31 maio 2007

DAPRAIA FUNNY PAGES

Um sorrisinho só faz bem...


Eu, por mim mesmo e mais ninguém - por Denilson Albano







Manibura memories - por Guabiras









29 maio 2007

A INCOMPETÊNCIA BRASILEIRA - II

Uma análise beeem dolorida


Há cerca de 10 anos, participei de um debate no Instituto de Estudos Estratégicos de Lisboa, Portugal, com a presença de embaixadores, militares superiores, intelectuais, acadêmicos e outras personalidades de destaque. Um dos temas era vislumbrar a posição do Brasil no mundo, principalmente na América Latina. A partir desse evento, comecei a perceber, com mais nitidez, que o Brasil é um País incompetente.

No encontro, chegamos a uma conclusão: somos uma nação sem rumo no cenário mundial, carecendo de uma política externa amadurecida, inclusive no nosso próprio continente. Tive a oportunidade de afirmar que, caso o meu País tivesse juízo, uma elite esclarecida, intelectualmente bem-dotada, pensando estrategicamente, facilmente seríamos líderes dos sul-americanos e não ficaríamos imaturamente rodopiando sem foco, nos relacionando sofregamente com Uruguai, Paraguai, Argentina etc. que, juntos, talvez não cheguem ao tamanho do Brasil.

A economia de Santo Amaro (bairro paulistano), quando muito o ABC (também em São Paulo), possivelmente seria mais pujante do que a economia argentina. Até o Chile, considerado bem-sucedido (não pertence ao Mercosul) é uma tripa (basta olhar o mapa) no espaço geográfico, notabilizando-se pela vocação internacional exportadora. E o Brasil ainda patina no mercado externo.

A raiz desta nossa injusta inferioridade repousa na notória incompetência das elites nacionais, com dificuldade de pensar além do nariz. A partir dessa percepção, continuei observando a incapacidade nacional. Ao viajar pelo Brasil, a serviço ou como turista, deparo-me com outros sinais de incompetência. Por exemplo, um País imenso, dotado de ilimitadas riquezas e, por outro lado, parcela considerável da população passando fome. Daí a minha admiração e respeito pelo MST, único movimento cutucando a repugnante elite e responsável pelo andamento, mesmo tímido, da reforma agrária.

Fico pensando com meus botões: o que faz de concreto e eficaz a enorme estrutura do Ministério da Agricultura, das secretarias estaduais e outros órgãos afins para explorar as vastíssimas terras e saciar a fome da população? Outra ilustração da incompetência tupiniquim. Tenho dois amigos, ex-ocupantes do Ministério do Planejamento. Um da Universidade de São Paulo (USP) e outro do Nordeste. Perguntei a um deles: “Como tem sido a sua experiência no Planejamento?” Ele respondeu: “Uma riquíssima experiência”. E voltei a interrogá-lo: “Por quê?” Ele concluiu: “Porque meu ministério faz tudo, menos planejar. Enquanto isso, a China, Japão e diversos países têm projetos estratégicos para mais de 100 anos à frente”. Desdobrando esta resposta do ministro, veja a miopia, a vulgaridade da classe política.

Deputados, senadores, governadores de Estado, ministros, prefeitos, vereadores levam a vida batendo papo-furado, mormente em Brasília. Independentemente da conversa pobre de idéias, de conteúdo, de boas intenções, o teor do conversório é de curtíssimo prazo. Não conheço políticos refletindo no longo prazo. Predominam os papos no varejo, nas picuinhas. Com um agravante: discutindo interesses pessoais e imediatos.

Agora, vamos fazer um passeio superficial pela História do Brasil. O período Colonial plantou a incompetência. Os “descobridores” sequer tiveram nível para compreender a cultura indígena vigente. E cometeram uma falha imperdoável de querer impor aos silvícolas a cultura ocidental. Daí a reação violenta dos nativos. Ademais, o cotidiano na Colônia restringia-se aos senhores feudais concentrados somente nos ganhos financeiros e nas futilidades.

Do outro lado, os escravos e nenhuma imaginação em se aproveitar o potencial nacional. O Império, curiosamente, foi o período no qual o Brasil deu alguns avanços, sobretudo na cultura, nas artes, na literatura, em coisas intangíveis, mas para atender aos hábitos europeus dos reis. O povão ficou excluído desse tímido avanço intelectual e espiritual.

No entanto, um tempo caracterizado por uma elite ociosa que adorava unicamente os salões, festas, bacanais (vide o baile da Ilha Fiscal, quando o Império estava sendo desalojado), mais ociosidade, viagens, gastos. Mauá, considerado o maior empresário do século XIX, quebrou a cara porque colocou o Império para plantar uma árvore num de seus empreendimentos. Os estudos eram feitos em Coimbra, até porque o Brasil era desprovido de uma Universidade.

O Brasil começou a ter ensino superior no começo do século XX, com 400 anos de atraso. Enquanto isso, a Universidade de São Marcos, fundada antes do descobrimento do Brasil, fica no Peru, de onde se originou o eficaz Sendero Luminoso. A República Velha tinha nomes isolados de altíssimo respeito, cultos e muita cultura. Mesmo assim, o Brasil continuou avançando precariamente.

Em represália a esta República, surgiram sementes que plantaram a revolução de 30, liderada pelo Getúlio Vargas. O Levante do Forte de Copacabana, o tenentismo, a Coluna Prestes pareciam um bando de desorientados, apenas movido pelo idealismo conjugado com muita ingenuidade e com a meta simplista de derrubar o Presidente da República. De implantar o comunismo, socialismo, integralismo e outras macaquices ideológicas.

A Coluna Prestes, sob a liderança do Luís Carlos Prestes, não passou de uma viagem a cavalo pelo Brasil. Era desprovida de propostas, de projetos para equacionar os gravíssimos problemas nacionais. Não passou de uma aventura. Houve a revolução de 30, capitaneada por Getúlio Vargas, considerado no século XX um estadista. Porém, era um provinciano.

O maior percurso feito por ele foi de trem, de Porto Alegre até o Rio de Janeiro. Portanto, o homem que implantou parte da infra-estrutura econômica (vide Cia. Siderúrgica Nacional) era provinciano. No segundo governo da década de 50, suicidou-se depois de alcançar o nível de incompetência na administração dos conflitos dos partidos, notadamente a UDN (o PSDB de hoje), os militares infantilmente usados pela UDN, os empresários na busca das tetas dos Estados e outros descontentes manipulados pela imprensa da Direita.

Do Getúlio até à hora da elaboração deste artigo, tivemos o Juscelino em 56, mesmo um grande realizador, era engenheiro de obra, sem maiores luzes. A revolução de 64, mesmo com alguns progressos econômicos, o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, único dos militares daquela época de horizontes de longo prazo.

Os demais, um desastre, salvando-se um pouco o Geisel, por ter promovido a abertura e tocado fogo nos radicais da Direita. Assim, nesse vôo panorâmico, fica patente a agressiva incompetência das lideranças políticas, governamentais. Debaixo desse pano de fundo, vêm as incompetências micro, das organizações publicas e privadas, objeto de próximos artigos.


VÁ ALÉM
O autor, Dr. Cleber Aquino, é professor da Universidade de São Paulo (USP), consultor de Alta Gestão e coordenador dos 6 volumes de História empresarial vivida – Depoimentos de empresários brasileiros bem-sucedidos (Editora Gazeta Mercantil, 1986 — busque em http://www.livronet.com.br/listagem/id_estante/1/pid/3)


15 abril 2007

MUNDO ATUAL

A questão da propriedade


Ulrich Duchrow, professor de teologia sistemática na Alemanha, na tentativa de explicitar as dificuldades e as oportunidades apresentadas à teologia pelo mundo de hoje, toca numa das questões mais espinhosas para quem se põe na perspectiva de pensar uma alternativa mais humana às nossas formações sociais.

