07 abril 2009

MAIS QUE UM TROCADO

Leitores desentocados


Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi. A cada livro oferecido em vez de esmola, um leitor descoberto. "Dinheiro não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?"

Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário do seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas da revista NovaEscola: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas — do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier — em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar.

Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais. Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram.

Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vítor (os nomes foram trocados para preservar as pessoas), 20 anos, vendedor de balas.

Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:
- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vítor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro — "Esse do castelo, que deve ser de mistério" — para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela (nome trocado), 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da Prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a R$ 1 uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da Avenida Tiradentes, no Centro. Fiz a pergunta de sempre.

E ela respondeu:
- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura? — provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico (nome fictício), 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro.

- Sabe ler?, perguntei.
- Não... — disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:
- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?
- Na 4.ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela Avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura.

Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria (nome... já se sabe). Carregava a pequena Vitória (precisa repetir?), 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

*editor da revista Nova Escola e mestrando em Educação, Rodrigo Ratier fez a leitura rodar



30 março 2009

ACABOU-SE A ILUSÃO

Intocáveis e invencíveis



Não tenho mais nenhuma ilusão de um dia ver algum desses criminosos travestidos de parlamentares atrás das grades e devolvendo o que nos roubou. Eles são muitos, e invencíveis.

Sob fogo cruzado de denúncias, juntam-se para se defender — como fizeram PT e PMDB no Senado —, embora digam sempre que é pela instituição, a mesma que eles aviltam e apequenam com seus atos.

O dinheiro roubado de nossos impostos, teoricamente, pode até ser recuperado, mas o crime de desmoralizar uma instituição democrática não tem preço.

O que nos resta? Confiar na Justiça? Na Polícia? No ladrão? Com Sarney e Renan comandando o Senado e espantados com a descoberta das 181 diretorias? A maior parte foi criada pelos dois. O resto, por Jader, ACM e Lobão. E pior. Foram criadas por resoluções da Mesa e ninguém reclamou. E mesmo se reclamasse não adiantaria nada. Tudo dentro da lei, na liturgia do cargo.

Seria um exagero comparar as disputas pelo poder no Congresso com as guerras de quadrilhas pelos pontos de venda de drogas nas favelas cariocas? Só porque uns vendem crack e cocaína e outros, privilégios e ilegalidades?

Guerra é guerra, vale tudo na disputa pelos pontos de poder. Se um tiroteio é de balas, o outro é de números e nomes, mas sempre sobram balas perdidas. Mas, quando o cerco aperta, os dois bandos acertam um armistício: o verdadeiro inimigo é a polícia.

Ou, no caso do Senado, a opinião pública. Porque eles não temem a polícia. Nem a Justiça. Eles só têm medo de perder eleição.

Diante do pacto de não-agressão entre os dois bandos, resta-nos confiar nos ódios, nas invejas e nos ressentimentos das legiões de apadrinhados que estão perdendo a boca e se vingando de seus traidores. Que muitas falas perdidas encontrem seus alvos.

Diante da certeza de que eles vencerão, de que jamais pagarão por seus crimes, de que continuarão ricos e corruptos, e até mesmo respeitáveis, resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus figurinos grotescos, seus cabelos tingidos, suas caras botocadas.

Para que suas esposas e amantes leiam, e seus filhos se envergonhem deles no colégio. Como nós nos envergonhamos todo dia.

*O jornalista Nelson Motta explica tudo também em seu programa (virtual) de rádio
(foto: museudatv.com.br)



QUEM SERÁ POR NÓS?

Candidato potencial


Um movimento sutil — mas nem mais tão subterrâneo assim — está levando de roldão os corações e mentes dos habitantes das periferias brasileiras: o lançamento do rapper carioca MV Bill a uma postulação ao Senado Federal da República.

Tudo começou quando, no show que comemorou o aniversário (444 anos) da cidade do Rio de Janeiro, realizado na Cidade de Deus, o músico Caetano Veloso instigou a massa sugerindo que MV Bill assumisse ser o senador das favelas. A festa virou um delírio. E Bill ainda não respondeu.

A partir daí a CUFA-Central Única das Favelas, entidade que promove atividades nas áreas cultural, esportiva e educacional direcionadas a jovens em situação de risco (em todo o Brasil e em outros países) começou a receber mensagens de adesão à protoproposta. Apartidária, porém, a CUFA não quer saber de comprometimento político, tendo se transformado em uma entidade representativa justamente por causa deste seu saudável afastamento da desacreditada cena “chapa branca” nacional.

No entanto, indiscutivelmente Bill é uma expressiva liderança entre os despossuídos urbanos, que percorre de ponta a ponta o País para inaugurar escolas de basquete, e nessas lançou a Poesia Negra dos Intelectuais do Povo e o CD Falcão – O bagulho é doido, apoiando ainda os jogos promovidos pela LIBBRA-Liga Brasileira de Basquete de Rua.

Também divulgou em todo canto seus livros Cabeça de Porco e Falcão - Mulheres e o tráfico, no projeto que virou documentário e ganhou os cinemas, a partir do livro Falcão - Meninos do tráfico, inclusive nas prisões, virando referencial e mostrando o que é a invisibilidade.

O rapper aprovou também, em diversas Câmaras Municipais, o dia 4 de novembro como Dia da Favela (Lei n.° 4.383/2006). No campo da música, gravou o videoclipe O bagulho é doido, além de deixar sua colaboração em CDs ainda inéditos.

Ao dirigir-se à população dos lugares por onde passou, expôs projetos pioneiros capazes, à primeira vista, de consolidar alternativas para minimizar a violência e as tantas desigualdades, apontando uma oportunidade para que os adolescentes de hoje possam transformar suas vidas.

Tais projetos são os que a sociedade quer ver em prática, ao invés de permitir que a mídia — especialmente a TV e os jornais — falem por ela. Enquanto isso, as pessoas se trancam em casa atrás de blindagens, cercas elétricas, altos muros, câmeras de vigilância e uma aura de terror.

Segundo Bill, a valorização da educação e da saúde, além das oportunidades de trabalho digno, são o começo de novas saídas para a ordem econômica e social, agregando a ressignificação do indivíduo, da família e das comunidades. Todo mundo sabe qual é o bonde.

O rapper, que cresceu numa favela carioca, percebeu ao descobrir o hip hop que poderia jogar com este dado e as emoções para mudar algumas coisas da realidade onde vivia, usando a música — capaz de levar informação e conscientizar as pessoas — para fazer quem não tinha se ligado que qualquer um(a) pode agir para mudar o mundo ao seu redor.

Por fim, Bill esteve dia desses no Haiti, onde filmou a vida das pessoas nas cidades e trouxe contundentes impressões de como as coisas estão por lá, testemunhando a população local receber o apoio do Exército brasileiro e de outros países, numa ação da ONU.

