Pacto para (g)estarmos aqui16 abril 2008
O ALÔ DA PERIFERIA
Pacto para (g)estarmos aqui14 abril 2008
O GESTOR DO FUTURO
Vendas: novas configuraçõesHá algum tempo, o cenário do mercado de vendas era bem diferente deste que conhecemos hoje. Antigamente, o cliente não possuía informações sobre os produtos, havia poucas opções de escolha e ele não tinha consciência dos seus direitos. O cliente era tratado apenas como “mais um” e em alguns casos era um “mal necessário”. Hoje, já existe a consciência dos direitos do consumidor, e isso faz com que ele exija e tenha opções de produtos e serviços diferenciadas.
No passado, devido à elevada demanda e baixa concorrência, o setor de vendas atuava com profissionais pouco especializados. Não existia preocupação com a concorrência direta ou indireta e tampouco se faziam planejamentos estratégicos que projetassem a empresa no curto e médio prazos. A área de marketing — com o desafio de planejar, delinear e integrar — não existia. Era mero setor de propaganda, sendo necessária apenas alguma criatividade por parte dos seus profissionais.Hoje, porém, as empresas devem estudar e conhecer profundamente a concorrência, partindo para a atuação cada vez mais focada em nichos e fugindo das commodities. Elas devem descobrir os pontos fracos e fortes da concorrência e, de posse dessas informações, traçar suas estratégias de atuação no mercado-alvo, preparando sua equipe de vendas.
Assim, o que se exigirá do vendedor no futuro é muito mais do que conhecer o produto: espera-se que o vendedor transforme a venda em uma experiência memorável para o cliente e consiga destacar o que realmente agregará valor para ele — "valor" não é o que o produto oferece, e sim o que o cliente percebe dele: este é o novo mundo, o das percepções.
Além disso, o vendedor deve ter elevada iniciativa, motivação, atenção, organização e atualização. No futuro, o vendedor deverá ser um gestor não só de seus resultados e carteira de clientes, mas também de sua capacidade produtiva, em todas as suas abordagens: certificações necessárias para atender determinado mercado, gestão de estoque, gestão ambiental e responsabilidade social, entre outros fatores que podem influenciar direta ou indiretamente o valor percebido pelo cliente em seu produto.
E para conhecer cada vez mais o produto da sua venda, a empresa deve investir em treinamento e desenvolvimento profissional. Para motivar seus profissionais de vendas, ela pode utilizar diversos recursos, inclusive a palestra — não aquela proferida por gurus hilariantes, e sim por profissionais comprometidos com a qualidade do conteúdo —, pois a palestra tem o papel de provocar e de estimular os profissionais a repensarem a forma e o conteúdo do seu trabalho, de fazê-los avaliar as necessidades de mudanças adaptando-se aos novos tempos.
A motivação deste gestor de vendas propiciará a busca incessante por novas oportunidades de negócios. Como disse Einstein: “Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa, dia após dia, e esperar resultados diferentes”.
A avaliação desse profissional do futuro também deverá ser diferenciada. A empresa não deve avaliar somente o resultado financeiro ou o volume de suas vendas, mas também resultados como a retenção de clientes, a captação de clientes que geram mais rentabilidade, a venda de soluções completas ou a integração de mais produtos aos que já se vendiam a um determinado cliente e a efetividade, entre outros.
A empresa do futuro deverá ter o foco do cliente, e não no cliente, e o profissional de vendas deverá ter cada vez mais o exato perfil da empresa que representa, ou ainda mais: o exato perfil do produto que comercializa, deixando de ser um simples "tirador de pedidos" para tornar-se um gestor da unidade de negócio sob a sua responsabilidade, além de um consultor amplo e interessado para atender o cliente.
Mais: este futuro do qual venho falando é hoje, agora: é preciso começar já.
*Cláudio Tomanini é palestrante, consultor e professor de MBA na Fundação Getúlio Vargas, com mais de 20 anos de experiência nas áreas de Vendas e Marketing, tendo atuado em empresas como Johnson & Johnson, ADP Systems, Grupo Verdi e VR. Atualmente, é sócio diretor da New Marketing, empresa de estratégias e resultados de mercado. Tomanini possui uma peculiar visão do mercado, criando novos conceitos e desenvolvendo soluções, utilizadas e adaptadas por diversas empresas e outros consultores.