O capitalismo produziu pobreza crescente, miséria e destruição da natureza em nível mundial. O mais trágico no momento presente é que depois de mais de 50 anos do estabelecimento do atual sistema econômico em Bretton Woods e do colapso do socialismo real parece não haver alternativas plausíveis que possam barrar os mecanismos ameaçadores da vida da ordenação econômica capitalista mundial.

Neste contexto, é urgente a busca de alternativas, que começa em primeiro lugar pela coragem e pela obrigação da fazer perguntas inaceitáveis no mundo de hoje. Uma primeira observação sobre nossa situação é que para ele, mesmo nas crises dos poderes econômicos e políticos, a segurança do poder ideológico parece inabalável. A hegemonia atual do pensamento neoliberal não aconteceu por acaso: ela foi longa, eficiente e sistematicamente preparada através da formação de redes transnacionais de teóricos que se empenharam na construção de institutos de pesquisa em todo o mundo e se infiltraram estrategicamente em universidades, na mídia, em instituições políticas, culturais etc.

Daqui brota, então, uma pergunta básica para a teologia: como ela pode ajudar a construir um trabalho teórico interdisciplinar a respeito de alternativas a esta hegemonia neoliberal? Esta é certamente uma pergunta central no mundo de hoje para quem está convencido do papel importante que as religiões e conseqüentemente suas teologias podem exercer na configuração da vida coletiva.

É neste contexto que uma questão se revela como questão-chave: a questão da propriedade precisamente porque a propriedade privada dos meios de produção é uma coluna-chave do capitalismo dominante e a propriedade estatal fracassou. Quais são, então, as alternativas que nos permitam recuperar os recursos da Terra para o uso sustentável de todas as pessoas e, portanto, para a superação da situação de morte em que vivem bilhões de pessoas no planeta, assim como a superação da sua destruição sistemática?

Têm surgido em muitos países, inclusive no Brasil, reflexões alternativas a respeito do desenvolvimento comunitário autogestionário e da emancipação do trabalho humano. Há em todo mundo experiências em curso que apontam para um futuro diferente e nos estimulam a pensar alternativas. A característica básica destas experiências é que os trabalhadores têm assumido a tarefa de reorganizar eles mesmos a produção, as finanças, o crédito, o comércio, o consumo, os serviços na base da cooperação e da solidariedade.

Isto, como nos relata Marcos Arruda*, tem levado à criação de empresas autogestionárias nas quais valores novos — a cooperação, a complementaridade e a solidariedade — regem as relações, não somente no interior das firmas, mas nas relações com outras empresas e comunidades. Nestas experiências percebe-se que a eficiência não existe mais simplesmente em função de mais lucros e menos custos, mas acima de tudo em função de mais dignidade da vida e do trabalho humanos.

O mais radical nestas experiências é a percepção de que um horizonte novo de valores pode reger a vida e levar a um mundo institucional diferente: a reciprocidade e a solidariedade podem reestruturar pelas raízes o mundo econômico e toda a existência humana.


*Socioeconomista e educador, Marcos Arruda é coordenador geral do PACS-Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul, membro do Instituto Transnacional, com sede em Amsterdã, e da equipe internacional de animação do Pólo de Socioeconomia Solidária, da Aliança por um Mundo Responsável e Solidário. Integra a secretaria do Fórum de Cooperativismo Popular do Rio de Janeiro e tem publicado extensamente no Brasil e no exterior, trazendo elementos para a construção de fundamentos mais sólidos a uma nova práxis social.

CONTATE O COLUNISTA
Manfredo Araújo de Oliveira é sacerdote diocesano, Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana, Doutor em Filosofia e professor na Universidade Federal do Ceará (UFC)
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http://www.cg.org.br

27 março 2007

O DIREITO DE SER VOCÊ MESMO(A)

Terapia da Respiração


A seguir, postamos uma entrevista com a terapeuta curitibana Ramyata, que vem a Fortaleza ministrar o workshop apropriadamente chamado O direito de ser você mesmo(a), neste abril de 2007 no Hotel Iate Plaza. O tema? Trata-se de uma técnica dirigida para o auto-conhecimento, denominada Renascimento – Terapia da Respiração.

1. O que é Renascimento e qual sua origem?
Ramyata: Renascimento é uma técnica que utiliza conscientemente e de modo especial o processo respiratório para promover a diluição de bloqueios e tensões que contraímos no corpo, a partir do nascimento. Desde que nascemos, e às vezes dentro do útero, não somos incentivado(a)s a sermos totais, a nos expressarmos espontaneamente — muito pelo contrário, desde pequeno(a)s “aprendemos” que, se nos comportarmos “de certa maneira”, e se ocultarmos o que somos e sentimos, seremos melhor aceitos por nossos pais, professores e/ou grupo social. O que acontece é que tudo isto que não expressamos vai sendo contraído e "fixado" em nosso corpo.

Na década de 70, o norte-americano Leonard Orr desenvolveu a técnica chamada Rebirthing (Renascimento), também conhecida no Brasil como Terapia da Respiração, que ajuda a liberar estes bloqueios, tensões e contrações. Orr percebeu que cada ser humano respira de forma diferente, segundo padrões de condicionamento desenvolvidos a partir do nascimento e da infância, que indicam com acuidade os bloqueios emocionais e as limitações no nível de comportamento e expressão criativa que nos afetam.

2. Há várias técnicas terapêuticas que utilizam a respiração. Em que o Renascimento difere das demais?
Ramyata: Muitas correntes terapêuticas de abordagem corporal têm centrado suas pesquisas no ciclo respiratório, definindo sua importância como chave primordial na busca de maior equilíbrio e bem-estar na vida. O Renascimento é uma destas técnicas. É a técnica que experimentei e transformou minha vida, por isso resolvi me especializar nela: para mim, o Renascimento é uma técnica simples, poderosa e que atua no sentido de propiciar uma transformação concreta na vida das pessoas que a experimentam.

3. Como se dá essa expansão de consciência através do Renascimento?
Ramyata: Todas as resistências, memórias e tudo o que nós contraímos até então, fazem-nos "fechar" para a vida. A magia do Renascimento está em podermos entrar em contato com estes sentimentos limitantes e descontrairmos, liberarmos nossa individualidade. Ao fazer isto, entramos cada vez mais em contato com o nosso ser, com nossa essência. Conseqüentemente, passamos a viver uma vida mais consciente, mais real, mais focada no aqui-e-agora.

4. O processo terapêutico do Renascimento permite promover que tipo de mudanças?
Ramyata: Ao vivenciar a experiência de abrir-se para a vida, tudo o que é contrário a isto — quer no nível físico (tensões no corpo, dores), emocional (sentimentos e emoções não-expressas) e mental (memórias e lembranças traumáticas) — vem à tona para ser então dissolvido, expandido, curado.

5. É possível através desta técnica ter consciência de traumas ou situações bloqueadoras ocoridas na vida intra-uterina?
Ramyata: Sim, como dito acima, tudo o que foi contraído vem à tona para ser liberado. Sabemos hoje que, já dentro do útero, o bebê recebe tudo o que a mãe sente. Por exemplo, se a mãe rejeitou a gravidez, se teve uma gravidez conturbada, o(a) bebê também experimentou isto.