Ao dividir o palco com Caetano Veloso, MV Bill foi surpreendido pelo baiano. “Quero fazer um pedido ao Bill e ao Brasil: que a gente comece a pensar em MV Bill como futuro senador da República”, disse Veloso, sem mais, ao microfone. Enquanto a platéia ia à loucura, a ideia começou a repercutir em toda parte onde houvessem pessoas pobres e pretas, pessoas brancas oprimidas, índios e até mesmo um grupo de ricos insatisfeitos com o status quo deprimente estrelado pelos nossos parlamentares de plantão.

Diversas questões cruciais aguardam soluções urgentes nas aglomerações urbanas de todo o País. No dia-a-dia, tudo é mais ou menos escasso — menos o perigo do dengue, do tráfico de drogas, do aliciamento de menores para a prostituição e da violência gratuita, que aumenta como fruto da criminalidade aquisitiva (voltada ao consumo do crack).

No Nordeste rural, a seca é ainda um temeroso flagelo e muitas decisões relativas ao meio ambiente ainda estão por ser tomadas, ao passo que o conjunto de ações do sistema avança e se apropria como pode do patrimônio natural. Já no âmbito da organização formal, em todos os estados o nível dos profissionais da educação e da saúde, bem como o de seus salários, são motivo de assombro e enfrentamentos com a administração pública. E agora, Josés?

As demandas do Brasil para o rapper, que mostrou saber enxergar as feridas causadas por séculos de atividade das elites e as trágicas consequências que resultaram na saga dos desprivilegiados de toda ordem, tiveram eco na CUFA Ceará. A entidade promoveu em Fortaleza (novembro de 2008) o seminário Selva de pedra – A Fortaleza noiada, discutindo com lideranças comunitárias, universitários e autoridades da área da Segurança Pública a assustadora ameaça do crack aos jovens. Um contundente documentário de 50 minutos sobre o tema vem aí, pelo final de abril, e a deixa é integrar a área de Saúde ao debate.

A sugestão da candidatura de MV Bill feita por Caetano chega assim, para muitos, como um clarão da mais genuína esperança, junto aos requisitos para a sugestão bombar em 2010:

1. Bill conhece a realidade do povo humilde do Brasil: nasceu e mora na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro;
2. Sua militância e ações desenvolvidas falam só de coisas que ele realmente viveu, representando a aflição de milhões de brasileiros;
3. Seu trabalho é voltado para o enfrentamento da violência e da discriminação, sempre buscando a promoção da cidadania;
4. Como cantor, Bill é hoje, provavelmente, o rapper mais influente em todo o País;
5. Sua música aponta a realidade crua do cotidiano da periferia — de todas elas;
6. Bill escreveu livros importantes, mostrando o mundo do tráfico no Brasil;
7. Bill é militante ativista do movimento negro e social;
8. Pela sua atuação, Bill recebeu o Prêmio UNESCO - Categoria Juventude;
9. Pelo trabalho em defesa da vida, recebeu o Prêmio de Direitos Humanos, concedido pelo Ministério da Justiça;
10. Seu trabalho ganhou repercussão mundial, dando a ele o Prêmio Cidadão do Mundo da ONU;
11. Bill tem maturidade e conhecimento como poucos para representar o real Brasil no Senado;
12. Bill será uma voz ativa na defesa dos interesses dos trabalhadores;
13. Bill atuará com consciência e justiça, pois tem origem nítida — e quem sabe de onde vem, e aonde quer chegar, não muda de lado;
14. MV Bill está certamente atento aos apelos do meio ambiente, da família, da comunidade e da nação para uma vida cidadã mais digna.

“Como ajudar? Simples, faça cada pessoa do seu convívio saber deste projeto, que não é do Bill, não é da CUFA, não é do Rio de Janeiro, mas é um projeto da massa, que começou há anos e chega agora a mais uma etapa. Bill deverá estar no alto da pirâmide, com uma corda para ser alçada para a massa subir e alcançar o topo. A pirâmide existe, a corda também, só que ao longo desses anos vem sendo utilizada para enforcar o nosso povo, a nossa gente. Bill não é a salvação de nada, se a massa é como se fosse o general, Bill é simplesmente o nosso soldado: soldado do morro. E segue a vida”, aponta Celso Athayde, secretário-geral da CUFA Brasil.

E na rede virtual da entidade, Rebeca Tárique complementa: “Sem sombra de dúvidas, a figura do Bill é a legitima representação do homem negro/favelado que luta à frente do combate à marginalidade (hoje um dos grandes problemas sociais que atinge maciçamente a camada da população que é negra — leia-se a nossa juventude). Ele faz a defesa da teoria: ‘Troque as armas pelo microfone, pois ele é o poder. Troque o tráfico pelos livros, pois a educação é o caminho’... Sobretudo, ele traz veementemente a dura realidade que muitas vezes nos deixa sem muitas opções de escolha — e aí, meu irmão, a bandidagem acaba sendo a ‘tábua de salvação’ (não é apologia), salvação esta que estrategicamente mata, extermina a nossa juventude. Mas aí, como justificar essa limpeza étnica? Simples assim: os pretinhos estão na bandidagem, estão no tráfico... O que podemos fazer? Eles se envolvem com o mundo cão, que roubam, que mentem, que matam... Não é nossa culpa, eles mesmos se matam... Fácil, né? Mas é assim que o nosso governo se porta em relação a esta problemática. O que me preocupa não é quando o artista Caetano — que, com Gil, cantou que ‘o Haiti não é aqui’ — lança a candidatura de Bill, mas sim as estruturas que estão por trás dele. Isso sim me preocupa, tenho realmente medo de sermos mais uma vez engolidos, cooptados por elas. Esse é o X da questão”, finaliza Tárique, que é diretora nacional de Juventude do Coletivo de Entidades Negras da Bahia.
(foto José Leomar)

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05 março 2009

REFLEXÕES FLUIDAS

Momento pré-satoriano



Diz-se (num belo recanto do blog da Neli) que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele "treme de medo".

Olha para trás, tentando assenhorar-se da memória de toda a jornada que teve.

Observa os cumes das montanhas, lembra-se dos vales percorridos, do longo caminho sinuoso adivinhado através das florestas, através dos povoados — e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais parece ser do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira.

O rio não pode mais voltar.

Ninguém pode voltar.

Voltar não é possível, na existência.

Como o rio, você pode apenas ir.

O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando se despeja nele é que o rio percebe que o medo desaparece, porque apenas então saberá que não se trata de, simplesmente, "sumir" no oceano.

Mas de tornar-se oceano também...



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www.eopensamentovoa.blogspot.com

03 março 2009

DAPRAIA FUNNY PAGES

Insólito, o humor


Tudo de uma vez ao mesmo tempo agora









por Guabiras
Eu por mim mesmo e mais ninguém







por Denilson


Mungu, o palhacinho fela

SEXTO SENTIDO

Um dia, uma sensação


Incontáveis são as pessoas que já se surpreenderam ao tomar consciência de que sabiam que deveriam tomar determinada decisão, em momentos específicos de suas vidas. Apesar das circunstâncias aparentemente desfavoráveis, “algo” lhes dizia que deveriam seguir adiante.