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www.tomanini.blogspot.com
27 março 2008
AUTO-ESTIMA A MIL
Descubra-se respirandoSob a liberdade de pensar o que quer, dizer o que deseja, fazer suas escolhas e trabalhar no que lhe dá prazer, reside o direito básico: saber quem e o quê você realmente é, desenvolver sua auto-estima de modo consistente e viver a partir de sua verdadeira essência.
Este embasamento vai lhe permitir desenvolver um saudável senso de si mesmo(a), porque você tem a oportunidade de descobrir o mistério que você representa e que o(a) faz tão único(a) — e, ao mesmo tempo, o(a) une indissoluvelmente a toda a família humana.
O Renascimento (ou Terapia da Respiração, como é mais conhecido no Brasil) é uma técnica fantástica, que pode ajudá-lo(a) a processar esta descoberta. Poderosa, mas de de aplicação simples e sem qualquer contra-indicação, baseia-se em respiração consciente e conectada, que cria um “movimento energético” capaz de dissolver tensões, angústia, medo, dor e tudo aquilo que é contrário à vida em sua plenitude.
No processo do Renascimento, o primeiro fruto a ser colhido é a aceitação de que a relação primordial de cada pessoa ocorre consigo mesma. Neste percurso, ao nos tornarmos responsáveis tanto pela busca quanto pelo encontro de nossa própria felicidade, a confiança emerge como sentimento dominante, um ingrediente essencial para uma vida mais plena, consciente e realizada.
Desde que nascemos (e às vezes até ainda dentro do útero), não somos exatamente incentivado(a)s a sermos totais e a nos expressarmos espontaneamente — muito pelo contrário, desde pequeno(a)s “aprendemos” que, se nos comportarmos “de certa maneira” e se ocultarmos o que somos e sentimos, seremos “melhor aceitos” —, por nossos pais, professores e/ou pelo(s) grupo(s) social(is) a que nos vinculamos. Como resultante, tudo aquilo que não expressamos vai sendo “contraído” e "fixado" em nosso próprio corpo (conforme inclusive demonstrou, entre outros, o psicólogo austríaco Wilhelm Reich).

*com formação em Psicologia, A. Ramyata é terapeuta holística especializada em Renascimento. Uma das fundadoras do Osho Centro de Renascimento, coordena há 17 anos a formação de Terapeutas Renascedores em nosso País. Credenciada pela Star’s Edge International, é Avatar Master desde 1993 e Líder do Projeto Internacional de Auto-Estima, coordenando workshops, grupos e treinamentos em cidades por todo o Brasil. Quando: 28 (à noite), 29 e 30 de março (manhã e tarde)
Aonde: Hotel Sonata de Iracema – Av. Beira Mar, 848 – Fortaleza/CE
Informações: Clube do Renascimento de Fortaleza - (85) 8883-0450 (Cristina) / 9921-9797 (Gustavo) / 9619-3050 (Mairta) / 3459-2137 ou 6621-2870 (Ricardo)
25 março 2008
DIGESTÃO PREMIADA
Haja suco gástricoEstômago, seguindo sua exitosa trajetória além-mar, também compareceu à mostra de Cinema Culinário do Festival de Berlim, às mostras competitivas do Jameson Dublin Film Festival (Irlanda) e ao Miami International Film Festival (EUA).
Produzido em 2007 no Brasil por Cláudia da Natividade (que também assina a produção executiva), Fabrizio Donvito e Marco Cohen, com roteiro de Lusa Silvestre, Marcos Jorge, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito (o argumento é de Lusa Silvestre e Marcos Jorge), Estômago tem direção de Fotografia de Toca Seabra, montagem de Luca Alverdi, direção de Arte de Jussara Perussolo e música assinada por Giovanni Venosta. Marisol Grossi responde pelo figurino e o colunista da revista Trip e ex-presidiário Luis Mendes Jr. foi o "consultor de Comportamento no Cárcere".