6. Na experiência do Renascimento algumas pessoas chegam a ter contato com sentimentos ou lembranças de outras vidas?
Ramyata: Algumas vezes as pessoas entram em contato com sentimentos, imagens e memórias de experiências que parecem não ter lógica ou fundamento ou não serem reais... A minha abordagem, nesses casos, é ajudar a pessoa a fazer uma “ponte” entre estas informações e a sua vida hoje, no que esta experiência pode ajudar a entender melhor e com mais clareza a vida dela hoje. Não entro muito no mérito se se trata de uma "vida passada" ou não.

7. A consciência de crenças e condicionamentos é suficiente para a cura e a transformação interior?
Ramyata:
A consciência, no sentido de "experiência", sim. Consciência, no sentido de “saber”, não. Saber que fui rejeitada na gravidez não transforma a minha vida, muito pelo contrário, talvez faça com que eu me fixe nisto e explique toda a minha dificuldade de me relacionar: se explico minha dificuldade, de repente me acomodo nela. Agora, experimentar, no nível energético, esta lembrança de estar sendo rejeitada no útero e recuperar, liberar esta energia que estava sendo usada para contrair-me... ah, isto transforma!

Faço questão de deixar clara a diferença entre "saber" e "experimentar", porque as pessoas usam com muita facilidade a palavra "consciência" para apontar estas duas coisas, que são completamente diferentes. Saber, intelectualmente, é ler um cardápio... Já saber, experiencialmente, é comer a comida. Faz diferença, não?!?

8. A experiência do Renascimento em um fim-de-semana pode levar a que estágio de expansão? Esta terapia necessitaria de que número de sessões?
Ramyata:
Cada sessão de Renascimento é completa em si, ou seja, cada sessão tem começo, meio e fim. Ao final da sessão, você completa um ciclo. Esta é uma das coisas que mais gosto nesta técnica, ela dá liberdade à pessoa de decidir quantas sessões quer fazer. Se você, no fim-de-semana, sentir que o que você experimentou está ok, tudo bem, o ciclo está completo. O que pode acontecer é você gostar tanto da experiência de respirar e "contatar-se" que vai querer mais... Aí, você só precisa ir em frente!

Quando organizo um workshop, faço isso também com o objetivo de completar um ciclo. É importante que a experiência tenha um começo, um meio e um fim. Por isso, cada grupo que coordeno tem um tema.

O workshop que denomino O direito de ser você mesmo(a) tem como objetivo levar as pessoas a tomarem maior consciência sobre "quem elas são" e perceber "o quê" elas estão experimentando nos relacionamentos e em suas vidas, hoje. É claro que em um fim-de-semana você não vai resolver todas as suas histórias no que se refere a isto, mas aquilo que você focar, colocar a sua atenção e se permitir experimentar lhe trará uma integração e consciência que vão certamente refletir-se na sua vida!

9. Qual a sua proposta terapêutica para que possamos realmente conectar-nos conosco mesmo(a)s, com nossa essência e atrairmos relacionamentos mais saudáveis e criativos?
Ramyata:
Assumirmos a responsabilidade por quem somos e pelo que estamos escolhendo para trazer mais consciência à nossa vida! A partir daí, podemos transformar tudo o que quisermos.


SERVIÇO
O direito de ser você mesmo(a)
Palestra gratuita: 12 de abril
Workshop: 13 a 15 de abril
Investimento: R$ 350,00 (desc. 10% para pgto. à vista)
Informações e inscrições: (85) 3082-2732 e 9988-1938, com Antônio Cláudio Belém

antoniobelem@terra.com.br
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24 março 2007

DESEMPEDERNINDO

Não sei...


Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes, basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não seja nem curta,
Nem longa demais,

Mas que seja intensa,verdadeira, pura...
Enquanto durar.

(Cora Coralina)


(post enviado por Cacilda / escultura Tenderness by Paul Lancz)



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20 março 2007

A MAGIA DE OZ

Cantando a aventura de Dorothy


Nestes (chuvosos) dias finais de março, Fortaleza recebe no estacionamento do Shopping Iguatemi, sob um toldo climatizado, a montagem nacional do musical O mágico de Oz, dirigida por Billy Bond. Após excursionar por Argentina, Chile, Peru e diversas cidades brasileiras, O mágico de Oz também foi visto no centro de convenções do Casa Grande Hotel, no Guarujá.

Os números são grandes: assistida por mais de 900 mil pessoas, a superprodução já foi apresentada mais de 1.200 vezes no Brasil e em toda a América do Sul. A montagem — que conta a grande viagem da garota Dorothy e de seu cachorro Totó —, envolve cerca de 200 profissionais, entre atores, bailarinos e músicos, em cena e nos bastidores e mais de 28 toneladas de material, distribuídas entre cenários e equipamentos.

"O espetáculo apresenta recursos de produção de alta tecnologia, com deslumbrantes efeitos visuais", adianta Bond, diretor de outras montagens nacionais de produções da Broadway como Les miserables, Rent e O beijo da mulher-aranha e a pré-produção de A bela e a fera.

No mais, a história de O mágico de Oz atravessa forte onda de renascimento em todo o mundo: nos EUA, cerca de US$ 860 milhões foram investidos na criação de um parque temático no Kansas e a música-tema Somewhere over the rainbow foi regravada por artistas como o guitarrista Eric Clapton.

Aqui, o espetáculo O mágico de Oz, além de ter sido premiado como “Melhor Musical” de 2003 e aparecer 4 vezes na capa da revista Veja, inspirou a Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo a criar o "Projeto Mágico de Oz", que prevê a criação de comissões de prevenção à violência nas escolas usando a dramatização da peça. E o livro infantil O mágico de Oz vendeu mais de 3 milhões de exemplares de 2003 para cá no Brasil. Nada mau para um texto que comemora 107 anos de idade!

Resumindo: a menina Dorothy quer voltar para casa, o Espantalho quer possuir inteligência, o Leão busca coragem e o Homem de Lata quer ganhar um coração. Será que o Mágico de Oz vai atender a seus desejos? Tudo começou no final do século XIX, quando escritores e produtores de livros infantis da Europa lideraram um movimento propondo histórias menos violentas e sanguinárias. Ao mesmo tempo, defendiam que duendes, gênios e fadas já não tinham o poder de despertar tanto interesse nas crianças.

O escritor norte-americano Lyman Baum também achava isso. Para ele, o conto-de-fadas "moderno" devia conservar apenas a novidade e o bom-humor, descartando tristezas e pesadelos. Se as crianças precisavam de morais severas, que as aprendessem em casa ou na escola. Histórias eram para divertir.

Assim, em maio de 1900, Lyman lançou com sucesso sua obra-prima, O maravilhoso mágico de Oz, ricamente ilustrado por W.W. Denslow. Considerado o primeiro grande romance da literatura de fantasia norte-americana, vendeu mais de 100 mil exemplares em apenas 10 meses.

O livro empolgou crianças de todas as idades com as fabulosas aventuras de Dorothy, a menina do Kansas levada por um ciclone para uma terra mágica — aonde encontraria personagens incríveis como o Espantalho, o Homem de Lata, o Leão Covarde e o Mágico de Oz.

Em 1902 Lyman produziu, em Chicago, um musical inspirado no livro. O êxito foi tanto que logo foi para a Broadway, o centro teatral de Nova York. Em 1925 virou um filme mudo, hoje lembrado por ter Oliver Hardy, da dupla O gordo e o magro, como o Homem de Lata.

Depois, em 1939, a Metro produziu o grande musical estrelado por Judy Garland. Foi o filme mais visto de todos os tempos no cinema e na televisão, com mais de um bilhão de espectadores.