Pois esse “algo” que, estranhamente, todos nós manifestamos, é parte integrante da nossa personalidade e é definido como "conhecimento intuitivo" — na verdade, uma forma de conhecer que representa uma das maiores ferramentas das pessoas de sucesso.

Tal "inteligência intuitiva" amplia, assim, os limites da razão e facilita a tomada de decisões, mesmo em meio a circunstâncias aparentemente desfavoráveis. O grande problema do conhecimento intuitivo é a dificuldade que as pessoas têm para compreender como ele se manifesta e, consequentemente, em acreditar que podem confiar nessa "sensação".

As diferenças de personalidade decorrem, conforme teorizou o psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), da maneira como cada pessoa usa sua mente, percebe o mundo e faz seus julgamentos. Para ele, dividimo-nos em "tipos psicológicos", fundamentados no predomínio e justaposição das quatro funções da consciência: o pensamento, que se opõe ao sentimento, e a sensação, contraposta à intuição.

"Uma pessoa excessivamente racional costuma não levar em conta suas emoções e, em contrapartida, alguém emocional ao extremo age sem pensar", explica a psicóloga Virgínia Marchini. Já quem desenvolve mais a sensação — que caracteriza­ informações captadas pelos cinco sentidos —­ pode chegar a desprezar aqueles insights "inexplicáveis".

Por outro lado, quem expressa sobretudo a sua natureza intuitiva pode perder o foco da realidade exterior. "Segundo Jung, equilibrar o sentimento, o pensamento, a sensação e a intuição é o que faz o ser humano florescer", ensina Virgínia, que também é uma especialista em intuição.

Assim, podemos utilizar nosso potencial intuitivo principalmente em situações do cotidiano que exijam tomadas de decisão rápidas. Mais além, o acesso à intuição pode ser obtido através da habilidade em dirigirmos a atenção a níveis mais profundos da mente — é lá que residem as fontes da inteligência intuitiva.

A psicóloga oferece diversas dicas, algumas essenciais, para facilitar o acesso a este tipo de conhecimento, que se configura em poderosa alavanca no alcance de uma maior consciência sobre você mesmo(a) e o mundo ao seu redor.

1) Relembre situações onde utilizou a intuição e fixe-se nas características que marcaram esse evento. Perceba como você pode reproduzir esta conduta a seu favor;

2) Adquira o hábito de sempre anotar os seus sonhos: descubra o que lhe é possível aprender com eles;

3) Acredite que seus problemas podem ter uma solução inovadora. Selecione o principal deles e imagine o que uma criança lhe diria sobre aquela situação;

4) Use a imaginação: crie cenas que deseja ver concretizadas, coloque-se nelas e preste atenção às sincronicidades que surgem em seu caminho;

5) Altere sua rotina e os seus pequenos hábitos, utilize novas palavras, mude os caminhos que costuma percorrer, desenvolva a curiosidade por temas e pessoas que desconhece.

6) Observe as mensagens do seu corpo. Tensões musculares, enjoos, dores-de-cabeça que antecedem um compromisso podem ser sinais intuitivos;

7) Os momentos de quietude, como os proporcionados pelas práticas meditativas, ajudam a silenciar a mente e fazem a intuição fluir;

8) Conheça mais sobre si mesmo(a). O autoconhecimento ajuda a separar a intuição das cobranças internas.

Agindo desta forma, você estará favorecendo o seu "equipamento existencial básico" na direção única possível: a da harmonia com o infinito e constante fluxo do tempo, que nos rege e guia.

"A intuição faz parte da natureza humana e está ao dispor de todos desde a infância. Algumas pessoas, entretanto, entendem melhor essas mensagens, que podem a qualquer momento se manifestar e, principalmente, ensinar-nos a aprender a confiar na sabedoria interior", complementa a terapeuta, que dirige o Centro de Desenvolvimento do Potencial Intuitivo em São Paulo.

Última dica: experimente-se!


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www.movimentodespertar.com.br

30 janeiro 2009

VIRGENS NA ACADEMIA

Estudando pra valer


Que muitas mulheres se prostituem para poder pagar seus estudos, isso todo mundo tá careca de saber. Se você for a um bordel de cidade grande, provavelmente topará com algumas universitárias por lá, dando duro pra melhorar de vida.

Durante um trabalho que fiz pra uma ONG no Rio de Janeiro em 2005, entrevistei estudantes que trabalhavam como prostitutas na Vila Mimosa, tradicional reduto de prostituição no Centro da cidade. Elas atuavam de forma independente, pagando apenas pelo aluguel de 20 minutos do quarto.

Trabalhando dois ou três dias por semana, algumas juntavam todo o dinheiro necessário para pagar a faculdade e até mais. Embora não amassem o que faziam, preferiam esse tipo de trabalho a ter que se submeter a um emprego chato, horários fixos, patrão insensível e baixa remuneração.

A relação entre prostituição e financiamento de estudos não é exclusividade do Brasil. O jornal inglês The Times divulgou em 2008 que no Reino Unido e na França cresce a cada ano o número de estudantes, homens e mulheres, que se prostituem e que o governo francês tenciona tomar algum tipo de medida para evitar que os estudantes acumulem tantas dívidas durante seus estudos.

Agora, porém, surgiu uma novidade bem interessante nessa história toda. De repente, garotas de todo o mundo parecem ter descoberto que não precisam se prostituir da forma tradicional para poder pagar os estudos. Em vez disso elas podem vender, e vender muito caro, a própria virgindade.

Em outras palavras: no lugar de dar muitas vezes, elas dão apenas uma vezinha -- e ainda lucram bem mais. Senhoras e senhores, com vocês o Leilão da Virgindade!

Um dos casos mais conhecidos é o de Rosie Reid, a estudante inglesa de 18 anos que, em 2004, para poder pagar suas dívidas com a Universidade de Bristol, leiloou sua virgindade através de seu site pessoal. Rosie conseguiu vendê-la por 8.400 libras, algo como US$ 15 mil na época, para um engenheiro divorciado de 44 anos. Rosie, que é lésbica (ainda tem isso), afirmou depois que não gostou da experiência, mas que preferiu transar com um estranho do que passar anos vivendo na pobreza.

Atualmente, há (pelo menos) dois casos bem documentados pela mídia. Um deles é o da modelo napolitana Raffaella Fico, de 21 anos, que em 2007 participou do Big Brother local. Raffaella revelou recentemente que é virgem e que venderá sua virgindade ao candidato que aceitar paga-lhe um milhão de euros. Com a grana ela, que pretende ser atriz, planeja comprar uma casa em Roma e fazer um curso de interpretação.

