não possam tornar-se blondie girls, mas que, quanto mais escura a cor natural dos cabelos, menos loura a mulher será", explica Falks.

Outro segredo para um louro perfeito está no modo como a tintura é aplicada. "O ideal é que comece do fim do cabelo à raiz, pois nas pontas os cabelos sofrem mais as agressões da luz do sol e de produtos químicos, o que dificulta a absorção da tintura. Em média, são gastos entre 35 a 45 minutos para se chegar ao resultado desejado", calcula o especialista.

Bem, o cabelo ficou loiro. E agora? Hidratar os cabelos é um fator quase tão importante quanto a tintura: são necessários certos cuidados, para garantir a reposição dos nutrientes, a manutenção do brilho, a maciez e a tonalidade das madeixas. “É preciso lavar e hidratar os cabelos com xampús e condicionadores especiais. Para os cuidados domésticos, recomendo produtos próprios para cabelos louros, como Kerastase, Poken, Osmose e uma bela hidratação no salão, após o processo químico", enfatiza o hairstylist.

Engana-se quem pensa ter acabado por aí. A cada 20 dias — e em, no máximo, 30 — é preciso fazer o retoque na raiz, para disfarçar a cor natural e garantir a longevidade loura. "A partir do terceiro mês, oriento as clientes a puxarem luzes, mantendo viva a tonalidade dos cabelos. Dá para fazer um tratamento em casa com clareadores, atualmente existem no mercado uma infinidade de marcas", finaliza Falks.

E no bolso? Uma mulher com cabelos longos que for seguir todas estas recomendações em busca de um louro perfeito vai desembolsar, em média, R$ 405,00 por mês, com o pacote completo —tintura, hidratação e luzes, mais a mão-de-obra (indispensável) do profissional. É que não adianta fazer o investimento apenas uma vez: para manter, tem que gastar.

O salão de cabeleireiros Yes, sediado nos Jardins e em Alphaville, em São Paulo, oferece os mais talentosos profissionais com serviços de beleza e estética. Cortes, maquiagem, penteados, depilação, manicures artesanais, bronzeamento e massoterapia são algumas das possibilidades oferecidas ao(à)s clientes.

No salão transitam artistas e celebridades que reconhecem o cabeleireiro como referência. O agradável ambiente é cheio de requinte, charme e conforto para todo(a)s. Aliás, este é um padrão de serviços do qual as mulheres — louras ou morenas — não abrem mão. Você abriria? Negra Li e Cindy (da série Antônia da Rede Globo), Sheila Mello, Sabrina Parlatore e Bárbara Paz são algumas das beldades que se entregam aos cuidados dos profissionais do Yes.



SAIBA MAIS
Yes Cabeleireiros Jardins – Rua da Consolação, 2767

Tel.: (11) 3086-3444

Yes Cabeleireiros Alphaville – Alameda Araguaia, 762 - lj. 63s - Shopping Flamingo

Tels.: (11) 4191-5203 / 4191-6977

30 junho 2008

SONHO DIFÍCIL

Brasileiras da vida



Para realizar seu trabalho de graduação, Carine Carvalho Arruda passou muitas noites acompanhando o percurso de prostitutas brasileiras nas ruas de Lausanne (Suíça). Seu curso de Ciências Sociais representou muito mais do que um aprendizado sobre o que significa sobreviver numa zona de prostituição.

Sua mais importante descoberta conclui que a maioria das mulheres escolheu o meretrício para fugir da precariedade do mercado de trabalho no Brasil e como forma de concretizar seus sonhos. Porém, muitas vezes eles não se concretizam... A história já é nossa velha conhecida. A menina chega à Suíça com a expectativa de arrumar um bom emprego de garçonete e ajudar financeiramente a família que ficou no Brasil. No aeroporto, seu passaporte é confiscado e ela é levada a um bordel, trancada em um quarto e passa a vegetar numa triste existência como escrava sexual.

"Observei uma relação muito forte entre a precariedade do trabalho feminino no Brasil e a decisão de imigrar e entrar na prostituição", conta Carine ao jornalista da Swissinfo que assina esta matéria, durante o encontro que tiveram em um café de Lausanne (foto). Ela sabe o que diz: aos 25 anos, esta jovem brasileira acaba de formar-se em Ciências Sociais pela Universidade de Lausanne.