Em Fortaleza, as apresentações da montagem começaram dia 22 de março (quinta-feira), com apoio do Sistema Verdes Mares. Quem realiza a superprodução na "terrinha" é a Free Lancer — que também está trazendo à capital cearense o show de Chico Buarque em abril.


SERVIÇO
O mágico de Oz, a partir de 22 de março no estacionamento do Shopping Iguatemi
Horários: quintas e sextas, às 9h, 15h e 20h e aos sábados e domingos, às 15h, 18h e 20h
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)


SAIBA MAIS
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Maravilhoso_M%C3%A1gico_de_Oz

LEIA UM TRECHO DO LIVRO
http://recantodasletras.uol.com.br/juvenil/19318

FAÇA DOWNLOAD DO TEXTO INTEGRAL
www.omagicodeoz.blogspot.com

15 março 2007

PELOTÃO CULTURAL

Lançamento na Praça da Sé


Centenas de pessoas compareceram em um sábado desses à Praça da Sé — o marco zero da capital paulista —, para prestigiar e engrossar o Pelotão de Choque Cultural Contra a Mesmice e a Burrice Nacionais, idealizado pelo jornalista paraibano Assis Ângelo.
Assis é um incansável divulgador da mais legítima cultura popular, agitando em vários suportes — jornal, livro, rádio, TV, internet — e, agora, levando diretamente às pessoas o seu vasto conhecimento nesse campo.
Ele aproveitou a ocasião para lançar (literalmente) ao público o seu mais novo livro, o Dicionário Gonzagueano — de A a Z. O volume é riquíssimo documento sobre a vida e obra do "rei do baião" Luiz Gonzaga, contendo entrevistas, fotos e completa discografia do grande
sanfoneiro, cantor e compositor.
O "Dicionário do Lua" saiu dia 13 de dezembro também para marcar o Dia Nacional do Forró — uma idéia genial do Assis que se tornou realidade a partir de projeto da deputada federal Luiza Erundina —, criado em 2005 para homenagear este imortal fenômeno da música brasileira.

Na praça, cantaram e dançaram com Assis ao som de forró, baião, toada e outros ritmos musicais todos que compareceram à festa, ou ato político-cultural — que começou por volta do meio-dia e se estendeu por quase 3 horas.
Subiram ao palco artistas como Joel Marques e Carlos Randall, interpretando Paraíba, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; a rainha do forró, Anastácia; Lino de França e Grupo, acompanhando Janaina Pereira; e mais Valdeck de Garanhuns, Cacá Lopes, Nininho de Uauá, Costa Senna, Roberto Melo, os grupos musicais Banda de Pífanos de Caruaru, Trio Sabiá e ainda os poetas repentistas Sebastião Marinho e Luzivan Matias. O cordelista Marco Haurélio declamou trechos do folheto Foi voando nas asas da Asa Branca /Que Gonzaga escreveu a sua história, também lançado ao público na ocasião.
O Pelotão de Choque Cultural — que, conforme o seu idealizador, foi criado para discutir os rumos da cultura popular brasileira nos meios de comunicação —, integrou a programação comemorativa dos 60 anos da primeira gravação de Asa Branca, o “hino dos nordestinos”, registrada na saudosa voz de Luiz Gonzaga (no dia 3 de março de 1947 no Rio de Janeiro).

A programação começou na Praça da Sé e seguiu pela Praça Benedito Calixto (Pinheiros), terminando na madrugada de domingo 4, na casa de espetáculos Remelexo Brasil, naquele bairro (Zona Oeste de São Paulo).
Ao fim da festiva jornada, Assis Ângelo admitiu estar bem satisfeito pelo sucesso do evento, que foi coordenado pela produtora Andrea Lago. Tem mais: tudo foi gravado pela equipe do programa Tão Brasil, da TV Aberta e da AllTV, para posterior edição de um CD e de um DVD.
E o seu Dicionário Gonzagueano... é ótimo de se ler: só mesmo esse "cabra bão" para juntar, em mais de 220 páginas, tantas deliciosas revelações sobre a carreira do "mestre Lua", acompanhando tudo com depoimentos reveladores de Dominguinhos, Sivuca, Hermeto Pascoal, Oswaldinho do Acordeon, Anastácia e Carmélia Alves, a Rainha do Baião.

Uêba: agora você também pode cantar Asa Branca
Quando oiei a terra ardendo
Qua fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, uai:
Por que tamanha judiação?
Que braseiro, que fornaia!
Nem um pé de prantação
Por farta d'água, perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Inté mêmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse: adeus, Rosinha!
Guarda contigo meu coração!
Hoje longe muitas légua
Numa triste solidão,
Espero a chuva cair de novo
Pra eu voltar pro meu sertão
Quando o verde dos teus óio
Se espaiá na prantação
Eu ti asseguro: não chore não, viu?
Que eu voltarei, viu? Meu coração.

A produtora Andréa Lago coordenou a iniciativa na esplanada da Sé paulista dia 3 de março

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09 março 2007

O POETA CARTOLA

Uma espécie rara de filme



Cartola, carioca do Catete, nasceu em 11 de outubro de 1908 — mesmo ano em que morreu outro gênio da arte nacional, Machado de Assis. Depois de viver por 3 anos em Laranjeiras, saiu da Zona Sul e foi morar na Mangueira aos 11 anos. O bairro classe-média e o morro deram régua e compasso para os versos e as canções do compositor.

Desde menino, o sambista participava de festas de rua. Aprendeu a tocar cavaquinho com o pai e se apresentava no rancho Arrepiados, em Laranjeiras, e nos desfiles do Dia de Reis. Até 15 anos, Cartola viveu com a família e freqüentou escolas de ensino clássicas. Com a morte da mãe, deixou as duas instituições e passou a ter lições de boemia.

O apelido Cartola de Angenor de Oliveira nasceu no canteiro de obra. Como pedreiro, o compositor usava sempre um chapéu para impedir que o cimento lhe sujasse a cabeça. Longe da rotina de pó e poeira, o pedreiro criava a base para uma das principais escolas de samba do País. Fundou em 1925, com seu amigo Carlos Cachaça, o Bloco dos Arengueiros. Era a semente da G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, que surgiu em 28 de abril de 1928 da fusão desse e de outros blocos da região. O próprio Cartola escolheu o nome e as cores da agremiação.

A estréia da verde-e-rosa na avenida foi embalada pelo primeiro samba com a assinatura de Angenor de Oliveira. Era Chega de demanda, composto em 1928 (mas só gravado por Cartola em 1974, no LP História das escolas de samba: Mangueira). Em 1931, o nome do compositor chega a outros territórios: à época, era comum o artista do asfalto subir o morro para comprar música. Assim fez Mário Reis, que, com um punhado de dinheiro, adquiriu os direitos de gravação de Que infeliz sorte. Porém, a voz de Reis não se adaptou ao samba de Cartola. Quem acabou gravando foi Francisco Alves, que virou freguês das composições do mangueirense.

A relação, porém, mudou e Cartola passou a ceder apenas os direitos sobre a vendagem de discos, mantendo a autoria. Neste rol estão Não faz, amor (em parceria com Noel Rosa, em 1932), Qual foi o mal que eu te fiz? (1932) e Divina dama (1933). Neste período, as criações de Cartola ganharam outras vozes — como Tenho um novo amor (1932), gravado por Carmen Miranda e Na floresta, interpretado pelo parceiro da composição, Sílvio Caldas.