Já a consultoria de Comportamento na Cozinha teve o apuro de Geraldine Miraglia, sendo o agito todo livremente inspirado no conto Presos pelo estômago, escrito por Lusa Silvestre. O filme de 112 minutos recebeu da crítica excelentes notas, com expressões apaixonadas como “Belíssimo filme que sacia nossa fome de diversão inteligente” (Marcelo Janot em Críticos.com.br), “Diretor acerta a mão em fábula indigesta” (Marcos Dávila na Folha de S.Paulo) e “Muito original, muito inteligente e divertido... Promete virar uma das sensações do ano” (Luiz Carlos Merten n'O Estado de São Paulo). A jornalista Anna Accioly (ADois Comunicação) declarou: "Esse filme é maravilhoso! Meio felliniano, uma coisa! Quando o assisti no Festival do Rio, pensei: 'vai ganhar'. Ganhou os melhores prêmios!".
Sobre Estômago, assim se posicionou Jorge Jellinek, o diretor do Festival Internacional de Punta Del Este: “Em uma sociedade onde uns devoram e outros são devorados, o cozinheiro joga um papel decisivo, e pode decidir qual é o melhor bocado. Este é o ponto de partida de Marcos Jorge para lançar um olhar nada complacente sobre a realidade brasileira contemporânea. Sob a aparência de uma comédia satírica, o filme nos oferece uma aguda reflexão social, que atravessa os diferentes extratos sociais. No país do 'Fome Zero' e da 'cultura antropofágica' exposta por Glauber Rocha, a parábola traçada pelo diretor aponta para as entranhas de uma contraditória realidade”.
Já segundo Cléber Eduardo (Cinética), "é possível rir e se emocionar simultaneamente com as experiências entre as caricaturas, com a doce visão dos presidiários, com a relação entre Nonato e uma prostituta felliniana e até com a própria narração do protagonista. São forças geradas por detalhes, sutilezas, pela explosão verbal de um Babu, por um olhar de lado de João Miguel, por um resmungo, por pequenas modulações de expressões e vozes. Um filme de minúcias, de um conjunto poderoso, que merece transpor certo gueto de circulação".
Ao comentar Estômago para a Screen International, Denis Seguin explica que o filme é “uma mistura de comida, sexo e poder que não é vista no cinema desde O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante, de Peter Greenaway. Assim, o filme de estréia de Marcos Jorge é um suspense surpreendente, um mistério que gira em torno não de 'quem fez?', mas sim de 'o que foi feito?'. Como uma deliciosa refeição em um clima estrangeiro, Estômago atravessa o paladar para oferecer um inesperado, mas apropriado final. Talvez nem todos os clientes saiam satisfeitos da sala de projeção, mas é impossível assistir ao filme sem ficar com fome.”
Em sua estréia européia, no Festival Internacional de Roterdã (Holanda), em que recebeu o Lions Award, Estômago foi o segundo colocado — entre 200 longas — na preferência do público. Em sua participação especial no Festival de Berlim 2008, houve até jantar inspirado nos pratos do filme. Como adendo, vários filmes e vídeos do diretor Marcos Jorge — que estreou com Estômago na direção de longas-metragens —, já venceram mais de 50 prêmios nacionais e internacionais.
Na telona, desponta o ator baiano João Miguel como protagonista, junto à curitibana Fabiula Nascimento (em sua estréia no cinema) e aos cariocas Babu Santana e Alexander Sil, bem como o italiano Carlo Briani e o rocker paulista Paulo Miklos (um dos Titãs). Seu ambiente musical tem o carisma do compositor Giovanni Venosta, que criou premiadas trilhas sonoras de vários filmes italianos: Pão e tulipas (2000), Queimando ao vento (2002) e Ágata e a tempestade (2004).
Como grande parte da história se passa dentro de uma cela de cadeia, Luis Mendes Jr. — que entrou semi-analfabeto na prisão aos 19 anos e saiu 30 anos depois como escritor e cronista, com o apoio recebido do editor da Trip Magazine, o radialista Paulo Anis Lima — atuou como consultor de vida e comportamento no presídio.
Estômago foi ainda vencedor do Prêmio de Produção de Filmes de Baixo Orçamento do MINC e seu roteiro participou do prestigioso seminário de co-produção internacional Produire au Sud, financiado pelo governo francês.
O talento de Nonato na cozinha também é rapidamente descoberto por seus companheiros de cela. Para eles e seu violento chefe, Bujiú, a chegada do novo companheiro na cela é a salvação, pois logo o miserável rancho da cadeia logo se transforma em pratos exóticos. Nonato, à sua revelia, passa então a ser conhecido como Alecrim, e com esse apelido começa também a sua escalada ao poder.