O problema é sério e existe, ninguém nega. Os vários inquéritos realizados pela polícia helvética e os registros nas ONGs de proteção à mulher podem testemunhá-lo. Porém, o mundo do meretrício é muito mais complexo do que parece à primeira vista. De fato, milhares de estrangeiras vêm à Europa já sabendo que irão exercer a profissão mais antiga do mundo. Elas apenas querem uma alternativa para a situação econômica que existe em seus países de origem.

Como pesquisa de campo para o trabalho de graduação, Carine detalhou o percurso de sete prostitutas brasileiras com idades entre 25 e 52 anos. "A idéia do meu projeto de graduação era acompanhar as trabalhadoras do sexo brasileiras que migraram para o cantão de Vaud e tentar entender porque imigraram e porque entraram na prostituição", explica. O titulo da tese dela já diz tudo: A difícil vida fácil.

Nascida em Fortaleza, Estado do Ceará, Carine chegou aos 17 anos à Suíça em fevereiro de 2000, acompanhada pela irmã gêmea e pela mãe, que havia se casado com um suíço. A família foi viver na pequena comuna de Daillens, com apenas 700 habitantes, no cantão de Vaud (região Oeste do país). Em pouco tempo Carine aprendeu o Francês e integrou-se à sociedade suíça. Depois de concluir o ensino secundário, com as melhores notas — ela e sua irmã até receberam um prêmio de integração —, Carine decidiu estudar Ciências Sociais. A outra gêmea, Ciências Políticas.

O interesse por questões feministas teve a inspiração da mãe, que havia sido líder sindical em Fortaleza, e também foi motivado pelo choque vivido ao descobrir como a mulher brasileira era vista na Suíça. "Lembro-me de que o chefe de um ex-namorado perguntou-lhe, brincando, se ele havia checado entre as minhas pernas para ver se eu era realmente uma mulher", conta indignada. Na memória, há também piadas e comentários, todos relacionados à imagem supostamente erótica e submissa da mulher brasileira.

Logo ao chegar à Universidade, Carine iniciou sua pesquisa sobre o tema. Durante uma palestra, ela conheceu a Fleur de Pavé ("Flor da Calçada"), uma ONG suíça integrada por pessoas que vivem da prostituição ou já a abandonaram, além de assistentes sociais e voluntárias, cujo principal objetivo é ajudar mulheres que estão na profissão do meretrício.

Além de acompanhar as trabalhadoras do sexo nas repartições públicas, hospitais e centros sociais, a ONG também mantém um ônibus nas ruas da zona de prostituição de Lausanne, onde as mulheres podem entrar para receber material descartável, tomar um café e obter informações sobre questões ligadas à saúde, à segurança e ao sistema social vigente. O ônibus também funciona como correio, devido ao fato de muitas prostitutas se encontrarem em situação ilegal no país e não terem um endereço fixo.

Carine é há três anos voluntária na Fleur de Pavé. No início, ela tentou simplesmente acompanhar as prostitutas nas ruas, mas percebeu que era mais fácil ter contato com elas através da ONG. "Fico duas vezes por mês no ônibus e participo também de uma reunião mensal", descreve. A experiência também mostrou-se fundamental para o seu trabalho de graduação. "Foi lá que consegui conquistar a confiança dessas pessoas. A grande surpresa para mim foi encontrar tantas brasileiras, muitas delas com a minha idade. Com o tempo, eu já conhecia a história pessoal de cada uma", lembra-se.

A primeira constatação que fez foi de que os clichês — a impressão de que toda mulher é forçada a se prostituir — tinham que ser relativizados. O meretrício não é uma via de uma só mão. "Existem várias modalidades de se prostituir na Suíça, o que existe em comum em todas elas é a mobilidade. As pessoas podem começar a prostituição e parar depois de um tempo para fazer outros trabalhos, podem trabalhar um dia num tipo de estrutura como cabarés, salões de massagens e depois voltar às ruas. O que as caracteriza a todas é a precariedade e a ilegalidade", analisa Carine.