Os sambas da Estação primeira completavam a projeção além-Mangueira. Com o primeiro, em parceria com Carlos Cachaça, Pudesse meu ideal, a escola foi campeã do desfile promovido pelo jornal O mundo esportivo. Já Não quero mais (com Carlos Cachaça e Zé da Zilda, de 1936) deu outro prêmio à agremiação: a música, depois gravada por Araci de Almeida (1937), ganhou em 1973 nova interpretação e título de Paulinho da Viola, tornando-se Não quero mais amar a ninguém.

O início da década de 40 cristalizou o talento de Cartola entre a elite musical e também no seio da população mais simples. Ao lado de Donga, Pixinguinha e João da Baiana, o poeta participou, em 1940, de gravações com o maestro Leopoldo Stokowski. O repertório de MPB deu origem a dois álbuns de 4 discos, lançados nos EUA. No rádio, o compositor atuou como cantor, com músicas próprias e de outros autores populares. Naquele ano criou, com Paulo da Portela, o programa A voz do morro na Rádio Cruzeiro do Sul, no qual a dupla apresentava sambas inéditos de vários autores. Em 1941, formou o Conjunto Carioca, com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres, com o qual participou de programas da Rádio Cosmos, em São Paulo.

Os anos seguintes foram de ostracismo para o sambista. Cartola desapareceu do ambiente musical e muitos viveram a ilusão da morte do poeta. Alguns compuseram sambas em sua homenagem. Mas em 1948, a Mangueira o manteve vivo com o samba-enredo Vale do São Francisco (de Cartola e Carlos Cachaça) e conquistou o campeonato daquele ano.

Cartola só foi redescoberto pela mídia em 1956, quando o cronista Sérgio Porto o reencontrou. Eram tempos difíceis e o compositor vivia de bicos. De dia, lavando carros em uma garagem de Ipanema e, à noite, trabalhando como vigia de edifícios. Sérgio abriu caminho para o compositor cantar na Rádio Mayrinck Veiga. Logo depois, conseguiu-lhe, com ajuda de Jota Efegê, um emprego no jornal Diário carioca.

A década de 60 foi mais suave para o compositor. Já vivendo com Eusébia Silva do Nascimento — a Dona Zica —, eles fizeram uma pequena “revolução” gastronômica e musical na cidade: primeiro, o lar do casal tornou-se ponto de encontro de compositores. Depois, em 1964, a matriz do samba mudou de endereço — agora o point era o restaurante Zicartola, na Rua da Carioca. A casa fez história com a cozinha comandada por Zica, que com seus quitutes ajudava na inspiração de grandes sambistas do morro e de jovens compositores da geração pós bossa-nova.

Só na Terceira Idade, aos 66 anos, o mestre gravou seu primeiro LP — Cartola. O disco conquistou vários prêmios. Dois anos depois, lançou o segundo com o mesmo título do anterior. Naquele ano (1966), o cantor fez o seu primeiro show individual, acompanhado pelo conjunto Galo Preto. Um sucesso de público que ficou em cartaz no Teatro da Galeria, no Catete, por 4 meses.

O sambista ganhou destaque na TV em 1977: a Rede Globo exibiu um programa Brasil especial dedicado a Cartola. A audiência era crescente na tela e no palco. Em setembro do mesmo ano, participou do Projeto Pixinguinha, acompanhado por João Nogueira. O espetáculo começou no Rio e a ótima bilheteria carioca levou o show para São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. No mês seguinte, lançou o terceiro disco-solo: Cartola – Verde que te quero rosa.

Aos 70 anos, Cartola deixou a Mangueira e foi viver na tranqüila Jacarepaguá de 1978, quando estreou o segundo show individual. O quarto LP (Cartola – 70 anos) chegou ao mercado em 1979. Nesse período foi diagnosticado um câncer no compositor. Cartola morreu vítima da doença, em 30 de novembro de 1980.

Os lançamentos seguem após a morte do sambista: a Funarte editou e lançou, em 1983, o livro Cartola, os tempos idos, de Marília T. Barboza da Silva e Arthur Oliveira Filho, e, em 1984, o LP Cartola, entre amigos. A Editora Globo pôs nas bancas, em 1997, o CD e o fascículo Cartola, na coleção MPB Compositores (n.° 12). Entre composições próprias e de parceiras, Cartola deixou mais de 500 obras.

CARTOLA
É um filme simples e sofisticado como o próprio Angenor de Oliveira. Tem a ousadia de ser simples, cronológico, sofisticado e poético. Aproxima o espectador do seu principal objeto, o compositor e sambista que, sem ser letrado, fez canções e versos dignos de um imortal.

O filme revive o poeta Cartola, artista do subúrbio carioca cuja obra é uma verdadeira ponte cultural que liga um País dividido socialmente, emprestando sua biografia para os diretores Hilton Lacerda e Lírio Ferreira contarem, sob um ângulo original, parte da história da Mangueira, do Rio de Janeiro e da nossa música do século passado.

SINOPSE
A história de um dos compositores mais importantes da música brasileira. A história do samba a partir de um dos seus expoentes mais nobres. Utilizando linguagem fragmentada, Cartola traça um painel da formação cultural do Brasil, convidando a uma reflexão na construção da memória deste País. O retrato de um homem que se reconstruía com seu tempo.

Na construção deste discurso, os diretores refazem ambientes, captam depoimentos e costuram imagens com ficção, documentários e material jornalístico de arquivo. O testemunhal traz as pessoas que conviveram com Cartola e outras que vivem o cotidiano da comunidade da Mangueira — além de críticos, historiadores, cantores, músicos e compositores de seu tempo.

As imagens de arquivos resgatam longas-metragens, reportagens e entrevistas nas quais o sambista e o samba são os focos. Os filmes escolhidos são, na maioria, musicais das chanchadas das décadas de 40 e 50 e do cinema novo. Hilton Lacerda e Lírio Ferreira completam a assinatura com cenas que criam e recriam o espírito poético da narrativa.

A montagem e a seleção desse vasto material desenham o perfil do compositor e sua descoberta por uma MPB que evoluiu a partir do contato com os morros e seus sambistas. Produzido por Clélia Bessa e Paola Vieira (Raccord Produções), o filme começa com o enterro de Cartola e já o define como o narrador de sua própria vida.

O tom de ficção inicial atravessa todo o longa-metragem. Para ilustrar a compra e a venda de composições, por exemplo, Lacerda e Ferreira misturam cenas de ficção (Rio 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos) que narram o drama de compositores de aluguel a imagens reais de Carlos Cachaça, principal parceiro de Cartola. Em off, os dois artistas relembram fatos do comércio de sambas na primeira metade do século XX.

A marca de Cartola imprime-se também nas cenas desenvolvidas para alinhavar com o material de pesquisa. Hilton e Lírio trazem para o filme a geografia musical do sambista e de suas composições. Estão lá a Mangueira, a Lapa, a Carioca e a Central, fotografadas por Aloysio Raolino. A dupla de criadores ainda coloca cerejas sobre o longa e refilma parte da história do personagem perdida no tempo.

A soma de todos esses elementos, editados e montados por Mair Tavares e pelos dois diretores, resulta numa unidade de linguagem que dá a Cartola características que o levam para bem além de um simples documentário. O filme surpreende, emociona e informa sobre o espírito de um dos principais criadores da Música Popular Brasileira.