Para terminar os exemplos, que são muitos, fiquemos com o de Natalie Dylan, pseudônimo de uma estudante de Ciências Sociais de 22 anos de San Diego, nos EUA, que também está leiloando sua virgindade a fim de custear a continuação dos estudos. Como sua tese de pós-graduação é sobre a valorização da virgindade em diferentes culturas, seu próprio exemplo seria um excelente caso a relatar, pois a danadinha já recebeu milhares de propostas, inclusive uma de US$ 5,6 milhões! A noite de gala será no Bunny Ranch, famoso bordel de Nevada, que organiza o leilão através de seu site.

A italiana é famosa em seu país, já estampou capas de revistas masculinas. Seu caso, portanto, tem a ver com o fetiche masculino de ser o primeiro homem de uma mulher desejada por muita gente. Natalie era uma estudantezinha qualquer desconhecida que se tornou famosa e desejável, a partir do momento em que divulgou seu "negócio". Agora o mundo inteiro sabe dela e a sua virgindade teve uma maxivalorização instantânea.

O hímen de Natalie não é mais um himenzinho qualquer, desses que se vão todos os dias no banco traseiro dos carros. Ele está valendo R$ 12 milhões! Dava para comprar uma dúzia dos melhores bordéis, com tudo dentro.

Evidente que, como todo bom negócio, o Leilão da Virgindade exige boa dose de saco e sacrifício. Saco para aguentar o lenga-lenga dos moralistas, essa gente que aceita que se venda o rim mas não o hímen. E sacrifício para ter que ficar vários anos "segurando a piriquita", a fim de poder oferecer o "produto" com, digamos assim, "autenticação de qualidade".

Evidente também que os namorados das moças têm que entender muitíssimo bem a situação. Caso não sejam muito ciumentos, serão depois recompensados com uma namorada rica, que poderá até lhes pagar a faculdade também. Excelente negócio: a namorada entra com o cabaço e eles saem com o canudo (hummm, essa foi péssima).

Esse fetiche de querer ser o primeiro é para exibicionistas. Eu, particularmente, prefiro ser o atual. Mas não posso negar que a inocência e a inexperiência femininas também são excitantes. Por isso me inscrevi nos (ahn, como chamar?) dois "concursos". Isso mesmo, mandei proposta pra Raffaella e pra Natalie. Como ultimamente tô liso e economizando até espirro para poder comprar um notebook, o que pude oferecer a cada uma delas não foi muito: um livro meu com dedicatória e um caldo-de-cana na feirinha da Benedito Calixto em São Paulo/SP.

Ué, por que você está rindo? A Natalie mesma avisou que não transará necessariamente com quem oferecer mais dinheiro, pois ela terá que gostar do cidadão. É pouco? E se eu disser que meu beijo tem gosto de brigadeiro, hein, hein?

Como daqui pra frente as meninas vão todas querer ser virgens quando crescerem, fica desde já registrada minha proposta a todas as brasileiras estudiosas que decidirem seguir esse novo modelo de negócios. Sei perfeitamente que haverá propostas bem mais avantajadas que um livro e um caldo-de-cana, claro. Mas quem disse que faço questão de ser o primeiro?

*o escritor cearense radicado em São Paulo Ricardo Kelmer esmera-se em abordar temáticas insuspeitas e ângulos pragmáticos do cotidiano da espécie humana

29 janeiro 2009

GRANDES NOMES MUSICAIS

Carnaval jazzístico



Há já 10 anos que o Carnaval realizado em uma pequena cidade situada na região montanhosa do Ceará tem uma sonoridade diferente. Nas ruas e palcos de Guaramiranga, ao invés dos ritmos tradicionais que marcam o período em todo o País, cantores, guitarristas e outros músicos brasileiros e estrangeiros que pegam a estrada e sobem as curvas do Maciço de Baturité fazem o Festival Jazz & Blues.

São quatro dias de programação na serra, a 865 metros de altitude, e mais três no litoral, em Fortaleza, depois da pausa na Quarta-feira de Cinzas. Com menos de 6 mil habitantes, localizada a pouco mais de 100 Km da capital cearense, Guaramiranga é, durante todo o ano, um refúgio para quem quer trocar o calor e o sol das praias pelo aconchego de sítios e pousadas, cercados pela riqueza da Mata Atlântica preservada, com sua rica flora e banhada de cachoeiras.

O clima ameno, que torna indispensável o uso de um casaco à noite, convida para um bom vinho e para a boa gastronomia alemã, italiana ou francesa dos cafés e restaurantes locais. Em 2008, a cidade foi eleita pela revista Viagem e Turismo como a segunda mais romântica do Brasil.

É nesse cenário que, desde 2000, acontece o Festival Jazz & Blues em pleno período carnavalesco, atraindo um público que triplica a população da cidade. Pelos palcos do festival já passaram importantes nomes da música instrumental, do jazz e do blues, respeitados no Brasil e mundo afora.

Entre os que já escreveram um capítulo na história do Festival Jazz & Blues estão Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Jean Jacques Milteau, Ivan Lins, Scott Henderson, Stanley Jordan, Pedro Aznar, Paulo e Daniel Jobim, Danilo Caymmi e Paulo Braga, Hélio Delmiro, Duofel, Leny Andrade, Gilson Peranzzetta, Renato Borghetti, Eileina Williams, Badi Assad, Derico & Sindicato do Jazz, Big Time Sarah, Toninho Horta, Flávio Guimarães, André Cristóvam, Nuno Mindelis, Arismar do Espírito Santo, Victor Biglione, Cama de Gato, Nasi, Traditional Jazz Band, Baseado em Blues, Fernando Noronha & Black Soul, Heraldo do Monte, Sérgio Duarte, Leo Gandelman, Márcio Montarroyos (in memoriam), Kenny Brown, JJ Jackson, Frères Guissé, Torcuato Mariano, Hamilton de Holanda e Jefferson Gonçalves.

Do Ceará, participaram bandas e instrumentistas como Manassés, Waldonys, Jorge Helder, Irmãos Aniceto, Márcio Resende, Alex Holanda, Arthur Menezes, Marajazz, Fátima Santos, Bob Mesquita, Carlinhos Patriolino, Ítalo e Renno, Felipe Cazaux, Carlinhos Ferreira, Metalira, Rodolf Forte, Blues Label, Luizinho Calixto, Idilva Germano, De Blues em Quando, Marcus Britto, Cristiano Pinho, Lúcio Ricardo e Adriano Azevedo, entre outros.

Em 2009, de 21 a 24 de fevereiro em Guaramiranga e de 26 a 28 em Fortaleza, o Festival Jazz & Blues chega à sua décima edição, seguindo com a idéia pioneira e ousada de oferecer ao público espetáculos de jazz, blues, ritmos afins e boa música instrumental durante o Carnaval e distante dos grandes centros urbanos.

Tudo isso, que garantiu ao evento um lugar cativo no calendário cultural brasileiro, conquistou credibilidade e um público fiel, que vem do Ceará e de vários cantos do País. Mais uma vez, artistas renomados e de carreiras consolidadas vão marcar esta edição comemorativa dos 10 anos do Festival Jazz & Blues.