Como e porque Nonato acabou na cadeia, isto não sabemos. Esta é uma pergunta que será respondida apenas no final da história, quando se descobrirá o delito cometido por este homem e se completará o seu aprendizado. Pois Nonato, apesar de sua ingenuidade e simplicidade, rapidamente aprende as regras da sociedade dos que devoram ou são devorados. Regras que ele usa a seu favor, porque mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte — e eles sabem, mais do que ninguém, qual é a parte melhor.
Neste mês de julho, Estômago estará sendo apresentado em três festivais internacionais. O longa-metragem, que já tem nove eventos desse quilate no currículo, abre a Mostra Premiére Brazil no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), participa do 25.º Festival de Cinema de Jerusalém (Israel) e será visto no Festival Internacional de Cinema de Durban (África do Sul).
www.estomagoofilme.com.br
17 março 2008
DOMINGOS SÃO FERIADOS
O descanso é divino
Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo... Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar. 06 março 2008
BEM-ESTAR CORPORAL
Modelagem humanaO Instituto Philippe Souchard, do fisioterapeuta francês que criou o método RPG-Reeducação Postural Global, chega ao Rio de Janeiro. O tratamento fisioterapêutico revolucionário criado por Souchard conta atualmente com mais de 8 mil especialistas atuando em vários países, entre eles França, Suíça, Portugal, Espanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo, Canadá, Argentina, Venezuela, Uruguai, Peru, Chile e Brasil.
A sede carioca da entidade será inaugurada dia 07 de março, sexta-feira, em um prédio de 1934 localizado no Jardim Botânico, aonde serão realizados cursos e atendimentos.
"Uma modelagem humana". Com esta simples descrição, o físico e fisioterapeuta francês Philippe Souchard definiu o conceito da RPG, método criado por ele nos anos 1980 e que conta hoje com metade de seus especialistas formados no Brasil — um dos países, segundo ele, onde o método mais se desenvolveu.
"Acho que isso se deve ao modo de trabalhar do brasileiro, que tem grande facilidade para o aspecto manual", caracteriza Souchard, que arrisca sua visão com grande conhecimento do País. Casado com a carioca Sonia Pardellas Souchard, também fisioterapeuta e monitora da UIPTM-Université Internationale Permanente de Therapie Manuelle, Souchard vem ao Brasil habitualmente para ministrar cursos voltados a fisioterapeutas, em diversos estados.
Em 2005, ele inaugurou o Instituto Philippe Souchard de Reeducação Postural Global em São Paulo, voltado para difusão da RPG e formação de profissionais. A sede de São Paulo e a do Rio de Janeiro são os únicos centros, além da sede da França, que ele mesmo administra. Nos outros países onde o Instituto está presente, os centros localizam-se em universidades e associações.
"Depois de ter criado em São Paulo o primeiro instituto, ficou evidente que, se fosse possível, teria que ser aberto um outro na Cidade Maravilhosa. Esta sede no Rio de Janeiro me deixa muito feliz e é também uma homenagem à Sonia, carioca da gema, que me assiste há anos, e também às minhas queridas assistentes Rita Menezes, Mônica Rodrigues, Soraia Guerra e Julieta Rubinetti", detalha Souchard, acrescentando uma conotação sentimental à inauguração do dia 7 de março.Philippe Souchard é também o autor de mais de 15 títulos publicados, entre eles O Campo fechado, bases da Reeducação Postural Global, livro que difundiu o método mundo afora.
O RPG consiste em um método indicado para todas as patologias tratadas pela Fisioterapia. é assim que problemas morfológicos, articulares, neurológicos, traumáticos, respiratórios e até esportivos podem ser trabalhados, a partir de um dos diferenciais da RPG, que é a revalorização da função estática dos músculos.
Solicitados em permanência, eles podem encurtar-se e perder sua flexibilidade, freando os movimentos e deformando o corpo. Assim, um dos princípios do RPG consiste em identificar e alongar os músculos responsáveis pela alteração postural.
Por outro lado, os músculos são organizados de forma coerente em "cadeias musculares" e que, consequentemente, toda tentativa de alongamento acarreta compensações. O método propõe que o paciente seja tratado como um todo, com alongamentos feitos de maneira global, em atendimentos individuais que duram cerca de uma hora. A Reeducação Postural Global une ainda conceitos de individualidade (as pessoas não são iguais), causalidade (busca as causas do sintoma) e globalidade (trata o doente e não a doença).