SERVIÇO
Cartola — filme de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda
Festival do Rio 2006 - Mostra Competitiva – Documentários


EQUIPE TÉCNICA
Direção e Roteiro: LÍRIO FERREIRA e HILTON LACERDA
Produção Executiva: CLÉLIA BESSA
Direção de Fotografia: ALOYSIO RAOLINO
Montagem: MAIR TAVARES
Direção de Arte: CLAUDIO DO AMARAL PEIXOTO
Figurino: RÔ NASCIMENTO
Som Direto: VALÉRIA FERRO (Ruído rosa)
Edição de Som: AURÉLIO DIAS e MARIA BYINGTON (Artesanato Digital)
Mixagem: ROBERTO LEITE e AURÉLIO DIAS
Programação Visual: TECNOPOP
Consultoria: ELTON MEDEIROS
Produção: CLÉLIA BESSA e HILTON KAUFFMANN
*Ator (Cartola criança): MARCOS PAULO SIMIÃO

Brasil - 2007 - 85 min - Cor


ENTREVISTA COM A PRODUTORA
A produtora Clélia Bessa vem trabalhando no projeto Cartola como quem cuida de uma espécie rara. Nos últimos 6 anos, o filme passou por mudanças que exigiram dedicação ímpar da sócia da Raccord Produções. Com a experiência de quem ajudou a tirar do papel os longas-metragens de Rosane Svartman Mais uma vez amor e Como ser solteiro e o programa musical Claro q é rock, exibido no canal Multishow, Clélia captou recursos e reuniu profissionais capazes de dar vida a um filme ousado e em constante evolução.

A quanto orçou o filme Cartola?
Clélia Bessa: O filme custou em torno de R$ 1,2 milhão. A captação de recursos não foi fácil. Conforme o projeto avançava, o filme ganhava nova dimensão e os custos aumentavam. Cartola é um filme vivo. Fechamos a poucos meses do lançamento.

Qual a maior dificuldade na produção?
Clélia: O filme tem cerca de 85 minutos e 65% são arquivos. A negociação e a pesquisa foram difíceis e complexas. As fontes de arquivo eram as mais diversas, de emissora de TV que faliu a pessoas físicas. Ainda recuperamos uma série de arquivos de imagem do compositor. O som também teve uma complexidade técnica, precisou passar por um processo de reestruturação para ter uniformidade.

Como foi o processo de pesquisa de imagens?
Clélia: Investimos muito na pesquisa de imagem. O acervo iconográfico de Cartola não é vasto. Não foi encontrada, por exemplo, uma imagem em movimento do Zicartola.

E os herdeiros do compositor? Como foi essa negociação?
Clélia: Negociamos com os herdeiros oficiais e reconhecidos. Ele não teve filhos naturais.

Na sua opinião, qual a justificativa para se desenvolver um projeto como o de Cartola?
Clélia: O brasileiro gosta de ouvir e ver a história do País retratada nas telas. Veja o exemplo do documentário Vinícius, que foi um sucesso de público. Cartola, como Vinícius, é fundamental na história da música desse País.

Há planos de lançar CD ou outro produto vinculado?
Clélia: Não, ainda não pensamos nesse ponto, não há nada programado.

Quem patrocina o projeto?
Clélia: Os patrocinadores são BR Petrobras, Telemar, Eletrobrás, Infraero. O filme também tem recursos do BNDES e da Itaú Cultural, esse no desenvolvimento do roteiro. A produção é da Raccord e co-produção da Globo Filmes, com distribuição da Riofilmes.


VEJA
Segue uma versão em avant-trailer do filme Cartola , música para os olhos, que estréia dia 06 de abril, somente nos cinemas. Siga o link e aprecie boa música e belas imagens
http://www.youtube.com/watch?v=xlMRgr6vxLg


SAIBA MAIS
http://www.raccord.com.br

cleliabessa@raccord.com.br

Skype ID: cleliaelisa

06 março 2007

SOM ENSURDECEDOR

Que provém do silêncio interior



Senhor George, não me leve a mal, mas sua escuridão vai ter que se render a um novo amanhecer.

Atenção ladrões, assassinos e traficantes! Chamem todas as milícias e mercenários, para assistirem ao alerta global!

Senhor Hugo, use suas “chaves” para abrir as portas da percepção e liberte-se da farda, boina e coturnos — a temporada de ditadores ensolarados já terminou.

Caro presidente Lula, cuidado! O senhor pode estar a menos de 4 anos da contracapa da História.

Brasileiros, meus irmãos! Meu coração se enche de orgulho e de tristeza. Orgulho porque no Brasil não tem terremoto e tristeza porque estão tentando me convencer de que Deus não é brasileiro.

Adeus à Lei de Gerson, cerrrto?

Militares do Brasil, conclamo meus irmãos das forças a se livrarem do peso sobre seus ombros. E não falo do peso das estrelas e patentes, mas sim da História, do AI-5, da “vergonhosa” — que ousaram chamar de “redentora”. O País precisa de ajuda, vamos acordar?

E quando falo em ajuda, muita calma: falo de ajuda humanitária, engenharia, fronteira, medicina, segurança...

A violência do buraco do Metrô dói pelo drama humano, mas o buraco é mais embaixo (ou mais em cima, lá na camada de ozônio). A violência da banalização dói mais ainda.

Políticos em geral, será que só a renúncia será capaz de lavar suas almas?

Quem ainda agüenta mais esses meninos de gravata brincando de resolver as coisas?

Perdoem-me os bons engravatados, mas se vocês forem bons mesmo, revoltem-se! Livrem-se delas enquanto é tempo...

Há um novo Brasil nascendo, silencioso. Ele é feito da mistura de gentes. Gente do Sul e Sudeste, gente do Norte e Nordeste, gente do Centro-Oeste e gente estrangeira.

Há uma desconstrução cultural em curso e nada será mais como antes.

Há um caboclo índio dentro de cada um de nós, um deus africano, um santo católico, uma estrela do Islã, um rabino, um pagão.

Minha avó era mineira da Zona da Mata e se chamava Iracema, madrinha de negros, devota e santa. Sá Rosa, sua vizinha, era benzedeira, tirava quebranto, rezava com a brasa em um copo d’água. Vó Iracema fazia doce-de-leite em um tacho de cobre que ela anualmente comprava de uma caravana de ciganos que passava pela cidade.

A outra avó era paulista e uma sábia analfabeta, a chamávamos de Vó Tunica. Ela costumava dizer coisas do tipo: “Quando a cabeça não pensa, o corpo padece...” Um avô era libanês, de Beirute, o outro foi Integralista e enterrou solene as camisas verdes dele e do seu primogênito, meu pai, no quintal de casa. Deus, Pátria, Família e Anauê pelo Brasil !

O Brasil é assim, como a casa da avó, divide seu espaço aceitando as diferenças e transformando todos em irmãos. Somos um povo diferente, porque nosso caldo cultural é enriquecido, vitaminado.

Eu sei, ser brasileiro não é fácil, mas é gostoso.

Quando Pelé, ao ser carregado nos ombros naquela noite de 19 de novembro de 1969, dedicou seu milésimo gol às crianças do Brasil, me lembro que ele pediu, com a majestade de um Rei:
“Cuidem das criancinhas do Brasil!” Ora, Fernandinho Beira-Mar estava com 3 anos de idade...
O crioulo foi achincalhado pelos intelectuais de plantão, ninguém deu ouvidos ao Rei e Fernandinho cresceu.

Pois é, este é o Brasil — esse jovem Brasil, o País que eu amo, a terra aonde trabalho e onde um dia irei descansar.