No palco do Teatro Rachel de Queiroz, em Guaramiranga, vão se apresentar o belga Toots Thielemans, reconhecido como um dos maiores gaitistas de jazz do século XX; o pianista, arranjador e compositor César Camargo Mariano, um dos músicos brasileiros mais celebrados e requisitados no mundo; Arthur Maia, considerado pela crítica especializada um dos melhores baixistas do mundo; a cantora Ná Ozzetti, que vem com o quarteto formado por Dante Ozzetti (violão), Mário Manga (guitarra e violoncelo), Sérgio Reze (percussão) e Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo); o Trio + 1, com o pianista, compositor e arranjador Benjamin Taubkin, o baixista Zeca Assumpção, Sérgio Reze e o trompetista Joatan Nascimento; o guitarrista Lanny Gordin, um dos maiores instrumentistas que surgiu no movimento tropicalista e cujo mais recente trabalho, Lanny - Duos, traz versões de sucessos feitos entre ele e artistas como Gal Gosta, Max de Castro, Rodrigo Amarante, Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Chico César e Adriana Calcanhoto; Dominguinhos, um dos mais conceituados e atuantes sanfoneiros do País e que é referência para as novas gerações; e um pioneiros do blues no Brasil, Paulo Meyer, fundador da hoje lendária banda Expresso 2222, que marcou época e influenciou toda uma geração de bluesmen paulistanos.

Uma série de atividades gratuitas também marca o Festival anualmente, democratizando o acesso à programação para todos que escolheram a cidade serrana como refúgio no Carnaval. A exemplo das edições anteriores, o fim de tarde contará com shows diários, em uma estrutura que será montada na Praça da Prefeitura.

Entre os que vão se apresentar no local ao pôr-do-sol estão o gaitista Pablo Fagundes, de Brasília, que vai lançar em primeira mão no Festival seu CD Foles, resultado de mais de 11 anos de pesquisa em relação às possibilidades sonoras da gaita; e a Dixie Square Jazz Band, de São Paulo, com o jazz tradicional de New Orleans, em cortejo pelas ruas de Guaramiranga e em show da Praça.

Depois da meia-noite, a festa continua com a tradicional Jam Session, que este ano será comandada pelo blues da carioca Beale Street. A banda foi criada há 10 anos pelo guitarrista e cantor Ivan Mariz (ex-Sex Beatles), o baterista Alexandre Baça e o baixista César Lago (neto do ator e compositor Mário Lago). Desde 2008, com a saída de Baça, a Beale Street viaja o país em festivais e mostras de blues com baterista convidado.

Não foi à toa que um festival de jazz & blues foi lançado há 10 anos e deu tão certo no Ceará: o Estado é celeiro de grandes instrumentistas e cultiva uma tradição em shows de blues, jazz e música instrumental em bares e casas noturnas, principalmente da capital. Da cena cearense, a 10.ª edição do Festival conta com veteranos e jovens talentos.

Entre os que já têm bagagem de muita música estão Luciano Franco, um dos mais completos músicos da efervescente cena instrumental no Ceará, que lança o CD Rio Novo, trabalho que abre espaço para o que de melhor nasceu da confluência entre a tradição jazzística e a herança musical brasileira: a improvisação; o compositor Ricardo Bezerra, autor dos sucessos Cavalo Ferro e Manera Fru Fru Manera em parceria com Raimundo Fagner, cuja participação foi importante no início da carreira desse artista e que, depois de longo exílio voluntário, gravou em 2003 Notas de Viagem, um CD instrumental; Lúcio Ricardo, voz inconfundível do blues no Ceará, que já participou do Festival em tributo a Ray Charles; Nélio Costa, baixista cearense que já acompanhou os artistas Maria Creuza, Nelson Gonçalves, Fagner, Jorge Vercilo, João Donato, Waldonys, Manassés e Amelinha. Nos anos 90, Nélio morou em Colônia, Alemanha, onde graduou-se em Pedagogia Musical e tocou com diversos estilos musicais, como jazz, salsa, reggae, bossa-Nova e pop, em diferentes grupos.

Da "geração Festival Jazz & Blues", estão três bandas com trabalhos sólidos na música instrumental e no blues: o projeto Timbral, surgido em 2000, na primeira edição do Festival em Guaramiranga, idealizada por Lú de Souza com o objetivo de mostrar que a música instrumental pode ser apresentada em diversos locais e para diversos tipos de público; a banda Blues Label, formada em 2001 por Roberto Lessa, e que é hoje uma das mais atuantes do Ceará, contando também com Artur Menezes (guitarra/baixo/vocal), Wladimir Catunda (bateria) e Leonardo Vasconcelos (teclado); e o guitarrista revelação na nova geração do blues do Ceará, Artur Menezes, integrante da Blues Label, que desenvolve trabalho próprio com sua banda Os Caras, com influências que vão de Jimi Hendrix a Luiz Gonzaga, passando por Albert Collins, Albert King, B.B. King, Stevie Ray Vaughan, Buddy Guy e Johnny Winter. Duas temporadas morando em Chicago, nos Estados Unidos, renderam a Artur Menezes bons contatos com músicos de renome internacional com os quais tocou, como John Primer, Charlie Love and The Silky Smooth Band e Jimmi Burns, mostrando seu talento em bares de blues como B.L.U.E.S., Kingston Mines, Buddy Guy's Legends, Smoky Daddy, Rosa's, Vine Tastings e Katherina's.

No palco aberto, no fim de tarde, também vão se apresentar três bandas formadas em oficinas realizadas em cidades do Ceará, com jovens instrumentistas. É o projeto Novos Talentos, uma ação de responsabilidade social e inclusão do Festival, que visa formar bandas de jazz e blues no interior do Estado. Este ano, antes do Carnaval, os músicos e professores Jefferson Gonçalves e Kleber Dias vão formar e preparar bandas no Crato (10 a 12/02), em Paraipaba (14 a 16/02) e Pacatuba (18 a 20/02). Cada banda vai se apresentar em um dia do Festival na serra.

Além de shows, durante o dia o público do Festival pode conferir ensaios abertos, onde atrações da noite conversam com a platéia e dão uma prévia do que vai acontecer no palco às 22h30. Este ano os ensaios abertos serão com Dominguinhos, César Camargo Mariano, Ná Ozzetti e Toots Thielemans. Quem quer mais do que se deleitar com a música dos artistas convidados, vai poder participar das oficinas de Flauta (Bob Mesquita/CE), Gaita e Guitarra (Jefferson Gonçalves e Kleber Dias/RJ) e Percussão (Vanildo/CE).

E depois dos quatro dias no friozinho da serra, o Festival desce a Fortaleza na Quarta-feira de Cinzas para, de quinta a sábado, levar aos palcos mais shows. Além das apresentações à noite, durante o dia alguns dos importantes instrumentistas convidados passam um pouco de suas experiências e técnicas de instrumento para músicos profissionais e amadores em workshops gratuitos.