Hoje, a marca RPG, criada por Philippe Souchard, é reconhecida e respeitada pelos órgãos oficiais da Fisioterapia nos países onde está implantada e representa um tratamento de ponta, utilizado nos melhores hospitais, clinicas e consultórios. As formações ministradas e supervisionadas pela equipe Souchard não são apenas um curso. Trata-se de uma qualificação profissional, reservada a fisioterapeutas graduados, com duração de cinco semanas, num total de 300 horas-aula, teóricas e práticas. Os fisioterapeutas formados em RPG original em todo o mundo podem atualizar-se gratuitamente e têm acesso a formações avançadas sobre temas específicos, atingindo uma carga horária total de mais de 600 horas.
E, se a marca RPG conquistou fama para o método, ao lado de outros grandes métodos fisioterápicos respeitados, é porque funciona. Mas o profissional que o utiliza, que reconhece o valor desse método, que investe tempo e dinheiro para aperfeiçoar-se, deve ser formado adequadamente pelo próprio autor e sua equipe, para aprendê-lo na sua forma original, autêntica e integral, tendo a garantia de poder aplicar perfeitamente o método nas patologias mais complexas e obter resultados à sua altura do seu esforço.
SAIBA MAIS
Instituto Philippe Souchard no RJ
Inauguração: dia 07 de março, sexta-feira, às 19 horas
Rua Getúlio das Neves, 19 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro/RJ
Tel.: (21) 2508-8900 (A Dois Comunicação)
http://www.rpgsouchardinst.com.br
TRAZ A PIPOCA
Tem cinema em casaALTO ASTRAL
Novo formato da Lua Nova"Não há nenhum caminho, nenhum lugar para se ir, nenhum conselheiro, nenhum professor, nenhum mestre. Você é o que a existência quer que você seja. Então, relaxe."
Rua Lima de Oliveira, 180 - Mangabeira - Eusébio/CE
Tels.: (85) 3229-8511 / 8867-8511 / 8883-8511
28 fevereiro 2008
PLATÉIA & PALCO
SISTEMA NERVOSO
Nesta primeira fase é gerado um grande leque de cenas e partituras corporais. Na segunda fase, o material é selecionado e investigado. Este rico material é organizado por meio de composições de partituras de ação física e vocal. AMOR E DOR
Clube dos corações machucados27 fevereiro 2008
O MILHO E O FUBÁ
Mentalidade adolescenteMas digamos que tudo isso fosse verdade e que providências estão sendo tomadas. Ainda assim teríamos uma grande encrenca, pois o pior problema não dá pra contabilizar: o exemplo que está sendo passado aos nossos filhos, de que os erros passados justificam ou atenuam os atuais.
04 fevereiro 2008
SEM DORMIR
Ao som de duas insônias(Charles Baudelaire)
Eis que coloquei minhas palavras em tua boca.
(Jeremias, 1.9)
Só sobrevivo se rio do que é sério.
(Anônimo)
Longe dali, Ferdinand de Saussure, depois de mais um dia dedicado à preparação da segunda série de conferências sobre Lingüística Geral que ministrava na Universidade de Genebra, também não pudera dormir, e dedicav-se a continuar seus cadernos de estudo sobre anagramas, sistematicamente preenchidos durante as noites, até a hora em que o sono o impedia de prosseguir. Nessa ocasião, com a insônia, o trabalho avançava até um ponto em que sua vista se turvava e seu pensamento se aturdia, num misto de sonho e realidade que o tornava ainda mais aflito quanto à veracidade de suas descobertas.
Vinham-lhe à mente, então, a partir de direções difusas, inauditos sons guturais, enquanto sentia, pouco a pouco, a garganta apertar-se. Uma breve pausa e alguns goles de água, sorvidos em silêncio num canto escuro, eram suficientes para que se percebesse parcialmente refeito, retornando à sua longa tarefa.
"Tendo me ocupado da poesia latina moderna a propósito da versificação latina em geral, encontrei-me mais uma vez diante do seguinte problema: certos pormenores técnicos que parecem observados na versificação de alguns modernos são puramente fortuitos ou são desejados e aplicados de maneira consciente?