*Laccy Silva é arquiteto, paisagista e comanda a Zou Cultural

SAIBA MAIS
zoucultural@hotmail.com

25 fevereiro 2007

ANTES QUE NÃO DÊ MAIS TEMPO

Bom senso nos últimos minutos


Em pleno 2007, vigem à nossa volta regras para "estender a validade" de um mundo em extinção. Nessa urgência de correntes que correm o planeta — desde Al Gore com seu Live Earth aos toques dos seus amigos mais nerds e lá no fundo do seu quintal para o lado da piscina e da churrasqueira enquanto espiados pela "big-brodice" da falta de saneamento e da dengue tão perto de nós, acossados pela escalada da violência contra o cidadão e pelo acúmulo de lixo e desgraças engraçadas via TV, bem como pela pressão da falta de atenção para com o corpo e com o semelhante —, fazemos hoje a nossa parte reproduzindo advertências de última hora para muitos (já sendo, para a sobrevivência de outros, um conhecimento essencial ). Pense numa frase grande!



EM CASA
Economize água
Diminua o tempo dos banhos, feche a torneira enquanto escova os dentes, use regador em vez de mangueira, varra a calçada em vez de lavá-la. De acordo com dados do International Hydrological Programme da UNESCO, 97,5% da água do planeta é salgada. A água doce só representa 2,5% e está, em sua maior parte, nas calotas polares. Apenas 0,3% encontra-se acessível em lagos, rios e lençóis subterrâneos. Com a poluição dessas fontes, a escassez de água no planeta é uma preocupação mundial. Leve-a para casa

Separe o lixo
Mesmo que a sua cidade não ofereça serviços de coleta seletiva, separe o lixo em casa e descubra para onde você pode levar material reciclável como vidro, plástico, metal e papel. Tenha especial cautela com lixos poluentes como lâmpadas com mercúrio, pilhas ou baterias usadas, que não podem ser misturados ao lixo comum. O mau gerenciamento dos resíduos da atividade humana é uma das causas diretas do aquecimento global

Desplugue
Embora seja menos impactante do que a queima de combustível fóssil, o modo de produção da energia hidrelétrica (foto da cachoeira by Norman Walsh) largamente usado pelo Brasil também é desfavorável à natureza. Tire os eletrodomésticos da tomada enquanto estão desligados e evite deixar equipamentos no modo "standby", que ainda significa consumo. Prefira eletrodomésticos economizadores de energia

Certifique-se da madeira
Na hora de comprar móveis de madeira, procure saber de onde vem a matéria-prima. Prefira móveis certificados (selo FSC) e oriundos de florestas de manejo sustentável. Dessa forma, você age diretamente contra o desmatamento e pela preservação das florestas brasileiras

Tenha plantas
Nos jardins, nos quintais, nas sacadas, na calçada, na sala do apartamento, no hall do prédio. Plantas significam mais qualidade no ar e menos poluição. Podem ainda significar alimentos frescos para quem mantém pequenas hortas em casa

NO MERCADO
Desembale
Evite o excesso de embalagens. A energia usada para fabricar uma única lata de refrigerante é a mesma que a sua televisão utiliza se passar 172 horas ligada. O queijo fatiado, por exemplo, não precisa de bandeja de isopor nem de filme plástico. E, afinal, para que usar uma sacola de plástico para cada três produtos? Para pequenas compras, por exemplo, você pode levar sua sacola de casa

Use retornáveis
Não compre descartáveis. De copos e pratos a garrafas, dê preferência aos itens cujo fabricante já prevê a reutilização. Volte a usar garrafas retornáveis de cerveja

Prefira produtos locais
Prove os alimentos produzidos na sua região e dê preferência a eles. Além de mais frescos (o que é melhor para a sua saúde) significam um modo de produção menos impactante, e menos emissão de gases no processo de transporte

Consuma menos
Repense seu calendário de compras e evite comprar alimentos que estragam rápido — isso significa mais idas ao supermercado, mais queima de combustível fóssil e mais consumo irracional. Antes de comprar qualquer coisa, pergunte-se se você realmente precisa daquilo. Não compre o que não é necessário e cuide do que vai fazer com o lixo da sua compra

NO ESCRITÓRIO
Imprima menos
Antes de ativar a impressora, pense se é estritamente necessário imprimir os e-mails que recebe. Seja rígido na seleção e só imprima o que for indispensável. Para imprimir um e-mail você utiliza energia elétrica e matéria-prima oriunda das árvores

Reutilize papéis
Toda folha de papel tem dois lados, mas muitas vezes nos esquecemos disso. Reutilize folhas de papel. Faça blocos de notas com papéis usados ou mande folhas de volta para a impressora para imprimir no verso materiais só de leitura

Compartilhe material
Construa uma caixa comum de materiais como canetas, lápis, clipes, post-its. Ali podem estar os materiais que não são pessoais. Isso evita que cada pessoa compre uma nova caneta a cada vez que não conseguir encontrar a sua

Seja seletivo no material
Papel reciclado, lápis de madeira certificada, canetas com componentes não-poluentes. Já existem muitas opções de material de escritório que são produzidas pensando na redução do impacto ambiental

Não ignore o Verão
No Verão, vá trabalhar de roupas leves e defenda isso na empresa em que trabalha. Se o seu cargo é de chefia, libere os subordinados de usar ternos e trajes formais calorentos diariamente nessa época do ano. Assim, o ar-condicionado poderá funcionar em menor potência, economizando energia e esquentando menos o mundo lá fora

NOS DESLOCAMENTOS
Caminhe e pedale
Nos horários de congestionamento, dependendo da distância a ser percorrida, chega-se mais rápido a pé do que de carro. A bicicleta é uma alternativa de transporte veloz e que não polui. Além disso, as duas alternativas de deslocamento fazem bem à saúde

Compartilhe caronas
A queima de combustível fóssil é uma das principais causas do aquecimento global. Descubra quem vive na sua região, dê e pegue caronas. Evite andar sozinho(a) de carro, é injusto quando se considera o impacto do seu "conforto" para o planeta

Use transportes coletivos
Em São Paulo, os deslocamentos de metrô ou via corredores de ônibus podem ser mais velozes do que em carros particulares. Deixe o carro na garagem e use a rede de transporte coletivo da sua cidade. Além de economizar combustível e estacionamento, você ainda estará pressionando governos a aperfeiçoarem essa alternativa

NA RUA
Veja onde joga o lixo
Não jogue lixo no chão. O escoamento da água nos centros urbanos é complicado principalmente pelo lixo que obstrui as canaletas. Essa é uma das causas das enchentes e dos deslizamentos, além de estimular e proliferação de ratos, baratas e doenças

Deixe terra à vista
Pavimentar todo o solo não é bom. Ao construir sua calçada, por exemplo, você pode optar por materiais que permitem que a água o atravesse. Pontos de terra sem pavimento significam que o solo pode respirar. Chão todo pavimentado é como pele humana coberta de substância extremamente gordurosa e com todos os seus poros obstruídos

NA NATUREZA
Integre-se ao ecossistema local
No sítio ou na propriedade rural, evite desmatamentos e queimadas. Preserve matas ciliares (que beiram fontes d'água), elas têm um papel muito importante na manutenção da biodiversidade. Plante sementes nativas. Mantenha ou reconstrua o ecossistema local e posicione-se como parte dele

Plante árvores
O jargão continua valendo: plante uma árvore. Some a ele a oposição à derrubada das que existem ao seu redor, seja no seu quintal ou na calçada do seu prédio

NO MAR
Troque motor por vento
Nas diversões de Verão, toque o jet-ski e o passeio de lancha por um passeio de jangada, de caiaque, de windsurf, de kitesurf. A dica é trocar o óleo, que ameaça a biodiversidade marinha, por vento