O Festival Jazz & Blues é uma realização da Via de Comunicação e Cultura, em uma promoção do Diário do Nordeste, com o patrocínio de Votorantim, Indaiá e CAGECE e apoio do Banco do Nordeste e COELCE. Recebe ainda apoio cultural da Prefeitura Municipal de Guaramiranga e do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (Lei de Incentivo à Cultura).

SERVIÇO
Festival Jazz & Blues 2009 - de 21 a 24 de fevereiro em Guaramiranga e de 26 a 28 em Fortaleza
Programação em Guaramiranga disponível no site do Festival. A programação em Fortaleza será divulgada posteriormente.
Informações: (85) 3262-7230 e viac@viadecomunicacao.com


SAIBA MAIS
www.jazzeblues.com.br

20 janeiro 2009

NINGUÉM VÊ A ÁGUA

No front da guerra


“Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo 'terra por paz', há uma realidade histórica de guerras pela água — tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias”. Raymond Dwek - The Guardian, [24/nov/2002] *

A nossa sobrevivência na Terra está ameaçada. Sem alimento, o ser humano resiste até 40 dias; sem água, morre em 3 dias. Somos água! Mas, enquanto a população se multiplica e a poluição recrudesce, as fontes de água desaparecem.

Na guerra do momento — Israel em Gaza —, por que a mídia sensacionalista não fala sobre a água, um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio?

Oriente Médio... uma região aonde água vale mais do que petróleo... E sempre nos passam a idéia de que lá as guerras ocorrem pela conquista das reservas de petróleo...

E a conquista das reservas de água? Em 1997, o então vice-diretor geral da UNESCO, Adnan Badran, no seminário Águas transfronteiriças: fonte de paz e guerra (que centrou os debates nas águas do Mar Aral, do rio Jordão, do Nilo...), disse que “a água substituirá o petróleo como principal fonte de conflitos no mundo”.

Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina. Além de restringir o uso d’água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural. Ali, Israel é o “dono” das:
  • águas superficiais: bacia do rio Jordão (incluindo o alto Jordão e seus tributários), o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão;

  • águas subterrâneas: 2 grandes sistemas de aqüíferos, o da Montanha (totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel), o aqüífero de Basin e o aqüífero Costeiro, que se estende por quase toda faixa litorânea israelense até Gaza.
    Tais águas são ‘transfronteiriças’, são recursos naturais compartilhados.

Segundo recente inventário da UNESCO, 96% das reservas de água doce mundiais estão em aqüíferos subterrâneos, compartilhados por pelo menos dois países. Há regras internacionais para o uso dessas águas. Algumas destas obrigam Israel a fornecer água potável aos palestinos.

Mas Israel não compartilha a água; afinal, tais regras internacionais não prevêem mecanismos de coação ou coerção; é letra morta. O Tribunal Internacional de Justiça, até hoje, condenou apenas um caso relacionado com águas internacionais.

A estratégia de Israel é outra. Em 1990, o jornal Jerusalém Post publicou que “é difícil conceber qualquer solução política consistente com a sobrevivência de Israel que não envolva o completo e contínuo controle israelense da água e do sistema de esgotos, e da infra-estrutura associada, incluindo a distribuição, a rede de estradas, essencial para sua operação, manutenção e acessibilidade” **. Palavras do ministro da Agricultura israelense, sobre a necessidade de Israel controlar o uso dos recursos hídricos da Cisjordânia através da ocupação daquele território.

O Acordo de Paz de Oslo de 1993, por exemplo, estipulou que os palestinos deveriam ter mais controle e acesso à água da região. Nessa época, segundo o professor da Hebrew University, Haim Gvirtzman, dos 600 milhões de metros cúbicos de água retirados anualmente de fontes na Judéia e Samaria, os israelenses usavam quase 500 milhões, satisfazendo cerca de 1/3 de suas necessidades hídricas. Para ele, isso gerou um "direito adquirido sobre a água".

Questionado sobre o acesso palestino à água, o professor respondeu que “Israel deve somente se preocupar com um padrão mínimo de vida palestino, nada mais, o que significa suprimento de água para eles só para as necessidades urbanas. Isso chega a cerca de 50/100 milhões de metros cúbicos por ano. Israel é capaz de suportar essa perda. Portanto, não deveríamos permitir que os palestinos desenvolvessem qualquer atividade agrícola, porque tal desenvolvimento virá em prejuízo de Israel. Certamente, nunca permitiremos aos palestinos suprir as necessidades hídricas da Faixa de Gaza por meio do aqüífero montanhoso. Se purificar a água do mar é uma solução realista, então deixemos que o façam para as necessidades dos residentes da Faixa de Gaza” **.

E na Guerra pela Água vale tudo: os israelenses bombardeiam tanques d'água, grandes ou pequenos (muitas vezes construídos nos telhados de suas casas), confiscam as bombas d’água, destroem poços, proíbem que explorem novos poços e novas fontes d’água (a Cisjordânia, em 2003, contava com cerca de 250 fontes ilegais e a Faixa de Gaza, com mais de 2 mil).

Israel irriga 50% das terras cultivadas, mas a agricultura na Palestina exige prévia autorização. Então, furto de água das adutoras de Israel é comum naquela região. A regra do jogo é esta: enquanto o palestino não tem acesso à água para beber, o israelense acostumou-se ao seu uso irrestrito.

Sendo assim, dá pra imaginar uma outra forma de divisão ou de uso compartilhado desses recursos hídricos para os próximos anos? Dá para imaginar a sobrevivência de qualquer Estado e, nesse caso, a da Palestina, sem o controle efetivo do acesso e da distribuição dos recursos hídricos que necessita?

Botar a mão na água é coisa antiga. Britânicos e franceses no Oriente Médio definiram as fronteiras (em especial da Palestina), de olho nas águas da bacia do rio Jordão.

Desde 1948, Israel prioriza projetos, inclusive bélicos, para garantir o controle de água na região. Dentre estes:

  • a construção do Aqueduto Nacional (National Water Carrier);

  • em 1967, anexou os territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia e tomou da Síria as Colinas do Golã, ricos em fontes de água, para controlar os afluentes do Rio Jordão. Sobre esta guerra, Ariel Sharon afirmou que a idéia surgiu em 1964, quando Israel decidiu controlar o suprimento d’água;

  • em 2002, a construção do "muro de segurança" viabilizou o controle israelense da quase totalidade do aqüífero de Basin, um dos três maiores da Cisjordânia, que fornece 362 milhões de metros cúbicos de água por ano.