"Entre todos aqueles que se distinguiram em nossos dias, por obras de poesia latina e que poderiam, por conseguinte, esclarecer-me, são poucos os que se poderia considerar ter dado modelos tão perfeitos como os seus e onde se sentisse tão nitidamente a continuação de uma tradição muito pura. É a razão que me leva a não hesitar em dirigir-me particularmente ao senhor e que deve servir-me de justificativa pela grande liberdade que tomo.
"Caso o senhor estivesse disposto a receber em pormenor minhas perguntas, eu teria a honra de enviá-las numa próxima carta."
Saussure iniciara sua pesquisa sobre os anagramas em 1906, e, a esta altura, já havia preenchido seu 1.170.º caderno, além de papéis avulsos. No momento, fazia anotações nas grandes folhas em que tratava dos poemas latinos de Pascoli e de outro autor, também italiano e também Giovanni — Rosati. Seus cadernos continham essencialmente exercícios de decifração, por meio dos quais buscava encontrar os anagramas fonéticos que teriam sido incluídos pelos versificadores: um ou mais versos comporiam uma certa palavra, geralmente o nome de um deus ou de um herói.
Pascoli, professor da Universidade de Bolonha e, portanto, seu colega de ensino acadêmico, seria seu salvador, o deus-vivo a revelar-lhe a própria intenção criadora, a dar-lhe sustentação às asas do seu vôo, a confirmar-lhe a determinação dos gestos por ele desvelados, a dar-lhe a paz necessária à sua excitação, chão à sua descoberta sem limites.
A inscrição fê-lo despertar-se. Lembrou-se, logo, de já ter visto tal volume numa livraria de Genebra, sem chegar a folheá-lo — era, sabia-o ele, outra obra de Sigmund Freud, autor de A interpretação dos sonhos, que também não lera. Tratava-se, aquele vislumbre, de algo estranho e mero acaso, como lhe pareciam ser, quase sempre, os sonhos... Após deixar de lado os signos esvanecidos na memória, voltou ao seu mundo presente, focalizando a resposta que receberia do poeta italiano.
Maria, irmã de Pascoli, notou na manhã seguinte a sua inquietude: estava lívido, com as feições contraídas, visivelmente maldormido. Trazia uma expressão rude, grave, interrogativa, além do habitual ar sombrio que se instalara nele desde o assassinato nunca aclarado de seu pai Ruggero, quando tinha apenas 12 anos. Ela ofereceu-lhe, então, um revigorante desjejum, que ele mal tocou.
Ou estaria tão imbuído da poesia no idioma do Lácio que a criaria, em seus moldes, como um meio transmissor de uma tradição, sem que isto se limitasse à sua iniciativa? Afinal, ele, Iohannis, recebera medalhas de ouro do concurso holandês, o que revelava que, aos olhos dos críticos, assim como aos do próprio Saussure, seus versos eram legítimos e destacados representantes da poética latina. Não lhe agradava a idéia de não saber coisas importantes acerca de sua própria obra, composta com o máximo de atenção, labor, dedicação e controle que podia oferecer a si mesmo, naquilo que mais lhe importava.
Ao receber a resposta de Pascoli, Saussure inicialmente prostrou-se, por não lhe indicar, ela, qualquer identificação com suas sugestões. Anteviu, portanto, a negativa quanto à realidade de seus achados, talvez apenas uma miragem, uma projeção de sua mente excitada sobre uma massa, ou mancha, que se prestava a qualquer molde que a ela se impusesse. Mas a chama de uma possível revelação, vista a cada passo de seu empenho, não se apagava com mais uma incerteza, e sua iniciativa de escrever a segunda carta deu-se logo, sem rodeios. Era o dia 6 de abril:
"Dois ou três exemplos bastarão para colocar o senhor no centro da questão que se colocou ao meu espírito e, ao mesmo tempo, permitir-lhe uma resposta geral, pois, se é somente o acaso que está em jogo nesses poucos exemplos, disso decorre certamente que o mesmo acontece em todos os outros. De antemão, creio bastante provável, a julgar por algumas palavras de sua carta, que tudo não deve passar de simples coincidências fortuitas:
1. É por acaso ou intencional que, numa passagem como Catullocalvos p. 16, o nome Falerni se encontre rodeado de palavras que reproduzem as sílabas desse nome
... / FA AL ER AL ERNI/
2. Ibidem à p. 18, é ainda por acaso que as sílabas de 'Ulixes' parecem procuradas numa seqüência de palavras como
... / Urbium simul / Undique pepulit lux umbras ... resides
... / U - - - UL U - - - - - ULI- -X - - - - S - - - S-ES,
assim como as de 'Circe' em / Cicuresque /
CI -R- CE
ou em / Comes est itineris illi cerva pede / ... ?!?"