Não deixe lixo na praia
Uma sacola de plástico ou uma lata de refrigerante leva mais de 100 anos para se decompor no fundo do mar. Uma garrafa de vidro, um milhão de anos. Desconhece-se o tempo necessário para que uma bóia de borracha se decomponha. Mais do que das florestas, o ar vem do mar. As maiores fontes de oxigênio e outros componentes importantes para o ar do planeta são os oceanos


"I take a holy vow never to kill again"
(Living with war, Neil Young)



FONTES

  • Carta das Responsabilidades - Vamos cuidar do Brasil, escrita por crianças brasileiras durante a 2.ª Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente

  • Douglas Trent, ecólogo pela Kansas University (EUA)

  • ECOLATINA (http://www.ecolatina.com.br)

  • Glen Strachan, Gillian Symmons, Ros Wade, tutores e alunos do Educational for Sustainability Programme da London South Bank University (Inglaterra)

  • Rachel Trajber, coordenadora-geral de Educação Ambiental da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação; Raquel Biderman, advogada do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP

VEJA (E OUÇA) MAIS
http://www.neilyoung.com/lwwtoday/index.html



SUA VIDA

É a sua maior invenção!



“Os fatos tornam-se reais depois de serem inventados”
(Mia Couto)


Ah, quer saber? A nossa vida a gente inventa. A realidade nada mais é do que um grande desejo inventado. Um sonho que se faz verdade, uma vontade que sai do papel e caminha. Assim...

Feito vida. É uma responsabilidade enorme desejar, eu sei. Mas vida ao vivo é pra quem tem coragem: coragem de sonhar. Cuidado em desejar. Porque é preciso fé, auto-conhecimento e um querer no infinito para que sonhos se realizem. Difícil? Pode ser.

É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos. Uma aceitação suave dos próprios defeitos, um rir de si mesmo(a), um desaprender contínuo, um aprender sem-fim sobre o que queremos da vida. Transformar sonho em verdade é para poucos.

E para muitos. Para todos os que têm a sorte de desejar. Não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara para você — qual era mesmo a sua vontade? Esqueça.

Se esqueça. Hora de se perdoar. Tempo de se procurar. RENASÇA.

Ninguém veio ao mundo para acertar, haja paciência pra gente perfeita! Eu sei pouca coisa da vida, mas uma frase eu sigo à risca: é preciso acreditar. E eu acredito! Acredito no que diz o silêncio na hora em que a mente cala. E meu silêncio — que não é mudo e também escreve — dita com voz de quem sorri (às vezes desafiante): confie em si mesmo(a).

Quebre a rigidez. Ouse. Perca o medo. Perdoe-se. Brinque. Viva com leveza e encante-se. Só assim você vai transformar vida em letra em vida. Num reciclar eterno de poesias possíveis.




ESTAS E OUTRAS — ॐ Ask and it is given:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=17047864
Obs.: É sábio o silêncio que habita o coração!!! Que eu consiga ser quem eu sou e bata palmas no final! Mesmo que eu escorregue em mim e puxe a cortina antes do espetáculo acabar. Quem vai dizer que não era esta a melhor parte do show?
(by Fernanda Mello)
SAIBA MAIS

14 fevereiro 2007

ESTADO OU NAÇÃO?

Uma reflexão político-astrológica


Corre na língua do mito grego que no princípio existiam Rhea ou Gaia (a Terra) e Urano (o Céu Estrelado). Mãe e filho. E cônjuges: todas as noites, Urano (ou Saturno) deitava-se sobre Gaia e fertilmente ia gerando e multiplicando sua prole. Entretanto, a deusa, exausta dessa copiosa relação, pede a um de seus filhos, Chronos, que a retire deste seu destino tão sofredor. Chronos, compartilhando da dor de sua mãe, decide ajudá-la. Com sua foice, aproveitando um momento de distração de seu severo pai, corta-lhe os testículos. O sangue do castrado cai sobre a Terra, fertilizando-a, enquanto seu sêmen jorra entre as águas do mar, dando vida à deusa Afrodite — divindade do Amor e da Beleza.

Tendo a acreditar que confundimos Estado com Nação. Não saberia entendê-los como sinônimos. Como Nação, entendo povo. É a Lua. Nossas raízes, heranças, o que trazemos conosco. É nossa família, nossas rastros que se reúnem. Pedaços entrelaçados, que ajudaram a construir o início do que nos somos. Povo é sinônimo de Nação. Nação sem povo, inexiste. Entretanto, existe povo sem nação. Pessoas que, unidas, vinculadas pelo sangue, pela história e pelo destino forjam sua nação.

Por Estado, entende-se um aparelho burocrático, que na idéia inicial de construção de uma realidade digna para seus cidadãos, forja-se nas entranhas da Nação. Qual é o seu objetivo, afinal? Saturno, sendo regente natural da Casa 10 de uma carta astrológica, é nosso pai, as figuras de autoridade, aqueles que estão no poder, o Estado. A Lua, significadora do povo, é senhora natural da Casa 4, oposta à casa 10.

São casas opostas, que realizam entre si um aspecto tido como difícil dentro do Saber Astrológico: a função de ambos é unir-se e completar-se. Dialogar com suas diferenças, enamorar-se. Será que isso se mostra como uma verdade constante? O Estado dialoga com o povo? Onde está o verdadeiro namoro? Ao confundir Estado com Nação, perdemos o verdadeiro enamorar-se. Valores essenciais — como o patriotismo — esvaem-se. Pelos caminhos da História, percebe-se um vício constante: o poder, simbolizado pelo Estado, na figura de seus governantes humilha e declina daqueles que são — em tese — seus filhos.

O pai (que, como citado, é simbolizado pela Casa 10 e por Saturno) é aquele que cuida, protege e fornece a seus filhos os subsídios para seu crescimento e fortificação. Um ótimo entendimento entre Casa 4 e Casa 10. Um namoro perfeito entre a Lua e Saturno.

Mas, petrificados há muito tempo, estão os deveres do Estado. Entre eles, o de fornecer ao povo (seus filhos) os subsídios para um crescimento digno e uma vida sadia: saúde, moradia, escola, alimentação, segurança. Será que o raciocínio está errado? Onde estão os deveres do Estado? Perderam-se no caminho?

O Estado aparece contraditoriamente como uma figura castradora, retirando do povo sua fertilidade — assim como Chronos fizera com o pai. No Brasil de hoje, muito pode ser percebido através da "Carta Astrológica do Grito do Ipiranga", onde Saturno — castrador e cerceador — localiza-se na Casa 3, a casa do ensino e da aprendizagem. Um forte indicador da deficiência do ensino brasileiro.

Nada melhor do que alienar seus filhos (o povo) por meio de uma base educacional limitada e deficiente. Obviamente que a figura de Urano ou Saturno mostra-se coerente, ao impor limites necessários para a exclusão do caos. Entretanto, a ordem preestabelecida deve ser simétrica aos interesses dos filhos da Nação, e não aos mandos e desmandos dos senhores do Estado. Diz o mito que Afrodite nasce da castração. De um ato de terror, nasce a deusa do amor. Esperando que o amor supere o terror, finalizo estas parcas reflexões iniciais de filhos que desejam entender e dialogar com seus pais.


*Binho Silva é apaixonado pela Astrologia e carrega a esperança dentro do peito aonde quer que vá.

(A figura de Chronos integra o acervo da Michael Whelan Gallery)



FALE COM O COLUNISTA
binho.silva@gmail.com

VEJA MAIS
http://www.michaelwhelan.com