Segundo Noam Chomsky, “o Muro já abarcou algumas das terras mais férteis do lado oriental. E, o que é crucial, estende o controle de Israel sobre recursos hídrico críticos, dos quais Israel e seus assentados podem apropriar-se como bem entenderem...” ***. Antes do muro, ele já fornecia metade da água para os assentamentos israelenses. Com a destruição de 996 quilômetros de tubulação de água, à população palestina do entorno do muro falta água para beber;

  • antes de devolver (simbolicamente) a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região. E, até hoje, não há infra-estrutura hídrica nas regiões palestinas.
Quantos falam a respeito disso??? Em 2003, na 3.ª Conferência Mundial sobre Água, em Kyoto, Mikhail Gorbachev bateu na tecla dos conflitos mundiais pela água: contabilizou, na época, 21 conflitos armados e apropriação de mais fontes de água; destes, 18 ocorreram em Israel.

Gestão conjunta, consumo igualitário de água, ética e consenso na água — são palavras bonitas no papel, nas mesas de negociação, na mídia... Na prática, é utopia.O que a ONU e os donos do planeta estão esperando para exigir que Israel cumpra as regras internacionais sobre águas, especialmente as contidas em convenções, acordos, declarações (e outras abobrinhas)... ?!?!?

Quem vai ter coragem de criar regras claras e objetivas para punir a violação dos direitos dos povos e nações à sua soberania sobre os seus recursos e riquezas naturais?


*a advogada ambientalista Ana Echevenguá é coordenadora do programa Eco&Ação e presidente da ONG ambiental Acqua Bios, bem como da Academia Livre das Águas (ana@ecoeacao.com.br)

REFERÊNCIAS DO TEXTO
* - http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/internacional/2002/11/23/jorint20021123004.html

** - Noam Chomsky: Novas e velhas ordens mundiais, São Paulo, Ed. Scritta, 1996.

*** - www.galizacig.com/actualidade/200403/portoalegre2003_muro_humilhacao_e_roubo.htm

SAIBA MAIS
www.ecoeacao.com.br

SONORIDADE CEARENSE

Palavras do autor


Antes de tudo o mais... é preciso destacar que, sem a aprovação do projeto deste meu disco pelo IV edital de Incentivo às Artes, promovido pela SECULT-Secretaria da Cultura do Ceará em 2007, as gravações não teriam acontecido!

O trabalho passou por alguns anos de maturação em seu conteúdo e forma, e nesse ínterim algumas pessoas importantes para ele surgiram com sugestões, igualmente ricas. A oportunidade de muitas vivências foi absorvida e a decisão, enfim, foi a de, mais uma vez, valorizar as influências que fazem de mim o profissional que me sinto hoje.

Maduro em meu ofício, ciente do mercado profissional, mais ético do que nunca, coerente como jamais. Como um instrumento de fortalecimento da identidade coletiva da escola lítero-musical cearense, o CD tem em seu ambiente sonoro as manifestações da cultura regional, dispersos de forma discreta, porém não menos perceptível.

Fazendo menção aos primórdios da nossa formação musical (Oriente, de Eugênio Leandro) e algumas de suas principais influências, o formato acústico do CD nos aproxima ainda mais do seu universo temático.

São maxixes, chorinhos, sambas, flamencos e toadas que remontam a um déjà vu doméstico, íntimo, ao conhecido, a um recanto do nosso imaginário coletivo quando a música parecia narrar-nos a nossa própria história — e daí a nossa identificação natural com ela.

Entraram em cena compositores cearenses, arranjadores e instrumentistas cearenses, estúdio cearense, obras de e com autores cearenses, num abraço afetuoso de reconhecimento à pequena fração do que de melhor queremos e podemos produzir para o mundo.

Há uma questão de fundamental importância para o ambiente da cultura do mercado de produção de áudio que se faz aqui: o grau de maturidade dos profissionais desse segmento ultrapassa, em muito, a média do que se encontra na produção nacional, e portanto, abre precedentes para que uma infinidade de iniciativas, de projetos, de trabalhos sejam desenvolvidos com mão-de-obra integralmente local — uma visão meritória de toda a nossa construção ao longo do tempo.

Nesse contexto histórico, saudamos os compositores Evaldo Gouveia (Tango pra Tereza), hit romântico que compôs o cenário da música nacional a partir dos anos 1970 pela voz da “Sapoti“ Ângela Maria; Fausto Nilo, que nos trouxe a consciência poética da obra de Severino Araújo (Espinha de bacalhau).

Agradeço ainda o empréstimo de suas obras ao internacionalmente renomado Nonato Luís, que em parceria com Abel Silva, referência no mercado da composição, autorizou-me e estimulou o registro de sua gostosíssima composição Pagando pra ver; igualmente agradeço ao meu primeiro violonista, Marcílio Homem, que em dois momentos pontua o disco como resultado de parcerias distintas (Morena, com Alencar Menezes e Segredo, com Marcus Dias).

Do grupo de filhos da minha geração, a sorte me trouxe Alan Mendonça e Rafael Torres (Enquanto a cidade dorme) e, fechando o trabalho, um hino à espirituosidade do compositor, com Eudes Fraga e Eliakin Rufino (Poeta).

Impossível não agradecer a Adelson Viana, que em seus poucos momentos comigo trouxe luz a algumas questões técnicas; a Adriana Góis, que com um espírito pacífico e com serenidade administrou parte da burocracia que envolve a produção de um CD; a Hamilton Silva, operador de áudio que, sempre atento, buscou a melhor sonoridade para as nossas sessões de gravação; ao Cabeça e ao Antônio, que também participaram de momentos conosco.

Os músicos, todos, foram de uma sensibilidade e compreensão além da comum, e isso é motivo de muita gratidão e satisfação em tê-los comigo neste trabalho. Dessa forma Carlinho Crisóstomo, Carlinhos Patriolino, Eduardo de Holanda, Marcos Maia, Marcelo Randemarck, Nélio Costa, Adelson Viana, Edson Távora, Márcio Resende, Nilton Fiore e Rossano Cavalcante — obrigado pela presteza e pelo empréstimo de tantos talentos.

Outros amigos, como Moacir Júnior, Rejane Porto, D. Carminha e minha família deram suporte logístico nos dias que se seguiram. Mais outras pessoas também se somaram ao projeto, D. Evangelina e o Sr. Claudionor, Cely Dias e Vanda Melão (SEST-SENAT), Goreti Macedo e Ana Studart (Fundação Beto Studart), Rui Dias e Nerizeth Moreira (Queiroz Galvão), Marcelo Arraes e Dane Arraes (Distrivídeo), Colégio Nossa Senhora das Graças, Gárdia, Gláucia Studart (Taco & Pizza), Lucielena (Midiamix) e Inara (CD+).

É "só" um disco, mas o esforço valeu a pena pela qualidade sonora, e pelo conteúdo e forma atribuídos ao produto final. A certeza é a de que teremos juntos, no futuro, outros momentos prazerosos, sendo vividos e revividos nas ondas do rádio, em nossa memória déjà vu.



*Marcus Caffé empresta sua voz a projetos que refletem a ampla musicalidade dos artistas da terrinha.

01 janeiro 2009

CABEÇA FEITA

No meio do caminho...



Brasileiro adora crise. Se não está no meio de uma, está especulando quando chegará a próxima. Que por sinal, será a definitiva, a maior de todas, o Juízo Final.