A carta continuaria, mas o essencial estava dito. Se isto não fosse, como deixara explícito, um procedimento consciente, nada o seria, e seu esforço teria sido em vão. A angústia instalou-se nele com um suspiro indefinível, pelo tempo que durasse a espera de uma resposta que previa desértica, árida, vazia, a consumir-lhe o ânimo.
Sem prestar muita atenção à correspondência, Maria passou-a ao irmão, que apanhou imediatamente, dentre as diversas cartas, a do mestre suíço. Ela notou, mais uma vez, que o desassossego tomava conta do poeta, alçando-se, pela premência de algo oculto, a um nível bem mais elevado do que aquele que percebia nele desde os dias finais do último mês.
Pascoli leu-a rapidamente, e dirigiu-se, como em busca de ar, aos arredores de sua residência. Uma névoa discreta tomava conta do lugar, fundindo-se a seu pensamento, curiosamente vago. Não pensara, considerava-se certo disso, em espargir elementos de nomes nos poemas, mas eles estavam ali, e o remetente da carta tinha razão. Desconhecia de fato algo que ele próprio fizera? Ou seu conhecimento era maior do que supunha? Por um instante, pareceu-lhe natural que tivesse engendrado tais palavras nos versos.
Seu devaneio ingressou numa dimensão mais interna, a olhar para dentro, buscando enxergar em meio à névoa que espelhava o exterior, agora não visto — e viu um possível outro de si, a rir de sua ignorância, a ironizar sua cegueira. Voltando novamente o olhar para o lado de fora, dominado por uma superfície vaporosa amena, continuou a ver uma face de si mesmo no éter, como um reflexo que, não obedecendo a seu gesto, ria enquanto ele franzia o cenho.
Seria este outro o autor daqueles gestos precisos de sílabas, de sons, entremeando-se em seu ofício como uma linha que costura no tecido alheio, mas cede à fusão de seu feitio? Ou seu riso denunciava a não-autoria de quem quer que não fosse a própria escritura, a gerar em seus meandros suas próprias leis, dotada de um cérebro, motor da linguagem, criador de urdiduras independentes do veículo de sua concretização, esta mão trêmula?
Nada a responder. A decisão amainou-lhe a alma, que clareava em seu centro, enquanto a névoa se dissipava, permitindo contornos mais nítidos. O ar frio entrou mais livremente em seus pulmões, acalentando-lhe o peito revolto. Parecia agora delimitar-se, em raros traços de vapor, a face translúcida de seu pai, sugerindo-lhe, com voz pálida e longínqua, que deixasse os mistérios se diluírem nos vãos do intelecto.
No início, a ausência de resposta intensificou a agrura de Saussure, que, febril, já não conseguia prosseguir a escrita em seus papéis grandes. As noites tornaram-se vazias, porque povoadas apenas de fantasmas. Fantasmas são nada, vêm e vão, à mercê dos ventos de nossa fantasia; emergem e retornam ao infinito das possibilidades amorfas, ao vazio das formas. Só a intenção, só o ato atento determina a existência do que se identifica. O que apenas surge, e some, nada é, desprovido da determinação da vigília. Assim os sonhos incertos das noites em Genebra, quando a elas retornou o sono, só reaparecido no momento em que os cadernos foram definitivamente ocultados dos olhos exangues de seu autor, num móvel de sólida madeira.
*Marcelo Tápia, radicado em São Paulo/SP, é professor, poeta, musicista e escritor. Produziu este conto motivado por informações contidas na obra As palavras sob as palavras – Os anagramas de Ferdinand de Saussure, de Jean Starobinski (tradução de Carlos Vogt, Editora Perspectiva, São Paulo/SP, 1974). Os trechos das cartas de Saussure (foto acima) foram retirados desta edição, com mínimas alterações, assim como dela provém alguma frase incorporada ao texto