Como percebeu a cientista social, a maioria das prostitutas brasileiras vem à Suíça como turistas e trabalham de forma ilegal, para juntar o máximo de dinheiro possível. Como as batidas policiais nas ruas de Lausanne são freqüentes, quando pegas, elas são geralmente expulsas do país. Porém, muitas retornam depois de algum tempo. "Elas acabam criando uma espécie de rede social, que trazem outras como elas para cá. Uma passa a experiência à outra", revela a recém-formada cientista. E acrescenta: "O medo marca a experiência delas".

Cafetões? Carine afirma que nunca escutou, durante seu trabalho, que as brasileiras tivessem alguém que vivesse da sua prostituição, explorando-as ou atuando como "dono" de prostíbulo. "Elas trabalham, em grande parte, de forma independente". Mas as condições de vida na Suíça acabam surpreendendo muitas delas. "As trabalhadoras do sexo brasileiras vêm para cá achando que irão ganhar muito dinheiro, porém descobrem rapidamente que o custo de vida aqui é altíssimo e que têm que pagar pela moradia, alimentação e para se manterem bonitas. O resultado é que precisam 'trabalhar' ainda mais", resume.

Outros fatores fundamentais para explicar a condição das prostitutas brasileiras, segundo Carine, é a situação familiar. "Quase todas têm filhos que ficaram no Brasil com suas famílias. Dar uma vida digna a eles é o que mais as motiva a agüentar essa situação. Ao mesmo tempo, existe uma pressão muito grande sobre essas mulheres para que elas enviem dinheiro para casa. Algumas até perdem o contato quando não conseguem mandar o suficiente", descreve.

Uma grande surpresa para Carine no seu trabalho com as prostitutas brasileiras foi descobrir os códigos sociais que imperam no meio. Em primeiro lugar, o silêncio velado das famílias no Brasil. "Elas não falam abertamente sobre o que seus parentes estão fazendo na Suíça, mas eles sabem do que se trata, e dependem, muitas vezes, desse dinheiro", diz.

Acreditar que as brasileiras associam sua situação pessoal a aviltamento, desonra ou rebaixamento também é errôneo. "O status da prostituta é muito ambíguo: se por um lado elas têm vergonha do que fazem, por outro consideram que estão exercendo um trabalho como outro qualquer e que são profissionais no que fazem. A prostituição é uma estratégia para alcançar seus objetivos", sintetiza Carine.

Segundo ela, pessoas com as mais variadas profissões vêm a Lausanne tentar sua sorte nas ruas. "Já encontrei pessoas bem humildes, mas também outras com profissão definida, como uma cabeleireira e até mesmo uma advogada", recorda-se. A idéia de todas é economizar dinheiro e retornar ao Brasil para montar um negócio próprio.

Carine concluiu sua tese e está com o diploma embaixo do braço. Algumas associações de brasileiros na Suíça têm convidado a jovem para dar palestras e explicar o que descobriu ao escrever A difícil vida fácil. Assim, ela agora trabalha como colaboradora científica na Universidade de Lausanne e também no escritório de igualdade de sexos. Sua meta é prosseguir os estudos e obter um Mestrado. O tema não seria diferente: "Se possível, gostaria agora de entender como as trabalhadores do sexo brasileiras vivem a sua situação de mães e como é o relacionamento com seus filhos", antecipa.

Entre a vida profissional e a pessoal, Carine ainda encontra tempo para passar as madrugadas no ônibus da ONG Fleur de Pavé. Com sua experiência, a cientista social cultiva a impressão de ter descoberto o que motiva tantas compatriotas a permanecerem nas ruas de Lausanne, uma constatação que tem também algo de trágico. "A grande conclusão do trabalho é que, acima de tudo, elas não são vítimas, mas pessoas que têm um projeto de vida e fazem tudo para alcançá-lo. A estratégia que elas elaboraram para isso foi entrar na prostituição e emigrar", finaliza.


*por Alexander Thoele para o portal Swissinfo (texto e imagens)
www.swissinfo.org/por/swissinfo.html

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