Perguntado sobre como vejo a crise, contei mais uma das muitas histórias da minha viagem ao Campo-Base do Everest, que tantas lições me trouxe. Quando viajei para lá em 2001, tive a precaução de marcar a viagem com um ano de antecedência, assim teria tempo de sobra para me preparar.

Todos diziam que a viagem ao Everest era "90% cabeça" e que, se eu me preparasse para enfrentar os desconfortos psicológicos, teria grandes chances de ser bem-sucedido. Assim, passei um ano fazendo minha cabeça.

Ao finalmente embarcar para o Nepal, eu estava mentalmente preparado para enfrentar uma avalanche de neve ou cair numa fenda sem fundo no gelo. Para tomar um tombo de 3 mil metros ou enfrentar os guerrilheiros maoístas. Para encarar uma comida que destrói os delicados estômagos ocidentais...

Pois sabe o que aconteceu? Nenhum dos problemas que ocuparam minha mente durante aqueles 12 meses aconteceu! Tinha avalanche? Claro que sim. Mas não iríamos até as áreas de risco. Tinha fendas no gelo? Sim. Mas não chegaríamos até o local onde elas estavam. Era perigoso cair da montanha? Claro! Mas a trilha era cuidadosamente escolhida para minimizar os riscos.

Os guerrilheiros maoístas estavam lá? Sim. Mas não na região por onde seguiríamos... Sabe qual foi o grande problema que quase acabou com minha viagem? Os toaletes do Everest.

Não sei como é com você, mas eu trato a ida ao banheiro como um momento quase espiritual, de reflexão, relaxamento e contemplação. Quero conforto, iluminação, música e ventilação.

Mas aqueles toaletes do Everest — pequenas casinhas de pedra, com um buraco no chão, sem ventilação, sujas e desconfortáveis — eram um inferno! Dava vontade de ir ao banheiro, mas quando entrava neles, não tinha jeito: a vontade passava...

Os toaletes do Everest foram o maior e pior problema. E deram-me uma lição valiosa.

Naqueles 12 meses em que fiz a cabeça para os grandes problemas, não dediquei um segundo sequer a pensar nos toaletes. Afinal, tinha tanto problema imenso, que “ir ao banheiro” parecia coisa banal...

Quando voltei, contei essa história para um amigo budista, que disse: "Luciano, ninguém tropeça em montanhas. A gente tropeça em pedregulhos..." E então eu respondo como vejo a crise: do jeito que aprendi a ver minha viagem...

O petróleo subiu, é? O petróleo caiu? O banco quebrou? Os juros subiram? Cada um desses grandes acontecimentos está aí, como uma avalanche ou a fenda no gelo ou os guerrilheiros maoístas. Mas temos que continuar a caminhar, não podemos simplesmente voltar para casa, não é?

E daí? O que é que eu posso fazer a respeito? Primeiro, tenho que conhecer a trilha. Entender o contexto, as áreas de risco e os problemas que podem acontecer. Depois, tenho que montar meu plano.

Se tem avalanche aqui, vamos por ali. E, por fim, botar na cabeça que, para vencer a trilha, a gente tem que andar sempre, um passinho de cada vez, pequeno, constante, sistemático. Parar não é solução. A gente congela...

Enquanto estamos preocupados com os grandes problemas sobre os quais temos nenhuma influência, a vida está correndo. As oportunidades passando. Enquanto estamos de olho nas montanhas, são os pedregulhos espalhados pelo caminho que vão ameaçar a caminhada.

Contemple as montanhas. Mas tome cuidado com os pedregulhos.


*O jornalista Luciano Pires milita ativamente no combate à mentalidade pocotó que assola o País — e o mundo (na inspiradora imagem, o Cerro Tronador, divisa com o Chile situada na zona Sul do Parque Nacional Nahuel Huapi, na Patagonia argentina, com cerca de 3.554 metros de altura)

SAIBA MAIS
www.lucianopires.com.br

22 dezembro 2008

MONSTRUOSIDADE

Festa a caráter



Fortaleza mostrou potencial para congregar milhares de fãs no Centro de Convenções Edson Queiroz no SANA-Fest (Festival da Super-Amostra Nacional de Animes). Em dois dias de janeiro, o evento iniciou as celebrações, na capital cearense, do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil e incluiu palestras de dubladores e uma etapa classificatória do WCS (concurso mundial de cosplay).

Mais à frente, em três dias de julho, a Fundação Cultural Nipônica Brasileira apoiou a realização da 8.ª Super-Amostra Nacional de Animes, para um público estimado em 30 mil pessoas que prestigiaram oficinas, exposições, desfiles de moda, apresentações de artes marciais, mais palestras de dubladores e shows de bandas locais e consumiram card games e RPGs, animes, música e mangás.

Até um quarteto veio direto da Terra do Sol Nascente: Kouji Wada (Digimon/Butterfly), Ricardo Cruz (Jam Project), Yumi Matsuzawa (Cavaleiros do Zodíaco/Chikyugi) e Nobuo Yamada (Cavaleiros do Zodíaco/Pegasus Fantasy) botaram pra rachar no palco principal do evento, entoando os hits que encantam os otakus.

E para fechar 2008, a cidade recebeu a Monstra Expo Festa Comix, o desdobramento natural da série de eventos "Monstra", articulada pelo Grupo ArtZ. No sábado antes do Natal, encontro de desenhistas, e à noite, para comemorar mais um ano de sucesso, festa com exposição!!!

Das 10h às 12h, os desenhistas foram à exposição Monstra Comix, no Sobrado Dr. José Lourenço, no Centro, e rolou um bate-papo com os artistas do traço Guabiras, Saulo Tiago e Everton Silva, que lançaram os fanzines Aruá (Guabiras), Revólver (Tiago Saulo), Adulterado (Everton Silva) e Interferência (Tiago e Everton), além de Anti Usual e Monstra Comix, mais uma coleção de posters (lambe-lambe).

Cinematograficamente, o cenário do Sobrado (a exposição em si) compunha ao redor um recorte da produção independente contemporânea mundial de histórias em quadrinhos. A partir das 22h, foi a vez da Festa da Monstra - Especial de Natal, no Mocó Studio, (Praia de Iracema).

Entre as atrações, a exposição coletiva Queimação Total, que ofereceu obras de R$ 1 a R$ 100 dos artistas David Suárez, Denilson Albano, Diego Akel, Érica Zoe, Everton Silva, Felipe Fox, Franciscus Galba, Franklin de Oliveira, Marcílio S., Saulo Tiago, Siegbert Franklin e Weaver Lima.

Nos momentos do agito, observou-se intenso escambo de posters, zines e revistas de quadrinhos, e as pessoas muito à vontade, ao som dos DJs Marquinhos, GVale e Raphael Villar. Com tudo isso, só queremos colaborar para que todo(a)s em 2009 cheguem, no mínimo, ao mesmo padrão!!!